domingo, 12 de dezembro de 2010

Diplomação e definições

No final da semana o Tribunal Regional Eleitoral realiza a diplomação dos eleitos em outubro e os ocupantes das primeiras suplências. O governador Antônio Anastasia, tal como ocorreu com Aécio Neves, assume no primeiro dia de janeiro, mas sem transmissão de cargo, pois sucede a si mesmo. A propósito do ato de posse, o Tribunal vem resistindo, há anos, aos apelos para que mude a data, considerando-se que os empossados acabam de acordar da madrugada de festas de passagem de ano... Eventuais excessos não justificam.
Com os homens e mulheres nos seus devidos lugares, o governador vai dispor de condições políticas para concluir a escolha dos nomes do primeiro e segundo escalões, tarefa difícil, mesmo considerada sua capacidade de decisão. Mas é exatamente por ter o governador grande poder que as pressões e os interesses se fazem sentir com mais vigor.
Logo após a solenidade no TRE também se intensificam as articulações para a convocação de alguns deputados eleitos que ocuparão funções no Executivo, abrindo-se, automaticamente, vagas aos suplentes que a política oficial considera importante tê-los em plenário e nas comissões da Câmara e da Assembleia. De imediato, figuram neste caso os veteranos Vítor Penido e Bonifácio Andrada.

Em relação a suplências, dois registros: 1 - até que tenha o filho, Rodrigo, terceiro suplente, assumindo na Assembleia, o prefeito Custódio Mattos terá de contar com o correligionário Lafayette Andrada para defender sua administração. 2 - setores do PT em Belo Horizonte andaram falando na suplente de deputado Margarida Salomão para assumir a representação do Ministério das Comunicações em Minas. Muito pouco para quem já foi reitora de uma universidade federal e acaba de obter votação consagradora.


Prioridades na UFJF

Certo de que em 2011 não faltarão recursos financeiros da União para a Universidade Federal (o que se diz é que será algo em torno de R$ 170 milhões) o reitor Henrique Duque define algumas das prioridades que vão ocupá-lo no novo ano, e uma delas, certamente a primeira, é o novo hospital universitário, com capacidade para 350 leitos. O edital de licitação será publicado 48 horas após o Natal.
Na noite de sábado, depois de presidir a solenidade de entrega da Medalha JK a 50 personalidades, o reitor, conversando com jornalistas, disse que também estão entre as obras físicas para os próximos 12 meses a instalação do planetário, o jardim botânico, “possivelmente com um teleférico”, o parque tecnológico e o sistema próprio de geração de energia para o campus.


Notas

1- Em sua reunião desta segunda-feira, à tarde, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural vai discutir o valor venal de imóveis tombados. O que se pretende é modificar a metodologia de cálculo de depreciação.

2 – Ainda em relação ao patrimônio cultural da cidade: até o final da semana, o diretor Douglas Fasolato deve anunciar a retomada das obras de restauração do Museu Mariano Procópio.

3 - A começa pela sede central, a perfeitura vai cobrar, a partir do primeiro dia do novo ano, a identificação dos funcionários pela biometria. Dentro de três meses, cinco mil deles já estarão submetidos a esse sistema, para se controlar o efetivo tempo trabalhado.

4 - Em conversa com amigos, durante evento social, o vice-prefeito Eduardo Freitas dizia que 2011 será o ano em que a cidade assistirá a uma explosão de obras comandadas por Custódio.

5 - A sugestão é tão antiga como permanentemente oportuna: o Demlurb faria bem se mobilizasse uma equipe para remover logo a água que as chuvas deixam empoçadas nas calçadas e junto ao asfalto. Medida preventiva para conter a dengue.

6 - Este ano registrou o fechamento de alguns dos restaurantes e bares mais tradicionais de Juiz de Fora. Depois do Faisão Dourado, também o Dia e Noite, que vinha dos tempos em que a esquina de Getúlio Vargas e Marechal Deodoro era o Largo da Alegria. A faixa da tradição agora fica com o Belas Artes.

7 – Três deputados federais – Luiz Fernando Faria, George Hilton e Reginaldo Lopes – fizeram presença no campus da UFJF, sábado à noite, para assistir à festa da Medalha JK.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aécio propõe ousadia

O senador eleito Aécio Neves, que dedicou os três últimos dias a conversar com líderes do PSDB, inclusive Fernando Henrique, traçou a linha mestra de sua atuação no Congersso, e para ela promete tentar influenciar outros partidos, sejam eles da oposição ou da base do governo, tudo em nome de uma pauta comum. Na sabatina a que se submeteu no programa Roda Vida, da TV Cultura, na madrugada desta sexta-feira, ele propôs mais ousadia para que se viabilizem as reformas, a começar pela que trata da político-eleitoral.
Ao alinhar as prioridades, Aécio começa pela cláusula de barreira, instrumento que amarra os partidos inviáveis, isto é, aqueles que não conseguem 5% dos votos nacionais para a Câmara dos Deputados ou 3% em nove estados. Talvez com isso as bancadas no Congresso se restrinjam a seis ou sete partidos. Entende que seria uma boa medida, até porque, quando é exagerado o número de legendas, fica difícil cuidar da tramitação das matérias, pois os entendimentos passam a ser tarefa de convencimento individual.
Aécio também sugere pressa na votação do financiamento público das campanhas eleitorais e, tanto quanto possível, o voto distrital.

Por que não a terceira via?

No atual período antecipado de sessões a Câmara sente que continua fortalecida a candidatura do vereador pastor Carlos à presidência, até porque é o preferido da bancada governista. Mas sente também que, não sendo uma candidatura natural, muito menos unânime, continua aberto espaço para alternativa, já que não se conseguiu viabilizar o projeto de eleição do tucano José Laerte.
Quando a solução é impossível em relação a dois, nada impede que se pense na terceira via, a que soluciona e pacifica. Se a saída fosse essa, segundo os murmurinhos de gabinetes, a Câmara poderia pensar em Júlio Gasparete ou Flávio Cheker.



Notas

1 – O serviço de iluminação pública em Juiz de Fora tem obrigação de ser melhor, se considerado o do Rio de Janeiro. Ontem, fazia-se comparação entre duas contas emitidas no mesmo dia para casas residenciais de dimensões idênticas: para a de Ipanema taxa de R$ 4,50; para a do Bom Pastor, R$7,92.

2 - Primeira promoção cultural do novo ano será o Encontro de Folia de Reis, dia 8, entre 15h e 22h, no Parque Halfeld. Quem organiza é a Associação de Folia e Charolas.

3 - Inaugurada, a Praça de Convivência da Universidade Federal está sendo considerada, por quem conhece os campi, como uma das melhores do País.

4 - O sábado e domingo são de festa na fazenda Guaritá. O empresário Omar Peres reúne amigos para se despedirem de Roberto Gonçalves, que deixou a direção do telejornalismo da Panorama e assume o mesmo cargo em Aracaju.

5 – Quatrocentas prefeituras mineiras, entre as quais não menos de vinte da região de Juiz de Fora, não terão como pagar o 13º. Os cofres estão zerados.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

PMDB faz dupla ameaça

Os ressentimentos políticos, que no passado se manifestavam cuidadosa e discretamente, agora o PMDB faz às claras. Em Minas, descontente por não ver alguns dos seus convidados para o primeiro e segundo escalões da presidente Dilma, o partido anuncia que está retirando seu apoio, decisão que pode ser confirmada antes mesmo da tentativa de pacificação que se espera do vice eleito, Michel Temer.
Feita a primeira ameaça, veio a segunda: os peeemedebistas podem correr para o governador Antônio Anastasia. É um embaraço, porque em Minas o governador já tem as muitas postulações dos aliados, não sobrando espaços para adesões pós-eleitorais. Ainda mais, sabendo-se que o PMDB não é de se contentar com pouco.

Hélio Costa
Sobre as relações do partido com o futuro governo há um caso particular, o senador Hélio Costa, que disputou o governo de Minas, trabalhou para sustentar um palanque único para Dilma, mas sua lealdade a esse projeto não teve a correspondência do PT. O partido de Lula não entrou na campanha de Hélio. O PT mineiro ficou lhe devendo um reparo e Dilma um desagravo.


Senador deve ter suplente?

A discussão é bem antiga, mas faz 15 anos que surgiu no Congresso o primeiro projeto que pretendeu, e ainda pretende, extinguir o senador suplente, figura perfeitamente dispensável em se tratando de eleição majoritária. Em rigor, na substituição ou sucessão do titular quem deve ser convocado é o segundo na escala dos mais votados.
Como o critério contempla a suplência, dá-se que, na maioria das vezes, o suplente é um desconhecido que ascende ao Senado sem ser dono de votos. Nesses últimos anos, 40 deles exerceram o cargo, alguns em caráter definitivo.
Ontem, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) protestou contra a demora do Congresso em corrigir discrepância tão evidente.


(in memoriam)

Mello Reis no Congresso

Muitas pessoas manifestaram interesse em conhecer o discurso que o deputado Vítor Penido acaba de pronunciar no grande expediente da Câmara, em memória do ex-prefeito Mello Reis, que faleceu no mês passado. O deputado leu com emoção e, ao final, foi muito aplaudido. Nem todos puderam ouvi-lo pela TV Câmara, que transmitiu ao vivo. Para os que se interessam, é o seguinte o texto do discurso:


Senhor Presidente,
Senhores Deputados


Venho a esta tribuna para comunicar à Casa que em Minas, particularmente em Juiz de Fora, estamos vivendo um momento sombrio, de profunda tristeza, com a morte do eminente homem público Francisco Antônio de Mello Reis, operoso e revolucionário prefeito daquela cidade da Zona da Mata, depois secretário de Estado no Governo Hélio Garcia, e, nesta Casa, deputado e Constituinte em 1988. Pretendo registrar apenas alguns dos muitos e inestimáveis serviços que ele prestou a nós, mineiros, mas certamente poderia me alongar na citação dos trabalhos que promoveu ao longo de meio século dedicado ao seu povo. Em Brasília, ele também esteve como operoso colaborador da Novacap, nos tempos em que ela mais precisou de homens daquela têmpera para se consolidar.
Na Câmara dos Deputados, haverão de se lembrar muitos dos veteranos pares que nos honram com sua atenção nesta tarde, Mello Reis deixou lições de sobriedade nas palavras e na sabedoria que inspirava seus votos em Comissões Permanentes. Mostrou-se adversário dos radicalismos, que nunca fizeram parte de sua índole mineira. Diga-se, em nome da justiça: Ele foi neste plenário, como em todos os lugares por onde passou, a imagem irretocável da temperança, da fidalguia e da total dedicação às causas que lhe pareceram justas e do interesse do povo.

Este registro - devo dizer – se é necessário para os anais da Câmara, vale igualmente como intérprete de nossas sentidas condolências aos juiz-foranos, em particular à senhora Vera Lúcia Mello Reis, a esposa dedicada, amorável, solidária e corajosa, que jamais lhe negou o carinho e a dedicação nos grandes momentos e no transe da enfermidade, que, por fim, acaba de abater seu ilustre esposo.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados.

Francisco Antônio de Mello Reis, no seus 73 anos de vida, foi uma das mais importantes figuras da História recente de Juiz de Fora. Com militância política que já vai emcontrá-lo, nos anos 60, na Faculdadde de Filosofia, presidiu o diretório acadêmico, e cedo se imporia pela discussão partidária e pelo conhecimento dos problemas da cidade. Tornou-se referência para os polemistas, principalmente quando entrou nas campanhas eleitorais, disputando pela Arena, partido que então apoiava o regime militar. Por esse partido estigmatizado pela oposição, foi vereador e depois prefeito, fenômeno naquela época conseguido apenas em duas grandes cidades: Juiz de Fora e Campinas. Na acirrada disputa pela prefeitura, em 1977, Mello Reis prometia o que haveria de cumprir: um novo tempo de desenvolvimento econômico. Nesse particular, a campanha que encetou pelas ruas e bairros da cidade que tanto amou obteve a simpatia até do presidente Ernesto Geisel, que não era afeito a manifestações dessa natureza.
A quem se der à missão de estudar a história administrativa daquele muncípio nas três últimas décadas logo identificará, como ponto saliente, sua passagem pela prefeitura, que durou seis anos, por força da prorrogação dos mandatos. Essa passagem caracterizou-se pelo conhecimento detalhado dos problemas da época, que, se tinham a dimensão dos investimentos na indústria pesada, não ignoravam os problemas do dia a dia de um bairro distante. Mas ele era, sobretudo, o homem arrojado, como demonstrou no aval que assumiu, em nome do município, no valor de 250 milhões de dólares, para viabilizar a implantação da Siderúrgica Mendes Júnior, hoje Arcelor-Mitral. Lance dessa dimensão reeditaria, mais tarde, como secretário de Indústria de Minas, ao conseguir conversão de dívidas consolidadas do Estado para obras de infraestrutura que permitiram a implantação da montadora Mercedes Benz, hoje um dos principais instrumentos de desenvolvimento econômico da região.
É indispensável incluir neste registro o fato incontestável de que em Juiz de Fora, antes e depois de Mello Reeis, nunca se ousou tanto nos setores viário e de transporte coletivo.
Foi o homem que gostava de pensar longe. É o que explica esse fenômeno que se observa na cidade: hoje, mais do que ontem, seus munícipes o admiram e reverenciam sua memória; amanhã e sempre, mais do que hoje, haverão de lhe devotar o mesmo amor que ele dedicou à cidade durante toda a vida operosa e virtuosa.
Vou encerrar, Senhor Presidente, não sem antes reafirmar que este registro fúnebre um dever doloroso que acabo de cumprir, como mineiro e como admirador desse notável mineiro. Morreu Mello Reis. Minas ficou mais pobre.


Notas

1 – Há queixas dos usuários: dos quatros elevadores do Pam Marechal três estão com problemas e desativados. O prédio é sede de vários consultórios médicos da Previdência. As dificuldades maiores ficam por conta dos portadores de deficiências físicas.

2 – No Parque Halfeld, operários da prefeitura começaram a trabalhar na correção das onduções da calçada, provocadas pelas raízes das árvores que estufam. Por que pararam?
São incontáveis os casos de pedestres que tropeçaram nessas ondulações e saíram feridos.

3 - A decoração iluminada do Theatro Central, inaugurada com show de Beatles Forever e um espetáculo pirotécnico, tornou-se possível com o apoio do presidente da Cemig, Djalma Morais, como acentuou o professor José Alberto Pinho Neves, que comanda a cultura na Universidade Federal.

4 - As agências de turismo fecham o ano revelando que a preferência por Buenos Aires não apenas superou as viagens para outras capitais do Exterior, mas também para os grandes centros do País. Até Salvador perdeu desta vez para os argentinos.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fartura de partidos

O Tribunal Superior Eleitoral fecha o ano com 27 partidos oficialmente registrados, embora os nanicos, que são boa parte deles, só apareçam quando vão negociar apoio às grandes legendas e vender os preciosos segundos de que dispõem no rádio e na televisão. Mas, se esse número espanta, quanto mais quando se sabe que 41 pedidos de registro e reconhecimento de outros partidos aguardam decisão dos ministros daquela Corte.
O número maior ou menor de partidos não é referência para o melhor ou pior nível da democracia representativa. Mas é certo que o excesso prejudica mais que a escassez, porque a fartura facilita o tráfico de interesses.
O que pode dar ao País uma organização partidária eficiente é a claúsula de barreira, um dos itens importantes da esperada reforma política. Com a cláusula, podem funcionar quantos forem os partidos registrados, mas poder de decisão no Congresso só os que obtiverem 5% dos votos em pleito nacional, impedindo que os de “aluguel” tenham os mesmos direitos dos consagrados pela preferência popular. Um exemplo vem dos Estados Unidos, com quase duas dezenas de partidos, mas quem decide e governa são o Republicano e o Democrata.
Há cerca de 20 anos,quando deputado federal, Sílvio Abreu Júnior ofereceu uma proposta objetiva: nem o bipartidarismo que vinha do golpe de 64, nem os excessos anteriores e posteriores. Seis partido estariam numa boa medida.


Notas


1 – A se confirmarem as previsões do Tribunal Superior Eleitoral, quando os juiz-foranos forem às urnas, em 2012, para eleger prefeito e vereadores, vão se valer da identidade biométrica. A cidade está entre as 500 que certamente obterão esse avanço.

2 – O deputado eleito Marcus Pestana (PSDB), já está cuidando de sua transferência para Brasília, onde assume no dia 1º de fevereiro. Trabalhando no Ministério das Comunicações, onde chegou a ser titular interino, ele não é estranho à Capital da República, mas, ainda assim, garante que a nova função requer mudanças radicais. Tem de andar ligeiro.

3 – Hoje à tarde, a TV Câmara transmite, ao vivo, o discurso do deputado Vítor Penido em memória do ex-prefeito Mello Reis, que morreu no final do mês passado. Vai dizer:
Mello foi o homem que gostava de pensar longe. É o que explica esse fenômeno que se observa na cidade: hoje, mais do que ontem, seus munícipes o admiram e reverenciam sua memória; amanhã e sempre, mais do que hoje, haverão de lhe devotar o mesmo amor que ele dedicou à cidade durante toda a vida operosa e virtuosa.”

4 - O ex-deputado Amílcar Padovani, recordista em mandatos na Assembleia (sete eleições sucessivas), está entre os bacharéis da turma de 1960 da Faculdade de Direito. Haverá jantar comemorativo na sexta-feira.

5 - A empresária Ângela Gutierrez, um nome que se identifica com grandes projetos da memória de Minas, foi ao velho Credireal para conhecer o acervo de documentos, fotos e coleções do acervo do ex-presidente Itamar Franco.

6 - O ex-prefeito Tarcísio Delgado sofreu reação a uma vacina preventiva a que havia se submetido, hospitalizou-se e hoje está de volta à casa.


sábado, 4 de dezembro de 2010

O porta-voz do PPS

O senador eleito Itamar Franco segue neste domingo para o Rio, onde tem uma semana de reuniões políticas, uma das quais com a executiva nacional do PPS, da qual é vice-presidente. Nessa que será a primeira reunião depois das eleições, o partido pretende traçar planos para a atuação de seus representantes no Congresso Nacional.
Já se sabe que há uma tendência de se conferir ao senador a missão de encaminhar, no âmbito das atividades parlamentares, as questões de natureza política de interesse do PPS. Não se trata, ainda, de definir a liderança da bancada, mas joga-se com a experiência que Itamar acumulou em dois mandatos no Senado, além de ocupar a vice-presidência nacional do partido.

Dignidade retomada

Passou a ser citação permanente nos discursos do presidente da Câmara, Bruno Siqueira, “a importância da retomada da dignidade da Câmara”, depois de alguns tormentos que a Casa enfrentou nos últimos meses, inclusive o dissabor de ver um ex-presidente, Vicente de Paula Oliveira, trancafiado no Ceresp.
Por falar em dignidade pessoal e competência, é esperar para ver se o recado tem conseguido sensibilizar os vereadores. O teste será no dia 1º de janeiro, quando se elegerá o novo presidente. Na atual Câmara, se é verdade que há algumas monumentais inutilidades, há também em quem o cargo pode ser confiado.

As raízes de Hildegard

A colunista Hildegard Angel é a mais nova Cidadã Honorária de Juiz de Fora. Recebeu o diploma em sessão solene na Câmara, sexta-feira à noite, diante de auditório de convidados seletos, e ouviu os agradecimentos oficiais da cidade que ela ajuda a divulgar, sempre nos aspectos mais positivos.
No discurso de agradecimento, num improviso entrecortado de lágrimas e emoções, ela foi buscar lembraças do passado e da descendência para mostrar que de maneira alguma a jornalista e a cidade são estranhas entre si. O pai, Norman, tinha loja de máquinas Facit na Rua Halfeld e, com recursos próprios, manteve em Matias Barbosa, uma casa de assistência a 50 crianças desvalidas. O primeiro marido, de quem se enviuvou, era o juiz-forano João Pessoa de Resende. A mãe, Zuzu, autoridade nacional em modas, foi tema de filme rodado em Juiz de Fora, no qual se mostra a saga da mulher que buscou saber tudo sobre o filho que a ditadura torturou e matou.
Hildegard disse que estreira suas relações com Juiz de Fora na imensa admiração que tem pelo diretor do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato.


Notas do domingo

1 – O Tribunal Regional Eleitoral reconsiderou os votos do candidato Silas Brasileiro, mas faltaram 1.400 para que a coligação do PMDB com o PT ganhasse mais uma cadeira na Câmara dos Deputados.Com isso, os petistas da cidade devem adiar a expectativa de ver assumindo a primeira suplente, professora Margarida Salomão.

2 – Na terça-feira, ao ocupar a tribuna da Câmara, o deputado Vítor Penido vai pronunciar discurso sobre a vida e obra do ex-prefeito Mello Reis. Dirá que a morte de Mello deixou Minas sangrando e mais pobre, sem conviver com um modelo de dignidade.

3 – O deputado Nárcio Rodrigues está entre os nomes citados para ocupar a Casa Civil do governo Antônio Anastasia. Se for escolhido, abre-se vaga na Câmara para Vitor Penido, enquanto à primeira suplência ascende Bonifácio Andrada.

4 – O reitor da UFJF, Henrique Duque, anda nas boas graças de Lula. Depois de integrar a comitiva presidencial que foi à África, ganhou a promessa de ver Lula em Juiz de Fora, depois de ele passar o cargo, para conhecer as obras que o governo federal realizou no campus.

5 – Vencida a resistência da Comissão do Patrimônio Histórico, que reage a obras que podem comprometer o visual dos bens tombados, como o caso do Palácio Barbosa Lima, a Câmara inaugurou a rampa de acessibilidade para portadores de atenções especiais. A obra custou R$ 126 mil.

Formação do Secretariado

O senador eleito Aécio Neves tem todas as razões políticas para influir na formação do primeiro escalão que vai acompanhar o governador Anastasia. Ainda assim, não faltam setores que estranham tal influência. Sem que o novo governador abdique do direito de decidir em relação à maioria dos cargos, seu antecessor haverá de ter um peso nas principais escolhas, até porque o projeto político de Aécio vai continuar dependendo muito de Minas nos cenários interno e nacional.
O senador Itamar Franco, por quem Anastasia já manifestou respeito político, deve ser consultado na nesta semana, sem que até agora tenha transpirado seu desejo de participar das nomeações, com exceção, certamente, de Djalma Morais, que gostaria de ver reconduzido à presidência da Cemig, onde está há dez anos. Em favor de Djalma concorre sua reconhecida competência à frente da empresa, que com ele, no governo Itamar, escapou de uma ruinosa privatização nas mãos de franceses, e é hoje a maior empresa do setor, com ações em bolsas internacionais.
Em Juiz de Fora, além da torcida por Djalma, é bem recebida a notícia de que o médico Antônio Jorge deve mesmo permanecer na Secretaria de Saúde.
Deputados fizeram circular a notícia de que o deputado reeleito Rodrigo de Castro, seretário-geral do PSDB, figura entre os cotados para a Casa Civil. Consta que a notícia também deixa alegre o prefeito Custódio Mattos.

Pesquisas sob controle

A começar por São Paulo, a Comissão criada pelo TSE para propor nova sistematização do Código Eleitoral já realiza as primeiras audiências, com a expectativa de que suas propostas possam estar prontas para a eleição presidencial de 2014. Há muitas ideias, segundo o presidente, ministro Antônio Dias Tófoli, e uma delas, entre as que prometem aprovação imediata, é a que trata de critérios e controle das pesquisas eleitorais, que, como hoje, divulgadas até horas antes das eleições, influenciam os votos mais vulneráveis e inseguros. O Brasil figura entre as poucas democracias ocidentais em que essas pesquisas gozam de total lideralidade.
O ministro Tófoli acha que o Código Eleitoral poderá tratar também de novos modelos para o financiamento das campanhas, prestação de contas dos candidatos e prazos para substituições no Executivo.


Sumário

1 – Na igreja de São Geraldo, monsenhor Miguel Falabella celebrou missa em memória do ex-prefeito Mello Reis, lembrando que ninguém mais que ele amou a cidade. O celebrante desejou que a trajetória de Mello seja exemplo para os sucessores.
Assistiram à missa, entre muitos amigos e autoridades, o ex-presidente Itamar Franco e o prefeito Custódio Mattos.

2 - A Rua Doutor Gil Horta era considerada o pior asfalto da zona central. O novo asfaltamento, que ficou concluído no fim de semana, ganhou o aplauso dos moradores.

3 - Ninguém sabe explicar o que está acontecendo. Foi autorizada a entrada em circulação de mais 50 táxis. Mas os pontos de embarque continuam formando filas, principalmente nas horas de pico. E mais: os próprios taxistas confidenciam que os carros destinados aos bairros também preferem circular no centro.
Seja como for,quem perde é o usuário.

4 – Em ato lutúrgico presidido na Catedral por monsenhor Cornélio Viana prestaram testemunho dois jovens dependentes de drogas, que se recuperaram plenamente depois de serem tratados, durante um ano, na Fazenda Esperança, em Guarará. Em janeiro, mais cinco completam o tratamento bem sucedido.

5 – O município pode fechar o ano sob a expectativa de um aumento do PIB local em torno de 6%. Ocorrendo essa performance, vivas principalmente à produção de aços, que se aproxima das 600 toneladas/mês.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A velha desconfiança

Uma coisa que se pode esperar, com toda certeza, é que, terminado o censo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística será acusado de praticar injustiças e incorreções com Juiz de Fora. Os números da população revelados estarão sempre muito abaixo das expectativas, como ainda agora: esperava-se bem mais de 600 mil habitantes, e o censo nos dá 517 mil. As pessoas comentam que é fácil sentir que há muito tempo deixamos meio milhão para trás.
Essa desconfiança com os números é velha, décadas antes de se pensar na criação do IBGE. Nem sempre por causa dos números, porque no século 19 os censos que a Câmara e a Província realizavam discriminavam os muito pobres e os escravos. Em 1890, por exemplo, o protesto dos vereadores foi porque se deu a Juiz de Fora uma população feminina superior: 4.970 homens e 5.239 mulheres. Eles se sentiram realmente humilhados.
Em 1968, por iniciativa do deputado João Navarro, a Assembleia Legislativa tomou as dores dos juiz-foranos que achavam estar sendo enganados, e promoveu em Belo Horizonte um seminário recheado de protestos. Propôs-se a recontagem, o que não foi admitido. Já então, e em todos os tempos seguintes, a frustração sempre é explicada pelos técnicos com apenas um dado: Juiz de Fora é importante polo de referência regional, diariamente recebendo (mas devolvendo) para municípios vizinhos milhares de pessoas que aqui trabalham, compram, estudam ou vêm para ocupar os serviços médico-hospitalares. Fica a impressão de uma população maior do que realmente é. Chamava-se Ernesto Baeta Filho o primeiro técnico que levantou a hipótese da população flutuante como fator capaz de mascarar a falsa densidade.
Sendo ou não corretos os 517 mil habitantes que o IBGE acaba de nos dar, seria bom que, acima do desencanto, o município e seus dirigentes tomassem em consideração dois pontos: 1- está em meio milhão de habitantes o limite de conservação dos padrões de vida para uma cidade com as características locais;  2 – em qualquer lugar, quando se ultrapassa a marca de 500 mil, é apenas um salto para se chegar a 1 milhão, o que vai ser desastre para nós.