quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Por extensão

A prioridade que lhe é exigida para cuidar do câncer não consegue abater no ex-presidente Lula o interesse pela campanha eleitoral do próximo ano. Noticiava-se, ontem, sua preocupação com os rumos do PT em Belo Horizonte, onde a metade do partido não quer saber de aliança com o PSB e a reeleição do prefeito Márcio Lacerda. Lula deseja a aliança na capital, mas ainda não disse se teria o mesmo interesse em relação a outras cidades de Minas. Por exemplo: o que pensaria de uma aliança desse tipo em Juiz de Fora ?


Agarrar o PDT

No momento em que o ministro Carlos Lupi despencar, o governo terá de trabalhar em um projeto para manter o PDT em sua base parlamentar, apesar das muitas manifestações do partido de que não deixará o ministro indefeso. Não há razões para temer, porque o PDT não abriria mãos de suas posições na máquina governamental, ainda que prestigie Lupi até o último momento, mas sem cometer suicídio.
Como diz antigo ditado: defunto a gente leva até à beira da cova. Não entra nela.


Faltou dizer

Numa entrevista pela televisão, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, insistiu na necessidade de se pôr fim ao que chamou de “onda denuncismo”, sendo ele sua mais recente vítima. O ministro devia ter se referido também à “onda de corrupção”. Por que não?


E os outros?

O TSE não incorreu em equívoco ao indeferir o pedido de registro do Partido dos Servidores Públicos e dos Trabalhadores da Iniciativa Privada do Brasil. Realmente os organizadores não conseguiram arregimentar o número suficiente de assinaturas. Mas não foi o único caso. É sabido que alguns outros, antecedentes, também descumpriram e estão registrados. A enganação não é difícil de ocorrer. Quem vai se dar ao trabalho de conferir 490 mil assinaturas?
No caso presente, outro problema é a falta de identidade: partido que quer ser dos servidores públicos e dos trabalhadores da iniciativa privada, quer ser de todos, acaba sendo de nenhum.


Suspeitas

As suspeitas contra ministros e a queda de vários deles vêm ajudando a presidente Dilma a desobstruir os caminhos para a reforma do primeiro escalão. Pode ser que ela já chegue a janeiro com vagas nas principais Pastas.
As últimas bolas da vez foram os ministros dos Esportes e do Trabalho. Sob a mira estão agora os titulares de Comunicações e Cidades.


Concentrações

O PSDB e o PMDB são os dois partidos que estudam a realização de concentrações regionais em Juiz de Fora ainda neste mês. É um ensaio junto às bases em preparação para o ano eleitoral.


(( publicado também na edição desta sexta-feira do TER NOTÍCIAS ))

Em gotas

Col Wcid 10 nov 11


Em gotas

Já se viu que seis ministros foram defenestrados, e o sétimo está a caminho. Essa sucessão, em tão curto espaço de tempo, é inédita, e pode ser considerada uma interrogação para a reforma ministerial que tem de vir nas primeiras semanas de 2012: se, por um lado, tamanha desocupação facilitaria o trabalho da presidente, pode também ser um problema, porque os provisórios que estão chegando vão querer mostrar serviço para serem mantidos. De qualquer forma, pode ser uma reforma tratada em regime de conta-gotas.


Apertado

Não obstante alguns expedientes que aplicou para salvar a própria pele, no temporal das denúncias contra seu Ministério, Carlos Lupi parece estar em corda bamba por causa de um detalhe, que agrava sua situação: há três meses ele foi chamado a palácio e recebeu orientação para conter a sede de dinheiro de seus assessores. Não tomou providências.


Reflexo

A crise que envolve o Ministério do Trabalho não se restringe à posição do ministro e dos principais assessores. Ela se estende ao PDT e à Força Sindical, que, da mesma forma como se deu com o PCdoB no Ministério dos Esportes, querem se manter no controle da Pasta, o que reduz em muito a capacidade de o governo articular.


Secretário

Eleito, no dia 23 do mês passado, segundo secretário da executiva do PPC de Juiz de Fora, o ex-vereador Marcos Pinto já vai assumir a cadeira de primeiro secretário, que ficou vaga na terça-feira com a morte de Wagner Riani.


Os partidos

A definição vem de Rudá Picci, sem sofrer reparo:
“ Sem partidos inseridos no cotidiano nacional, há pouco protagonismo social. Os partidos parecem fechados nos seus velhos esquemas de contrapeso, de chantagens, pressões, trancamento de pautas parlamentares e composições. Fecham-se em si mesmos, se alimentando desse sistema que se auto-promove. Assim, acabam por gerar um pêndulo que se bifurca entre as eleições e os jogos palacianos. Os jogos palacianos têm nos parlamentares seus protagonistas, quase sempre avalistas de ministros ou que chantageiam diariamente os governos”.


Sem solução

Na Assembleia Legislativa, deputados começaram a colher sugestões para discutir, numa conversa franca, o problema da dívida de Minas com a União. Uma conclusão óbvia: tendo de pagar juros em cima de uma dívida de R$ 64 bi, ela jamais poderá ser saldada.

Lapicua

Na política, como em qualquer campo de atividade, não faltam supersticiosos. No Congresso, todos conhecem essa característica do senador José Sarney. Mas são muitos que, por exemplo, não gostam de brincar com números. E, amanhã, vão preferir não tomar atitudes mais importantes, por causa da lapicua (números que, invertidos, dão no mesmo, como as letras palíndromas): 11 do 11 do 11.
A inversão mais perfeita, incluindo horas e minutos, quando nenhum dos atuais políticos estará vivo, será daqui a 101 anos: 21 12 21 12 2112. A última lapicua perfeita da História.


(( publicado também na edição desta quinta-feira do TER NOTÍCIAS))

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os provisórios

Já se sabe que 90% dos partidos que estarão participando da campanha eleitoral do próximo ano ficarão na condição de comissão provisória, não diretórios como tal organizados. Mas não se trata de uma realidade local, porque a situação é a mesma no resto de Minas.
Isso não recomenda os dirigentes estaduais. Eles preferem deixar seus representantes na condição de provisórios, porque podem destituí-los facilmente no caso de desobediência.


Contra drogas

Hoje. Às 19h, no salão da Cúria Metropolitana, estará reunido o Fórum Permanente de Defesa dos Direitos Humanos, um espaço para entidades e pessoas que atuam na defesa dos direitos humanos na cidade. Temas para hoje: andamento projeto de lei do Conselho Municipal de Políticas Integradas sobre Drogas, as atividades do Fórum sobre população de rua e análise da situação dos hospitais universitários, que podem ser descaracterizados com a criação de empresa para administrá-los.

O Fórum foi fundado em junho de 2008, pela OAB/4ª Subseção, Câmara Municipal, CDDH/JF, Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz e Pastoral Carcerária.


Baixo custo

Não faltou candidato a vereador que discordasse de nota da coluna na qual se estima que a campanha para se chegar à Câmara Municipal deverá custar em torno de R$ 300 mil, quando se tratar de candidato viável. Geralmente quem discorda e diz que vai gastar “muito menos” está fazendo vestibular para o fracasso nas urnas.


Acidentados

Uma escrivã aposentada da Polícia é a mais recente vítima das canaletas do Calçadão da Rua Halfeld, com suas tampas tortas e fora de nível, a todo momento provocando tropeços e quedas. Um problema que o serviço responsável pode resolver com algumas marteladas.
Dona Inês fraturou o ombro, agora sustentado por peça de platina, e terá de suportar a tipoia nos próximos dois meses.


Luto

A comissão provisória do PPS está de luto, com a morte de seu secretário, Wagner Riani, sepultado ontem à tarde. Aos 54 anos, ele foi vítima de infarto. Desde a fundação em Juiz de Fora, Wagner despontava como o principal organizador do partido.


Poucas chances

Setenta e duas horas depois de ser intensificada a campanha para destituí-lo, são poucos os capazes de apostar todas as fichas em Carlos Lupi como ministro do Trabalho. Quem conhece os meandros de seu gabinete sabe que os problemas no Ministério vão se revelar mais graves à medida em que as investigações forem aprofundadas no campo de suas relações com as ONGs.


(( publicado também na edição desta quarta-feira do TER NOTÍCIAS ))

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Em memória

O ex-presidente Itamar Franco, recentemente falecido, será homenageado, dia 28, pelo Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, com oradores ainda não anunciados. O detalhe é que essa homenagem estava programada há vários meses. O presencial se transformou em memorial.


Alto custo

Não cabe suspeita, pois o estudo foi elaborado por um petista, o deputado federal Francisco Praciano, do Amazonas: a corrupção está custando aos brasileiros, todo ano, entre R$41 bilhões e R$ 69 bilhões.


Salvando a pele

Cansado de ver os ministérios vizinhos pegando fogo e colegas caindo sob a carga de denúncias de corrupção, o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, tirou o seu da reta. Afastou, incontinenti, seu assessor especial Anderson Alexandre dos Santos, sobre quem caem sérias suspeitas de desvio de verbas. Antes que os estilhaços lhe caiam na cabeça o ministro mandou pra casa o responsável pelo tiroteio.


Olho na campanha

O Ministério Público, instado pelo deputado estadual João Leite, deve anunciar, até o final da semana, as primeiras medidas para a investigação de ONGs em Minas, a começar pelo envolvimento delas com a campanha eleitoral do ano passado. Quanto a Juiz de Fora, não tem outra direção a suspeita sobre o programa Segundo Tempo do Ministério dos Transportes. Como atuou esse programa na campanha eleitoral do PCdoB ? Trabalhou para algum candidato? O deputado João Leite guarda dados interessantes a esse respeito.


Ideológicos

Uma vez mais, a campanha eleitoral deverá revelar baixo conteúdo ideológico, o que se observa principalmente nas disputas da prefeitura. É quando afloram e se tornam mais sensíveis os problemas administrativos da cidade.
Os partidos ideológicos (não os de fachada) são sempre modestos. Não têm como crescer. Se querem crescer têm de perder a identidade.


Brasil 64-85

O Centro Educacional de Referência Herval Braz, na Rua Oswaldo Aranha, vai abrir hoje a exposição “Brasil 64-85 nunca mais”, que poderá ser visitada até sexta-feira. Trata-se de mostra didática, resultado de pesquisa dos próprios alunos, que trabalham com música, poesia e outras manifestações artísticas. Mas todas as atividades mostradas estão concentradas na experiência sombria que o País viveu, a partir do golpe que derrubou o governo João Goulart.

((publicado também na edição desta terça-feira do TER NOTÍCIAS ))

domingo, 6 de novembro de 2011

Inauguração, enfim

O que o ex-presidente Itamar Franco desejou ardentemente vai acontecer no próximo dia 19, quatro meses depois de sua morte: a inauguração oficial do Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá. Ainda governador de Minas, ele mandou elaborar o projeto, promoveu as desapropriações e realizou 50% das obras.
A solenidade será presidida pelo governador Anastasia, se Dilma não puder estar presente. Hoje, o aeroporto está atingindo a marca de 10 mil passageiros atendidos.


Fora o juro

Pelo menos que o estado se livre ou adie indefinidamente os juros que pesam sobre as dívidas que tem acumuladas na União, hoje, bem somadas, de vencimento imediato, em torno de R$ 1 bi. É o tema que a Assembleia Legislativa vai debater, nesta tarde, mas sem desejar que se manifestem apenas os deputados. Sindicatos, entidades civis, federações e servidores públicos também foram convidados a opinar. Na atual conjuntura, os parcos recursos do erário pagam dezembro e o 13º dos servidores, mas o abono de produtividade perde-se de vista.
Estamos, contudo, diante de uma realidade: a bem da verdade, todos os demais estados também são devedores e com eles dividimos nossas aflições.


Resistência


Senador pernambucano Eunício Oliveira, que preside a comissão que estuda a reforma do Código Penal, reconhece que ainda suscita divergências e discussões apaixonadas a proposta de atualização de matéria de tamanha importância. As leis precisam evoluir, principalmente quando é sabido que se trata de um código dos anos 40, quando não havia sido tipificado o crime hediondo, o sequestro era uma raridade e não se conheciam os delitos via internet, até porque ela não existia.
É o código de um Brasil que era rural e hoje é urbano.


Um alívio

Depois de amanhã - está prometido - o Supremo Tribunal Federal vota o destino definitivo da Lei da Ficha Limpa. Ontem, como resultado de uma avaliação das tendências dos ministros, considerava-se como certo que ela vai viger em 2012. Isto posto, chega-se a duas conclusões: 1) o País deverá estar livre da tralha de ladrões contumazes que desembarcam na política, e 2) os bons cidadãos ganham um instrumento de defesa contra eleitores que não são capazes de resistir aos apelos dos candidatos bandidos.


Boa ideia

Acuada diante de uma realidade que coloca sob suspeita a maioria das ONGs que operam no País, a presidente Dilma Rousseff se vê na contingência de examinar alternativas, uma das quais seria a paulatina substituição dessas organizações por instituições mais modernas e resistentes à corrupção. Há uma proposta para que se adote a experiência dos consórcios municipais, que, aliás, têm em Juiz de Fora um modelo exitoso, a Acispes, que atua na área de saúde e vem servindo de base para igual iniciativa em outros estados.
O governo sustou, por um período de trinta dias, a liberação de verbas para as ONGs. Isso não as assusta porque têm caixa para resistir a tão breve falta de oxigênio.


Grito mineiro

Parece não ter alcançado a repercussão merecida a iniciativa de algumas lideranças e partidos políticos de propor uma ação vigorosa em Brasília para que Minas retome, mesmo que apenas em parte, seu antigo prestígio, o que lhe valia tratamento diferenciado da parte do governo federal. A proposta precisa ganhar eco, sem o quê não será ouvido o grito mineiro.
Para ilustrar nossa fase de desprestígio: Minas é a segunda maior população do País e o sétimo na escala da investimentos federais na Saúde.






O custo da campanha

Se não vão além de mero exercício de futurologia as previsões sobre como andará a economia mundial em 2012 e seus reflexos para o Brasil, quem poderia se aventurar a um orçamento, aproximado que seja, em relação ao custo da próxima campanha eleitoral? O máximo que se tem feito, e é o que se faz, não vai além de uma projeção com base em valores atuais. Por exemplo, quanto ao material gráfico de propaganda, estima-se que o encarecimento refletido sobre a campanha de 2010 fique entre 15% e 18%, não muito diferentemente do custo da produção do material de propaganda para os horários gratuitos em rádio e televisão.
Mas o que importa, antes de tudo, é considerar que há candidaturas experimentais ou fruto de aventura e as candidaturas sérias e viáveis à vereança. Quanto a estas, a projeção estaria em torno de R$ 300 mil, um dado que oscila, na dependência de o candidato ser menos ou mais conhecido do eleitorado.
Quanto aos candidatos a prefeito, o que se diz nos partidos, é que o custo da campanha vai depender do potencial político de cada um e do poder de fogo dos que vierem com a simpatia de Brasília ou Belo Horizonte. Mas, no primeiro turno, nada menos de R$ 20 milhões para dar a saída.


Diagnóstico da oposição

Com um campo tão fértil para atuar, por que a oposição não cresce e aparece? Por quê? Ora, porque o poder de manobrar com as dotações e as verbas está concentrado no Executivo. Eis o porquê. É o entendimento de alguns cientistas políticos e oposicionistas confessadamente atordoados, como também Rudá Ricci, que se preocupa com a questão, e vem garimpando uma explicação. Mas, em outros tempos, a capacidade de distribuir o dinheiro dos impostos era a mesma, e os contestadores se mostravam muito fortes.
Querem outros que a oposição está apagada por ser apenas uma oposição parlamentar, não ganha as ruas. Contudo, foi em outros tempos que, sendo nada além de parlamentar, que o oposicionismo de um Carlos Lacerda derrubava governos.
Talvez quando se aprofundar mais na questão seja possível concluir que são várias as explicações, mas o diagnóstico tem de partir, necessariamente, da fragilização dos partidos, todos eles, sem exceção, desviados de suas linhas programáticas e tolerando a convivência com corruptos.

(( publicado também na edição desta segunda-feira do TER NOTÍCIAS ))

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PPS avalia

O comando do PPS mineiro tem reunião hoje, em Belo Horizonte, para avaliar seus primeiros meses de atuação política no estado e o que vem pensando sobre seu papel no processo eleitoral do próximo ano. O presidente da executiva nacional, Roberto Freire, vai estar presente, e deve deixar como recado aos mineiros a necessidade de uma atuação mais vigorosa contra o governo Dilma.
O PPS está alinhado com o governo Anastasia, e um de seus secretários, Antônio Jorge, da Saúde, é o presidente em Juiz de Fora.
Um ponto a ser tratado na reunião de hoje são as novas filiações. Uma delas é do ex-deputado José Fernando Oliveira, que no ano passado, ainda no PV, disputou o governo do estado.


Bom conselho

A dois novatos pré-candidatos a vereador um amigo comum, veterano observador da política municipal falava sobre as condições básicas e mínimas para quem pretende disputar: ter dinheiro, não menos de R$250 mil para gastar, disposição para subir os morros e muitos amigos para ajudar no dia da eleição, porque é em cima da hora que muitos ganham os votos indecisos.


Nem tanto

Ao menos em duas ou três oportunidades, a presidente Dilma manifestou disposição de não interferir na campanha de 2012, a começar por S.Paulo. Pois é exatamente ali que ela acaba de agir de forma a demover a senadora Martha Suplicy de disputar a prefeitura, cedendo a vez para o ministro Haddad. Foi uma intensa articulação, da qual também participou o presidente Lula.


Desmobilização

Já se percebeu que neste fim de ano não haverá mais condições para mobilizar manifestantes contra a onda de corrupção que varre o País de Norte a Sul. O clima de festa e de expectativas não permite a adesão de multidões, como se pretende. Fica para o próximo ano, mas tem de ser no primeiro trimestre, porque depois o pessoal estará cuidando de convenções e eleições.


Os otimistas


Da mesma forma como os pessimistas veem obstáculos em tudo e nada vale a pena, os otimistas pecam por ter a visão obnubilada. Facilmente recusam a realidade. Parece que estão nesse caso os partidos políticos que vão disputar em Juiz de Fora. Todos anunciam projeto de conquistar três cadeiras de vereador. É uma ofensa à aritmética. Se cada um elegesse três vereadores a Câmara teria de montar umas sessenta cadeiras...

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(( publicado também na edição desta sexta-feira do TER NOTÍCIAS ))

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Abrangência

Amanhã, em hora e local ainda não definidos, o vereador Isauro Calais (PMN) e o deputado Bruno Siqueira (PMDB) vão se reunir para conversar sobre o quadro sucessório que se avizinha. Calais é pré-candidato já apresentado pelo partido, enquanto no PMDB cerca de metade do diretório admite como viável a candidatura do deputado. Num primeiro momento, além de estar ou não na disputa, o que eles têm para conversar é a abrangência de uma possível aliança.


Desoneração

Em seu boletim de prestação de contas, que divulgou na terça-feira, o vereador José Sóter Figueirôa reclamou um maior esforço para a reforma tributária, que seja capaz não apenas de desburocratizar e simplificar, mas também combata a guerra fiscal, que ele define como “predatória, antropofágica e suicida”.
O vereador considera que, pelas características da cadeia produtiva, essa reforma tem especial importância para o município.



Rota oposta

Nem sempre as alianças parlamentares têm como objetivo conter ou policiar as atividades do governo, como ainda agora acordam o PSDB e o novato PSD. Decidiram apoiar a ideia de conferir à presidente Dilma a prerrogativa de promover desvinculações de receita da União em até 20%. Com isso, ela poderá rearticular recursos de rubricas diversas, sem que o Congresso possa protestar. É liberdade demais.
Mas, para que essa gentileza se concretize é preciso combinar com os demais partidos.


Prioridades

Depois de terem elaborado amargas queixas quanto ao desprestígio de Minas nas grandes decisões nacionais, o que nos tem valido escassez de recursos para obras, os partidos mais expressivos do estado decidiram atacar. Vão levantar a voz em Brasília, dando-se ao governador Antônio Anastasia a missão de encaminhar as propostas.
Elabora-se uma pauta de reivindicações. Já se sabe que dela constará a duplicação da BR-267 entre Juiz de Fora e Leopoldina, conforme sugestão do deputado Marcus Pestana.


Fala grosso

Animado com o prestígio que ganhou nos últimos dez dias, sob os holofotes da roubalheira que sua gente aprontou no Ministério dos Esportes, sem perder o poder de mando nesse campo generoso, o PCdoB engrossa a voz ao tratar do apoio à reeleição do prefeito Márcio Lacerda, em Belo Horizonte. Só adere depois de saber qual a secretaria que lhe caberá.


Missão

Ainda sobre o PCdoB, que acaba de confirmar seu grande prestígio junto a Dilma, como herança do governo Lula: com o afastamento de Aldo Rebelo, que se tornou ministro dos Esportes, a bancada comunista deve, naturalmente, assumir a defesa dos projetos que deixou para trás. Entre eles, a criação do Dia Nacional do Saci-Pererê, o Programa Nacional Pró-Mandioca e a limitação de expressões estrangeiras no comércio, nas artes e no cotidiano dos brasileiros.



Sinistrose

As enfermidades, quando escolhem pessoas de grande expressão, como é o caso de Lula, costumam gerar interpretações confusas, muitas vezes até se prestam a boatos maldosos. Também não faltam os “urubulinos”, capazes de elaborar previsões as mais sinistras.
O ex-presidente padece de um câncer que os especialistas definem como perfeitamente contornável, mas nem por isso deixam de se antecipar algumas previsões aterradoras. Pois esse câncer, por si só, sem complicações e sem novas surpresas, não vai removê-lo do campo de altas influências no poder. É prematuro, portanto, achar que a presidente Dilma começar a navegar com as suas próprias velas. Lula não ancorou.


(( publicado também na edição desta quinta-feira do TER NOTÍCIAS ))