quinta-feira, 1 de março de 2012

Disputa entre aliados, um problema para o governo

Uma situação criada na disputa política nos municípios tem tudo para levar dificuldades ao governo federal, quando estiverem digladiando candidatos de partidos que compõem a base parlamentar. O prenúncio de problemas se refere principalmente aos centros em que PT e PMDB terão candidatos, o que não exclui situações relacionadas a outros partidos que, embora separados nas disputa das prefeituras, dão apoio ao governo federal ou ao governador Anastasia.
No quadro que se forma em Minas há um dado interessante: dos 118 municípios que têm maior expressão eleitoral em 72 deles PMDB e PT estarão em caminhos diferentes. Por mais cuidado que se tenha, isso afeta a base política da presidente ou do governador. Em Belo Horizonte, onde são mais nítidas as diferenças entre os partidos da base federal, PT e PMDB terão candidatos separados. Mas as circunstâncias levam os petistas a uma campanha em que estarão ao lado dos tucanos, seus adversários consagrados.
Em Juiz de Fora, a campanha eleitoral que se aproxima também será marcada por algumas separações. Basta lembrar: setores mais antigos do PMDB, achando inviável nova candidatura de Tarcísio Delgado, pretenderam aliança com o PT, na qual indicariam o nome do vice na chapa aliada. Mas a direção estadual exigiu candidatura própria, e as duas legendas devem correr separadas.
O PSB, que promete a candidatura de Júlio Delgado, tem boas relações com o governo Anastasia e com o senador Aécio Neves, mas não tem como ficar com Custódio Mattos, candidato apoiado por eles.



Quantos candidatos?

Falou-se de consulta a ser formulada ao Tribunal Regional Eleitoral sobre o número de candidatos que devem compor uma chapa de vereadores. Duas vezes e meia ou uma vez e meia o número de cadeiras existentes na Câmara? O objeto da dúvida não faz sentido, porque, na verdade, cada partido pode apresentar uma vez e meia o número de postulantes. Vinte e oito, no caso de Juiz de Fora. Quando houver coligação soma-se mais um ,do partido que está coligando.
Mas resta uma razão para consulta ao TSE: para se fazer o cálculo observa-se o número atual de cadeiras ou o próximo, quando for o caso de câmaras que acabam de decidir pelo aumento de seus representantes?
Parece que o razoável é formar chapa com base na próxima legislatura, pois é a ela que os eleitos vão servir.


Nada a reclamar

Por trás das queixas que são levadas à presidente Dilma pelos partidos da base parlamentar, que se sentem desprestigiados e querem mais cargos, percebe-se a ação dos paulistas, insatisfeitos com os poderes que já têm, e usam os parlamentares para que suas reivindicações subam a rampa do Palácio do Planalto. Mas, se aos partidos faltam razões para reclamar, muito mais aos paulistas, que detêm seis ministérios: Saúde, Fazenda, Justiça, Planejamento, Educação e Secretaria-Geral da Presidência.
Enquanto isso, Minas, segundo colégio eleitoral, tem apenas um ministro, Fernando Pimentel. Sabe-se lá a que custo.


Em família


O governo não consegue convencer quando diz que a indicação de Marcelo Crivella para o Ministério da Pesca nada tem a ver com sua liderança nos meios evangélicos, embora não chegue à audácia de atribuir ao novo ministro conhecimentos na área da aquicultura. Pelo que se sabe, ele jamais pescou um lambari num País em que esse ministério revela total ausência de importância.
O novo ministro representa uma bancada numerosa e poderosa: os evangélicos. Ela é suprapartidária e influente. Garante a governabilidade à gestão de Dilma, que terá um ano difícil. Após o discurso feminista da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, favorável à descriminalização do aborto, veio uma turbulência no meio evangélico e no segmento majoritário católico.
Crivella, sobrinho dos “bispos” Edir Macedo e RR Soares, poderá articular o apoio evangélico ao candidato petista à prefeitura de S. Paulo, o ex-ministro da educação Fernando Haddad.
 
Questões menores

Nem sempre as pessoas conseguem compreender como questões partidárias, mínimas que sejam, são capazes de dificultar e até inviabilizar os projetos de interesse do estado. Ainda agora, há dúvidas sobre a necessidade de os deputados estarem unidos em torno das reivindicações de Minas junto ao governo federal, pois temem que alguns possam tirar maiores proveitos políticos.
A deputada comunista Jô Moraes, que na campanha de 2004 esteva em Juiz de Fora apoiando a candidatura de alberto bejani, não gostou de em uma folha do memorial enviado a Brasília aparecer a logomarca do governo do estado.


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De Memória

Lembrando JK

Em agosto de 1976, quando a ditadura ainda despertava temores e cuidados, a Universidade Federal, criada por Juscelino 16 anos antes, recusou-se a qualquer manifestação pela morte trágica do ex-presidente. O silêncio da reitoria irritou o Diretório Central dos Estudantes e os Diretórios Acadêmicos, que reagiram ao que chamaram de “fácil refúgio da omissão”. Uma nota de pesar foi distribuída nas ruas, destacando o homem público e realizador que foi Juscelino.
Por causa daqueles tempos de chumbo, o silêncio foi geral. Os estudantes fizeram a exceção.


(( publicado na edição desta sexta-feira do TER NOTÍCIAS ))

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Minas na hora das cobranças

Os presidentes do Senado e Câmara, se trabalharem juntos, podem ser um instrumento poderoso para os governadores fazerem chegar suas reivindicações à presidência da República, o que eles acabam de confirmar em reunião que promoveram em Brasília. Uma situação diferente da que se tinha nos tempos da Velha República: a força se concentrava nos governadores, que jamais a dividiam com deputados ou senadores.
Seja como for, Minas lá estava, representada por Antônio Anastasia, com uma pauta de propostas que, em alguns pontos coincidem com as aspirações de outros estados, como a necessidade de discutir o novo modelo de pagamento das dívidas que vêm acumulando com a União. Mas este parece ser o tema mais delicado, sem previsão sobre o tempo de espera por uma solução.
O governador Anastasia, certo de que o atendimento pelo governo federal vai demandar algum tempo, observa que é importante sensibilizar o interior do estado para a pauta de prioridades que está propondo, a começar da inclusão do estado no rateio dos recursos da Petrobras, com o evidente interesse pelas reservas do pré-sal. Discutem-se também a presença de Minas nas obras rodoviárias nos planos do PAC e os recursos técnicos e financeiros para prevenir desastres naturais. Vai viajar para explicar.
Se o governador precisa do apoio dos mineiros para ganhar força em Brasília, não menos importante é a participação da bancada dos 53 deputados, onde o coordenador, Reginaldo Lopes, garante que será construída uma unidade política em torno das propostas.




“Estrangeiro”


A vereador Neuzinha Santos, do PT de Belo Horizonte, não gostou de ver o deputado Marcus Pestana fazendo comentários sobre as alianças partidárias na capital, insinuando que ele tem formação política em Juiz de Fora, sendo, portanto, um “estrangeiro” nas questões locais. Um bairrismo fora de propósito, por duas razões: a primeira é que o deputado é presidente estadual de um partido; a segunda, o partido da vereadora também tem sido farto em comentários sobre a campanha eleitoral em Juiz de Fora.
A bem da verdade, a sucessão em Belo Horizonte, pela importância que assumiu, já se tornou uma questão de interesse para a política nacional.


Museu Itamar


O museu histórico do Senado passa a ter o nome do ex-presidente Itamar Franco, segundo proposta do presidente da Casa, José Sarney, imediatamente aprovada pela unanimidade dos consultados. Itamar, que morreu em julho do ano passado, esteve ali em três mandatos, dois dos quais antes de ser presidente da República e governador de Minas.
Sarney quer marcar a inauguração com solenidade, provavelmente quando se completar um ano da morte do ex-senador.


PDT na reforma

O PDT vai garantir seu espaço no primeiro escalão do governo de Minas. Decidiu-se que o deputado federal José da Silva será indicado para a secretaria de Agricultura e Agropecuária, que tem grande importância, pois atua numa área fundamental para a economia do estado.
O partido vai se recompondo em Minas, depois do desgaste que sofreu com as denúncias de irregularidades com grilagem praticadas pelo ex-secretário Manoel Costa.
Outra novidade é que o senador Zezé Perrella pode ser o novo presidente da executiva estadual.



Justiça integrada

Aos progressos que a tecnologia colocou à disposição da Justiça Eleitoral nem sempre correspondem os esforços para fazer com que seus órgãos funcionem sob espírito integrado, principalmente nas relações entre a capital e o interior. É o que levou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Brandão Teixeira, a chamar a Belo Horizonte, para uma reunião nesta manhã, juízes, promotores e funcionários de cartórios. Devem sair daí algumas sugestões para o aperfeiçoamento do serviço.
Mas a questão principal, que diz respeito a todos os estados, não apenas Minas, é a ausência de um quadro funcional próprio na Justiça Eleitoral. Num país que realiza pleitos de dois em dois anos, e responde pelo mais eficiente processo de votação do mundo, ela não pode continuar dependendo de eventuais empréstimos de servidores.


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De Memória

Escravos não somam

Em outubro de 1855, cinco anos após a Santo Antônio do Paraibuna começar a ganhar autonomia, não foi muito difícil promover o que se tornaria primeiro censo de Juiz de Fora. População tão pequena e tão concentrada pôde ser facilmente contada. Eram 27.122 habitantes, dos quais 11.717 brasileiros e 118 estrangeiros. Os escravos somavam 10.350, mas só citados como referência para controle de seus proprietários. Não figuravam como sendo da população, uma das muitas discriminações contra nossos negros.

(( publicado na edição desta quinta-feira do TER NOTÍCIAS ))

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PT sai na frente ao medir força com PSDB mineiro

Ao anunciar que o nome do candidato a vice da chapa de sua reeleição sairá do Partido dos Trabalhadores, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, do PSB, resolve um problema, ao mesmo tempo em que cria outro, pois a indicação também é pretendida pelo PSDB. Mas os petistas ganham força para consolidar seu projeto na capital e no interior, que é manter os tucanos afastados tanto quanto possível do processo. O ex-ministro Patrus Ananias não faz questão de esconder essa intenção.
A decisão não pode ser tratada como fato isolado, até porque, na mesma hora, em Fortaleza, a presidente Dilma tentava aproximar os dois partidos, através do governador Cid Gomes. A escolha desse governador foi mais que sintomática, porque a outra linha do PSB acompanha o pernambucano Eduardo Campos, este mais ligado ao senador Aécio Neves.
A coincidência dos fatos ajuda a compreender que a eleição dos prefeitos das principais cidades do País antecipa as pedras do xadrez presidencial que vai ser jogado em 2014.



Via indireta

Assistindo ao embate que travam PSDB e PT para ocupar espaços no esquema de reeleição do prefeito Márcio Lacerda, o PMDB alimenta esperança de passar a salvo pelo meio do conflito, e ganhar melhores posições na disputa da capital. A expectativa é ver os adversários enfraquecidos com as brigas internas.
Nos próximos dias, quando se promoverá a festa de filiação do senador Clésio Andrade, o horizonte peemedebista vai começar a se delinear.


Um modelo

Entidades de Governador Valadares querem que seu projetado hospital regional tenha as mesmas dimensões do que está sendo construído em Juiz de Fora, este com previsão de ter as obras físicas concluídas em meados do ano. Fizeram chegar sua reivindicação ao governador Anastasia.


Fora de hora


Curiosidade revelada por três vereadores durante uma conversa informal: quais seriam hoje os nomes potencialmente preparados para figurar como candidatos a vice?. Não há como tratar desse assunto, porque a composição das chapas vai depender das alianças que os candidatos a prefeito poderão construir. Quanto aos vereadores, não parece haver entre eles alguém que se disponha a esquecer a reeleição para tentar ser vice.


Aliancista

No encontro que promove em Juiz de Fora, no sábado, o PTdoB com toda certeza ficará sabendo que não terá candidato para disputar em faixa própria a prefeitura de um município da região. Tentará mostrar habilidade para participar de boas alianças. No caso local, o partido caminha para ficar com o PSB.


Pioneira

Quase coincidentemente com as comemorações do Dia da Mulher, a ministra Cármen Lúcia assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, cabendo-lhe comandar o processo, que terá como ponto alto o pleito de outubro. É a primeira vez que uma mulher preside o TSE.


Prejuízo

Minas também teve um pouco a perder na destruição da Base brasileira da Antártida, em grande parte perdida no fogo. Consumiu-se material da Universidade Federal de Viçosa, que tinha uma equipe empenhada em pesquisas naquela região gelada.
Desde 2006 o governo vinha sendo advertido sobre as condições precárias de trabalho naquela Base.


Far niente


Os deputados estão há 14 dias ausentes do plenário da Assembleia Legislativa, que fica sem condições de votar as matérias em pauta. No fim de semana que antecedeu o carnaval a maioria viajou para as cidades de suas bases. Nos sete dias seguintes, nada a fazer. Agora, ainda ausentes, a desculpa é que não há previsão de votações importantes.


Critério

Consultas têm sido levadas ao Tribunal Superior Eleitoral sobre as vagas a serem preenchidas nas chapas de candidatos a vereador. As vagas correspondem a duas vezes e meia as cadeiras a serem disputadas, mas na última eleição surgiram dúvidas, porque alguns partidos entendiam que o número de candidatos devia corresponder a uma vez e meia.

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De Memória


Sobre Benfica

A partir do anos 50 sentiam-se claramente os sinais de um movimento de autonomia de Benfica, que, na verdade, dispunha de todas as condições de autossuficiência para se transformar em município. O que começou a ser preocupação para Juiz de Fora, pois já se sabia que para ali se deslocavam as principais expectativas do desenvolvimento econômico, e o município correndo o risco de graves prejuízos com a pretendida separação.
Em abril de 1967 o deputado João Navarro solucionou o problema, apresentando projeto de lei à Assembleia, revogando lei de dezembro de 1962, e transformado Benfica de distrito em subdistrito, o que afastava para sempre a possibilidade de emancipação.


(( publicado nesta quarta-feira no TER NOTÍCIAS ))

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Lula na campanha depende dos médicos

O Partido dos Trabalhadores tem 50 cidades consideradas estratégicas para a campanha eleitoral deste ano, e pretende colocar na ponta do estrelado o ex-presidente Lula. Várias razões contribuem para isso, além da força pessoal que ele pode emprestar aos candidatos em centros políticos capazes de definir os rumos da sucessão presidencial em 2014. A avaliação, além de correta, tem a fortalecê-la a disposição da presidente Dilma de não ir aos palanques onde a aliança parlamentar do governo tiver mais de um candidato.
O projeto petista só está na dependência do sinal verde da equipe médica que orienta Lula em uma campanha preliminar, a luta contra o câncer. No carnaval ele recebeu recomendação para que desistisse de desfilar em escola de samba, porque isso o faria consumir mais forças do que pode. O movimento eleitoral, muitas vezes mais exigente, só terá sua participação se forem excelentes suas condições de recuperação, e hoje não é possível apostar nisso.
Além da meia centena de cidades consideradas estratégicas para o projeto do PT, vai se estabelecer que três estados – São Paulo, Minas e Rio de Janeiro – terão excepcional importância para a presença de Lula.


Serra amplia os
espaços de Aécio

A decisão de José Serra de disputar a prefeitura de São Paulo, o que ele próprio confirmou ontem, tem duas consequências imediatas. A primeira é afastar o PSD de Kassab da área de influência do PT; a segunda é que, ficando agora bem mais distante da disputa presidencial, ele amplia os espaços para o senador mineiro Aécio Neves se impor como candidato tucano à sucessão de Dilma, pois o partido só teria outro projeto consistente se fosse com Fernando Henrique. Desdobramento seguinte é que o PSDB passa a ter possibilidades mais amplas para acertar alianças, a começa pelo PSB.
Desde ontem, quando se anunciou que Serra disputará a prefeitura paulistana, setores tucanos que já esperavam pela decisão passaram a admitir a desnecessidade de prévia para a aferição de preferência por candidato a presidente.


Os que vão sair

Passado o carnaval, sem poderem esperar que passe também a Semana Santa, os partidos têm de examinar quais os casos em que seus candidatos terão de se desincompatibilizar, se estiverem ocupando cargos públicos ou de direção em empresas que prestam serviços ao governo. Não são poucos. Calcula-se que só na prefeitura cerca de vinte funcionários que vão disputar a vereança terão de estar licenciados. O prazo máximo para que tomem essa providência é 7 de abril, seis meses antes da eleição. Mas há entre pré-candidatos quem garanta que essa data é discutível.
Na questão da desincompatibilização a lei eleitoral é mais tolerante com quem vai disputar estando hoje em cargo executivo. Esses poderão permanecer até 7 de junho.



Sem corporativismo

A Justiça Eleitoral nada pode fazer contra as esquisitices com que alguns candidatos a vereador se registram. O objetivo é facilitar ao eleitor a identificação de sua preferência, ainda que pela via do ridículo. Mas os partidos podem exigir que seus candidatos se apresentem com nome. José Manuel Soares não pode ser apenas o “Zé da Padaria”, e que mostre, com o nome de registro civil, o que quer (se puder e souber ) fazer algo em benefício da coletividade.
Já aparecem algumas propagandas de cabeleireira, garçom e vidraceiro, que se arvoram candidatos com base em suas profissões, que são honrosas, mas por si só insuficientes para se atribuir a um de seus representantes a missão de legislar para toda uma população, não para a padaria ou a vidraçaria.
Outra questão, não menos pertinente, é que essas candidaturas acabam trazendo o ranço do corporativismo. Se a Câmara não pode ser um conselho orgânico de classes representadas, como pretenderam os integralistas,que os partidos cuidem logo de pedir ideias, não delegados profissionais.


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De Memória

Tancredo e Wandenkolk

Em junho de 1965 o tempo andava quente no MDB. O grupo que já havia lançado Wandenkolk Moreira à prefeitura fechou questão em torno da candidatura única, sem sublegenda. Mas foi o próprio Wandenkolk que, espírito aberto, entendendo que o momento era de união e soma das forças partidárias, cedeu ao apelo que lhe fizera Tancredo Neves, e a sublegenda foi dada ao engenheiro Itamar Franco, a quem não restava outro caminho. Disso resultou uma trama decisiva: os veteranos PSD e UDN, temendo (com razão), que, sendo prefeito, Wandenkolk criaria inevitavelmente uma nova liderança, derrubando os antigos chefes, acharam conveniente desviar suas forçar para Itamar, que venceu a eleição e acabou se tornando a liderança que se temia. A morte precisou apenas de oito meses para fechar as biografias de Itamar e Wandenkolk.


(( publicado na edição desta terça-feira do TER NOTÍCIAS ))

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Encontro regional do PTdoB será no sábado

O PTdoB confirmou que vai realizar em Juiz de Fora, no sábado, seu primeiro encontro regional do ano, mas já com a garantia da presença de representantes de vários municípios da Mata, segundo informou ontem o coordenador da comissão provisória local, ex-vereador Gilberto Vaz de Melo. A reunião será na Câmara Municipal, a partir de 9h. O presidente nacional do partido, Luís Tibé, confirmou sua participação, chegando à cidade na véspera.
Segundo Vaz de Melo, o principal objetivo de sábado é avaliar a situação do partido, suas condições de disputa e as alianças possíveis. Quanto à prefeitura de Juiz de Fora, já se percebe certa simpatia pela candidatura de Júlio Delgado.
O Partido Trabalhista do Brasil nasceu em 1989 de uma dissidência do PTB. Seu primeiro deputado foi eleito em 2006, mas quatro anos depois, com 642 mil votos, elegeu quatro, entre os quais o mineiro Luís Tibé, seu atual presidente. Em abril de 2010 eram 133.909 os filiados.



O custo das alianças

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, é o exemplo mais recente do alto preço de uma aliança capaz, em tese, de sustentar e viabilizar a eleição. Para somar o apoio do PT e do PSDB, além de partidos de menor poder eleitoral, ele tem sido instado a fazer concessões e administrar disputas delicadas como a que vêm travando tucanos e petistas que querem indicar o nome do vice-prefeito, com risco de se abrirem feridas ao longo da campanha. No caso do PSDB, são formuladas outras exigências, entre as quais uma destacada participação no futuro secretariado e total visibilidade para o governador Antônio Anastasia e o senador Aécio Neves. O PT, se agora deixa de ter candidato, também vai pretender que a compensação venha em 2014, com a candidatura de Fernando Pimentel ao governo do estado, o que desde já coloca o prefeito entre dois fogos inevitáveis.
O quadro que se delineia em Belo Horizonte serve para que candidatos de outros municípios deixem as barbas de molho, já que ardem as do vizinho. O fato de as alianças estarem cada vez mais negociáveis não significa que estejam menos exigentes.



Presença de Hélio

O melhor entre os testes eleitorais mais recentes que o PMDB realizou em Minas foi o desempenho do ex-ministro Hélio Costa, que levou quase 4 milhões de votos disputando com Antônio Anastasia o governo do estado. Aliás, não é de hoje que o partido fica devendo a ele sua melhor performance, fato que a direção nacional prefere desconhecer.
O ex-ministro, recentemente citado como possível candidato à prefeitura de Belo Horizonte, seria, pelo volume de votos que obteve em 2010 e por simbolizar a diferença em relação ao atual governo, presença importante na campanha pela prefeitura das principais cidades.
Atingir as cidades com mais de 50 mil eleitores é a prioridade do PMDB, que precisa de um carro forte para puxar votos. Foi exatamente nos maiores colégios eleitorais que Hélio teve suas votações mais expressivas.



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Os partidos perderam oportunidade de falar às mulheres, que na sexta-feira viram passar o 80º aniversário do seu direito de votar, que veio juntamente com a publicação do Código Eleitoral, de 24 de fevereiro de 1932. A data passou condenada ao esquecimento, mesmo quando se sabe que elas já saltaram para 52% a sua participação no colégio eleitoral brasileiro.

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__ Amanhã, em sessão solene que realiza no Rio de Janeiro, a diretoria de Furnas vai conferir o “Mérito John Cotrin” a personalidades, entre as quais o presidente da Cemig, Djalma Morais, e o ex-deputado Marcello Siqueira.

__ Secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada, informava, ontem, que o estado liberou R$ 890.859,00 de convênios com a prefeitura para serviços na área de saúde, além de R$ 5 milhões para melhoramentos em vias públicas” .

_ Ninguém é de ferro. Depois de uma semana dedicada ao carnaval, dos 53 deputados mineiros apenas dois – Reginaldo Lopes e Paulo Piau - foram a Brasília participar da reunião ordinária da Câmara.


_ Em Pirapora, o governador Anastasia foi lançado candidato ao Senado em 2014. A bem da verdade, essa candidatura existe desde que ele se empossou na governadoria.


_ Não deixa de ser cruel o suspense causado pela Polícia Federal, quando, sem dar nomes aos bois, anuncia que na Operação Mercúrio aparecem envolvidas em graves irregularidades “pessoas que frequentam colunas sociais”. Além de contemplar os criminosos, cujos nomes são mantidos em segredo, deixa sob suspeita, ainda que temporária, milhares de colunáveis que não caminham pelas margens da lei.

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De Memória

Antes do Hawaí

Em outubro de 1972, os cientistas do Hawaí festejavam a audofecundação no reino animal, mas seu pioneirismo foi logo desautorizado, porque dois anos antes a equipe de Maury Pinto de Oliveira, professor de Malacologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, estava sendo premiada em São Paulo pelos estudos realizados nesse campo com o molusco lamelax gracilis. Ficou provada sua autofecundação, além de demonstrado
tratar-se de um tipo saprofito, que se alimenta com as substâncias que decompõe.
Maury aproveitou a ocasião para insistir na necessidade de o Brasil dar mais atenção aos moluscos, por causa da importância que no futuro poderão desempenhar na alimentação humana.




(( publicado na edição desta segunda-feira do TER NOTÍCIAS ))

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

PDT promete todo vigor na campanha de Custódio

“O primeiro e principal objetivo do PDT na campanha eleitoral deste ano é trabalhar com todo vigor e entusiasmo na campanha para a reeleição do prefeito Custódio Mattos”, disse ontem o presidente do diretório municipal, Vítor Valverde. Esse apoio reedita o caminho que os pedetistas adotaram na eleição passada, quando também se aliaram ao candidato do PSDB, embora Vítor advirta que a adesão a Custódio agora independe de alianças ou acertos partidários; “é apoio à pessoa do prefeito”.
A participação na campanha, explicou, sendo inspiração política, é também “o reconhecimento à importância da obra que o atual perfeito vem realizando, como parte de uma proposta voltada para servir o povo”. Segundo o presidente do partido, a administração vem realizando e ainda realizará obras que transcendem a capacidade de uma visão momentânea, e “contemplam Juiz de Fora para o futuro”. E explica: toda vez que o prefeito olha para o amanhã, é natural certa incompreensão de quem se satisfaz apenas com o presente. Mas a faixa da população que compreende a responsabilidade da Administração Municipal é cada vez maior,”como indicam pesquisas de confiabilidade técnica”, disse Vítor.
O PDT tem hoje duas cadeiras na Câmara Municipal, e a esperança do presidente do diretório é manter as duas vagas com a eleição de outubro. E, sem que seja objeto de constrangimento para Custódio, o partido poderá reivindicar a indicação do nome do vice-prefeito. “Certamente poderíamos sugerir uns três ou quatro nomes, entre os quais o atual vice, Eduardo Freitas, do PDT, que tem sido um excelente companheiro”, concluiu.


Jogo muito duro

O deputado Marcus Pestana vem se revelando pessimista quanto ao futuro do projeto que, como desejam os prefeitos, altera o índice de correção das dívidas dos municípios com a União. Ele é relator do projeto, mas antes mesmo que chegue ao plenário, já sabe que a presidência da República vai preferir continuar discutindo os débitos, apesar de em vários casos a dívida já ser considerada impagável.
Pensava-se que com o crescimento da arrecadação, “com expressivo ganho real”, a situação dos municípios sensibilizasse o governo, que pretende continuar sendo credor, disse o deputado.


“ Sub judice”

Sobre nota publicada ontem, quanto a uma possível advertência ao PSL para o risco de disputar a prefeitura com um “candidato sub judice”, o presidente em Juiz de Fora, Carlos Araújo, informou que ele e o partido desconhecem qualquer sugestão nesse sentido, que estaria partindo de um filiado. A notícia se referia à candidatura do ex-prefeito alberto bejani, que se filiou em Juiz de Fora por decisão pessoal, não por via do diretório regional, outro esclarecimento do presidente.


Prazo não ajuda

Figurando entre os que mais aplaudem a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a validade da Lei da Ficha Limpa já para as eleições deste ano, o Ministério Público Eleitoral anunciou que vai se preparar para aplicar o texto com rigor, animado com a oportunidade que se abre para uma “limpeza geral na política”.
Mas surge uma ressalva, que é também a primeira preocupação que se levanta sobre os efeitos práticos da lei. Queixa-se do fato de que, feito o registro da candidatura, os promotores terão apenas cinco dias para oferecer as razões de impugnação, o que pode acabar beneficiando os candidatos fichas-sujas.




Em busca de acordos

No segundo e decisivo turno da eleição do prefeito, em 2008, o PT foi levado a disputar com o PSDB, com apoio do PMDB. Neste ano, a reedição dessa aliança seria natural já no primeiro turno se os peemedebistas não tivessem candidato próprio, possibilidade que já se considera afastada. Quanto a um acordo para o segundo turno, a ocasião só chegará no dia 8 de outubro, porque não há candidato que queira antecipar a negociação da derrota.
Mas nem por isso a ideia deixa de animar setores estaduais do PT que avaliam a eleição nos principais municípios com o mesmo pragmatismo com que defendem a aliança com o PSB em Belo Horizonte. Um bom acordo vale mais que os suores das disputas. Quando observam o quadro pré-eleitoral dos grandes centros, acham que quando dois exércitos se juntam há menos mortos e feridos e a vitória fica mais fácil.


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Em Memória

A grande frustração

Não estará errado quem disser que uma das grandes frustrações da cidade começou com a manchete do “Correio de Minas”, de 22 de agosto de 1936, que estampava estar localizada em Sarandy (hoje Sarandira) “a maior mina de petróleo do mundo”, notícia que correu logo, e o Brasil passou a se interessar pelo fato. Tudo começou quando, na fazenda Pedra Branca, apareceu uma camada de 10% de óleo na água, o que foi tido como confirmação de uma previsão de 1918 de Luiz Caetano Ferraz em seu ”Compêndio dos Minerais no Brasil”, para quem possivelmente estaríamos com os pés num grande lençol de petróleo. Um capitalista do lugar, Paschoal Pugliese, investiu logo 10 contos nas pesquisas. Paulo Bertoli recolheu amostras e anunciou a criação da Cia Brasileira de Petróleo Mineira. No auge das expectativas, a prefeitura encomendou ao engenheiro Francisco Álvares um estudo no local, concluindo tratar-se apenas de uma camada de gás metano. Nada mais do que isso.

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((publicado na edição desta sexta-feira do TER NOTÍCIAS ))

Plebiscito para adiar reforma

Este pós-carnaval deve confirmar a tendência de Câmara e Senado chegarem a um acordo para adiar a reforma política por mais dois anos. Para tanto, bastará acolher a sugestão do deputado Miro Teixeira, colocando a matéria como objeto de um plebiscito a ser realizado juntamente com a eleição do presidente da República, em 2014. A consulta ao eleitorado é um pretexto para tirar a responsabilidade da atual legislatura, porque a reforma, sob vários aspectos e em muitas pontos que sugerem mudanças, incomodam parlamentares já acostumados com um modelo político-eleitoral em que se dão bem. Por que mudar?
Há mais uma razão para explicar novos adiamentos: estamos em pleno ano eleitoral e o Congresso considera que não teria tempo para tratar de reforma. E, mesmo que tivesse tempo, não teria quorum, porque deputados e senadores estarão em campanha.



Sub judice

Membros do PSL vão propor à direção uma reunião nas próximas horas a fim de avaliar a declaração do ex-prefeito alberto bejani de queimar todas as etapas na Justiça, para estar em condições de disputar em outubro. O temor de alguns militantes são os riscos que o partido poderia correr, disputando com um candidato sub judice. É possível que se peça um posicionamento estadual, até porque a filiação dele foi imposição de Belo Horizonte, apesar de ter sido protagonista do momento mais abjeto da história política de Juiz de Fora, como agente de corrupção.
O que diz a lei sobre o candidato que espera pronunciamento da Justiça? Na Lei 9.504/97, artigo 16-A, lê-se: “O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica, enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”.


Escapando do corte

Muitos deputados passaram o carnaval preocupados com a decisão do governo de aplicar cortes no orçamento, sob o pretexto de que é preciso conter os gastos. Embora saibam os veteranos que sempre foi assim, para enquadrar as bancadas e depois é retomada a liberalidade, fica sempre o temor quanto à contrapartida que o Planalto vai cobrar.
O deputado Reginaldo Lopes, coordenador da bancada mineira, afirma que os recursos para obras iniciadas não serão afetados, o que pode ser um bom sinal para a BR-440.


Ordem e prioridade

O PMDB, ensina seu presidente em Minas, Antônio Andrade, confere prioridade às candidaturas nas principais cidades; entre elas, prioridade absoluta àquelas que somam mais de 50 mil eleitores, como se dá em Juiz de Fora. E recomenda que se cumpra essa ordem, sem que os diretórios se dediquem, antes, à formação das chapas de vereadores. Há que se começar pelo principal. Os bois à frente dos carros.
O presidente entende que a chapa de candidatos a vereador deve ter intimidade com quem vai disputar a prefeitura.

Edmar no comando

A mudança que acaba de ocorrer no comando do PR, com o deputado Aracely de Paula na presidência, assumindo a vaga do senador Clésio Andrade, que vai para o PMDB, não altera as relações do comando estadual com a direção em Juiz de Fora. Já se apurou que o ex-deputado Edmar Moreira continuará presidindo o partido na cidade, e na próxima semana será convidado para uma reunião em Belo Horizonte, a fim de tratar da posição do partido na eleição de outubro.


Bloco de apoio

Partidos representados na Assembleia que apoiam isoladamente o governador vão trabalhar, a partir de hoje, como bloco oficialmente organizado. Liderado pelo PSDB, o grupo conta com o PTB, PHS, PPS, PR, PRP, PRTB e PTdoB, além do PSD, a mais nova adesão.
Os tucanos, que pretendem dar tratamento especial aos grandes colégios eleitorais, querem estender essa aliança para a eleição municipal no interior. No caso de Juiz de Fora, ela já está acertada com PTB, PTdoB, PRTB e possivelmente PPS.


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Em memória

Paisagem europeia

Numa época em que tanto se fala nos estragos causados pelo mau tempo, convém lembrar que a situação realmente ficou feia para Juiz de Fora na tarde de 5 de setembro de 1985, quando ocorreu a maior precipitação de granizo de nossa história. Gelo caindo e ventos calculados em 90 quilômetros arrastando janelas e placas de lojas. Não houve vítimas, mas cerca de 2.000 casas e indústrias tiveram telhados destruídos. Só nas ruas centrais, os operários da prefeitura encheram 40 caminhões de gelo, que em alguns pontos tinha quatro metros de altura. No TER NOTÍCIAS de hoje, uma interessante foto mostrando como ficou a esquina das ruas Padre Café e Manuel Bernardino.


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Como sugeriu e previu o editorial do TER NOTÍCIAS da última sexta-feira, 24 horas foram suficientes para que o governador Antônio Anastasia determinasse aos órgãos de segurança pública que reconsiderassem a decisão de censurar estatísticas sobre a violência urbana em Minas. Não é empurrando o problema para debaixo do tapete que ele vira solução.