segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ciúmes no ninho

Na elaboração do programa que vai apresentar em novembro, em rede nacional de televisão, o PSDB decidiu que não podem aparecer o senador Aécio Neves e o ex-governador paulista José Serra. Os dois, apontados como pré-candidatos à presidência da República em 2014, já andaram se estranhando, e, como cada qual suspeita que o outro leva vantagem, a solução é não permitir que os dois apareçam na tela para falar.
Essa decisão serve para desabonar os tucanos que garantem não haver luta interna com vistas à sucessão de Dilma.


Nova escalação

Duas são as motivações que devem levar a presidente a reorganizar seu ministério nos últimos dias deste ano ou nos primeiros de 2012. A primeira é a queda de seis ministros, todos acusados de prática de irregularidades, o que acabou deixando um vácuo na máquina administrativa, e vários de seus substitutos resultaram de improvisações. A segunda motivação é que, ao menos quatro titulares querem disputar a prefeitura em seus redutos e precisam se desincompatibilizar.
Outro aspecto a considerar é que, dependendo da duração do tratamento do câncer sofrido pelo ex-presidente Lula, ele terá de se afastar das atividades políticas, interferindo menos nas coisas dos ministérios, onde muitos dos que lá se encontram são mais lulistas e menos dilmistas.

Entre famílias

Mas para ajudar a complicar a missão presidencial, considerem-se também os laços de parentesco no primeiro escalão. Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, é marido da senadora Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil. Já Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência da República, é irmão de Mirian Belchor, ministra do Planejamento, que já foi casada com Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, que morreu assassinado. , ;

Resto a pagar

O Tribunal Regional Eleitoral detectou uma irregularidade na demostração de despesas realizadas pelo PSDB na última eleição realizada em Minas. São despesas feitas com recursos do fundo partidário, mas sem documentos de comprovação. O partido tem 60 dias para repor os R$ 70 mil não demonstrados.

Grande desafio

Os governos, não é de hoje, enfrentam altos custos de obras públicas, muito mais caras do que podiam custar, por causa dos grandes interesses, e demoram na conclusão, até porque obra demorada é que dá mais lucro às empreiteiras. Há uma estrutura de poder tão influente e poderosa, que nem a honestidade pessoal do presidente ou dos ministros é suficiente para conter a gulodice. Há uma comparação entre duas pontes, uma no Brasil e outra na China, para mostrar como o contribuinte brasileiro é espoliado. Por exemplo: a deles, com 42 km, custou R$ 2,4 bi e demorou quatro anos para estar concluída. A nossa, em Guaíba, com extensão de 2,9 km, custou R$ 1,16 bi, e também quatro anos para terminar.


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domingo, 30 de outubro de 2011

Finados, só para refletir

Ideal que o Dia de Finados, depois de amanhã, não servisse apenas para os churrascos com os amigos ou as visitas atropeladas aos cemitérios, mas, antes de tudo, que se prestasse a uma cuidadosa reflexão sobre a morte, para onde caminhamos todos, por mais que queiramos nos imaginar como fantástica exceção. A vida do homem e as relações com outrem se aperfeiçoam na valorização da morte, o que há dois mil anos tem levado os cristãos a aprender e ensinar que o verdadeiro sentido da experiência humana é estar preparada para o que vem depois. Não obstante, alguém já teria dito que bom mesmo é morrer jovem, com a idade bem avançada...
E se a morte é eterna, sem retornos e sem avanços, a duração do viver é o de menos, principalmente “depois de se contemplar o voo dos pássaros, a alegria das flores ao sol, as cores e linhas de um quadro de Velasquez, qualquer que seja a duração da nossa vida”, no dizer de Mauro Santayana.
Olhando melhor esse grande mistério vivido pelos que nos antecederam, não há quem possa desautorizar o teólogo Leonardo Boff, quando escreve que somos inteiros, mas não prontos. Porque vamos nascendo lentamente, até acabar de nascer. É quando estamos morrendo.
Volta-se então à natureza. Nesse passo, ouça-se Darcy Ribeiro:
“Morte é quando a pulsão da vida que está na carne se apaga; então a carne volta a ser o que ela é; volta à natureza cósmica”. Por isso, poder-se-ia dizer que a grande coisa que há na vida é o nascimento da morte. Fato soleníssimo, tanto que no momento da partida os familiares e os melhores amigos nunca abrem mão de segurar as argolas do caixão, “um dever cordial e intransferível”, como explicou Machado de Assis, em suas ”Histórias sem Data”.
Mas, se a questão está em refletir no Finados que chega, interessante é notar que a literatura e os melhores pensadores alternam-se entre os mais elaborados e os simplistas. Quanto aos que adotam a simplicidade para explicar coisa tão complicada e misteriosa, ninguém foi mais direto que Fernando Pessoa: “Morrer é só dobrar a esquina, não ser visto mais”.



Essa insegurança é fogo!


O assunto da semana, ainda fumegante e sinistro, foi o incêndio que destruiu meia dúzia de prédios comerciais, o que perturbou a vida da cidade, provocou desemprego de dezenas de pessoas e prejuízos materiais que ainda não puderam ser calculados em toda a sua extensão.
Ficaram disso as visíveis deficiências de um serviço que devia ter tudo a ver com a segurança da população, não apenas quanto aos recursos para o combate a incêndios mas também ações para impedir que eles aconteçam. Trata-se, portanto, do que o Corpo de Bombeiros pode e deve fazer preventivamente, isto é, antecipar-se ao fogo, saber onde mora o perigo, agir com rigor no caso de empresas que trabalham em regime de total descuido, atropelando normas minimas de segurança. Cobrar, autuar os negligentes, e, se preciso, recomendar que seus estabelecimentos sejam interditados.
Não há fiscalização em relação ao cumprimento das normas. Se houvesse, certamente aqueles prédios estariam isolados há algum tempo. Espanta saber que os bombeiros militares geralmente agem só quando são demandados; quer dizer, quando o proprietário pede para ser multado...
Há cerca de vinte anos foi celebrado um convênio entre prefeitura e bombeiros para que, juntos, mantivessem permanente fiscalização preventiva contra incêndios. Onde anda esse papel?



PCdoB com
a bola toda

A estes primeiros meses do governo Dilma não têm faltado surpresas e solavancos, além de seis ministros naufragados nos mares da corrupção; e, agora, o menos esperado, o câncer para preocupar seu primeiro e principal patrono, o antecessor Lula. Nessa linha dos inesperados, insere-se a situação criada por um capricho da política, que mantém o PCdoB, o mais modesto entre os partidos da base parlamentar, no comando do Ministério dos Esportes. É um posto que poderá projetá-lo internacionalmente, graças a dois eventos notáveis: a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Esperava-se coisa bem diferente. Com a crise financeira ameaçando o mundo, a expectativa era que a projeção no Exterior fosse do ministro Guido Mantega, que é da área, e o mundo sabe que ele tem as chaves de reservas que andam aí pela casa dos 300 bilhões.


ONGs sem
fiscalização


São antigas as suspeitas de que nem todas as ONGs – Organizações Não Governamentais – têm sincera e desinteressada disposição de ajudar o Brasil a resolver seus problemas. Sob o manto da filantropia ou da orientação religiosa, geralmente praticada em pontos distantes dos grandes centros (há um gosto especial pela Amazônia) elas já fizeram muito para justificar a fiscalização de suas ações. Mas o governo não revela ânimo para tanto, nem mesmo quando se denuncia que uma delas chegou a estimular índios do Pará a lutarem pela separação de suas aldeias, constituindo-se em nação independente.
Enquanto isso, as evidências vão se acumulando. Orlando Silva, ex-ministro dos Esportes, caiu por causa das relações suspeitas com uma ONG que lhe destina generosidades. Agora, o ministro Carlos Lupi é chamado a explicar o destino de outros recursos do Trabalho envolvendo ONG.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Referência

Citado algumas vezes durante a convenção municipal do PPS, o ex-presidente Itamar Franco, recentemente falecido, deverá ter sua vida e obra como uma das referências da campanha que o partido vai desenvolver no próximo ano. Quando chegarem as eleições, terão passados 15 meses da morte dele, mas ainda poderá estar na lembrança de seus eleitores, segundo avaliação que se ouve no partido.
Para o presidente do partido, Antônio Jorge Marques, essa campanha sabe as dificuldades que terá para promover a “reinvenção das expectativas” em Juiz de Fora.


Nova Manchester

O deputado George Hilton, muito votado aqui, graças ao apoio dos evangélicos, talvez candidato a prefeito de Contagem, diz que, se disputar, trabalhará para que ela se transforme na Manchester Mineira. Em outros tempos Juiz de Fora assim foi chamada, quando eram inúmeras as indústrias instaladas.



Donos do mandato

PMN e PPS são os dois partidos que, começando por Minas, pretendem reacender a discussão sobre a posse do mandato, alegando que o querem para si. Pretendem tomá-lo do deputado que levantou voo e foi para outra legenda. No PMN, a tentativa é desvestir o deputado Nacib Sechir.


JF SOS


A quem caberá a missão de mostrar ao governador Antônio Anastasia as carências do serviço de combate a incêndio? A prefeitura certamente o fará, mas e as entidades de representação da comunidade? E as que falam em nome do comércio, o que pretendem?


Quem é quem?

Do episódio da saída do ministro dos Esportes restam uma indagação e um espanto. A pergunta é onde estavam os assessores políticos da presidente Dilma, que não a advertiram a tempo de evitar que a Justiça passasse à frente e definisse o destino de Orlando Silva. Essa definição tinha de ser dela e não da ministra Cármen Lúcia.
Quanto à perplexidade: como pode caber a um ministro que acaba de cair, envolvido em subornos, anunciar o nome de seu substituto? Que ordem de competências é essa?


Dá na mesma


Na prática, nada muda no que diz respeito à eleição de deputados nas conclusões da relatoria da reforma política assinada pelo deputado Henrique Fontana. Pela proposta, a escolha dos deputados continuará seguindo o sistema proporcional, com o eleitor votando uma vez: na legenda ou no candidato, como se faz atualmente. Já a apuração - e aí vem o inusitado – a legislação brasileira seguiria a chamada Fórmula D´Hondt, na qual os votos dados à legenda são usados para fortalecer o resultado dos primeiros colocados da lista partidária. Na proposta conhecida anteriormente, o eleitor teria direito a votar duas vezes para deputado: na legenda e no candidato, sendo o resultado definido a partir de uma combinação de ambos.
Observe-se que o voto em legenda manifesta desinteresse do eleitor em relação a qualquer dos candidatos, embora simpático ao partido deles. A ideia de Fontana violenta a preferência do eleitor.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

As tendências

Só quando os pequenos partidos tiverem organizado suas comissões provisórias, com os dirigentes escolhidos e definidos, é que se poderá conhecer a base das alianças que vão compor a eleição do prefeito em 2012. Os grandes atraem os pequenos, porque também na física da política é assim que as coisas acontecem.
No caso previsto, PSDB e PT devem figurar como os que exercem maior força sobre os demais. O PMDB poderá atrair um pouco, desde que tenha candidato próprio.


Os custos

Mas, em relação aos candidatos e às alianças que vão apoiá-los, já se sabe, desde agora, que o primeiro assunto objetivo que terão de tratar é a ocupação do tempo de propaganda no rádio e na televisão, para que seja aproveitada ao máximo a grade disponibilizada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Mas a campanha propriamente dita, a que vai às ruas, essa será adiada, tanto quanto possível, como solução para economizar gastos.


Diferentemente

Chama a atenção o rumo das conversações em torno da candidatura do prefeito Márcio Lacerda, em Belo Horizonte. Se a aliança a apoiá-lo tomar mesmo a forma que se delineia, vamos assistir a uma fusão esquisita: PSDB e PT juntos ao PSB e a vários outros, inclusive o PMDB, não por lhes faltarem recursos próprios, mas por conveniência circunstancial. E para mostrar que os partidos perderam sua identidade.



Quem são?

Na rodada de conversações que Dilma presidiu, com o objetivo de definir a situação do Ministério dos Esportes, que o governo transformou em feudo do PCdoB, ela bem que podia aproveitar a oportunidade e pedir a ficha dos comunistas. Quem são eles? O que têm feito pelo comunismo no Brasil? O que há de autenticidade ideológica nesses homens? Onde altos funcionários, como o ex-ministro Orlando Silva e Wadson Ribeiro, guardaram a foice e o martelo?
No Rio, Anita Leocádia, filha mais velha de Luiz Carlos Prestes, queixa-se da exploração que se faz da memória de seu pai. Aquele sim, era comunista.


Pé na estrada

Muitos deputados começaram a ensaiar suas pré-candidaturas a prefeito nos municípios onde foram majoritários ou tiveram votação expressiva. Todos os partidos já os conhecem.
Mas, no caso de essas candidaturas não vingarem, vão exigir deles atuação direta, animada e ostensiva nas alianças, com pé na estrada para arrancar votos. O que já foi exigido em ocasiões anteriores, e não faltou deputado que fizesse corpo mole, quando não eram candidatos.



Raia apertada

A notícia certamente não é das mais agradáveis para meio milhar de candidatos a vereador, que vão se aventurar nos mais diversos partidos. Mas é certo que não terão 19 ou 21 cadeiras para disputar, porque está confirmado: os atuais vereadores vão tentar a reeleição, com exceção de Isauro Calais e Flávio Cheker, se chegassem a disputar a prefeitura. Quando o vereador concorre estando no cargo, leva alguma vantagem, ainda que uma terça parte certamente não será reeleita. Alvíssaras!

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Pode-se tomar como modelo: toda vez que um ministro acusado de corrupção diz que não deixa o cargo de jeito nenhum é porque já está esvaziando as gavetas. E se disser que só sai morto é porque vai sair mais rápido que se espera.


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Contra a corrupção

Parte de S.Paulo e Brasília, pela internet, o apelo para uma nova com manifestação pública contra a corrupção política, quando se acumulam escândalos, agora com a denúncia de que no Amapá, representado por José Sarney, servidores, deputados e altos funcionários já somaram roubos que vão a R$ 1 bilhão. O que se pretende é uma mobilização geral, na primeira quinzena de novembro, maior que as realizadas neste mês, como uma tentativa de despertar os brios do governo. A expectativa é que esse clima evolua, ao poucos, tal como se deu em 1992 com os caras-pintadas, que foram às ruas pedir o impeachment de Fernando Collor. Também agora, as massas produziriam uma situação insustentável para o Planalto.
Os protestos já realizados resultam, principalmente, dos apelos da OAB e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mas é preciso agregar mais. Bom se aderissem a União Nacional dos Estudantes e os sindicatos, mas, diferentemente de outros tempos, essas entidades são hoje generosamente financiadas pelo governo, e não têm ânimo para protestar.


Investimento

No balanço dos resultados da viagem que o governador Antônio Anastasia acaba de realizar ao Exterior, os políticos têm pouco o que dizer, mas para os meios econômicos foi importante ele garantir aos empresários europeus interessados no Brasil que a Cemig e a Light vão continuar investindo na ampliação de seus negócios.


Os índios

Quando o sistema de votação biométrica chegar aos índios, o que pode ocorrer dentro de uns seis anos, deve aumentar o interesse deles pelas eleições nacionais, segundo a expectativa do presidente do TSE, Ricardo Lewandowisk. É que em muitas aldeias eles têm se recusado a votar por causa das fotos, tanto no título como na tela da urna eletrônica. Acham que a foto rouba a alma.


Disputa

O PMN tem trabalhado para chegar ao ano eleitoral comandando uma volumosa aliança partidária. Sabendo-se desde já que a maior corrente deverá estar com o PSDB, o partido de Calais estaria disputando o segundo lugar com o PT entre os que mais investiram nas alianças.


Questão fechada

Ainda sobre a reunião do PMN, na segunda-feira: quando a presidente em Minas, Thelma Zaira, revelou que o partido não pode prescindir de candidatura própria a prefeito nos grandes municípios, os olhares do auditório se voltaram para Isauro Calais e José Eduardo Araújo, que compunham a mesa. Quem mas se não eles ?


Confissão

Demóstenes Torres, que tem se revelado a voz mais influente do DEM no Congresso, que nunca pôde ser acusado de faltar com a franqueza, concordando-se ou não com o que ele diz, identifica e denuncia o mal maior do Senado: a maioria dos senadores é muito dependente e subjugada pelo Executivo.


Convenção

Mesmo atuando intensamente no momento político, já em aliança com o PPS e tratando de organizar a chapa de candidatos a vereador, o Partido Verde não tem data estabelecida para sua convenção municipal. O presidente Sidnei Scalioni diz apenas que a reunião será antes de 30 de dezembro...



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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Estelionato

A Polícia mineira sabe que foram muitos os políticos vítimas do estelionatário Nilton Monteiro, mas ainda não precisa exatamente quantos foram. É uma questão complexa, que deve exigir longas investigações.
O lobista confeccionava títulos de crédito fraudulentos que, somados, passam de R$ 300 milhões e tem, entre suas vítimas, o ex-presidente de Furnas Dimas Fabiano Toledo, o ex-governador e senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o presidente do PSB, Walfrido dos Mares Guia. O “Jornal do Commercio” informou ontem que Monteiro é apontado como o responsável pela elaboração da "Lista de Furnas", com nomes de 156 políticos de 12 partidos que teriam recebido recursos da empresa para a eleição de 2002.
A prisão de Monteiro só foi possível quando se provou que uma assinatura dele estava falsificada. O lobista cobrava uma dívida de mais de R$ 3 milhões do advogado Carlos Felipe Amadeu. Na data em que Amadeu assinou, ele estava internado, em estado grave, no Rio de Janeiro, e lá morreu. "Fizemos a perícia técnica e descobrimos que a assinatura não era dele. Outra perícia também constatou que, na situação em que Amadeu estava, não seria possível que assinasse o documento. Amadeu atuou como advogado de Dimas Fabiano Toledo, informou o delegado
Márcio Nabaki.

Pela legenda

Ontem à tarde, no Hotel Constantino, na reunião em que o PMN apresentou o vereador Isauro Calais como seu pré-candidato à sucessão de Custódio, o ex-prefeito José Eduardo Araújo, recém-filiado, elaborou uma previsão: o partido pode fazer três vereadores. Mais importante que essa expectativa: propôs uma campanha paralela para o voto de legenda, porque o PMN tem um número fácil de ser memorizado – 33.
O voto puro de legenda andava muito esquecido. O MDB fez uso dele com grande empenho nos anos da ditadura.


Em apuração

Senadores oposicionistas estão empenhados em saber se realmente a decisão da presidente Dilma de manter no cargo o ministro Orlando Silva resultou de uma ordem expressa de Lula, como publicou, em manchete, o jornal O Globo. Caso afirmativo, vão se sentir à vontade para interpelá-la: afinal, quem está mandando neste País ?

Boa impressão

O deputado Roberto Freire sempre lembra que ao se candidatar à presidência da República, em 1989, Juiz de Fora foi o colégio eleitoral que, proporcionalmente, lhe deu o maior número de votos, quando promoveu uma campanha de renovação de hábitos políticos, tendo o sanitarista Sérgio Arouca como seu vice. Na semana passada, ao pronunciar conferência na OAB, ele voltou a falar dessa performance.


Ex-vereadores

Na composição de seu diretório municipal, no domingo, o PPS teve registrados três ex-vereadores no colegiado diretor: Marcos Pinto, Rose França e Antônio Jorge, que foi eleito presidente da executiva.


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domingo, 23 de outubro de 2011

Privatização na maioridade

Qual o balanço desapaixonado da política de privatização que está completando vinte anos hoje? O que têm a dizer os especialistas, desde que o presidente Fernando Collor privatizou a Usiminas, de Ipatinga?
Há alguns pontos nos quais parece não haver dúvida. É quanto à inconveniência de confiar à iniciativa privada dois serviços essenciais, água e energia. Quanto a esses itens, considerando-se, em tese, que têm de ser eficientes, sem almejar lucros, é bom que fiquem sob o controle do estado.
No caso das privatizações que se seguiram à Usiminas, o governo lucrou, pois deixou de viver com déficits intermináveis; mas também perdeu, porque não teve mais fontes generosas de emprego para afilhados políticos.
Os privativistas têm a seu favor a inquestionável eficiência das grandes empresas que saíram do controle estatal. O que autoriza garantir aos saudosistas que a Vale do Rio Doce nunca mais será estatal, por mais que sonhem com isso.


Aparando
as arestas


O objetivo capital do PSDB mineiro, a partir do painel político que será criado para a eleição do próximo ano, é confirmar e consolidar a candidatura do senador Aécio Neves à presidência da República em 2014. Os novos prefeitos terão, portanto, um papel importante, principalmente se forem escolhidos para administrar municípios com mais de 50 mil eleitores. Quanto mais coesos melhor para o projeto.
Mas não é só isso. Também a partir da campanha que se aproxima os dirigentes tucanos vão pretender num primeiro passo, ainda com vistas ao futuro de Aécio, criar condições para que sobrevivam as alianças e não se diluam depois de eleitos os prefeitos.
Na semana passada, esse foi o objetivo revelado pelo presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, ao propor às alianças que começam a ser construídas agora, que revelem, o quanto antes, suas diferenças e divergências, para que sejam resolvidas. Além disso, esses partidos aliados poderão logo “mapear suas prioridades e expectativas”, como explica o presidente estadual.


Os poderes
masculinos


Alguém precisava mostrar disposição para estudar os fundamentos de uma pesquisa, publicada na semana passada, indicando que em Juiz de Fora (provavelmente mais que em qualquer outra cidade brasileira) 80% das mulheres agredidas por seus companheiros desistem das ações que promovem contra eles. É muito expressivo o volume dessa desistência para que passe sem um estudo, e não morrer nos números de uma estatística.
O que estaria acontecendo com os casais em conflito? As mulheres tendem mesmos a esquecer a humilhação e a dor, quando os hematomas vão embora? Seria o temor de ver rompido o elo da sobrevivência? Ou – pior ainda – as queixosas acabam desistindo por causa de novas ameaças dos agressores, que só temem a Justiça?
A violência contra a mulher não cessa. É preciso conhecer melhor as razões que a levam a tolerar.



Planos em
quarentena

A crise que envolveu o Ministério dos Esportes respinga, pelo menos por um breve tempo, nas primeiras conversações que vêm se processando entre correntes políticas de esquerda da cidade. Um dos principais assessores do ministro Orlando Silva, Wadson Ribeiro, tem alimentado expectativas de uma união dessas correntes e seus partidos, e com base nela disputar o primeiro turno. Mas agora, também ele denunciado por ter sido beneficiado com verbas destinadas a ONGs, essas articulações terão de esperar algum tempo.
Wadson não era desconhecido em Juiz de Fora no ano passado, quando entrou disputando cadeira de deputado federal, mas sem tradição eleitoral. Promoveu campanha pesada e custosa, dando ao PcdoB uma das boas estruturas de campanha no ano passado. O partido (onde estão seus comunistas?) ficou devendo a ele a melhor performance eleitoral de sua história: 20.879 votos.



Renovar é
preciso?


O jornal ”O Tempo”, em matéria publicada ontem, avaliou temas que poderão ter presença frequente na campanha eleitoral de 2012, incluindo entre eles a renovação no comando administrativo das principais prefeituras do estado. Depois de lembrar que nos últimos 28 anos Juiz de Fora teve apenas três prefeitos, o jornal ouviu a opinião de Custódio Mattos, que será candidato à reeleição.
Para ele, a proposta de renovação tem um componente de relatividade. Renovar o quê? Com quem? Para quê? O fato de mudar os nomes, simplesmente por mudar, não é uma ideia que por si deva ser admitida.
A mudança de nomes em Juiz de Fora vai mesmo ser incorporada ao discurso da oposição ao prefeito, mas ela também terá dificuldades. Não poderá ter como candidatos seus veteranos, sob pena de pagar pela contradição.



(( publicado também na edição desta segunda-feira do TER NOTÍCIAS ))