quarta-feira, 4 de janeiro de 2017







NA CÂMARA
 

Grandes crises políticas surgem de disputas dentro da base parlamentar para comandar a Câmara dos Deputados. São três candidatos da base de apoio do governo: deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), e atual presidente da Câmara, e dois do chamado centrão, deputado Jovair Arantes (PTB/GO)  e Rogério Rosso (PSD/DF).

Na oposição, até o momento, concorre o deputado André Figueiredo (PDT/CE). O governo tem preferência por Maia, mas não assume isso publicamente. Já o PMDB assumiu a candidatura do democrata.

O candidato do PTB, Jovair Arantes, promete judicializar o processo de escolha caso haja eventual reeleição de Rodrigo Maia, apresentando contestação ao STF (Supremo Tribunal Federal).  O deputado Rodrigo Maia considera que exerce um mandato-tampão e que nada impede de ser novamente candidato numa mesma legislatura.

A experiência do presidente Temer sugere que essa disputa tende a lhe trazer problemas em breve. A força do atual governo está na coesão da sua base parlamentar.  Então todo cuidado será pouco nessa contenda.


 BARBÁRIE


Acompanhando comentários nas redes sociais temos visto o esforço camaleônico do PT de transformar a realidade a seu favor. É algo arquitetado pela direção partidária. 

O mantra agora é política de gênero, que pra ele explicaria o crime do diplomata grego, a chacina de uma família em Campinas, a morte do senhor no metrô de São Paulo e a rebelião em Manaus! 

No fundo, o discurso é de que se o PT está no governo, os direitos humanos estão protegidos pelas políticas de gênero, se o PT não está no poder, é a barbárie!



DE  O ANTAGONISTA


"A Umanizzare, que administra o presídio Anísio Jobim, compartilha a gestão de outras unidades no Amazonas com a empresa Auxílio Agenciamento de Recursos Humanos e Serviços (ex-Conap), sediada em Fortaleza (CE).As duas empresas embolsaram juntas mais de meio bilhão do governo do estado desde 2010. Os contratos com o governo têm duração de 27 anos, com possibilidade de prorrogação por até 35 anos.


A Auxílio doou R$ 300 mil para a campanha de reeleição do governador José Melo, suspeito de ter negociado votos no presídio com a facção FDN. A empresa também doou R$ 400 mil ao amazonense Pauderney Avelino, líder do DEM na Câmara. A Auxílio tem como sócio Luiz Gastão Bittencourt da Silva, vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio e presidente da Fecomércio Ceará. Está explicado!





segunda-feira, 2 de janeiro de 2017






Novos prefeitos


Os prefeitos eleitos em outubro tomaram posse ontem, no primeiro dia do ano. Na maioria dos discursos, um assunto em comum: as dificuldades financeiras causadas pela crise econômica. As promessas dos empossados são recorrentes, expressando cortes de gastos, melhoria na gestão e eficácia no serviço público municipal.

Acontece que os atuais alcaides terão dificuldades para partirem do discurso de posse para adequar a realidade das aspirações dos munícipes. De começo, vem a necessária atenção aos apoiadores da campanha vitoriosa, ávidos por cargos na administração. Em seguida vem a pressão para  atender reivindicações dos vereadores que formam a base aliada. E, ainda, os prefeitos recém-empossados precisam estar com os olhos postos na próxima eleição.



Agressão


O Senador Humberto Costa (PT) se envolveu em uma briga numa livraria no centro de Recife no último dia do ano de 2016. Por uma rede social, o senador petista contou que "sem qualquer motivo, fui atacado, na fila de pagamento da livraria, por uma pessoa completamente descompensada". Acrescentou que "não tive outra coisa a fazer a não ser me defender e defender a minha integridade física"

Antes da troca de agressões físicas, os dois bateram boca, segundo testemunhas.

Este fato e outros envolvendo situações conflituosas entre políticos de expressão e populares tem se repetido no ano que passou. As pessoas estão ficando intolerantes com a classe política, independentemente da opção partidária. Caso isto se agrave haverá o risco de linchamento de político em praça pública.






sexta-feira, 30 de dezembro de 2016






Herança do ano


A pior herança que 2016 vai transferindo ao mundo é o ódio que se dissemina pela Europa e Oriente, agravado com o forte conteúdo de intolerância religiosa; em muitos casos sinalizando o risco de um futuro de indesejável teocracia. Deus nos livre dela, pois nada é mais distante de Deus que o estado teocrático.

Que o novo ano contribua de alguma forma para conter esse ódio, se não for possível eliminá-lo de vez. Porque sob sua sinistra inspiração nada será possível. O ódio é o solo árido que inibe o diálogo entre povos e culturas, entre ideias e ideologias.

Pouco antes das Segunda Guerra Mundial, em 1938 para ser menos impreciso, Madox Ford já pregava a garantia – e hoje estamos certos de que nele não pontificava mero sentimentalismo – que nossa civilização só poderá se salvar mediante uma mudança no coração de toda a população do Globo. Portanto, um mundo sem ódios. Para termos uma civilização viva precisamos ter corações civilizados, pois só assim haveremos de nos opor à barbárie e ao terrorismo.

 Os ausentes


A cidade fecha o ano com saudades de muitas de suas figuras que já não fazem mais parte de sua paisagem cotidiana. Lembranças. No campo das comunicações ficamos sem o repórter Carlos Neto, as queridas jornalistas Chininha e Judite Lade, Laerte Braga, Helly Martinelli e Cid da Costa Lage, da publicidade, e no rádio o animador José de Barros. Nas letras perdemos Iris Carvalho Drummond, Cordélia Faria Tavares e Noemi Teixeira Vieira, que morreu aos 107 anos. Professores Newton Chinandes, Fernando Vacca, Benedito Modesto e Dilly Campello. Outras figuras admiradas como Edson Mega, Tony Moreno (Filipino), Alberto Surerus, ex-vereador José Alexandre, e os empresários Antônio Calixto e Isaac Couri. Claro, é uma lista incompleta. São muitas outras as ausências sentidas. A lembrança dos nomes citados é uma homenagem a todos que partiram.

  
Ficam do blog os votos de um ano novo venturoso. Saúde, paz e realizações.  




quinta-feira, 29 de dezembro de 2016






DA boca pra fora 


Há uma preocupação internacional, espalhada por segmentos diversos, em relação ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem ameaçado mundos e fundos, radicaliza e apregoa retaliações. Quanto mais fala mais o mundo se recolhe. Quanto ao Brasil, diretamente, o que preocupa são as reiteradas promessas de Trump de uma política protecionista mais severa em relação aos produtos americanos, o que não é boa notícia para  as exportações, pois os americanos são nossos maiores compradores.

Mas em relação ao novo presidente talvez o mais prudente seja não levar ao extremo a aceitação de seus discursos ameaçadores. Todo presidente falastrão, quando despeja o traseiro na poltrona histórica, fica logo sabendo que não tem os poderes que achava que teria, mesmo quando governa o país mais poderoso do mundo. Aliás, em muitos casos suas insuficiências vêm da própria força sonhada. Um paradoxo que a realidade cuida de confirmar. Assim, é provável que ele não tenha como cumprir a metade do que ameaça.

Trump deve ter lido seu conterrâneo Steve Peiczenik, psiquiatra, assessor de quatro presidentes americanos para as questões de política externa. Escreveu ele: “Cedo verificam que não têm o poder que imaginam. O sistema os inibe, tornam-se frustrados, clinicamente deprimidos”. Diante disto, Pieczenik conclui que ser presidente nos Estados Unidos é ofício mais exigente do que se imagina.    
                                                                                                     
Já séculos atrás a sabedoria taoísta advertia para as limitações dos governantes, principalmente os que falam demais. Allan Watts, em “Tao, o curso do rio”, cita que o poder político deve ser visto como a profunda loucura da ambição, pois é um fardo sempre muito pesado para quem o detém.                                                                                                                                 


A eleição no Senado                                                                                                                    

O empreiteiro Marcelo Odebrecht (mesmo encarcerado) deverá indicar o novo presidente e o novo líder do PMDB no Senado, segundo especulações de bastidores da política em Brasília. De acordo com estas fontes (não oficiais) a bancada do Grupo Odebrecht no Senado é formada pelos senadores Renan Calheiros, Romero Jucá e Eunício Oliveira; senadores peemedebistas que foram citados em depoimentos de colaboração premiada, por executivos da citada empreiteira, conforme vazamentos de informações à imprensa. Eles foram acusados de comercializar leis e medidas provisórias (os ‘jabotis’) e de receber propinas em nome do correligionário e presidente Michel Temer.

Quem fez o comentário (por rede social) nesta semana foi o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que também pleiteia a presidência do Senado. A eleição será no dia 1º de fevereiro.

O senador Renan Calheiros (AL), por exemplo, luta para ficar com a poderosa CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, na pior das hipóteses, com a liderança do PMDB. O Senador Eunício Oliveira sonha com a presidência do Senado, mas está nas listas oficiosas de envolvidos com a corrupção na Petrobrás.


As difíceis emendas


Boa notícia acaba de ser transmitida pelo deputado Lafayette de Andrada. Por iniciativa sua, o Orçamento de Minas para 2017  inclui emenda que destina R$ 400 mil à Santa Casa de Juiz de Fora. Sobre as emendas parlamentares, o que se tem observado é a necessidade do esforço de seus autores para ver liberadas as verbas propostas. Minas, com sua indigência, lamentavelmente não constitui exceção. No plano federal Juiz de Fora tem exemplos. Há mais de três anos os deputados Marcus Pestana e Margarida Salomão destinaram, cada um, emendas de R$ 500 mil para obras no Museu Mariano Procópio. Dinheiro que jamais chegou.



Olhar sobre 2017 

Cada um tem seu jeito de voltar os olhos para o novo ano que vai chegando. Desta vez parecem mais numerosos os pessimistas, talvez mais por precaução, pois se as coisas vierem mesmo ruins terão o direito de não se surpreenderem. Mas tudo depende da maneira de ver os fatos e como esperá-los, como explica Eduardo Almeida Reis, citando Robert White: “o otimista  acha que o copo está cheio; o pessimista, meio vazio; o racionalista acha que o copo tem o dobro do tamanho que devia ter”. Os otimistas nos desejam feliz 2017, os racionalistas transferem suas expectativas para 2018, enquanto os pessimistas empurram todas as esperanças para 2020...

Para o Brasil, seja qual for a corrente de quem espera novos tempos, o sincero desejo é que continuemos colocando as coisas nos seus devidos lugares, depois de uma desarrumação total, quase caótica. O País vai se afastando do abismo que nos ameaçava, e cuja profundidade ignoramos. Já sabemos por onde caminhar, e isto já é alguma coisa.

Conforta saber que os problemas brasileiros são toleráveis e superáveis, se os comparamos com os sacrifícios de outros povos, aqueles que enfrentam devastações provocadas pelas calamidades criadas pelos homens, como a guerra da Síria; as dores que acompanham as multidões de refugiados; ou as devastações provocadas pela natureza vingativa.

Mas esses problemas, ainda que não nos aflijam na pele, estão a sugerir que em 2017 o Brasil se deixe envolver mais nos esforços para tornar o mundo melhor. Temos mantido uma postura de indiferença diante do resto do mundo e dos desafios internacionais, que estão a insinuar a aproximação de um grande conflito das civilizações, do qual não teremos como escapar. Um conflito como previu Samuel Huntington em obra monumental.  Há o prenúncio de uma civilização das culturas, e estaremos em uma das poucas sobreviventes, a latino-americana.




sexta-feira, 23 de dezembro de 2016





Sobre o Natal


Ao desejar que tenham um feliz Natal os que acompanham este blog, e esperando que a grande festa cristã de fato enriqueça nossas muitas esperanças, achei que melhor pode falar sobre a data é um texto deixado por Otto Lara Resende, esse grande mineiro de São João Del Rei, pouco antes de sua morte, que ocorreu há 24 anos. É suficiente a transcrição:

“Por mais desfigurado que esteja o Natal, por mais soterrada que vá ficando a festa sob os milionários escombros do consumismo, há, todavia, uma pequena luz que resiste a todas as tentativas de apagar essa estrela do Oriente. Uma pequena luz da misericórdia permanece, quase sempre disfarçada numa inexplicável tristeza. É como um véu oculto que se vê dentro de nós. Estranho sentimento esse que morde em silêncio o coração distraído”.





terça-feira, 20 de dezembro de 2016






Wilson em cena
 

A diplomação dos 19 vereadores (e suplentes), do prefeito Bruno Siqueira e do vice-prefeito Antonio Almas foi realizada na segunda-feira. Mas antes mesmo da posse dos eleitos, o futuro político da cidade já tem atores se movimentando com vistas à próxima campanha eleitoral municipal. Um deles é o empresário da construção civil Wilson Rezende (Grupo Rezato) que concorreu à prefeitura, e não esconde sua vontade de disputar novamente em 2020. Obteve quase 45.000 votos do eleitorado que compareceu ao pleito, ou seja, 14%. Foi um bom desempenho para um neófito na política juiz-forana. Parece que continua no PSB de Juiz de Fora, e pleiteia a direção do partido no município para se manter em evidência e dar direção ao partido conforme suas expectativas.

Algumas atitudes o pré-candidato (com tanta antecedência) já tem assumido. Mantém sua presença nas redes sociais, emitindo opinião sobre fatos políticos. Quer proximidade com as pessoas que o apoiaram, principalmente no espaço que atua com predileção: o futebol. Ensaia apoio ao Tupinambás F.C, campeão da ‘segundona’ do campeonato mineiro.

Quanto à futura administração do prefeito Bruno Siqueira ele pretende ter uma postura crítica. Tem dito aos mais próximos que durante a campanha eleitoral o atual prefeito adotou um discurso bem articulado, orientado pelo marqueteiro da campanha dele, que encobriu deficiências na administração. Segundo Wilson, o prefeito, com mais tempo de rádio e televisão para fazer sua campanha, logrou êxito ao demonstrar suas realizações, e as mazelas que a cidade tem ficaram pouco transparentes.


O tema da transparência na administração pública é o preferido por Wilson da Rezato. Ele pretende acompanhar a administração que se inicia no dia 1° com olhar calibrado, e vai manifestar sua opinião sobre diversos temas da municipalidade. A conferir.





segunda-feira, 19 de dezembro de 2016






Estratégia satânica


 

Transcrevo, para avaliação dos leitores. Tudo é possível. O autor é Felipe  Schittini.
    
“Marcelo Odebrecht, presidente licenciado da empreiteira, montou uma estratégia prodigiosa que pode livrar ele da cadeia e mais os seus 70 diretores que também fizeram deleção premiada em troca de penas menores ou do perdão pelos crimes da Lava Jato. Ao denunciar mais de 200 pessoas, dos quais mais de 100 políticos, como cúmplices da sua empresa nos atos de corrupção das estatais brasileiras, Marcelo pretende travar o processo, pois sabe que o STF vai demorar muito tempo para julgar os acusados.


Ora, se a principal Corte do país precisa de anos para analisar o processo de apenas um político é de se supor que outras dezenas de anos deverão ser necessários para que o tribunal comece a julgar o primeiro da lista dos delatados pela Odebrecht. Desde o dia 31 de dezembro de 2015, primeiro ano da Lava Jato, já existem na mesa de Teori Zavascki, 7.423 processos. E em todo tribunal dormem outros 61.962. Os mais de 100 advogados da empreiteira já entregaram a defesa dos seus executivos aos procuradores em pendrive. Convertido em outra montanha de papeis, os processos vão se acumular nos porões do STF.

Ao oferecer ao Ministério Público a delação premiada de todos os diretores da sua empresa, Marcelo pretende engabelar os procuradores que não terão como estabelecer o critério de prioridade para ir fundo nas investigações tal a quantidade de informações recebidas.  Apelidada de “Delação do fim do mundo”, esse processo da Odebrecht corre o risco de ficar na gaveta do STF até prescrever e os saqueadores das empresas públicas impunes, a exemplo de outros que estão por lá até hoje.”