/ / DIÁRIO DA CIDADE / / Wilson e Gabriel Cid
Jornalista e universitário, Juiz de Fora, MG, Brasil
terça-feira, 8 de setembro de 2026
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Rumo ao
segundo round
A menos que
os institutos de pesquisa da tendência eleitoral incorram em erro coletivo - pouco
provável que aconteça -, a sucessão presidencial caminha para ser decidida no
segundo turno, experiência cada vez menos incomum entre nós, pois, desde 1989,
só em duas vezes o presidente foi conhecido em turno único. Sobre o que vão nos
dizer as urnas, dentro de um mês, a segunda convocação parece inevitável, por
força da polarização, fenômeno que antecipa favoritismos apaixonados, acolhe apenas
dois como favoritos, divide com eles as paixões e preferências. Contudo, caprichoso,
não permite a maioria absoluta, a graça experimentada por Fernando Henrique.
Pois bem,
polarizadas as preferências, caminha-se, facilmente, para o tira-teima, desfecho que nos aguarda
em 25 de outubro. Um redobrado sacrifício para os candidatos, que não escapam logo
de dois desafios pela frente: construir alianças com partidos e forças
políticas que, no primeiro turno, preferiram quem teve votações insuficientes; e,
paralelamente, tentar romper as muralhas da rejeição que os cercam. Não é
pouco.
Adiro aos
que definem o segundo turno entre os mais felizes aperfeiçoamentos da
legislação, quando se leva em conta que o ideal democrático é ampliar o direito
de opção do eleitorado. Ou, como dizia, na França, Charles De Gaulle, a quem se
deveu a primeira experiência, se o primeiro turno é o direito de votar com o
coração, no segundo o que se impõe é votar com a razão. O primeiro desova
protestos; o segundo encoraja a reflexão.
Aqui mesmo
neste JB, Villas-Boas Corrêa, que há dez anos nos deixou, foi um entusiasta do
segundo round entre os dois favoritos das urnas. “Com a enxurrada de legendas,
corremos o risco de eleger um presidente com, digamos, 20% dos votos, receita certa de turbulências e
desestabilização do governo”. Diria ele que o segundo turno arruma a casa,
evita a eleição de um candidato carregado numa onda emocional. O raciocínio
é perfeito.
2 - Resta,
contudo, um problema sério, e dele não sabemos como escapar. Viu-se em 2022,
quando o candidato vitorioso elegeu-se com modesta diferença de votos, algo em
torno de 1,5%. Para o bem da estabilidade política, ideal é que o vitorioso,
seja quem for, vença beneficiado por uma diferença expressiva de votos, porque
é a partir daí que pode organizar as bases da governabilidade.
O presidente
Lula venceu com 50 milhões de votos, mas, olhando para o lado, viu que outros
50 milhões ficaram com seu opositor. Conclui-se que, em casos como aquele, qualquer
apoio, por mais modesto que tenha sido, arvora-se como decisivo. Quem o apoiou
sentiu-se no direito de cobrar uma fatia do bolo vitorioso, que, com tantos
comensais, teve de ser enorme, cheio de ministérios desnecessários e
generosidades sem medidas. Não demorou muito para ver, no Congresso, a
tramitação de seus projetos custando favores.
3 - Quando
estabelece a legislação que eventual aprovação no primeiro turno dá-se pela
maioria de votos válidos, menos os brancos e nulos, são cometidos dois pecados.
O primeiro é negar a validade ativa do voto em branco, que é o nosso direito de
não escolher um dos candidatos. O segundo é considerar como iguais, para efeito
de condenação, o voto branco e o nulo. Aquele, revela apenas ausência de opção;
este é instrumento de raiva, nega a utilidade da manifestação. Coisas
totalmente diferentes.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
6
terça-feira, 18 de agosto de 2026
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Morrendo
pela boca
O fato de 12
países da América Latina viverem, hoje, sob governos de direita,
ideologicamente contrários ao Brasil e ao México, estes identificados como
modelos esquerdizantes, recomenda que nossa chancelaria se desdobre em esforços
para não aprofundar divergências com as capitais que seguem linhas políticas diferentes.
Já temos problemas demais. A percepção dessa realidade levou o comando brasileiro
a não estimular um conflito diplomático com a Argentina, depois que o
presidente portenho definiu o colega brasileiro como figura menor, com agravante
de ofender a hospitalidade numa terra que não é a dele.
(Para guardar
o insulto na geladeira é certo que ajudou o fato de os costados de Lula estarem
imunizados contra agressões, venham elas de onde vierem (mesmo seu vice,
Geraldo Alkmin, já disse contra ele coisa pior do que disse o visitante)
No caso recente,
melhor que entrasse em cena, como efetivamente se verificou, o velho remédio
dos panos quentes; o dito pelo não dito, as relações comerciais preservadas.
Acresce outro fato, não menos importante: na atual conjuntura, um revide
brasileiro, tão desejado por setores radicais, contribuiria para engrossar a natural
liderança de Milei no clube dos governos latinos de direita. Além do detalhe
suplementar de que o líder argentino, brigando com Lula, adiciona mais alguns
pontos nas simpatias de que desfruta nos Estados Unidos. Porque não constitui surpresa,
em nenhuma capital do continente, que tudo que venha contrariar o governo
petista do Brasil resulta em bom grado dos gabinetes da Casa Branca.
Compreende-se,
portanto, o caminho da tolerância e a opção por esvaziar o incidente, reduzindo-o
à formalidade das consultas diplomáticas e troca de embaixadores, em oposição ao
mau humor dos revanchistas, que não são poucos entre governistas e aliados. Gostariam
de enforcar Milei no velho cadafalso que guarda históricas divergências entre
os dois países, muito além do futebol.
2 - A gente
se inclina a achar que os grandes males do momento são obra ingrata da falência
da palavra; ou, antes, culpa das golfadas de descuidos que escapam da boca dos
líderes políticos em suas frequentes incursões nas relações internacionais. Lamentável
lembrar que caíram nas desmemórias os tempos em que elas eram medidas com
extremo cuidado, para que não se prestassem a impasses entre os povos. Hoje, a
realidade é outra. Para se constatar isso, nem é preciso sair da América.
Nos Estados
Unidos, o presidente Trump revela enorme capacidade de gerar tensões,
indistintamente entre amigos e adversários, pelo que diz, ou, não menos grave,
pelo que desdiz, logo em seguida. Próximo, um pouco mais ao sul, Ortega, da
Nicarágua, anda pior, vai mais longe, ao colocar a palavra a serviço da
insolência, e com ela proclamar a desnecessidade de eleições, pois prefere
manter sua ditadura no nível do poder doméstico, que divide com a mulher.
3 – Nessa linha de desmazelos com as palavras oficiais, o
Brasil jamais seria acusado de estar ausente. O presidente Lula, com
animada repetição, prima por dar
liberdade total ao repertório; e, ainda agora, divide com o governo de Assunção
os desgastes criados com os argentinos. Feriu o orgulho do Paraguai,
equivocando-se ao condenar o vizinho por invadir o Brasil na Tríplice Aliança.
Quem estuda nossa campanha naquela guerra sabe que o melhor que fazemos é não
mexer no assunto, porque praticamos ali coisas horríveis que podíamos esquecer.
Os fieis amigos – onde estão? - fariam bem se atualizassem o presidente com a
realidade histórica.
terça-feira, 28 de julho de 2026