sábado, 15 de setembro de 2018

Bolsonaro

   
   Nesta noite de sexta-feira, os adeptos da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República saudaram, com entusiasmo, a pesquisa divulgada pelo DataFollha. Não apenas porque o candidato ampliou sua posição como líder, mas por causa do progresso do petista Haddad. Acham que, na eventualidade de os dois se defrontarem no segundo turno, Bolsonaro teria melhores condições de atrair os votos derrotados na  primeira votação. 

Tucanato
   Recepcionados pelos prefeito Antônio Almas, Antônio Anastasia e Geraldo Alkmin desembarcam aqui na quarta-feira. O candidato a governador tem dito, nos seus programas de televisão, que, sendo eleito, não iniciará qualquer obra antes de concluir as que estão paralisadas. Na conta de  Juiz de Fora, o Hospital Regional, que está apenas no esqueleto.

Recordista
  Muitas pessoas caras à cidade morreram em 2018; portanto, dez anos passados. Da lista faz parte o corretor Tony Oliveira Leite, o juizforano que mais viveu: 109 anos.

Escassez   
 Não é de hoje que se debita à pulverização dos votos o fato de Juiz de Fora contar com reduzidas cadeiras na Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Há sinais de que o fenômeno se repetirá, o que daria à cidade apenas quatro cadeiras, duas em cada casa legislativa.
   O eleitorado local exerce grande atração sobre candidatos de outras regiões, principalmente os evangélicos.  

domingo, 9 de setembro de 2018

Santa Casa

Diz o doutor Alfredo Guarisch, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, que a eficiência da Santa Casa de Juiz de Fora foi fundamental para que fosse salva a vida do deputado Jair Bolsonaro, agredido com facadas, na tarde de quinta-feira. O que não o surpreendeu, porque tem o hospital na conta dos melhores do Brasil.


Cuidados

Começa a valer, já neste domingo, o novo esquema de proteção aos candidatos à Presidência da República, desde que a peçam.  O contingente responsável por essa missão foi ampliado em 60%, como tentativa da Polícia Federal de evitar que se repitam incidentes como o que quase matou Jair Bolsonaro.


Do JB

“O dramático episódio da agressão ao deputado Jair Bolsonaro, que quase o leva à morte, expôs à opinião pública um fato lamentável, com dois desdobramentos, que logo se fazem sentir e precisam ser avaliados. O primeiro, é a violência contra uma pessoa na disputa da Presidência da República, e de quem se pode discordar, sem que isso torne admissível agredi-lo. O segundo ponto que se desdobra do incidente é que aquela faca feriu não só o candidato, mas a própria democracia, de cujas franquias naquele momento ele se valia, pregando seu projeto para a primeira magistratura do país. O que leva a considerar, ausente qualquer ressalva, que não foi um golpe com apenas uma vítima”.(Jornal do Brasil”, deste domingo)


Desagravo

  Na missa de 10 horas, que celebrou, neste domingo, na Catedral, o arcebispo dom Gil Antônio fez repetidas referências à agressão que o deputado Jair Bolsonaro havia sofrido na quinta-feira, condenou o ato e qualquer tipo de violência que se pratique contra candidatos à Presidência da República. Desejou que a  celebração fosse também um desgravo à cidade, por ter sido palco daquela tragédia, embora a tentativa de homicídio fosse praticada por pessoa de outra região, como frisou.
   Dom Gil elogiou a  equipe médica da Santa no atendimento a Bolsonaro, lembrando que é uma instituição católica. Foi uma equipe de alta eficiência.
    A Primeira Leitura, na mesma celebração, tratava  da Carta de São Tiago (2, 1-5). Uma condenação aos que diferenciam tratamento a pobres e ricos, fracos e poderosos.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Bolsonaro

   As pessoas não sabem o mal que fazem, com o bem que acham que devem fazer. Esse maluco, ao esfaquear Jair Bolsonaro, querendo feri-lo, acabou por dar a ele mais um milhão de votos.
O feitiço contra o feiticeiro. Na tarde desta quinta-feira (06/09), na concentração diante da Câmara, com cerca de 500 pessoas, já se percebia uma tensão; hostilidades entre adeptos de Bolsonaro e adversários. A tragédia não estava entre as coisas imprevisíveis. 

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Barbas de Molho


   Seria de todo conveniente que os responsáveis pelo Museu Mariano Procópio adotassem precauções, de forma que a casa de Alfredo Ferreira Lage não tenha o mesmo destino do Museu Nacional, no Rio, que acaba de ser totalmente destruído pelas chamas. Nosso Museu, que há muito coleciona deficiências, está à procura de verbas e de apoio da iniciativa privada.
   Mas ele não é exceção. Em todo o Brasil, as  artes, a cultura e a história vivem esse  problema.
   Tomo, por oportuna, a palavra de advertência do ”Jornal do Brasil”, em sua edição de hoje:
   “ Quando se destrói uma obra pública, é costume das autoridades ligadas ao setor prometer imediata reconstrução. Mas no cenário que ficou do Museu Nacional, não terão como dizer o mesmo, porque no patrimônio da memória, o que o fogo extinguiu ficou extinto para sempre. Não há recuperação possível. Elas não têm como devolver a vida ao que morreu em definitivo. Aos cariocas, fica o direito ao réquiem para a maior entre as maiores de suas relíquias de um passado glorioso.
  Em mais esse monumental caso de desleixo e insensibilidade, é inevitável responsabilizar,  além do que couber ao município do Rio de Janeiro, os governos estadual ( porque era uma preciosidade para os fluminenses), e federal (porque o acervo destruído era razão de orgulho para todos os brasileiros).  O que autoriza, deduzindo-se, formular oportuna advertência em defesa do que nos resta do que foi guardado do passado. Cuidem-se Minas, Goiás, Bahia e todos os estados que vieram escrevendo lembranças e memórias de seus dias de província”!.


Descompromisso

     Quem se der ao trabalho de acompanhar, pela internet, os discursos e as posições dos candidatos será presa de perplexidade. Traem-se os partidos, os trânsfugas deixam no caminhos o companheiros que haviam adotado no começo da campanha, e os discursos não tem cor nem sentimento. O viés ideológico já foi para as calendas. Lealdade também.

domingo, 2 de setembro de 2018

Votos pulverizados


   A queixa é das mais antigas da pauta política de Juiz de Fora. O grande número de candidatos a deputado estadual, fartura sempre abençoada  pelos partidos, leva à pulverização dos votos; e, em consequência, a eleição de poucos. Com um colégio eleitoral que podia eleger cinco ou seis, a bancada municipal fica na metade disso. Às vezes, apenas dois, para não se falar dos postulantes de outras regiões, que sempre tiveram aqui um generoso pesqueiro.
   Desta vez, a cidade tem 11 candidatos à Assembleia. Tudo para repetir o fenômeno negativo.


 Patrimônio 

    Na segunda-feira à tarde reúne-se o Conselho Municipal  de Preservação do Patrimônio Cultural, que mensalmente decide sobre propostas de tombamento de imóveis dignos de serem conservados. Um dos projetos em pauta trata do em-torno da igreja de São Mateus e a restauração de seu antigo cinema, hoje desativado.


Propaganda

  As primeiras horas de propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na televisão, mostraram-se mornas, quase insípidas, sem maiores atrativos capazes de animar o eleitor. 
    O fantasma para os candidatos continua sendo a ameaça de uma acentuada abstenção e muitos votos nulos.


Hora sombria  

  “Em fim de mandato, costuma-se dizer, o governante tem de saber fechar as malas e abrir o espírito para enfrentar momentos diferentes daqueles que o cercavam,  quando assumiu o leme. O que antes era festa, agora são gabinetes e corredores melancólicos. Tomam outro rumos  o prestígio e as reverências, como também vai expirando o poder de decidir. Magalhães Pinto, que governava Minas Gerais nos anos 60, queixava-se até da demora do cafezinho, pois garçons e contínuos adormeciam pelos cantos.” ( do “Jornal do Brasil”, editorial do dia 30 de agosto).

terça-feira, 28 de agosto de 2018

A Ditadura do Pluripartidarismo



(( Editorial do “Jornal do Brasil” desta terça-feira)) 
   
      Não tem faltado a voz de candidatos à sucessão do presidente Temer insinuando, quando mesmo não declaram claramente, que o modelo do pluri ou multipartidarismo esgotou-se no tempo; e que se tornou a evidência de que o Brasil precisa encorajar-se para aperfeiçoá-lo. Ao elaborarem tal afirmação, num momento em que a preocupação geral é levar agrados aos ouvidos do eleitor, eles devem saber, no íntimo, que a empresa reformista que estão recomendando certamente haverá de conflitar com os próprios interesses do governo que gostariam de chefiar. Portanto, quem ganhar a corrida seria forçado a deixar as coisas como estão. A razão é simples, fartamente demonstrada: o presidente da República enfraquece-se no Congresso, quando são poucos os partidos, e deles torna-se permanente refém; em contrapartida, tem poderes para a coabitação com as bancadas, quando as legendas são numerosos. Se em grande número, elas são fracas e acessíveis aos acenos do palácio. Passa a reinar, então, uma congruência de interesses. 
    As bancadas, quando se fragmentam no Congresso, podem prestar  serviço ao governante, desafogando-o de situações complicadas, ao peso das reciprocidades. É um dado mais que suficiente para pôr em dúvida o propósito, em época eleitoral, de enxugar a estrutura partidária vigente. Teme-se, portanto, que a redução do número dessas legendas, que hoje sobem a 35, continue dependendo de qualquer segmento, menos do Executivo, que tem tirado bons proveitos dessa fragmentação, poderosa, no seu conjunto, exatamente por reunir os fracos. Tudo concorrendo para consolidar relações muitas vezes promíscuas entre os Poderes. Valeria lembrar o antecedente: casos houve, recentemente, em que as composições que levaram à formação das chapas de candidatos à presidência foram uma espécie de avant-première dos acertos duradouros que viriam depois, no amontoado de siglas.   
       São, portanto, os estudiosos dessa matéria, os pensadores políticos, as representações sociais que já perceberam deformações do pluripartidarismo, que podem patrocinar a nova leitura de um sistema que caducou, e vem arrastando consigo defeitos que comprometem a legitimidade da representação parlamentar. Renova--se a suspeita: não se pode esperar uma evolução de tal vulto do presidente da República, mesmo que ele condene, sincera  intimamente, esse pluripartidarismo vicioso, pois fatalmente será cliente da deformação que lhe pode ser útil.
    Filosoficamente, considera-se que a democracia pode se dar bem com organização política marcada pela existência de numerosos partidos, numa pluralidade que, em tese, permite expressão e espaço para as mais diversas correntes do pensamento político. Mas, parece prevalecer aquilo que ensina o professo Alaor Barbosa, antigo assessor legislativo do Senado: “Um dos inconvenientes é a necessidade que exsurge desse sistema, de coligações entre partidos, a fim de que o governo se constitua forte e eficiente; coligação difícil, dada a heterogeneidade dos partidos”. Há outra razão, ele vai buscar em Max Weber, para citar um problema encontradiço no Brasil. Chama de patronagem o que, há mais de duas décadas, se habituou aqui, o fisiologismo. Sem meias palavras em relação ao que o pluripartidarismo oferece, na linha das inconveniências: os partidos vendem seu apoio ao governo, e o governo compra esse apoio.
    Se o processo eleitoral em curso oferece dúvidas sobre a proposta de enxugamento da organização partidária, nem por isso o tema mereça cair no ostracismo. Depois de fechadas as urnas, ele deve ser retomado, a começar pela cobrança ao novo presidente, se ele andou prometendo disposição para enfrentar o problema.


Solidário

   Vltor Valverde, que vinha a todo vapor para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, decidiu mesmo abandonar a corrida, solidário com Mário Lacerda, que antes desistira de disputar o governo de Minas.
   Não tinha outra saída, com o papelão do PSB, que desautorizou a candidatura de Lacerda, depois de deixá-lo correr todo o Estado em campanha.

Escassez

    O prefeito Antônio Almas queixa-se da escassez de dinheiro, o que o condena a um malabarismo na Secretaria da Fazenda, para manter em dia as folhas do funcionalismo. O Estado acumula uma dívida de R$190 milhões com Juiz de Fora, e não sinaliza qualquer disposição de colocar em dia suas obrigações.

Militares

     O Brasil tem dezenas de candidatos militares, com interesse declarado de concorrer nas eleições de outubro. Encerrado o prazo de registro de candidaturas tivemos  um número preciso, 100 militares irão disputar o voto. Ou seja, aceitando as regras do jogo democrático. No início do mês de abril em levantamento  feito por um general da reserva, eles estavam distribuídos por 24 Estados e abarcavam todos os cargos em disputa no pleito. Além do deputado federal Jair Bolsonaro (ex-capitão do Exército), que concorre à Presidência, são 5 candidatos a governador (AC, DF, MA, RN, CE), 3 ao Senado (DF, PI, CE), 35 à Câmara dos Deputados e 21 às Assembleias Legislativas e à Câmara Distrital.

segunda-feira, 2 de julho de 2018







Editorial do "Jornal do Brasil", desta segunda-feira, dia 2, que reproduzo por considerá-lo muito atual.



Os azares na escuridão  


O que estaria emperrando o Brasil, impedindo desvencilhar-se de dificuldades acumuladas, como se fosse mau-olhado ou corpo condenado em poderosas macumbas?, daquelas tidas como infalíveis em porta de cemitério. Os astrólogos olham o mapa do céu, e afirmam que não estamos conseguindo sair do centro de confusões astrais, a gerar energias negativas; mas há cientistas científicos garantindo que nossos azares sempre são abençoados pelo voto descuidado do eleitor. Seria assim? Na origem de todas as coisas ruins estaria nossa manifestação defeituosa diante da urna?

Com ou sem o concurso de superstições e do exercício do “achismo”, o país tem, sobre seus dias, não apenas os tropeços que nos cavalgam apocalipticamente, como também por não vislumbrar uma saída; um analgésico para as dores. Pois em meio a incertezas, vê-se que a maioria nem consegue dizer, com exatidão, de que se queixa, como diria, em situação semelhante, o líder do laicato católico, professor Henrique Hargreaves: “ninguém está contente com a situação, mas ninguém sabe dizer exatamente por que não está contente”.

Diversamente de outras épocas, desta vez o brasileiro parece se sentir num vácuo, ou sem destino. Mas, voltando-se para pesquisas, seminários profissionais e entrevistas de rua, quanto a esse sentimento a explicação aflora de imediato, para remover aquela dúvida do grande  professor: uma das marcas do momento nacional é que ele coincide, a um só tempo, com o descrédito da população nos três poderes. Num mesmo julgamento, é capaz de desabonar os três, com o rigor da simultaneidade. Vê-se, portanto, o cidadão empurrado para uma espécie de orfandade cívica.
  
No lastro das explicações possíveis, surge também uma certa diferença do clima de hoje em relação a crises de outros tempos. Até mesmo em relação à experiência sombria das ditaduras de 37 e 64, porque com elas, ao se esgotarem em suas próprias entranhas, abria-se uma janela para a travessia, rumo à morada da redemocratização. Agora, reconquistada na sua plenitude, falta ao brasileiro, de qualquer parte, um norte, um ponto no horizonte.
   
Executivo, Legislativo e Judiciário foram condenados, juntos, à desconfiança do povo, que não é capaz de identificar neles o alento desejado. Eis aí o ponto mais delicado da questão, a grande dúvida. Se é assim, onde buscar abrigo para uma infinidade de anseios e postulações? Montesquieu, em sua teoria da separação dos poderes, pretendeu vê-los com responsabilidades tripartites, soberanos e interdependentes em seus afazeres. Aqui, conseguimos torná-los separados, mas muitas vezes confundidos em suas missões. Com alguma frequência, confundem ao avançam sobre o poder alheio, como se deu no episódio do esboço de reforma política, tarefa que o Judiciário assumiu, atropelando o Legislativo. Tempo depois, a impropriedade dessa incursão seria objeto de confissão do ministro Luiz Fux, ao lembrar que ”o Parlamento é o lócus por excelência, em que devem ocorrer as deliberações sobre questões políticas fundamentais da sociedade”.
   
As decepções da sociedade levaram à convicção de que é sempre duvidoso, para não se dizer impossível, esperar que venham do Planalto grandes realizações em seu socorro. Aliás, vale notar, é um quadro que pode multiplicar complicações, quando presidência da República, Congresso Nacional e o Judiciário se revezam para abarcar e dividir responsabilidades na progressão das incertezas. O exemplo que ocorre, de imediato, é a generosa complacência dos três poderes constituídos ante o desafio da avassaladora política dos juros bancários, que no Brasil assume a dimensão de grave crime, não tolerado em qualquer outra parte do mundo. E então, como ficamos? Contra os juros não há lei, porque Legislativo não se anima a legislar; não se toma providência, porque o Executivo não executa; não há justiça, porque ela não é justa.
    
Antes - basta conferir o passado -, as esperanças brasileiras iam bater à porta de, pelo menos, um desses endereços. E hoje?