quarta-feira, 24 de julho de 2024

 




Eleição 2024 em pauta ( LXXIII)


LIÇÃO DA ABSTENÇÃO

Não se sabe se os candidatos a prefeito, quase todos já conhecidos, tiveram tempo e vagar para avaliação cuidadosa das experiências que ficaram da eleição de 2020, quando estiveram em cena duas candidatas que agora voltam a disputar. É o caso, por exemplo, de estudar as tendências do eleitorado minoritário, e como poderiam estar pensando os que o compuseram; e, quatro anos depois, como se sentem ante as questões que mais diretamente interessam ao futuro da cidade.
Mas, esse ainda não é ponto que surge como o mais importante para a reflexão dos candidatos e dos assessores que vão orientar as campanhas. Nessa linha, pode ter grande importância a análise do fenômeno da abstenção no segundo turno do pleito municipal anterior. Os números parecem significativos: 29.12%, o que representou 119.497 eleitores, que não foram definir seu voto entre Margarida Salomão e Wilson Rezende. Não saíram de casa. Há quem opine que tão expressiva ausência deveu-se, em grande parte, ao eleitorado mais idoso, recolhido por temer os riscos da Covid, que grassava naquele ano. Agora, vencido o temor, um contingente expressivo daquele abstencionismo estaria de volta em outubro próximo. Pode ser apenas um palpite, mas merece atenção.

FORA OS EX
Tirante Tarcísio Delgado, que trabalha para a eleição do filho, Júlio, os ex-prefeitos não têm revelado entusiasmo pela campanha eleitoral, no que diz respeito à eleição majoritária. Alberto Bejani cuida, no que pode, para reeleger o filho vereador. José Eduardo, Custódio Mattos, Antônio Almas não expuseram sua preferência. Igualmente Bruno Siqueira, que tem se dedicado a colaborar apenas na organização nacional do Avante.

ROTAS SEPARADAS
Se os ex-prefeitos mantêm-se equidistantes, a mesma observação não é válida para figuras de prestígio no tucanato da cidade. Consta que o ex-vereador Rodrigo Mattos e o ex-secretário jurídico do segundo mandato do prefeito Custódio, Gustavo Vieira, além do ex-presidente do diretório do PSDB, Luiz Eugênio, estão na campanha de Charlles Evangelista, do PL. Numa rota diferente, mensagem da campanha da prefeita Margarida Salomão informa a adesão da ex-vereadora Sueli Reis, que foi do PSDB, partido também de Manoel Barbosa, agora no PSB, apoiando a chapa PT-Marcelo Detoni. Sueli nega participação, empenhada apenas no seu escritório de advocacia.

HERANÇA
Credite-se ao ex-prefeito Alberto Bejani robusta contribuição para a história do socialismo mineiro, particularmente de Juiz de Fora. O presidente do PSB no Estado, deputado Noraldino Júnior, foi secretário de sua administração, como também participou de seu secretariado o empresário Marcelo Detoni, confirmado agora vice-prefeito na chapa petista de Margarida Salomão. Detoni é presidente do partido na cidade.
O PSB tem a filiação do vereador Bejaninho. O que vale dizer: o novo socialismo, ao sopro dos ventos do Paraibuna, inspira-se no bejanismo, uma linha política que pode estar afivelando as malas para voltar ao poder num futuro próximo.

(( A história do socialismo em Juiz de Fora deu um vigoroso salto ideológico. Nos anos 50, e mesmo nos tempos quentes do golpe de 64, suas expressões eram bem diferentes: Irineu Guimarães, Tomás Bernardino, Sílvio Rodeghery, Raimundo Nonato, Lindolfo Hill, Mílton Fernandes, entre os principais ))

UNIÃO BRASIL
O diretório municipal do União Brasil, presidido pelo vereador Antônio Aguiar, aprovou a chapa de candidatos a vereador, em convenção realizada na segunda-feira. Dizia o presidente que foi resultado de um ano de pesquisas e consultas, o que o leva a admitir que é uma lista qualificada.
Esse partido tem um detalhe particular: em cidades com mais de 200 mil eleitores, como Juiz de Fora, a escolha do candidato a prefeito tem de passar pelo crivo das executivas estadual e federal. Quanto a nomes a serem analisados, os convencionais mostravam-se divididos. Mas, acertado ficou o apoio a Ione Barbosa, com sugestão de o vice ser o advogado Fernando Fagundes Reis.

FÉ E ESPERANÇA
Levantamento superficial, antes de iniciadas as convenções partidárias, indicava que são cerca de vinte os evangélicos militantes que vão disputar a preferência do eleitorado da cidade neste ano. Quase todos sonhando com a conquista de uma cadeira na Câmara. Quanto à eleição majoritária, a luta nos templos e salões de oração está concentrada na deputada Ione Barbosa, da Batista, e no pastor Gilmar Garbero, da igreja Estrela da Manhã, que vem como vice na chapa de Charlles Evangelista.

MAIS VOTANTES
Concluídos e conferidos os mapas dos mineiros aptos a votar em outubro, o TRE informou que, em dois anos, aumentou em 178.276 o número dos que vão, pela primeira vez, escolher prefeito, vice e vereador. Minas tem agora 16,4 milhões, como segundo colégio eleitoral do país, superado apenas por São Paulo.
Explica-se aí o interesse dos partidos pelas lideranças mineiras, com vistas à sucessão presidencial de 2026.

FORA DE CENA
Além de ex-prefeitos citados, sem participação ativa na campanha eleitoral, há vários ex-deputados também ausentes. É o caso de Sebastião Helvécio, cinco vezes deputado estadual e ex-vice-prefeito. A coluna de Márcio Fagundes, no jornal Estado de Minas, informa que Helvécio, consultor do Banco Mundial, está de viagem marcada para Tadjiquistão, na Ásia Central, onde vai falar sobre tribunal de contas, assunto em que se especializou.

PRIORIDADES
Vereador Marlon Siqueira, que busca a reeleição, tem insistido no discurso que privilegia o desenvolvimento econômico, não apenas como forma de ampliar as riquezas do município, mas também solução concreta para melhorar a empregabilidade e a vida dos que trabalham. Ele considera que é prioritário para Juiz de Fora disputar, com vigor, novos projetos industriais e comerciais.


Em 25 de julho de 1935, o presidente Getúlio Vargas, que durante 12 dias havia instalado, informalmente, o governo em Juiz de Fora, aproveitou para passear. Esteve no Museu Mariano Procópio, na sede da Quarta Região Militar, conheceu a fábrica de artefatos bélicos, em Benfica, e visitou as obras de abastecimento de água. Foi o presidente da República que mais esteve na cidade: seis vezes. Em duas oportunidades, 1934 e 1935, fez com que seu ministério viesse despachar na Fazenda São Mateus.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

 



Eleição 2024 em pauta ( LXXII)


AS CONVENÇÕES


No sábado, segundo o calendário eleitor oficial do TSE, começa a temporada das convenções dos partidos oficialmente constituídos, com prazo até 5 de agosto para decidirem sobre seus candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador. Trata-se de um dos prazos que não permitem alterações, estando as candidaturas inviabilizadas, no caso de descumprimento. Começa a ser contado, igualmente, o tempo para que os candidatos apresentem relatório sobre origem dos recursos financeiros obtidos para o financiamento das campanhas.

As convenções não deixam de ser importantes para os filiados, porque são a oportunidade única para que travem contato com seus partidos. Ideal que não fosse assim, mas frequentes as reuniões destinadas a avaliações, instruções e projetos. Nada há que obrigue uma organização partidária a conviver periodicamente com os filiados, só lembrados quando chega a hora de definir candidaturas. Como agora.


A PRIMEIRA

A primeira convenção partidária na cidade, no sábado, será do PRD – Partido Renovação Democrática, oficialmente criado em novembro do ano passado, resultado da fusão do Patriota com o Partido Trabalhista Brasileiro. A nova sigla ainda não se manifestou sobre questões municipais.

A convenção seguinte, na segunda-feira, à noite, na Câmara, será do União Brasil,


OS AUSENTES

Na segunda-feira foi sepultado o ex-deputado Marcello Siqueira, aos 86 anos. Tornou-se menor o grupo de antigos e fiéis colaboradores do presidente Itamar Franco, que tinha, como hábito, confiar cargos e missões especiais a amigos de estrita confiança. Já havia perdido, em poucos meses, a secretária Neusa Mitterhoff e os ex-ministros Saulo Moreira e Murílio Hingel. Bem antes, em meio à pandemia, morreu Djalma Morais, outro influente. Hoje, da antiga assessoria, restam Thales Ramos e Henrique Hargreaves.


MEIA DECISÃO

O PSB confirmou sua convenção municipal para a próxima terça-feira, com a presença do presidente estadual, deputado Nonaldino Júnior. Uma novidade: naquele dia, os convencionais serão chamados a votar apenas na chapa dos candidatos à vereança. Quanto à candidatura a prefeito, o partido vai ficar no aguardo da decisão do PT, onde está acertada uma aliança que define o empresário Marcelo Detoni como vice na chapa da prefeita Margarida Salomão. Consolidado o acordo, a aliança passa a viger automaticamente.

Sem previsão de surpresas quanto ao vice. Tudo ajustado.


PRETO NO BRANCO

O pré-candidato a vereador José Figueirôa deve sentir que uma faixa significativa do eleitorado desconfia de promessas em tempo de campanha eleitoral. Tanto assim que, inovando, prometeu para esta quinta-feira, às 18h30min, a assinatura de uma carta-compromisso com a c idade, enfocando questões essenciais, como assistência social e meio ambiente. O ato será numa sala da Avenida Rio Branco, 2053.


UM DOS DOIS

Depois de especulações e muitas consultas, o Novo decidiu que não terá candidato próprio à prefeitura, como também não alimenta a pretensão de indicar um nome para vice. O que está para ser definido, nas próximas horas, é se dará apoio à deputada Ione Barbosa, do Avante, ou a Charlles Evangelista, do PL. Caminhará com um dos dois.

O rumo que tomar, sinalizará, certamente, as ideias do governador Romeu Zema em relação ao futuro político de Juiz de Fora.


ESCÂNDALO

“Um mínimo de compostura está a exigir que a sociedade seja informada, com o máximo de clareza, sobre o destino dado às nebulosas Emendas Pix, robustecidas com mais R$ 9 bilhões, em semana de definições políticas. Os deputados ganharam o direito de distribuí-las como convier à sua campanha de reeleição, ficando com os prefeitos da preferência aplicá-las ao gosto. Trata-se de uma imoralidade, mesmo que destinadas a socorrer evidentes necessidades do município contemplado. Nada justifica ausência de transparência na aplicação de dinheiro público”. (deu no Jornal do Brasil, anteontem)


OLHO NO AMBIENTE

O MDB, que tem como pré-candidato à prefeitura o ex-deputado Júlio Delgado, foi o primeiro a apresentar proposta objetiva sobre ações administrativas prioritárias para o município nos próximos anos. Enfoque para as questões ambientais. Nesse particular, são indicadas atenções especiais para a Barragem Chapéu D’Uvas, que vai servir à população nas próximas três décadas, um programa permanente para conter enchentes e tratamento de esgotos. E, ainda, atenção para o que os técnicos chamam “cidade esponja”, isto é, a capacidade de as áreas urbanas absorverem, com mais facilidade, o excesso das chuvas.


Autoridades municipais têm sido, informadas, oficiosamente, que os serviços do Judiciário do Estado deverão ser transferidos para a nova sede, na avenida Brasil, até maio de 2025. O resultado desejável dessa transferência é o Benjamin Collucci ser ocupado logo pela Câmara, agora funcionando no velho Barbosa Lima. Com isso, a expectativa de esse espaço ser destinado a projetos culturais.

Até 1916, funcionaram ali todos os serviços municipais, à exceção da Saúde. Quase nessa mesma época teve início longa discussão sobre a propriedade do terreno, desejando o Estado tomá-lo de imediato. Foi mais longe seu intento. Na década de 70, o governo desejou doar o prédio a uma entidade estudantil. Fracassou, porque não teve como provar a propriedade.





terça-feira, 16 de julho de 2024

 



Tempo de impunidades

((Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil" ))

A decisão da Câmara dos Deputados, sob bênçãos e conivência da grande maioria de seus integrantes, concedendo perdão às dívidas dos partidos políticos, contumazes descumpridores da legislação eleitoral, é um capítulo a mais na vasta história que vamos escrevendo no campo das impunidades. Livram-se eles das dívidas tributárias, bem como suas fundações, algumas delas suspeitíssimas, por abrigarem ações irregulares, entre as quais o patrocínio de “palestras” jamais proferidas. Acaba que o mais recente episódio se transforma num conluio, porque, se as organizações políticas erraram, por agirem contra a lei, vieram, em seguida, complacentes e generosos, os legisladores que as afagam com o perdão, sem que, para tanto, nem se acanhem de recorrer à força de uma PEC, com escassa chance de a violência ser contida quando tramitar pelo Senado, nos próximos dias.
A concessão vai além, ao simular prazo de 180 meses para que os contemplados reorganizem as finanças, livres de juros e correções, com a evidência de que, diante de tão elástico prazo, vai aí embutida a garantia de nova e futura premiação aos faltosos.
No embrulho das faltas graves, insistentemente praticadas, figura o descumprimento do instituto das cotas, que, em pleitos anteriores, sacrificou candidaturas de negros e mulheres. Fica a sociedade brasileira autorizada a lamentar que os deputados tenham derrotado uma lei que, por sua própria iniciativa, foi votada, em nome dos direitos de minorias agora negados. Um contrassenso.
Este é um tempo de exaltação dos impunes, mesmo sem constituir novidade. Meio século atrás isso já preocupava o jurista Mílton Campos; mas vai, a cada dia, ganhando maiores dimensões na vida nacional. Progride a tolerância com os delitos, seja nas relações institucionais, seja nos crimes comuns do cotidiano. Alertava o ilustre mineiro que não há nada mais competente para estimular o crime.
Comete-se toda sorte de desvios, porque prevalece a certeza de que não vai dar em nada. A não ser, em muitos casos, quando os tribunais vão em cima dos desprotegidos; sim, porque se os poderosos estão acima da lei, os fracos estão na mira da lei. Vai-se consolidando a cultura da impunidade. O que é péssimo.
Não se permita que essas coisas deixem de escandalizar, pelo fato de estarem se tornando comuns no noticiário. Têm de assustar e gerar protesto, jamais passando encaradas como fatalidade de novos tempos e maus costumes; e, portanto, contra a realidade nada seria possível. Não pode ser normal que um ministro do Supremo Tribunal favoreça, com perdão monocrático, um grupo empresarial que deve, e não vai pagar, dívida de R$ 10 bilhões aos cofres públicos. Outro grupo, caso não menos espantoso, dispensado do compromisso de R$ 8,5 bilhões com a Justiça, depois de figurar como a grande estrela da corrupção da Lava Jato.
Simplesmente calar seria a última tragédia; se a nação perdesse o rubor na face, e admitir a tolerância com fatalidade.

Atleta sexual
A mitologia do agreste pernambucano está enriquecida na insistência com que o presidente Lula tem revelado viril desempenho sexual, em resposta à sugestão de cronistas para se afaste em férias e repouse, ante sinais de esgotamento nervoso. Estamos, pois, diante do que os mitólogos certamente chamariam de garanhão de Garanhuns. Em rigor, longe de ser vítima de implicância dos jornalistas, o presidente mostra, ao proclamar suas epopeias horizontais, que, delirante, precisa mesmo desintoxicar-se, antes que adoeça de vez.
A suspeita de delírio faz sentido quando ele, vai mais longe, ao sugerir que, para dirimir dúvidas, tome-se o testemunho da primeira-dama, o que seria um despropósito. A ninguém se dá o direito de constranger aquela senhora com o atestado comprobatório, por mais zelosa que seja com tão singular virtude do marido.
É justo ter reservas em relação ao atletismo sexual de quem caminha quase octogenário. Sobretudo, tratando-se do presidente, de qualquer presidente, em quem corpo e alma vivem sob permanentes e perigosas tensões. Certas idades e certas vivências não permitem bazófias.
Parafraseando Henri Poincaré, quando falava sobre falsa cultura, sexo é como geleia para cobrir o bolo: quando menos se faz, mais se quer espalhar.

Fora da pauta

1 – Percebe-se. O que mais tem preocupado aos setores políticos e diplomáticos sobre o tiroteio que travam os presidentes Lula e Xavier Millei, além de nefastos reflexos nas relações entre dois países vizinhos, é que as farpas chegaram a tal ponto, que ficou difícil, para ambos, um diálogo menos acidentado no futuro. O argentino não tem como se desculpar com quem, repetidas vezes, chama de ladrão e corrupto contumaz. De sua vez, o presidente brasileiro não tem como abrir mão de um reparo formal, por mais calejado que esteja com ofensas, como as coisas que ouvia de Alkmin e Marina, perdoados com cadeiras ministeriais.

2 – Um mínimo de compostura está a exigir que a sociedade seja informada, com o máximo de clareza, sobre o destino dado às nebulosas Emendas Pix, robustecidas com mais R$ 9 bilhões, em semana de definições políticas. Os deputados ganharam o direito de distribuí-las como convier à sua campanha de reeleição, ficando com os prefeitos da preferência aplicá-las ao gosto. Trata-se de uma imoralidade, mesmo que destinadas a socorrer evidentes necessidades do município contemplado. Nada justifica ausência de transparência na aplicação de dinheiro público.

3 – O negócio das joias do ex-presidente Bolsonaro precisa ser apurado, mas sem descuidar de detalhes que, mal esclarecidos, acabam virando pontos positivos para ele. É o caso da diligência da Polícia Federal, que começou por considerar em R$ 25 milhões o valor das preciosidades, para, logo depois, anunciar o valor real de R$ 6 milhões. Diferença tão expressiva denuncia investigação apressada ou maldosa, algo ruim para quem destinar o caso a fins políticos.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

 




Eleição 2024 em pauta ( LXXI)


LONGO PRAZO

Há uma explicação, sob ótica estratégica, para a resistência que importante facção do PT vem criando, em relação a um candidato a vice-prefeito que não seja de suas fileiras; sobretudo se for nome do PSB, porque nesse caso mais nítida ainda seria a carência de afinidade. Quem explica é veterano conhecido do partido: o projeto do PT não se esgota no pretendido novo mandato da prefeita Margarida. Vai mais longe, envolve gente da intimidade petista, a começar pela deputada federal Ana Pimentel. A propósito: o ex-deputado José Dirceu insiste em afirmar que um projeto de poder não pode pensar em menos de 12 anos.
Uma composição com vice “estrangeiro” das hostes do partido, diante da eventualidade de assumir metade do próximo mandato da prefeita, resultaria prejudicial para os planos,em benefício da direita.

SOBRE PROMESSAS

Chegando as convenções partidárias, conhecidos os candidatos, aberta a campanha, os eleitores passarão a conviver, diariamente, com promessas de campanha. Cabe lembrar que a responsabilidade não é apenas de quem faz a promessa, mas também quem acredita nela. Sobre o assunto, anteontem, o “Jornal do Brasil”, comentou:
“Para que o eleitor não se deixe enganar, conveniente é ter em mente que o pronunciamento de candidato sempre foi, e sempre será, uma proposta de ideal, do desejável. Muitas vezes o intangível, pouco tem a ver com o real. Ele fala em coisas com que sonha e com que sonham os eleitores. A propósito, cabe, por oportuno, uma palavra em defesa do presidente, muito criticado nas redes sociais, porque, em campanha, propôs, a todos os brasileiros, “uma picanha passada na farinha, com uma cervejinha gelada no fim de semana”. Idiota foi quem acreditou nisso, porque Lula apenas prometia o ideal; e o ideal não tem compromisso íntimo com a realidade. Aqui e em qualquer lugar do mundo. De Gaulle, por exemplo, advertia que promessa de campanha só compromete quem ouve”.

CARTILHA

O comando nacional do PT elaborou uma cartilha, destinada a orientar seus candidatos a prefeito. Uma das sugestões é que aperfeiçoem a aplicação do IPTU, como forma de valorizar os espaços urbanos. Da mesma forma, que os candidatos atentem para a importância da aplicação do ISS, seguramente o campeão entre os mais sonegados.

PALAVRA DE BISPO
Bispos da Baixada Fluminenses, antecipando-se aos seus irmãos de fé, divulgaram carta aos |eleitores católicos, chamando atenção para as responsabilidades, entre as quais votar em candidatos identificados com questões básicas da Igreja. Como “a defesa da concepção até a morte natural”, o que é uma convocação a não votar em que aceita o aborto. Reconhecem os bispos, integrantes da Regional Leste 1, um clima de frustração e pessimismo precedendo o processo eleitoral, mas apelam para o passo concreto rumo à “superação das divergências e das inimizades”.

ESPERANÇA

O MDB, que já foi a força política mais expressiva da cidade, liderou o quadro de filiações na movimentação da troca de siglas, para quem vai disputar em outubro. Soma-se a isso o fato de ter ampliado, consideravelmente, suas bancadas legislativas. É o que tem animado os dirigentes em Minas. As 159 prefeituras conquistadas em 2016 caíram para 100 em 2020.

ALÍVIO

Havia uma ideia de que a federação partidária tornava-se, automaticamente, solidária com uma de suas siglas que descumprisse obrigações com a Justiça Eleitoral, como, por exemplo, a prestação de contas. Nada disso. Definiu e decidiu o ministro André Mendonça, do TSE. Cada partido que cuide de suas obrigações. Se descuidado, os demais integrantes da federação nada têm a ver.

DESLIGADO

Cumprindo o que determina a legislação eleitoral, em relação aos candidatos, o ex-deputado Isauro Calais desligou-se da assessoria técnica do deputado Leonídio Bouças (PSDB) na Assembleia Legislativa. Não agisse assim, desincompatibilizando-se, estaria impedido de disputar a prefeitura.

AUSENTES

São muitas as razões levantadas pelas mulheres para lamentar sua pálida participação nos destinos políticos do país. Por exemplo, entre 5.600 municípios brasileiros, nas câmaras de 1.800 deles não há uma única vereadora. Fruto da antiga lógica machista.

No nosso diário político, o 11 de julho, 1937, marcou um incidente que, anos seguidos, resultaria em prejuízos para a cidade. Naquele dia, subindo a rua Halfeld, em campanha para José Américo, candidato à Presidência da República, o governador Benedito Valadares foi alvo de uma barulhenta hostilidade por parte dos defensores da candidatura de Armando Sales, que tinha um comitê funcionando no sobrado de número 758. Foi manifestação isolada, mas criou um clima de desprestígio para os interesses da cidade na capital.

terça-feira, 9 de julho de 2024

 



Palavras e promessas

(( Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil" ))

Observa o presidente Lula que o discurso da campanha eleitoral deste ano haverá de se restringir a questões localizadas, do interesse imediato e direto das comunidades. É provável que tenha razão no que se refere, ao menos, aos pequenos municípios, porque, ali, o eleitor está frente a frente com o prefeito, que cuida do calçamento da rua, da água encanada, do posto de saúde, nomeia os amigos e demite os adversários. E conversam na farmácia e na festa de qualquer batizado.
Tal, contudo, certamente pode não valer para os grandes centros e metrópoles, onde se torna inevitável a abordagem dos temas nacionais, para tanto contribuindo o fato singular de os atores da grande disputa de 2022 ainda não terem desmontado seus palanques; pelo contrário, lulistas e bolsonaristas continuam sob relações ferocíssimas, que têm tudo para se projetarem na campanha que vai começar. Pessoalmente, presidente e ex-presidente têm se empenhado, com vigor, para manter vivos os embates nacionais, como se levassem em conta que, para seus projetos, ideal é que as próximas urnas se manifestem plebiscitariamente.
Sobre as pequenas cidades, além das observações já citadas, resta uma dúvida, considerando-se que têm prosperado dois temas polêmicos no país - aborto e descriminalização de drogas –, que são capazes de reunir, num púlpito comum, padres e pastores evangélicos. Se divergem em muitos pontos, não naquelas questões. Portanto, se quiserem, podem influir em comunidades do interior.
Sobre o discurso político. Para que o eleitor não se deixe enganar, conveniente é ter em mente que o pronunciamento de candidato sempre foi, e sempre será, uma proposta de ideal, do desejável. Muitas vezes o intangível, pouco a ver com o real. Ele fala em coisas com que sonha e com que sonham os eleitores. A propósito, cabe, por oportuno, uma palavra em defesa do presidente, sempre criticado nas redes sociais, porque, em campanha, propôs, para todos os brasileiros, “uma picanha passada na farinha, com uma cervejinha gelada no fim de semana”. Idiota foi quem acreditou nisso, porque Lula apenas prometia o ideal; e o ideal não tem compromisso íntimo com a realidade. Aqui e em qualquer lugar do mundo. De Gaulle, por exemplo, advertia que promessa de campanha só compromete a quem ouve.
De longa data, os candidatos sabem que o eleitor, principalmente o de limitadas instruções políticas, prefere ouvir só coisas agradáveis. Por que não pensar na picanha suculenta, em lugar das enchentes no Sul?. Demais, mensagens mais suaves têm a ver com esperança; a tal que é a última que morre. Por isso, ousar, numa campanha, abordar temas abomináveis é receita certa para perder votos.
Raríssimos os casos em que, na disputa pelo poder, alguém suba ao palanque para praticar um exercício de franqueza, como o caso citado pelo jornalista Sebastião Nery na sua Bahia. Coronel e vereador Nei Ferreira, candidato à reeleição em Vitória da Conquista:
“Eu sei que aqui tem 1.500 eleitores, que já prometeram votar em mim neste bairro. Mas, como eleitor é um animal muito safado, eu aceito a metade: 750 votos” …

Aos paulistas
O movimento Constitucionalista de 1932, cujo aniversário hoje se celebra, não teve o êxito esperado, mas deixou, como legado, o eterno ideal de uma Carta Magna séria e democrática, além da luta pelos direitos essenciais das unidades federativas. Exatamente o que todo o Brasil queria, mas sem a coragem dos paulistas, que foram às armas. A eles o país ficou devendo, igualmente, o reparo pela infâmia de terem sido acusados de levantar bandeira separatista, falso pretexto para abafar uma esperança nacional que prosperava; tanto prosperava, que Vargas confessou a Assis Chateaubriand a disposição de se suicidar, se a vitória da Revolução sorrisse para São Paulo. Essa mesma disposição sinistra ele repetiria para o general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, a quem chegou a mostrar o revólver com que cumpriria a ameaça do autoextermínio, cometido 22 anos depois.


quarta-feira, 3 de julho de 2024

 




Eleição 2024 em pauta ( LXX)


MÃO PESADA

Já se falou aqui sobre os rigores da Súmula 73 do Tribunal Superior Eleitoral no caso de descumprimento da cota de gênero na formação das chapas de candidatos à vereança, sabido que elas têm de reservar uma participação mínima de 30% para mulheres. A burla no cumprimento de tal dispositivo é antiga, e para ela foi criada uma série de expedientes. A Justiça também define os recursos legais para incriminar mulheres que se prestam a participar das chapas como meras figurantes, sem nenhum interesse em se elegerem. Em Juiz de Fora, eleições passadas foram fartas no engenho para passar por cima da lei.
Mas o castigo promete ser mais pesado para os partidos que optarem pela burla. Ficam sujeitos à cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, e tornam-se inelegíveis os que praticarem ou participarem da fraude. Em outro ponto, a mão do TSE promete ser mais rigorosa: vai determinar a nulidade dos votos obtidos pelo partido, com a automática recontagem dos quocientes eleitoral e partidário.

CONVENÇÃO
O PDT marcou para o dia 25, à noite, na Câmara, sua convenção municipal, para apresentação da chapa de candidatos à vereança, e, também, confirmar apoio à candidatura de reeleição da prefeita Margarida Salomão, em aliança com o PT.
Está confirmada a presença do presidente estadual do partido, deputado Mário Heringer.

VOLTA SÓ
Despedindo-se, em sua rápida visita à cidade, na sexta-feira, o presidente Lula prometeu vir, de novo, antes da eleição, mas, dessa vez, sem poder ter ao lado a prefeita Margarida Salomão. Por força da legislação eleitoral, a partir de amanhã, ela fica impedida de participar de atos públicos de inauguração, por ser candidata a um novo mandato.

VETERANO
Odelmo Leão, aos 87 anos, no quarto mandato de prefeito de Uberlândia, disputou e ganhou de Belo Horizonte e todas as cidades mineiras com mais de 100 mil habitantes, no concurso Cidades de Excelência, promovido pela Rede Band de Televisão. Ficou em primeiro lugar. Segundo os critérios do certame, a cidade de Odelmo prima, sobretudo, pela qualidade de vida da população.

IMPEACHMENT
No final da próxima semana, em local ainda não determinado, talvez até mesmo em praça pública, políticos e empresários direitistas pretendem se reunir, com o objetivo de engajar a cidade no movimento pela decretação do impeachment do presidente Lula. A campanha terá lançamento nacional, em Brasília, dia 30, voltada principalmente para o Congresso.
Na Câmara, o presidente Artur Lira tem mais de duas dezenas de pedidos, com tal pretensão. Muito difícil que prospere movimento nesse sentido. Mas, de certa foma, pode causar desgaste.

SEGUNDO O JB
“Há uma crença, no ralo das experiências políticas, que, se as opiniões são unânimes, melhor é deixar o problema para depois, adiar a providência que parece ser necessidade imediata; porque é na maturação que a solução brota. Pode ser, mas não desta vez, quando é inegável que o governo precisa rearticular, o mais rápido possível, suas relações com o Congresso e áreas produtivas, sob pena de ver crescerem as dificuldades, que, já hoje, tanto preocupam. É urgente debruçar sobre a forma de melhorar o diálogo e garantir resultados, sabido que há meses mostra-se fracassada a receita adotada, à custa de robustos favores a partidos, que só informalmente e ocasionalmente compõem a base parlamentar. Tudo isso, agravado desde a semana passada, quando o presidente e seus colaboradores empurraram para o colo de senadores e empresários a responsabilidade de criar alternativa compensatória, frente à desoneração das folhas de 17 setores com altos índices de emprego. Um inusitado jogo entre culpas e desculpas. Não se tinha visto algo semelhantes: já que uma proposta é recusada, em parte, no parlamento, que se jogue sobre ele missão que, preferencialmente, não lhe cabe”. “ (Extraído do “Jornal do Brasil”, 18 de junho)

DENÚNCIA
Na Comissão de Segurança Pública, o deputado Júnio Amaral, do PL, denunciou que, em Juiz de Fora e na região, a polícia está ficando sem condições de trabalhar. O responsável, segundo ele, é o promotor público Élvio Simões, que estaria limitando as ações na área de segurança, interferindo e constrangendo os policiais. Mais grave: “orientando criminosos para se defenderem, em favor da criminalidade”. Amaral acrescenta que são muitas as queixas.

RUMO À VEREANÇA
Faz sentido a luta entusiasmada que se trava nos partidos e nos bairros, com o objetivo de somar votos suficientes para que alguém se eleja vereador; faz sentido, porque, elegendo-se, tem ele garantia de um subsídio nunca inferior a R$ 20 mil por mês, durante quatro anos. Ainda agora, chamados a decidir, os atuais deram-se a um aumento, com exceção de cinco, que se sentiram constrangidos: Cida Oliveira, Antônio Aguiar, Maurício Delgado, Nílton Militão e Sargento Mello.
O vereador tem outras fontes de estímulo, a começar pelo fato de a Câmara colocar oito assessores à sua disposição. A equipe pode se ampliar, se ele contar com as boas graças da Mesa. Como também, encaixar algumas nomeações, se as graças se estenderem ao Executivo.
E, na Lei de Meios do próximo exercício, cada um poderá contar com emendas de até R$ 3 milhões.


Este 4 de julho é data significativa para a Igreja Católica de Juiz de Fora. Há 100 anos, 1924, o Vaticano estava publicando a bula de nomeação do Cônego Justino José de Santana para assumir o bispado que acabava de ser criado na cidade. Era vigário da obscura Canavieiras, no interior da Bahia. Aqui, durante 66 anos, conseguiu manter a linha católica dentro dos padrões conservadores, mas sempre dialogando com lideranças políticas que não rezaram em sua cartilha. Exceção apenas para os comunistas…

terça-feira, 2 de julho de 2024

 



É preciso descansar

((Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil" ))

Uma assessoria política, que seja, ao mesmo tempo, competente e leal, deve estar sugerindo ao presidente Lula gozar um período de férias, trinta ou quarenta dias, tempo adequado para descansar das sobrecargas da governança, onde vem esbarrando com problemas monstruosos, além de ministros de difícil convivência; como também escaparia, temporariamente, das dificuldades em que se encontram suas relações com o Congresso. Porque nem a maravilhosa harmonia com o Supremo Tribunal, que lhe dá prestígio incondicional, tem aliviado os desencontros com deputados e senadores, muitos deles, infratores, guardados sob a capa e a boa vontade das togas. Cumprida metade do mandato, ele ainda não conseguiu remover obstáculos, refém de manobras, que certamente provocam degaste mental, facilmente somatizados. Em Belo Horizonte, na sexta-feira, disse que é capaz de trabalhar de 5 da manhã às 10 da noite, mas sabemos que não é bem assim.
Um breve ócio presidencial serviria, igualmente, para cuidar bem da saúde, testada por uma implacável campanha de desmoralização que lhe movem as redes sociais; de forma que em qualquer parte é hostilizado em tumultuadas aparições públicas. Nenhum político brasileiro passou por semelhante bombardeio. Sem precedente. Não há como aguentar. E a isso ele vem respondendo com atitudes de impaciência e revides. Nos discursos agitados, nota-se a fisionomia plúmbea, sinalizando a perturbação do humor. É urgente que descanse, antes que adoeça, o que seria péssimo, porque, é sabido de longa data: quando o presidente está enfermo, a nação adoece com ele.
(Lula não ficaria só, se não cuidar da saúde, como não ficaram sós outros que negligenciaram. Conta Pierre Accoce, em seu “Estes doentes que nos governam”, que Francisco Franco mergulharia a Espanha no seu parkinsonismo, da mesma forma que Eisenhower conseguiu transmitir para os americanos certos hábitos comuns do cardiopata que foi. No rastro do suicídio de Vargas, em 1954, o vice Café Filho gerou uma série de perturbações com o seu mais ou menos suspeito enfarto. João Figueiredo sabia dessas histórias, e, enquanto pôde, escondeu o coração adoecido. )
Às vezes, Lula tem confundido fatos históricos, datas e ideias, como ao dar às universidades federais prazo de um mês para que elaborem um projeto de Inteligência Artificial “bem brasileiro”, sem imitações estrangeiras… Falou sério, o que, se não denuncia escassa leitura em matéria de tamanha complexidade, mostra certa perturbação na linha de raciocínio. De outra vez, afirmou que a sobrevivência de seu partido, o PT, é dependente da existência de misérias, confissão saudada com alegria pelos adversários. Esses e outros episódios têm permitido imaginar que o estafado presidente pode caminhar para um colapso nervoso, fato que se agrava por obra e graça de alguns vapores etílicos.
Certamente, se alguém já lhe recomendou as férias, ele deve ter reagido, por considerá-las dispensáveis. Julga-se forte e muito bem de saúde. Mas é bom lembrar que faz parte das responsabilidades de um presidente procurar não cair enfermo, porque, quando isso acontece, provoca imensos prejuízos para a vida do país. Ele podia pensar nisso.