sábado, 6 de dezembro de 2014

MODISMO

Atribui-se, sem exagero, à presidente Dilma uma sólida incursão revolucionária no campo da linguagem, depois de decidir que para ela seu cargo é de “presidenta”, o que mandou para as calendas velhas lições do particípio ativo nos derivados verbais. Como ensina um cuidadoso professor de Português, graças ao particípio ativo do verbo ser, o atacar nos dá atacante, pedir dá pedinte, cantar dá cantante. O particípio ativo do verbo ser é ente, independentemente do que dona Dilma julgar conhecer do idioma do povo que representa.

Capela ardente não é “ardenta”, superintendente não veste saia para ser superintendenta”, estudante não é “estudanta” e paciente  não é “pacienta”. Se não cessar essa onda, daqui a pouco também estarão no lixo os termos chamados unívonos, as mulheres serão da humanidade e os homens do “humanidado”. Millôr e
Veríssimo já haviam se horrorizado com a possibilidade de não serem mais pessoas, mas “pessoos”...

Por causa do modismo presidencial, nossos oradores políticos andam abrindo seus discursos com o dispensável  boa noite  “a todos e a todas”.

DE PRESENTE

O vereador Rodrigo Mattos, que acaba de ser eleito presidente da Câmara, destinou R$ 20 mil de suas emendas ao orçamento municipal para o Museu Mariano Procópio mandar restaurar três telas do acervo que estavam seriamente danificadas. Elas já estão em S.Paulo, com a sorte de serem confiadas a Raul Carvalho, considerado um dos três maiores restauradores brasileiros.

EXPECTATIVA

Diante de um quadro político sombrio, que gera tamanhas perplexidades, não podia ser outro o sentimento das lideranças, sobretudo na área econômico-financeira. Ninguém tem coragem de apostar num futuro próximo. O que vai acontecer com este Brasil tão molestado?




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Salvo os grandes


Um por um, cada qual a seu tempo, os condenados do mensalão vão sendo soltos ou ganhando certas generosidades da Justiça, de forma que daqui a pouco estarão todos em casa, gozando as benesses da impunidade.
Prisão domiciliar para quem não precisa trabalhar é prêmio ou aposentadoria qualificada, diga-se de passagem.
Fica mais uma vez demonstrado que as cadeias do Brasil não têm espaço para os poderosos.
Mas isso não é de hoje. Ainda há pouco, lendo “Rotina Bancária”, que o ex-prefeito José Procópio Teixeira publicou em 1946, anotei este trecho:
“(...)pois enquanto as prisões estão cheias de ladrões de galinha, as avenidas se acham infestadas de chatagistas e falsários”.
Anos depois, Eduardo Almeida Reis, em “Burrice Emocional”, lembraria a Roma dos césares:
“Quantas vezes se viu em Roma ir a enforcar o ladrão por ter roubado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul, um ditador, por ter roubado uma província”.



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Sem Constituinte


A promessa do senador Aécio Neves de levar a ferro e fogo a oposição ao novo governo Dilma deve se centralizar, entre as questões essenciais, na tentativa de impedir que o PT amplie sua campanha para a convocação de uma Constituinte. É bem sabido que com os votos dos beneficiários nordestinos do Bolsa Família, que são a versão contemporânea do voto de cabresto, o governo não teria dificuldade em escrever uma Constituição como bem entender. Para a oposição é insuficiente (a última eleição confirmou) o argumento de que para uma Carta democrática não cabem restrições de quaisquer ordens.
No projeto de Brasília, um dos objetivos é construir certo controle sobre os meios de comunicação, o que seria mordaça disfarçada. Coisa irrelevante para os eleitores do Bolsa Família.


Remédios amargos


O governo precisa criar, urgentemente, um esquema de reação política ao quadro de decepções que criou com as más notícias que guardou a sete chaves para divulgar após a eleição. Sob pena de criar um clima de hostilidades, greves e manifestações de rua que logo virão. Escondeu os dois aumentos quase sucessivos no preço da gasolina, o pior desempenho da economia comercial nos últimos 16 anos, rombo de R$ 24 bi no Tesouro Nacional, inflação engordando, 20% na tarifa de energia. Precisa se explicar, enquanto vive o frescor da vitória das urnas.


Como sempre


Há cerca de 35 anos, no “Estado de S.Paulo”, Fernando Pedreira escreveu o que, sem qualquer esforço para atualizá-lo, justifica a reedição:
“A impunidade está garantida, porque a sofisticada e complexa aparelhagem estatal assegura, primeiro, a socialização dos prejuízos, e depois a competente “desapuração” dos crimes e das irregularidades praticados, por meio de relatórios e inquéritos que se alongam até que a opinião pública se esqueça de tudo”.


Derrota geral


Alguns raros êxitos isolados; ausentes e encantoados os partidos; indigência de ideias e propostas, tudo coroado com uma escandalosa votação conferida a candidatos “estrangeiros”, traçam um quadro que denuncia a falência da classe política na cidade. As lideranças precisam descer dos cabedais e mergulhar na autocrítica. Enquanto é tempo.





quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Para dialogar

Esta é uma semana em que o prefeito Bruno Siqueira, retornando de sua viagem ao exterior, deve iniciar a avaliação do quadro político que se formou a partir das eleições; e, com os dados que obtiver, traçar os  rumos dos dois anos que restam à sua gestão.
No estado, ele conta com a interlocução do vice-governador eleito, Antônio Andrade, com quem sempre teve boas relações. Ao mesmo tempo, dispõe de números que podem ajudá-lo a ter trânsito em Brasília, recorrendo ao quadro de votação de domingo passado: dos 500 mil votos que deram preferência a Dilma em Minas 15% foram de Juiz de Fora. É uma contribuição expressiva.
Ainda com base nos ajustes, especula-se que algumas secretarias poderão ter novos nomes proximamente.


Sem plebiscito

Durou pouco, nada além de algumas horas, o ânimo da presidente Dilma para a convocação de um plebiscito, no qual os brasileiros seriam chamados a definir o conteúdo da reforma política. Desistiu, pelo menos por algum tempo, porque os resultados das urnas não foram suficientes para que encarasse uma empresa desse vulto. De fato, ela não pode desconsiderar que passa a governar um País rachado ao meio; portanto, vulnerável a polêmicas mais acaloradas.
Mas, antes mesmo, é preciso continuar reagindo a essa proposta, venha quando vier, porque não se pode admitir que matéria dessa importância, tão complexa, o governo queira definir com os votos do vasto curral eleitoral que criou com o Bolsa Família, cujos beneficiários,ficou agora comprovado, votam sob cabresto.
Já se disse repetidas vezes, a esse propósito, que a reforma política é natural atribuição do Congresso Nacional, onde tramita há quase 20 anos. Foi estudada e discutida à exaustão. Sugerir agora um plebiscito é criar regras depois do jogo começado; a dar ao governo, de novo, as urnas nordestinas que controla com um programa assistencial primário.


Não é pra esquecer

Os ressentimentos e as frustrações dos derrotados, ao lado das alegrias dos vitoriosos, todos sem saber exatamente qual o futuro deste País, não autorizam que fique relegada a segundo plano a realidade que a eleição presidencial acaba de traçar: o Brasil está rachado ao meio, tendo como divisória com um pequeno naco sustentado em tênue favoritismo da presidente Dilma a indicar que de fato moramos em países diferentes. O Nordeste nada tem a ver com o Sul, e a recíproca é verdadeira. A pátria de Aécio não é a pátria de dona Dilma. Seus eleitores são diferentes, têm outra visão da nacionalidade, contrastam no julgamento das coisas temporais. 
O que nos deve unir, ausentes outras razões significativas, é apenas a certeza de que estamos divididos e distantes. E se falamos um mesmo idioma, reconheçamos que ele é insuficiente para a compreensão da nacionalidade. Há um Brasil da Bahia pra cima e outro Brasil da Bahia pra baixo.  

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Lições de outubro 


As eleições deste outubro, tanto a majoritária como a proporcional, mostram-se fartas em advertências para os partidos e as pretensas lideranças municipais; essas lideranças que descuidaram de promover debates, estudos e seminários sobre o momento político que estamos vivendo. No que dependeu dessa gente, faltou ânimo suficiente para animar a eleição. Uma ressalva: a militância do PT, mesmo sem o volume das ações que revelou em campanhas passadas e com velhas manchas de cisões internas, foi para as ruas na missão difícil de enfrentar o bombardeio que se praticou contra a presidente Dilma; ela, apenas ela, no momento em que teve de assumir e incorporar os desgastes do petismo. Sobre os outros partidos de maior expressão, salta, em primeiro lugar, a olhos vistos, a implicância que domina os grupos que compõem o PSDB. Quase uma tradição, que tem como resultado flagrante a resistência dos dirigentes locais à candidatura do deputado Marcus Pestana, a despeito de ser presidente estadual do partido. Os grupos, onde geralmente se contrapõem Pestana e o ex-prefeito Cuistódio Mattos, vão se alternando na linha das antipatias recíprocas. Fica sem resposta a pergunta ao diretório municipal: o que se fez em Juiz de Fora, partidariamente, o PSDB pelas candidaturas de Aécio Neves e Pimenta da Veiga? (Outra ressalva: a atuação do PPS, inspirado pelo deputado eleito Antônio Jorge, que procurou ocupar espaços que os tucanos deixaram em aberto). Quanto ao PMDB, não diferentemente,permaneceu a impossibilidade de suas alas conviverem em torno de projetos comuns. Não foi unânime o acatamento da proposta do prefeito Bruno Siqueira de apoio às candidaturas de Isauro Calais à Assembleia e Pestana à Câmara, como também dividiram-se as simpatias entre outros candidatos, sendo ou não de Juiz de Fora. Foi o caso do prestigiado vereador Antônio Aguiar, cuja foto apareceu nos posters de Rodrigo Pacheco, que o eleitorado local não conhecia. Uma lição a extrair, portanto, neste outubro de muito calor e campanhas mornas, é a necessidade de os partidos trabalharem pela unidade, primeiro passo para se fortalecerem, antes de pensar em candidaturas.


 Em decorrência 


 Se faltassem outras razões para estimular os partidos a uma urgente autocrítica, ainda com base nas lições que lhes deixa este outubro, ficam os números, pródigos em lições e advertências sobre a marcha batida em que vai para o abismo nossa representação política. Basta um exemplo, e para tanto ligeiro esforço de memória: há dez anos, as candidaturas de Sebastião Helvécio, Biel, alberto bejani e João César Novais somaram em Juiz de Fora cerca de 240 mil votos. Pois, no dia 5 passado, mesmo com um colégio eleitoral muito maior, a soma dos votos dos nossos candidatos não logrou ultrapassar a casa dos 198 mil. Isto significa, antes de mais nada, que estamos num perigoso processe de regressão política, o que se confirmaria naquele domingo, com um escândalo cívico: 45% dos nossos eleitores anularam o voto, votaram em branco ou optaram pela abstenção.

 (Este blog esteve desativado durante algumas semanas, por razões diversas. Volta agora, agradecendo a atenção e o acolhimento que sempre mereceu de seus frequentadores)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Atualidade
Há treze anos, a Revista do Tribunal de Contas de Minas Gerais publicava artigo do jurista Miguel Reale, que, sem qualquer mudança, adequa-se à realidade política dos nossos dias e com absoluta perfeição. Considerando-se que o autor isnpirava-se em situações bem anteriores a ele, conclui-se que era tudo continua como dantes. “A vida política no Brasil é uma competição de cúpula, com reduzida participação do eleitorado. E dois vícios fundamentais inquinam nossa vida partidária: a falta de confronto entre ideias e programas e o alheamento dos eleitores à existência dos partidos”, explicou . E conclui que tal situação, tão perniciosa numa sociedade plural, “interessa a grande número de parlamentares, habituados a se reelegerem com partidos de aluguel”. Para o jurista, o começo para a solução de tal problema pode estar na adoção do voto distrital misto. “É claro que tal sistema é incompatível com a existência de partidos sem estrutura e sem programa definido”. E aí a coisa vai se complicando.
A receita
Há uns cinco meses, participando de reunião do diretório municipal do PSB, o ex-prefeito Tarcísio Delgado recomendava que a militância se reunisse mais frequentemente e buscasse uma atuação mais ostensiva nos bairros. Agora, candidato a governador, ele tem redobrada razão para insistir nesse apelo, pois em Juiz de Fora é que deve esperar sua maior votação.
Terceira via
Uma candidatura alternativa ao governo de Minas, como agora no caso de Tarcísio Delgado, parte naturalmente com 4 ou 5% do eleitorado. Qualquer que seja a previsão de abstenção e votos válidos, a experiência autoriza prever que ele começa com 350 mil ou 400 mil votos.
Passo seguinte
Esgotado o interesse nacional pela Copa do Mundo, onde o Brasil teve desempenho melancólico, a campanha eleitoral ganha espaço para ser tratada objetivamente. O que não impede a discussão sobre se o desastre do futebol terá reflexo sobre o ânimo do eleitorado. A pergunta é se a grande decepção popular empurra ou não o voto para candidatos oposicionistas.
Seja como for, tratando-se da disputa presidencial já não há dúvida de que vamos para o segundo turno.
Compromisso
Betinho Duarte, uma das principais figuras de Minas na luta pelos direitos humanos, acha que Juiz de Fora, mais que a capital do estado, tem razões para desvendar os casos de tortura que foram praticados durante a ditadura militar. Diz ele que se os primeiros passos do golpe de 64 foram dados aqui, também aqui se escreveram algumas das grandes páginas da história das liberdades.
Ponto alto
Prepara-se o prefeito Bruno Siqueira para marcar a data de inauguração (certamente em agosto) da obra que, iniciada pelo antecessor, Custódio Mattos, ficará como a maior e mais importante dos últimos tempos: a quarta adutora, que colocará à disposição da população água suficiente para o consumo nos próximos 25 anos.
Henrique Duque
Em véspera de deixar o comando da Universidade Federal, o reitor Henrique Duque define algumas reflexões que traz dos oito anos em que esteve no cargo: conscientizou-se de que a universidade federal deve mesmo ser gratuita; que as cotas raciais são mais importantes em alguns estados do que em Minas; que a UFJF ajudou Juiz de Fora a se consolidar como capital da inteligência regional; que o ensino a distância, no qual não acreditava muito, subiu de 300 alunos para 6.000; que os 700 professores que encontrou são agora 1.700; considera que o Parque Tecnológico é responsável pelo grande impulso da Zona da Mata; reconhece que alimenta aspirações políticas no campo executivo. Enfim: está certo de que o problema do Brasil é que falta gente que faça acontecer.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Para decidir

O comando estadual do PMDB, tendo à frente o presidente Antônio Andrade, desembarca em Juiz de Fora nesta quinta-feira, e à tarde estará reunido com a executiva municipal. Nesse encontro a pauta se resume no posicionamento dos peemedebistas locais em relação à eleição de governador em outubro. O partido tem projeto de estender a Minas a aliança que reeditou em plano federal com o PT, mas quando se trata de atrair as lideranças municipais não há unanimidade quanto a isso.
A previsão é de uma  conversa franca e decisiva. De forma que o comando estadual possa retornar a Belo Horizonte sem maiores dúvidas quanto à disciplina dos correligionários da cidade.


Risco repetido

Já se sabendo que deverão ser 12 os candidatos da cidade à Assembleia Legislativa, assegura-se a cidade de que se tornam remotas as possibilidades de se fazer representar por uma bancada numerosa.  Os votos se diluem e o pouco que se dá aos muitos postulantes afunila os espaços para a chegada.


O retorno

A decisão do ex-prefeito Tarcísio Delgado de autorizar ao PSB o lançamento de sua candidatura ao governo do estado já sinaliza para dois detalhes:
1) a inesperada candidatura de um juiz-forano dá ao prefeito Bruno Siqueira, ainda que de outro partido, condições de se confessar constrangido para estar contra o conterrâneo, esquivando-se assim das pressões do PMDB e do PSDB, que o querem posicionado entre Pimenta e Pimentel. E adia a definição para o segundo turno.
2) Com essa candidatura, Tarcísio se reinscreve, em estilo, no quadro político estadual, sejam lá quais forem os resultados das urnas de outubro.


Substituto

O vereador Jucélio Aparecido vai substituir seu colega Betão como representantes da Câmara na Comissão Municipal da Verdade. Betão se vê forçado a optar pela desincompatibilização, e assim poder disputar, pelo  PT, uma cadeira na Assembleia Legislativa.


Velha praga

O colégio de 400 mil eleitores é mais que suficiente para transformar Juiz de Fora num pomar atraente aos candidatos distantes. Em eleições passadas um jornal da cidade definia como gafanhotos esses aventureiros. Eles chegam em bando, arrasam, vão embora e só voltam no próximo  generoso.