segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Carona no voto alheio

Como é essa história em que candidato a vereador menos votado consegue se eleger, derrotando outros que tiveram mais votos? É uma pergunta que se faz com insistência, muitas vezes acompanhada de protesto. Na eleição dos vereadores, como também de deputados, eles são escolhidos pelo sistema proporcional, computando-se apenas os votos válidos. Quer dizer: não são contabilizados, para nenhum efeito, os votos brancos e nulos. Um critério que muitos condenam é a eleição para vereador: o eleito não é necessariamente o mais votado, pois ele fica dependendo de dois cálculos: o quociente eleitoral e o quociente partidário. O quociente eleitoral é o resultado da divisão do número de votos válidos no pleito (todos os votos contabilizados excluídos brancos e nulos), pelo total de lugares a preencher em cada casa legislativa. Para participar da distribuição dos lugares na Câmara Municipal o partido ou coligação precisa alcançar o quociente eleitoral. Trata-se, portanto, do resultado da divisão do número de votos válidos no pleito pelo total de lugares a preencher. No quociente partidário calcula-se a quantidade de candidatos que cada partido ou coligação vai ter na Câmara. Para se chegar a ele divide-se o número de votos que cada partido/coligação obteve pelo quociente eleitoral. Quanto mais votos as legendas conseguirem, maior será o número de cargos destinados a elas. Os cargos devem ser preenchidos pelos candidatos mais votados de partido ou coligação, até o número apontado pelo quociente partidário. É o que explica a situação incômoda de um candidato, mesmo sendo mais votado, perder para um menos votado, só porque este alcançou o quociente eleitoral. Essa complicação, que tem gerado muitas injustiças, deixa em suspenso 449.511 candidatos a vereador.
O desafio
Políticos militantes do PSDB consideram precisa a observação da coluna, na edição de ontem: o partido sente que há um mês a candidatura de Custódio Mattos cresce. O desafio dele nesta semana é imprimir velocidade ao crescimento.
Dupla face
A aprovação pública da gestão da presidente Dilma passa bem dos 60%, segundo a mais recente pesquisa, conhecida na semana passada. O que é motivo de festa para uma grande parte do PT, que quer vê-la candidata a um novo mandato em 2014. Mas também motivo de apreensão para outra parte, que a quer apenas guardando a cadeira para a volta de Lula.
Os aliados
Eis o momento adequado para o candidato a prefeito receber relatório sobre o trabalho e o empenho dos partidos aliados. Estarão atuando realmente ou apenas esperando os números que vêm das urnas? O PT, por exemplo, sente-se no direito de saber o que, além do vice, o PSB lhe tem dado. Na semana passada havia prometido trazer a deputada Luíza Erundina para dar força à campanha, mas ela acabou não vindo.
Comprometidos
Diz a ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que não se deve perder a esperança quando se vê tanto caso de corrupção. Ela está certa, mas também não se pode tirar a razão dos que se dizem pessimistas, quando ficam sabendo que 28% dos candidatos a prefeito têm contas a ajustar com a Lei da Ficha Limpa.
Lei Seca
O Tribunal Regional Eleitoral acabou não confiando apenas na responsabilidade pessoal do eleitor mineiro, muito menos na sua capacidade de guardar a abstemia, e expediu a Resolução 165, proibindo a distribuição, venda e consumo de bebidas alcoólicas no domingo. A proibição vai de 6h às 18h. O que significa que a lei atinge tanto os já chegam bêbados do sábado, como os que esperam o domingo para se dedicar ao levantamento de copos.
Preso de luxo
Em recentes estudos sobre o projeto do Código Penal, houve no Congresso quem desejasse saber, com precisão, quanto custa ao País manter um criminoso preso. Custa R$ 40 mil por ano. Manter um estudante universitário sai muito mais em conta: R$ 15 mil anuais. (( publicado na edição desta terça-feira do TER NOTÍCIAS - circulação de 8.000 exemplares ))

domingo, 30 de setembro de 2012

Anastasia esquenta a campanha

Nas conversas que teve com o governador Antônio Anastasia, o prefeito Custódio Mattos se penitenciou, primeiro a bordo de um carro de campanha, depois publicamente, por não ter investido na propaganda de sua administração. Fosse diferente, é certo que sua campanha pela reeleição estaria transitando por caminhos menos difíceis. Não é a primeira vez que ele confessa ter se equivocado por não investir mais na comunicação. No sábado, na quadra da Escola Real Grandeza, prestigiado pela presença do governador, que o considerou padrão de administração pública para o País, Custódio prometeu que vai compensar o vácuo da propaganda que não fez trabalhando sem descanso, até o último minuto, para no domingo chegar ao segundo turno; sem descanso, ele e as forças políticas que o apoiam, porque o grupo percebe que a candidatura cresce; o que precisa é velocidade no crescimento. O deputado Marcus Pestana, presidente estadual do PSDB, lembrou, em apoio a Custódio, que esta não é a primeira campanha difícil para os tucanos. Mas, quanto à eleição deste ano, afirma que é preciso considerar que Custódio foi o prefeito mais sacrificado da história de Juiz de Fora, porque assumiu num momento caótico, com a prefeitura sem recursos e sem credibilidade. E a autoestima da cidade no mais baixo nível, agora retomada, por fatores diversos, entre os quais as 12 novas indústrias que se implantaram aqui. Mais quem realmente se mostrava mais otimista na chegada da última semana de campanha era o governador Anastasia, que se considera, ele e o senador Aécio Neves, “testemunhas privilegiadas da excelente administração de Custódio”, e disse que espera para domingo “a boa notícia da vitória”. O prefeito terminou por dizer que há mais um motivo para esperar êxito no domingo: sua vitória seria a forma de Juiz de Fora manifestar o agradecimento a Anastasia e Aécio.
Força aliada
Disse à coluna o governador Antônio Anastasia, na tarde de sábado, que suas expectativas em relação ao PSDB no domingo são muito positivas na grande maioria do 853 municípios mineiros, mas insistiu em lembrar que onde houver vitória ela não será obra exclusiva dos tucanos, mas dos partidos que estão na base política do seu governo.
Primeira mudança
É sabido que, conhecidos os resultados das eleições de domingo, os partidos começam a tratar da renovação de seus diretórios e comissões municipais, como forma de se ajustarem à nova realidade politica que será criada. Quanto a Minas, certo que o primeiro a promover mudanças, já em novembro, é o PMDB, provavelmente com disputa interna, porque o atual presidente, Antônio Andrade, quer mais um mandato, enquanto no grupo do ex-governador Newton Cardoso, que dispõe de grande prestígio junto aos diretórios do interior, Mauro Lopes e Armando Costa também querem liderar chapa. Nos destinos do partido em Minas a representação de Juiz de Fora sempre teve algum peso. Mantê-lo fica na dependência de como o diretório e seus candidatos vão se sair nas urnas.
Dão-se os anéis
No fim de semana era tido como certo que o PT conseguiu quebrar a resistência da presidente Dilma, levando-a a S.Paulo para dar força à candidatura de Haddad. Ela não queria se envolver presencialmente, mas teria cedido ante o argumento de que os candidatos do partido vão mal em várias cidades. Salvar a prefeitura paulistana seria como considerar o resto como os anéis, sacrificados para que se salvem os dedos...
Peixes grandes
Se as relações entre alguns ministros do Supremo Tribunal Federal já não são das melhores, mais ainda a partir de hoje, quando o processo do mensalão leva a julgamento os maiorais do esquema de compra de apoio dos deputados: José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares. O ministro Joaquim Barbosa, estrela do espetáculo, sofre de dores lancinantes na coluna, o que facilmente pode comprometer seu humor. Basta uma breve provocação.
Fora de cena
O ex-deputado Roberto Jefferson, dono do bisturi que rasgou o tumor do mensalão, embora também tenha sido condenado pela mesma doença que denunciou, fica fora, durante seis meses, a partir de hoje, da presidência nacional do PTB. Vai cuidar de um outro tumor a que também foi condenado.
Nem tudo é joio
Caberia refletir sobre a advertência da ministra Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, quanto à forma de a sociedade reagir ante os maus costumes que alguns praticam na política. Não pode haver desesperança, diz ela. De fato, não é justo julgar a política e todos os políticos com base no erro dos maus, que felizmente ainda são minoria. (( publicado na edição desta segunda-feira do TER NOTÍCIAS ))

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Força externa

Se o PSDB chegar ao segundo segundo turno, o que coordenadores da campanha de Custódio têm na conta de rigorosamente possível, é evidente que o prestígio político do governo do estado vai entrar em campo para favorecê-lo. Se, num outro cenário, ocorrer a disputa entre PT e PMDB, vai se dar um fato curioso, porque são partidos aliados no plano federal, o que poderá inibir figuras nacionais de ambos os partidos a uma atuação presencial na disputa. Esses cuidados quanto à participação no segundo turno não excluem prévias avaliações da disputa presidencial de 2014.
Prova difícil
No Supremo Tribunal Federal, o ministro Ricardo Lewandowski diz que, a rigor, no processo do mensalão não há como provar que houve compra de apoio de deputados com o dinheiro colocado à disposição do governo Lula, o que dificultaria uma postura condenatória mais segura. O crime a que se refere o ministro realmente figura entre aqueles de difícil comprovação. Claro. O governo não apregoa que comprou e o deputado não vai confessar que se vendeu.
Patrocinadores
Há uma queixa generalizada no País em relação aos escassos patrocinadores de programas de rádio, o que tem impedido melhores produções, particularmente no campo do jornalismo. Juiz de Fora nunca foi exceção. Ontem, no Correio Braziliense, principal jornal da capital da República, Eduardo Almeida Reis, fez referência a um caso local, no qual tivemos participação: “Não sei se já lhes contei que tive um programa de rádio na cidade de Juiz de Fora, Zona da Mata de Minas. Vale repeteco: chamava-se “Mesa de Debates” e a compra do horário das 11h ao meio-dia nos custava uma tuta e meia. Pela alta expressão intelectual dos sócios no programa, Wilson Cid e José Carlos de Lery Guimarães, profissionais da melhor categoria, o programa teve ótima audiência durante um ano, mas naufragou no capítulo dos patrocinadores: eram seis e a cota mensal de cada um, em dinheiro atual, não custaria um salário mínimo.”
Para salvar
Decisão tomada e confirmada: o Partido dos Trabalhadores e Lula vão investir tudo em S. Paulo para ver se Haddad chega ao segundo turno, e com isto sepulte de vez a figura de José Serra, além de criar uma nova liderança. Diante de tal projeto, fica relegada a segundo plano a eleição nas demais capitais.
Repeteco
Em Porto Alegre, onde esteve para participar da campanha dos tucanos, o senador Aécio Neves repetiu, sem mudar palavras, o que disse em Juiz de Fora. O mensalão não deve ser usado como principal discurso das oposição contra as candidaturas do PT nas eleições municipais. Prefere o argumento da "eficiência e da capacidade de gestão" do PSDB. "Eu tenho muito cuidado de utilizar ou fazer com que o mensalão seja o principal argumento contra candidaturas do PT, porque nós temos outros mais fortes, que é a nossa capacidade de gestão, a nossa eficiência", disse ele.
Casos de Minas
Várias vezes interrompido, sem previsão de chegar ao finalmente, o debate sobre a inconveniência da suplência de senador, quando retomado terá de considerar o exemplo mineiro: das três cadeiras de Minas duas estão ocupadas pelos suplentes, Clésio Andrade e Zezé Perrella, substituindo dois titulares falecidos em menos de um ano: Eliseu Resende e Itamar Franco. Já se falou muito sobre a deformação que representa a suplência em eleição majoritária, embora sendo típica da eleição proporcional. Em suma: o mal do suplente de senador, pois ocorre de muitas vezes ele ser chamado a assumir, sem que tenha sido votado. O cargo se preenche por eleição majoritária; é preciso ter voto para se eleger.
Os músicos
A Câmara Municipal promoveu, nesta semana, um debate sobre as limitações para o exercício profissional dos músicos, sem referência ao fato de naquele dia estar completando um ano a decisão do Supremo Tribunal Federal determinando que eles exerçam sua profissão sem dependerem de filiação à Ordem dos Músicos do Brasil. Considerou-se que o exercício de uma atividade para sobrevivência não pode sofrer qualquer tipo de limitação. O que se cobra deles é apenas respeito às leis que tratam do silêncio após 22h.
(( publicado na edição desta sexta-feira do TER NOTÍCIAS ))

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Os presos

Vai ser conhecido, nas próximas horas, o número de presos provisórios que na cidade e na região terão direito de votar, no dia 7. Em todo o País serão em torno de 14 mil. Se todos participassem representariam 13% a mais em relação ao ano passado. O direito de voto ao preso nunca foi uma unanimidade entre juristas. Há os que consideram esse direito uma franquia exclusiva do cidadão que não têm problemas a ajustar com a Justiça.
Banco Rural
Para mostrar que não se abala com o mensalão, onde são acusados alguns de seus ex-executivos, o Banco Rural anunciou que os acionistas controladores acabam de promover aporte da ordem de R$ 100 milhões ao capital da instituição financeira. Sobre os desdobramentos do julgamento no Supremo Tribunal Federal, o comunicado acrescenta que eles “em nada afetam a continuidade da regular operação da instituição e de suas controladoras”.
Papel da mídia
O Instituto Cultural do Samba promove, hoje, às 19h, no Museu Credireal, um debate sobre a importância da imprensa no desenvolvimento do carnaval na cidade e do Brasil. Quem estuda essa relação considera que um juiz-forano, José Carlos de Lery Guimarães, figura entre os mais importantes do Brasil.
Um modelo
Quando se dispuser a tratar da questão das coligações partidárias, o Congresso Nacional terá de escolher entre os modelos de definição já conhecidos. O que tem sido definido como o mais simples é o que também parece mais adequado: coligação nada mais pode ser que a unidade entre partidos, preservadas as características de cada qual, para que o governo atue em políticas públicas de consenso. Nada a ver, portanto, com a realidade que hoje agride a Nação.
Pelos idosos
Em junho do ano passado, um grupo de vereadores foi ao então secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada, propor a criação, na estrutura da polícia, de uma delegacia especializada na defesa dos idosos, vítimas crescentes de violência em casa e nas ruas. A possibilidade de a sugestão ser atendida ficou na dependência de detalhes, como a comparação dos resultados com outras delegacias especializadas. Agora, pelo que se lê nos jornais, em pelo menos cinco das maiores cidades mineiras o projeto é objeto de promessa de candidatos.
Incentivos
Por falar em temas mais debatidos, certamente não figura entre eles a diferença dos estímulos fiscais em Minas e estado do Rio, o que tem sido muito prejudicial aos municípios da Zona da Mata. Não se promete cobrar solução, mesmo com as garantias de que a presidente Dilma deplora a concorrência desleal entre os estados, até mesmo comprometendo a unidade federativa. As disputas, que ela passou a conhecer muito bem, vêm se acentuando à vista do governo e de todos. Os incentivos fiscais constituem desafio que ainda não foi possível superar.
Mudanças
Já se sabe que, passada a posse do prefeito e dos novos vereadores, vários partidos estarão alterando a composição de suas comissões provisórias em Juiz de Fora. Talvez todos. Os vencedores, porque precisam se ajustar ao poder municipal, e os derrotados que precisarão de gente nova para se reorganizarem.
Pobres e ricos
A presidente Dilma deixou claro, no breve encontro com seu colega Obama, que o Brasil não aceita a prática do protecionismo comercial. Os Estados Unidos se defendem dizendo que estão muitíssimo endividados. O que pouco lhes importa. Faz lembrar velha história contada em Minas. O fazendeiro devia mil cruzeiros ao banco e estava liquidado. Se devesse duzentos mil o banqueiro é que estaria liquidado. É o caso do presidente Obama: seu país deve, de imediato, cerca de U$ 780 bilhões. Esse dinheiro os credores nunca verão, porque o que há são papéis trocados. Dívida, quando cresce muito vira ficção.
((publicado na edição desta quinta-feira do TER NOTÍCIAS ))

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O tema preferencial

Quando terminar a campanha eleitoral, conhecidas as condições em que foram eleitos os prefeitos, a assessoria da presidente, se se interessar pelas questões mais frequentemente tratadas pelos eleitores, não terá dificuldade para chegar à conclusão de que a grande preocupação nacional é com a saúde e com suas complicações. Um País sem segurança, caótico na educação e com as metas de desenvolvimento comprometidas, ainda assim prefere que o governo só resolva a crise da saúde. Não apenas o governo federal. O Congresso Nacional, tão logo avalie essa ansiedade, será desafiado a descobrir e indicar como salvar o SUS, acabar com as filas que antecedem a morte nos corredores e enfermarias dos hospitais e mostrar de onde tirar dinheiro, em volume tão necessário, para melhorar as condições dos serviços de saúde que são prestados aos brasileiros. Já no ano passado, na longa discussão que se estabeleceu em torno da Emenda 29, esse desafio estava posto, mas logo repudiado pela oposição, que alegava ser o equacionamento de recursos financeiros problema da alçada do Executivo. O primeiro passo então é vencer o impasse: a descoberta de novas fontes de financiamento dos serviços hospitalares e ambulatoriais, sem que se recorra à solução fácil e pouco criativa de atirar o encargo sobre os ombros já esfolados do contribuinte.
Renovação
A intensa pressão exercida pelos novos candidatos a vereador, e vários deles com razoável qualificação, tem autorizado os apostadores a subir de 50% para 60% a renovação da próxima legislatura. A propaganda realizada pelos novos, bem mais intensa que a dos que buscam a reeleição, também contribui para a previsão.
Granbery
“O Granbery e a educação em Juiz de Fora” é o tema da palestra mensal do Instituto Histórico e Geográfico. Quem fala é o professor e historiador Ernesto Guidice Filho. O Instituto se reúne amanhã, às 19h30m, no quarto andar do edifício Credireal.
Bebidas
Não é em todas as comarcas que os juízes eleitorais expedem instrução sobre a proibição da venda e consumo de bebidas alcoólicas no dia da votação. Contudo, não há necessidade de serem reeditadas portarias nesse sentido. No dia 7, até que seja fechada a última urna, não se bebe.
Cavaletes
Que a campanha deste ano sirva de advertência. Na próxima, os candidatos ficam obrigados a descobrir um modelo mais simpático e menos agressivo para levar às ruas os grotescos cavaletes de propaganda. Os que estão por aí são horríveis. Deve haver uma forma melhor, se é que os cavaletes sobreviverão.
Novo ministro no STF
Suspeito o argumento apresentado pela oposição ao pedir adiamento da aprovação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal. Realmente, foi indicado em tempo recorde o sucessor do ministro Peluso, mas afirmar que é uma manobra para atender interesse do governo no julgamento do mensalão é exercício de futurologia. A maioria dos membros do STF foi indicada pelos governos do PT, e nem por isso está se vendo benefício para os réus. Quando o STF esteve muito tempo sem o 11° ministro também o governo era acusado de protelação para atender seus interesses. (( publicado na edição desta quarta-feira do TER NOTÍCIAS ))

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Contradição

Na estrutura das coligações, e aí vai imensa contradição, o que se vê, em grande parte, são partidos desaparelhados de programas consistentes, confusos em suas propostas ideológicas e reduzidos a feudos, dominados por senhores sedentos de poderes negociados pelas cúpulas. Nos acertos políticos deste ano o fenômeno não esteve ausente. Dir-se-ia, na avaliação que se pretende correta, que a coligação se tornou um poderoso corporativismo, em cuja esteira apenas caminham projetos grupais ou pessoais; mas, de uma forma ou de outra, invariavelmente conflitantes com os interesses nacionais. A discussão da reforma política nunca contemplou, objetivamente, a não ser em breves enunciados, a necessidade de novo conceito para esse tipo de associação de siglas com interesse eleitoral.
Pesquisas alinhadas
A DataTempo, que promove pesquisas nos principais colégios eleitorais de Minas, estendeu seu trabalho a Juiz de Fora. No domingo concluiu o levantamento de campo e deve divulgar seus números hoje ou amanhã. Embora as pesquisas já realizadas tenham oferecido várias divergências, é importante levar em conta que, com ocorreu em anos passados, ao se aproximar o dia da eleição as agências e institutos que trabalham na aferição das preferências do eleitorado conseguem se ajustar, de tal forma que as discrepâncias desaparecem na reta final. Na véspera da votação os números estão perfeitamente ajustados. Não se conhece caso de grandes diferenças persistirem.
Erundina
A deputada Luíza Erundina,da bancada do PSB na Câmara, é esperada amanhã em Juiz de Fora, para fazer pronunciamento de apoio à candidatura de Margarida Salomão (PT) à prefeitura. Mas ontem à noite a agenda ainda dependia de confirmação. Ela viria acompanhada de seu colega de bancada Júlio Delgado. Os petistas aguardavam, na quinta-feira passada, a visita de Lula, o que acabou não se confirmando. Nos últimos discursos, ele tem se mostrado ufanista em relação ao PT, do qual foi fundador e é sua principal expressão política. Este posicionamento pode ser uma defesa prévia frente ao que está por vir, após o julgamento do mensalão pelo STF.
Programa tucano
O PSDB deve anunciar, ainda hoje, o programa da visita, dia 29, do governador Anastasia e do presidente estadual do partido, deputado Marcus Pestana, para atuar na reta final da campanha de Custódio Mattos.
Telhado de vidro
Usar o tema mensalão em palanques da eleição municipal, como tem sido prometido para o segundo turno, pode não ser um bom tema para adversários do PT. Afinal, outros partidos padecem de vulnerabilidade. Telhado de vidro é que não falta nas experiências de poder no Brasil. A busca por apoio político no Congresso para garantir governabilidade, prorrogação de mandato e reeleição sujeitou muitos governantes a expedientes de persuasão pouco recomendáveis.
Homem do ano
Revistas de circulação nacional e as entidades mais poderosas, que promovem a eleição das personalidades de destaque social, político e empresarial, não terão como escapar. Desta vez, o Homem do Ano é o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal. Ele não apenas vem tornando possível a condenação dos agentes do mensalão, o grande escândalo político, como despertou nos brasileiros a esperança do fim da impunidade, principalmente quando o alvo são os poderosos.
Inimigos aliados
Nem sempre as conveniências políticas no interior podem respeitar a orientação do alto comando dos partidos, o que autoriza se associarem, ainda que apenas em época de eleição, as siglas que não se toleram no plano nacional, como PT e PSDB. Pois na atual campanha os dois estão unidos em vários municípios, sendo 30 deles em Minas. Na região, o caso mais próximo é Ubá, onde o candidato a prefeito é petista e o vice tucano.
(( publicado na edição desta terça-feira do TER NOTÍCIAS ))

domingo, 23 de setembro de 2012

Bem comportados

Distante apenas 12 dias da votação, o eleitor vive a certeza de estar assistindo a uma das campanhas mais tranquilas de todos os tempos, com raros tumultos e brigas raríssimas. A impressão que se tem é que os candidatos chegaram à conclusão de que o clima de alta tensão não serve a ninguém. Pelo menos no primeiro turno. Já vão para o esquecimento antigas campanhas, meio século atrás, em que raro era o dia em que, à porta do Café Santa Helena, não trocava empurrões gente do PSD, da UDN e do velho PR.
Segunda via
Os eleitores que pretendem votar no dia 7 de outubro têm até a quinta-feira próxima para obter a segunda via do título. Mas terão de fazê-lo pessoalmente junto ao cartório da Justiça Eleitoral, sem o recurso da representação. O interessado apresenta documento de identidade e assina o requerimento da segunda via.
A tradição
Desde que o prefeito Saulo Moreira construiu o Calçadão da Rua Halfeld, na década de 70, o local passou a ser o ponto em que os candidatos a prefeito desfilam na penúltima semana de campanha. Acompanhados de correligionários entusiasmados, os que estão realmente na disputa cumprimentam, sorriem e abraçam. No sábado, Custódio, Margarida e Bruno confirmaram a tradição.
Pedágio
Discutível a boa intenção do deputado fluminense Filipe Pereira. Através de projeto que apresentou à Câmara, ele quer que em dia de eleição seja suspensa a cobrança de pedágio nas rodovias federais. Entende que seria uma forma de estimular o cidadão a praticar o voto, quando se sabe que o melhor estímulo quem o pratica é o próprio candidato que tem atitudes e ideias que o façam merecedor do voto; muito além dos R$ 8,00 do pedágio.
Ficha Limpa
O Movimento Tiradentes, que está completando cinco anos, responsável pelo projeto de iniciativa popular que levou à Lei da Ficha Limpa, será o tema da palestra que seu fundador, juiz Marco Aurélio, fará no dia 9, às 19h30m, no Instituto Cultural Santo Tomás de Aquino.
José Paulo
Recomenda-se a leitura da entrevista de José Paulo Netto ao site da Caros Amigos. O professor juiz-forano, que teve papel importante na projeção nacional do Serviço Social e das ideias marxistas, faz para o site importante reflexão sobre a trajetória das esquerdas no Brasil. Queixa-se em certo trecho: “... No quadro da esquerda, a unidade é sempre problemática, porque os enlaces se dão mais na prospecção do futuro do que na defesa de interesses materiais imediatos; é problemática, mas possível, como resultado de longos processos de debates, do conhecimento da experiência histórica, de combates prévios travados em comum e, sobretudo, do próprio nível de consciência das massas trabalhadoras, conquistado em suas experiências diretas. Frente a um inimigo comum – como era o caso da ditadura instaurada em 1964 e cujo caráter de classe se explicitou, sem deixar margem a dúvidas, em 1968, com o AI-5 – seria esperável a constituição de uma unidade entre as forças de esquerda. Sabemos que isto não ocorreu. Muitas foram as causas da dispersão de esforços e de combates. Penso que parte delas estava inscrita na análise que as diferentes forças fizeram (ou deixaram de fazer) da natureza do regime instaurado em 1964 e, ainda, das causas que permitiram a vitória das forças de direita”.
Sem quórum
Faltam poucos dias para a política mineira saber em que municípios a eleição do prefeito será definida no segundo turno. Com isso, a Assembleia Legislativa certamente terá de transferir para novembro a discussão e votação de projetos pendentes, porque todos os deputados (não apenas os que hoje disputam) estarão diretamente empenhados nos resultados. O que faz prever que raros serão os dias em que eles poderão estar em Belo Horizonte. A Assembleia vai tentar reduzir os efeitos do problema reeditando esforço concentrado para a votação de matérias inadiáveis.
Veterano
O ex-deputado Amílcar Padovani, que durante 27 anos esteve na Assembleia Legislativa, é o veterano entre os políticos que já tiveram mandato e que estão trabalhando na atual campanha. Padovani se empenha na eleição do advogado Francisco Ladeira para a Câmara Municipal.
Voto católico
Ontem, após a celebração das missas, foi lida a carta que o arcebispo, dom Gil Antônio, está enviando à comunidade católica sobre as eleições que se aproximam e a responsabilidade de cada um frente ao voto. O primeiro apelo é no sentido de que não se vote em branco nem se anule o voto, que também não pode ser trocado por dinheiro e bens materiais. O candidato, adverte a carta, precisa ter posição clara diante da dignidade humana, desde a concepção até o fim da vida. Não pode admitir violências como o aborto e a eutanásia. O eleitor católico, diz ainda a carta de dom Gil, nunca deve ser tolerante com a corrupção. É aconselhável que procure conhecer, através da propaganda, os méritos do candidato, mas sem confiar apenas na propaganda. É preciso identificar nele “projetos sociais abrangentes”. (( publicado na edição desta segunda-feira do TER NOTÍCIAS))