quarta-feira, 19 de abril de 2023

 Eleição 2024 em pauta ( XVI)

1- Os partidos União Brasil e PSD disputam espaço dominado pelo PSDB no Estado de São Paulo por quase três décadas. Pensando nas eleições municipais, aqueles partidos planejam filiar os prefeitos tucanos e outros dos quadros do PSDB-SP. O simbolismo dessa decadência do grande partido no seu mais valioso território demonstra um futuro sombrio.

2 - Sem deixar o trabalho de tradutor e estudos de problemas internacionais, mas retomando residência em Juiz de Fora, João Vitor Garcia, que foi secretário na Administração Tarcísio Delgado, diz que agora seu interesse maior é debater as grandes questões da cidade, como os desafios do trânsito e tráfego. Nesse particular, há 19 anos ele elaborou projeto de modernização, que contava com o apoio de recursos externos.

3 - A Justiça Eleitoral lembra que eleitores morando no exterior não poderão votar em 2024, pois serão realizadas apenas eleições municipais. Para eles, o exercício do voto só para a Presidência da República.

 

Pelo site da Agência Senado, 697 mil brasileiros com domicílio eleitoral no Exterior estavam aptos a votar em 2022 (exclusivamente para os cargos de presidente e vice-presidente da República). Um colégio eleitoral maior que a população de Juiz de Fora.

Outro dado interessante: as mulheres são majoritárias no eleitorado fora do país, representando 58,54%. A maioria entre 35 e 44 anos.

4 - Nos corredores da Câmara Municipal comentava-se, na abertura das comemorações dos 170 anos da Casa, que todos os vereadores serão candidatos à reeleição. Quase todos, porque Maurício Delgado pode ser o nome do MDB para entrar na disputa da prefeitura.

5 – Sobre as federações partidárias. As disputas regionais continuam dificultando a federação que hoje reúne PSB, PDT e Solidariedade. O assunto foi objeto de matéria da Folha de S. Paulo, na semana passada. Parece fora de dúvida que a dificuldade esbarra na falta de sintonia entre os partidos para as eleições municipais do próximo ano.

6 - Contudo, diz o ex-deputado Marcus Pestana que a federação ainda pode servir de estágio para um futuro partido, “com os olhos no futuro e apostando no enorme potencial de renovação geracional em curso na política”. Seria, no seu entendimento, o caminho para o PSDB, Cidadania, PSB, PDT e Solidariedade. Lançou a ideia, mas ainda não ouviu a repercussão.

Os partidos por ele citados reúnem 54 deputados federais, 10 senadores, sete governadores e o vice-presidente Alkmin.

7 - Fato velhíssimo na política nacional, e Juiz de Fora não é exceção: muitas candidaturas, quando lançadas com grande antecedência, não são obra de correligionários ou simpatizantes; mas pelos adversários, que pretendem desgastá-las. Expostas ao sol e chuva, por muito tempo, não têm como resistir. O vice-presidente estadual do MDB, José Figueirôa, com larga experiência, concorda.

8 - Ao consentir com aumento de quase 300% em seu contracheque, o governador Romeu Zema é criticado pelos adversários. Mas, o que se denuncia como generosidade em causa própria, precisa levar em conta que ele ganhava R$ 10.500,00. Passou para R$ 41.845, 49. O que é justo para quem tem a responsabilidade de governar o Estado.

Foram raras, raríssimas, as vezes em que a cidade se engalanou tanto para receber uma expressão política nacional. Dia 25 de agosto de 1928, quando chegou o presidente Washington Luiz. Banquete no Clube Juiz de Fora, Te Deum na Catedral, casas da Avenida caiadas a pedido da Câmara, hospedagem no belo Solar Penido, que mais tarde a insensibilidade do arcebispo goiano Juvenal mandaria demolir, para fins comerciais. Mas o calor da recepção rapidamente se transformou em gelo, quando o presidente anunciou, como preferido para sucedê-lo, o paulista Júlio Prestes. E disse isso na cara de Antônio Carlos, que era a preferência de Minas. Washington sentiu e antecipou o regresso.

terça-feira, 18 de abril de 2023

 


Lógica do companheirismo




((Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil")) 




Há uma lógica no Partido dos Trabalhadores que o diferencia dos demais; diferente de quase todos. É a garantia que dá aos companheiros de terem à disposição guarita permanentemente aberta para acolher os não bem sucedidos nas eleições. Nisso pode estar a explicação para o fato, facilmente constatado, de que são numerosos os casos em que os seus, sendo derrotados, permanecem fiéis à legenda, pois sabem que o consolo não falta, mesmo se tarda. Ao contrário do que costuma acontecer entre as legendas adversárias, onde os falidos logo estão condenados ao desprezo, pois as urnas já os desprezaram antes. No cumprimento desse rito solidário, muitas vezes o universo petista se excede, porque há casos em que os fracassados não apenas são socorridos, mas promovidos. Se a locação é difícil em Brasília ou nas capitais dos estados, os descamisados são transferidos para prefeituras distantes, onde houver uma vaga disponível.

E nisso o petismo-lulismo também mostra que o eleitorado não dá a palavra final no destino dos candidatos. Ocorreu com Fernando Haddad. Valeu a pena perder o governo de São Paulo, porque acabou consolado com o Ministério da Fazenda, que, como se sabe, é a segunda ordem de poder no governo,  superado apenas pelo presidente da República. Pasta de alta complexidade, é assumida por quem confessa não ter maiores intimidades com os mistérios do cargo.

A companheira Dilma, a quem as urnas de Minas condenaram a um constrangedor quarto lugar na disputa de cadeira no Senado, acaba de ser abençoada com a presidência do banco Brics, o que, de certa forma, resultou em maldade, por ser totalmente desafeita às matérias daquela área e pobre no idioma clássico para cuidar das discussões e dos projetos.

Para muitos, o reparo na manifestação das urnas foi ainda mais visível quando se anunciou a escolha do ex-governador Fernando Pimentel para a presidência da Emgea, empresa discreta, criada para dar trato aos créditos podres da Caixa Econômica. Pimentel, como sabem tanto amigos como adversários, foi derrotado em Minas. Vingança, pois deixou-a num quadro de terra literalmente arrasada.

Interessante é que os demais partidos não cuidaram de adotar o modelo de solidariedade, mesmo tendo à vista os bons resultados do partido de Lula, atento ao prestigiar companheiros acidentados na política.

Violência urbana

O mundo entrou nesta década chamado a encarar dois dos seus maiores problemas, não se sabendo exatamente quando começam, sabendo-se apenas que se agravam; muito menos, quando poderemos contê-los em sua onda avassaladora. Falamos de violência e fome, mas ignoramos qual delas precedeu a outra. Na verdade, é detalhe de somenos, porque ambas se confundem, tanto na origem como na progressão. Pode-se dizer que são do mesmo útero, irmãs geminadas. O Brasil não está fora disso, embora tenhamos de conviver com agravante: aqui, sendo provocação que evolui, vêm afetando, em particular, as populações infantil e adolescente.

É o bastante para se saber que estamos diante de tribulação de alta complexidão; e preciso reconhecer que grupos de trabalho não são capazes de identificar soluções imediatas. Um deles, de amplitude interministerial, está sendo constituído pelo governo, com a missão de avaliar a violência que vem tomando conta de estabelecimentos de ensino e creches, como se viu, há duas semanas, não nos sertões desolados ou nas favelas dominadas pelo crime, mas em Blumenau, uma das mais civilizadas cidades brasileiras, alto nível social, onde não se pode dizer que a miséria seja capaz de detonar grandes tragédias.

As raízes da fome e da violência descem mais fundo, e nos subterrâneos da vida podem construir malha de incrível capilaridade. Não se espere, pois, que um grupo de funcionários de ministérios acenda luzes na escuridão. Mas já terá feito muito se reconhecer as causas maiores.

Se não tanto, que mostre ao seu governo, ainda com quatro anos pela frente, o que é indispensável fazer; pelo menos um pouco do essencial, pela infância e juventude, herdeiras deste Brasil que para elas devemos preparar hoje. Vítimas de vários males, desde pedofilia a execuções sumárias, constituem a faixa populacional mais indefesa.

Longe de serem pecado nacional, são crimes que se banalizam em outros países, estes menos infelizes, porque mantêm tribunais severos e leis não complacentes. Temos agora o recente e hediondo crime de Blumenau, que, mais dia menos dia, acabará amortecido pelos expedientes de tolerância da Justiça ou vingança. Esperar para ver.

Entre nós, não raro, buscam-se explicações simplistas, como o desarmamento, ideal que, lamentavelmente, não afeta os criminosos, porque eles nada têm a ver com as leis, que são nossas, não deles. Armam-se livremente. Quem delinque sempre arranja um jeito de se armar, e não há escola tão eficiente que consiga dar segurança absoluta aos alunos, nem mesmo num Estado da grandeza de Santa Catarina.

Nada disso constituiria novidade para um grupo de trabalho governamental. Mas faria muito bem, ao concluir seus trabalhos, advertindo sobre alguns fatores que têm estimulado a violência urbana, como a degradação da estrutura familiar, onde deve começar a educação; a tolerância com o crime; as drogas descontroladas; o desvio das funções da escola; o mau exemplo dos políticos a estimular o roubo e os caminhos da ilegalidade; a incitação raivosa de diferenças entre raças, gêneros e classes sociais. Se expuser, com coragem, essas forças malignas, que geram e alimentam a violência, o grupo ministerial terá valido, mesmo que nada possa resolver.

Conversa chinesa

Há quem veja improdutividade na decisão do governo brasileiro de interferir, mesmo que simbolicamente, na questão russo-ucraniana, ao propor que se criem aberturas que possam levar à paz, ou, de imediato, ao cessar-fogo, porque este susta a tragédia maior das guerras, que é a perda de vidas humanas e a consequência insana de milhares de orfandades. Faz sentido entrar em cena, ainda que os polos e os atores do conflito estejam nos gabinetes e nos arsenais dos mais poderosos. Fato é que, diferentemente do que se assistia nos antigos conflitos, hoje dissimulam-se, estendem-se, vencem fronteiras pela via das sanções econômicas, a instantânea comunicação entre os povos, afetando os mercados, como, ainda há pouco, o Brasil teve de pagar sua cota de sacrifício, com restrições no abastecimento de insumos, afetando a normalidade do agronegócio, que responde por quase 20% de nossas riquezas cultivadas.

Os conflitos não são mais como antigamente, globalizaram-se. Queiramos ou não, na cadeia de suas consequências todos tomam parte, como é fácil constatar. Nem é preciso ir muito distante, quando se observa que, no recente século passado, conflitos houve que se limitavam aos povos que neles tinham parte direta. O resto do mundo pouco se importava.

Diga-se, com razão, que o Brasil, por mais bem sucedidas que possam ser suas gestões diplomáticas, não tem como calar os canhões na fronteira ucraniana. Mas é uma voz no mundo pretensamente civilizado, membro fundador da Organização das Nações Unidas, interessado nos comércios bilaterais. Tem credenciais para se fazer ouvir, mesmo se destinado à pregação num deserto gelado. Moscou já nos deu as costas; Washington também. Em Pequim, tomara que não tenhamos sido ouvidos apenas por gentileza da balança de negócios. Mas mão podemos calar. Como diria o profeta Isaías: ai de mim, porque calei.

A viagem presidencial à China levou a guerra na pauta as conversações, sabendo tratar-se de uma questão em que os chineses portam-se com clara preferência pela Rússia, e têm pouco a nos ouvir, embora com reverências muito maiores em relação à frialdade oficial que marcou a recente visita do presidente Lula à Casa Branca. No linguajar rasteiro, se se trata de briga de cachorro grande, nem por isso deva se dispensar nossa palavra, porque impensável seria a omissão diante de um episódio sangrento, com ameaça de poder evoluir para a disputa nuclear.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

 


Eleição 2024 em pauta (XV)



1 – Plano que está sendo acertado para o segundo semestre. O Novo quer promover campanha destinada a dar dimensão nacional ao governador de Minas, Romeu Zema, com a certeza de que ele pode se tornar opção para a vice-presidência em 2026. O que o Novo não pode garantir é se até lá terá o governador como filiado.


2 - São Paulo, a mais importante cidade do país, tem pré-candidato na eleição municipal de 2024. O nome colocado pela esquerda é o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).


Agora, falta a definição do candidato da direita. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi lembrado como uma possibilidade por seu partido, mas declinou da indicação. E defendeu, em entrevista recente ao SBT, o nome de outro deputado, Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente.


Salles foi um dos mais bem votados em 2022, e pode ser a opção do partido para disputar a prefeitura. Entretanto, ainda não é conhecida a opinião do governador Tarcísio Freitas (Republicanos) sobre o assunto. O apoio do governador pode ser útil para Salles, até porque já se conhecem, pois foram colegas de ministério no governo Bolsonaro.


3 – Em setembro ou meados de outubro o ex-presidente Bolsonaro deve iniciar peregrinação pelo interior do país, preparando-se para ter peso decisivo na eleição do ano seguinte. Em estados de maior porte eleitoral, como Minas, serão selecionadas entre cinco e dez cidades para a promoção de concentrações. Juiz de Fora, com certeza,


4 - Na segunda-feira, a secretária de Estado Elizabeth Jucá participou do Painel "A Visão e Posição Empresarial na Agenda ESG", da Fiemg. Mencionou o Plano de Promoção ao Desenvolvimento Social de Minas, que prevê diretrizes e ações para o enfrentamento à pobreza rural e urbana no estado.


A notícia estava em um post no facebook pessoal dela. Ao fazer a divulgação aos seguidores de sua presença em evento dessa magnitude, permite ilações sobre eventual participação nas eleições municipais de 2024, como candidata à PJF.


5 - Vereadores de BH resolveram dificultar a vida das empresas de ônibus, exigindo que sejam criadas modalidades de tarifa zero para alguns usuários da capital, antes de liberar novos subsídios da prefeitura para as empresas.


6 - Em JF. a atual Administração subsidia o transporte coletivo urbano, e mantém, nos dois últimos anos, congelada a tarifa no valor de R$ 3,75.


O transporte coletivo certamente será tema de debate na campanha eleitoral. E o subsídio relevante, pelo impacto que causa nas despesas orçamentárias do município. Quem for prefeito em 2025 terá o ônus político de tentar rever o subsídio, que tende a ficar oneroso para os cofres municipais.


7 - Essa história de violência nas escolas ganhou notoriedade rápida nos últimos dias. Será que houve coordenação e disparo de mensagens em massa? Pode ser que haja alguém ou algum grupo interessado em querer instrumentalizar os ataques.

 

Pelas redes sociais, sabe-se de inúmeras ameaças, encadeadas, às escolas públicas, que na semana envolveram, ao menos, seis estados. Muitas prefeituras cancelaram as aulas. As notícias de ameaças de alunos contra outros multiplicam-se. Há um clima de tensão na comunidade escolar.


Violência nas escolas/creches públicas será um assunto relevante no item Educação nos programas de governo para os futuros candidatos às prefeituras.



A crise mineira de 1933, que se acentuou com a morte de Olegário Maciel, abriu a delicada questão da sucessão no Estado, o que passou também a ser uma grande dor de cabeça para Getúlio Vargas no Palácio do Catete, onde a disputa tornou-se assunto de todos os gabinetes. Os mais fortes: Melo Franco era apoiado por Oswaldo Aranha, e Gustavo Capanema por Flores da Cunha. Quem contribuiu, em muito, para complicar o quadro foi Antônio Carlos, que saiu de Juiz de Fora e marchou na União e Indústria com uma lista de oito nomes. Getúlio prometeu analisar a lista, mas sugeriu, “apenas para compor,” que se incluísse o nome de Benedito Valadares, até então não era lembrado por ninguém. Mas o presidente sinalizou claramente: será o Benedito. E foi.



quarta-feira, 5 de abril de 2023

 


Eleições municipais em pauta ( XIV)

1 - Coisa de louco. Na excelente revista eletrônica Matéria Prima, editada em Belo Horizonte, o jornalista Orion Teixeira narra uma conversa com o ex-governador Antônio Anastasia, atual ministro do Tribunal de Contas da União, em que ele afirma categórico: quem quer ser prefeito é louco, referindo-se, certamente, às dificuldades impostas pelo cargo. Anastasia considera que ao prefeito é impossível ter visão de tudo que ocorre em seu redor, mas acaba responsabilizando-se.

Ele fala do desafio de prefeitos de grandes cidades. Escapam os pequenos, citando, como exemplo, o município de Serra da Saudade, com apenas 900 habitantes.

2 - Integrantes do PT nacional estão convencidos que poderão perder o poder nas eleições presidenciais de 2026, caso não lancem candidaturas próprias para prefeito nos principais municípios (capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores). Isto implica, por exemplo, em rever o acordo feito, anteriormente, de apoiar o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a capital paulista.

Em Juiz de Fora, a candidaturaà reeleição da prefeita Margarida Salomão é certa, mas a escolha do vice em chapa puro-sangue suscita debates internos no partido.

3 - Diz o deputado Lafayette Andrada que boa parte dos problemas do governo Lula vem da ineficiência da área de comunicação. O governo não sabe se comunicar; dificuldade, aliás, que não faltou a presidentes anteriores.

Lê-se no ”Jornal do Brasil” do dia 28: “No breve lapso de uma semana, escancaradas diante da nação, as dificuldades permitiram, antes de tudo, perguntar por onde andam os assessores encarregados de aconselhar a Lula o que ele deve dizer; e, mais importante, recomendar quando deve silenciar”.

4 -No último final de semana circulou notícia, via rede social, sobre suposta candidatura à PJF de Beth Jucá, secretária de Estado de Desenvolvimento Social, articulada pelo MDB-MG.

Logo em seguida, o partido emitiu nota com o desmentido de tal articulação. A nota foi subscrita por Newton Cardoso Jr (presidente estadual) e João César Novais (presidente municipal). Esclareceram que a notícia contém informações desconhecidas pelas pessoas envolvidas e citadas.

Observadores da política municipal, ouvidos no calçadão da rua Halfeld, ao saberem da suposta especulação, indagam a quem podia interessar tal enredo.

5 – Março fechou, com intensa campanha em favor de maior participação das mulheres nos destinos políticos do país, embora líderes feministas reconheçam que tem havia progresso nesse objetivo. Hoje, são 91 mulheres com atividade parlamentar em Brasília, o que significa apenas 2.7%.

6- Após um período sabático na Flórida, o ex-presidente Bolsonaro retornou ao Brasil,ao mesmo tempo em que seu partido, PL, procura aumentar o número de filiações e candidaturas para a eleição de 2024. A presença do casal Michelle-Jair Bolsonaro como cabo eleitoratraz a expectativa partidária de aumentar o número de prefeituras apoiadoras do PL, sob a lógica de que o partido foi o que mais elegeu deputados na eleição de 2022.

7 - Encontraram-se, na semana passada, em São Paulo, dirigentes das fundações partidárias do PSOL e do PT,para elaboraagenda de ações conjuntas, com o objetivo de realizar estudos e pesquisas sobre a realidade brasileira, incluindo levantamentos acerca das próximas eleições.

O  foco prioritário será a capital paulista, maior município do país, onde há um acordo pré-aprovado em 2022, de apoio do PT ao deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a prefeitura. Inicialmente, a medida será fomentar a produção de diagnósticos da realidade socioeconômica e pensar programas políticos. O próximo pleito é considerado relevante para o enfrentamento ao conservadorismo.

8 - Em JF, o PSOL ocupa uma cadeira na Câmara, pela primeira vez na atual legislatura, através da vereadora Tállia Sobral. Enquanto o PT ocupa quatro cadeiras, formando uma bancada que antes não havia alcançado. Entretanto, o PSOL constituiu federação com o partido REDE, e, com isto, para o Legislativo municipal continuaram separados, podendo haver acordo para a reeleição da prefeita. Em 2020 o PSOL teve candidatura própria, com Lorene Figueiredo.

9 - Se a economia impuser sacrifícios ao povo, no ano que vem a rejeição de Lula aumenta, segundo avalia militante petista ouvido pela coluna. E isso, comenta, vai refletir nos candidatos a prefeito que o PT apoiar nas eleições de 2024. Devido ao calendário eleitoral, o presidente quer, o mais rápido possível, aprovar o arcabouço fiscal, que substituirá o teto de gastos em vigor, trazendo expectativa positiva ao mercado.

Nos primeiros tempos da Administração, com o município autônomo, não era tarefa das mais fáceis encontrar candidatos à vereança, a começar pelo fato de que o exercício do mandato era gratuito. Além disso, no período 1857 – 1860 o vereador que faltasse às sessões, sem motivo justificado e provado, pagava multa de 4 mil réis diários.

Houve casos em que vereadores procuravam escapar das penalidades do Código de Posturas por eles criado. Em1861, o fiscal José Cândido Americano multou alguns membros da Câmara por terem descumprido itens daquele Código.

terça-feira, 4 de abril de 2023

 


Tempo de via-crucis



((Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil" ))

Mesmo que não se saiba por onde andam os cuidados religiosos do presidente Lula, e se dá importância a isso, é possível que nestes dias de semana um pouco mais santa ele atente para o fato de que também está vivendo sua via-crucis, sob o peso da cruz dos três primeiros meses de mandato, caminhando por um calvário tão antecipado, que, seguramente, não fazia parte de seus sonhos. Porque os espinhos que lhe incomodam a cabeça, longe de serem apenas obra dos adversários, começam sendo arranjo trançado no próprio governo, com gente de casa empenhada em disputas por poder e prestígio na fonte comum. Esse quadro, por maior que seja a simpatia dos apoiadores, empenhados em conter a fúria dos acontecimentos, clareou-se nos últimos dias, tanto pelo que se noticia como pelo que transpira. Seja como for, o presidente está trilhando uma via dolorosa, em parte por ele próprio criada, sem que surja no horizonte o providencial Cirineu.

Desencontro ameaçador é a divergência entre auxiliares. Enquanto uns desejam governo vocacionado para imposições políticas, em nome da popularidade, outros, em confronto, estão nas equipes técnicas, ou mais ou menos técnicas, mas todas com sensibilidade para saber que, chegado o momento adequado, é preciso tirar da gaveta algum remédio amargo destinado a conter dificuldades na economia. Aliados de dentro e os desalinhados de fora que querem entrar têm ajudado a aquecer o termômetro. Quanto a uns e a outros, o difícil é saber até que ponto a corte permanecerá fiel.

Se o clima tem perturbações na cozinha de casa, que já andava tenso, para agravá-lo associam-se e contribuem sinais de conflito nas bancadas governistas do Congresso, onde senadores e deputados não precisaram mais que três meses para levantar questões pontuais, que, bem analisadas, revelam o propósito de testar a Presidência da República na sua capacidade de dar atendimento às postulações partidárias. Há dias, o PSB do vice Alkmin advertiu que a base ainda carece de reforços. O que não deixa de ser um complicador a mais.

Ainda que o setenário santo recomende tempo para reflexões e convivência harmoniosa, é evidente que Lula tem mais pedras para ameaçar tropeços, como se vê nas negociações para tramitação de Medidas Provisórias, porque os parlamentares não dão fé na boa intenção de se privilegiarem as que tratam de políticas sociais. Por isso e por outras razões, insistentemente desafiador, o Congresso ajuda a balançar o arcabouço da reforma fiscal.

E, acima de tudo, no que mais incomoda, são as pressões da CPI, com consequente abertura dos arquivos da ABIN, sobre o trágico 8 de janeiro. Eis um dia verdadeiramente mal explicado.

Providencial e refrescante para Lula, como a toalha de Verônica, veio a pneumonia, pretextada para mantê-lo em resguardo por sete dias, levando-o a desistir de compromisso internacional de primeira importância, como também ganhar algum fôlego para descongestionar os brônquios e a política. E ver também como enfrentar os ventos pouco propícios da volta de Bolsonaro ao país, que certamente não chega para bater palmas, muito menos pedir paz e desejar boa Páscoa.

No tempo dos generais

Com a decisão das lideranças militares de excluir comemorações oficiais no aniversário do golpe de 64, o que veio contribuir para conter excessos, tanto de simpatias como sentimentos hostis em relação àquele episódio, resta aos historiadores desapaixonados a tarefa de cuidar, além de tudo que já se disse, da vida dos generais das seis décadas de poderes ferozmente concentrados em suas mãos. É preciso que se fale mais sobre eles; o que foram, o que quiseram ou não puderam na intimidade com o poder discricionário. Porque é certo que em alguma coisa eram diferentes, embora se igualassem nos compromissos com a larga temporada de excepcionalidade. Ou as diferenças não representam maior significação? Mesmo alinhados como ditadores, uns melhores que os outros? É preciso saber melhor, periciar o papel de cada qual. Para tanto, já temos a favor um horizonte distante, o que é bom para dar à História, preservada em relação a paixões e preconceitos. Em geral, aqueles generais são citados apenas como ditadores, como se isso bastasse. Seriam idênticos em tudo, o que não tem correspondência com a verdade. Com o fato incontestado, para servir de ponto de partida a novas reflexões, que os presidentes de 64, salvo João Figueiredo, não conseguiram cumprir o que solenemente haviam prometido a favor de um governo que entendiam como ideal. É um detalhe que nem sempre figura como questão essencial.

Quase seis décadas passadas, a poeira do tempo já não pode perturbar a melhor visão crítica da História sobre o prometido e o não realizado, e a informação daqueles homens sobre os porões e corredores. onde excessos eram praticados. Qual sua responsabilidade pessoal naquilo?

General Castello Branco, empossado no mesmo 64, disse que passaria o cargo a um civil no ano seguinte. Não só descumpriu, como prorrogou o próprio mandato. Dissolveu os partidos, suprimiu direitos e eliminou eleições diretas, em nome de uma nunca bem definida “emergência revolucionária”.

Menos polido, mas igualmente apregoando compromissos, o general Costa e Silva assumiu, dizendo que deixaria o governo sem o horror dos Atos Institucionais, sendo que nem ele mesmo conseguiria chegar ao fim do mandato, surpreendido por um derrame cerebral. Veio Garrastazu Médici, com a boa nova de que acabaria com a repressão; pois foi exatamente sob sua passagem que mais se torturou e mais se matou. Quando chegou o general seguinte, Ernesto Geisel, com ares de sisudez prussiana, as promessas aliviadoras eram as mesmas, mas também irrealizadas. Prometeu respeitar o Congresso, mas não hesitou em fechá-lo por causa de uma infantilidade do discurso do deputado Márcio Emmanuel Moreira Alves, para quem as moças não deviam namorar soldados… Geisel cassou e se tornou pai do Pacote de Abril. Um pacote de maldades.

O que antigos pesquisadores escreveram, e os novos devem confirmar, é que os generais de 64 assumiram e se mantiveram permanentemente em obediência à bandeira e aos tanques da Vila Militar, de onde saíam as ordens finais e traçavam-se os rumos do poder.

Diante de uma história em que tanto se prometeu e tanto se descumpriu, a exceção foi, no fim do ciclo da excepcionalidade, o presidente João Figueiredo, que, reagindo a pressões dos gabinetes, promoveu a reabertura política, a anistia e devolveu o governo a um civil. Não chegou ao cargo pela via democrática, mas foi diferente dos que o antecederam.