quinta-feira, 31 de março de 2016






DEPOIS DA TEMPESTADE VEM OUTRA TEMPESTADE



A saída do PMDB da órbita do governo contribuiu para levar a tragédia política brasileira a uma consequência já prevista.

É isto: os fatos estão empurrando a crise pra frente, sem lhe dar chance de retrocesso salvador ou a uma estagnação balsâmica. O estágio agora atingido, além de acenar para novos desdobramentos, mostra que os dois lados – os que querem o impeachment da presidente e os que o repudiam - estão carregando nos ombros um novo desafio: ambos temem as consequências pelo que advirá no estuário final de tantos problemas. Porque, observe-se, se a presidente ficar de pé, apesar de tantos solavancos, a Nação vai se manter no quadro de estagnação em que se encontra agora.

Se, ao contrário, ela cai, o governo substituto estará condenado a passar em cima de perigosos escombros. Eis um tempo de prosseguidas tensões. As duas facções sentem os desafios que as aguardam. Sabem que não haverá mar de rosas à sua espera, mas é certo que virão novos impasses, com crise ou sem crise. No momento em que se registra esta nota, fim de noite de 31 de março, as previsões continuam desfavoráveis àa dona Dilma. Depois de perder o maior entre seus aliados, ela deve estar percebendo que novas adesões que se insinuam vêm com o ranço do oportunismo e da fidelidade circunstancial. É como os soldados que vão à guerra procurando apenas uma trincheira, distantes e apáticos em relação ao tiroteio.

2 – A presidente Dilma deve ter sentido, e se não sentiu é preciso o que alguém faça a advertência, sobre o erro que praticou ao atribuir a Lula a tarefa de sanear as origens da crise política. Ele começou conversando com o PMDB, e o partido logo lhe deu as costas. Lula fracassou na primeira missão; e a ficar no Ministério, que seja apenas para sair do olhar do juiz Sérgio Moro. Ela precisa urgentemente da interlocução conduzida por alguém de insuspeita capacidade, que não alimente divergências e rancores. Diferentemente do
ex-presidente. Ao PT agora já não bastam as consultas discretas ao professor Delfim Neto, oráculo da cúpula petista. Num deserto onde são raras as competências para a árdua tarefa de restabelecer o diálogo civilizado, o governo precisa descobrir alguém, com um perfil semelhante, por exemplo, ao do ex-ministro Ayres Brito, do Supremo Tribunal.

3 – A exacerbação dos espíritos, os gritos raivosos das ruas e os xingamentos das redes sociais mostram que no Brasil o diálogo entrou em coma induzido pela intolerância. Pode morrer, não apenas para o governo e para a oposição, mas morrer para todos os segmentos da sociedade. O Brasil está mergulhado numa guerra de bate-boca.

4 – O PMDB de Juiz de Fora já havia prometido e antecipado
fidelidade ao seu presidente estadual, Antônio Andrade, qualquer que fosse a decisão da direção nacional quanto ao rompimento com o Planalto. Andrade ficou solidário com Michel Temer, o que significa que numa escala natural decrescente o diretório municipal está politicamente afastado do governo federal. Mas em Minas ele continua com um padrinho poderoso, pois Andrade também é vice-governador de Minas. Num primeiro olhar, os petistas entendem que ocorre o esfriamento natural no diálogo da deputada Margarida Salomão com o prefeito Bruno Siqueira. Vinham se entendendo muito bem, mutuamente festejados; de forma que em dado momento cogitou-se até aliança para a eleição de outubro. Se o PT se afastar, o que certamente o prefeito não desejaria, ocorrerá naturalmente  no âmbito municipal a aproximação do PSDB com o PMDB, o que conjuntura também pode forçar o PT a ter candidato próprio à prefeitura.




                                              




PONTO OBSCURO


Como testemunha ocular e indignada daquela tarde de 31 de março de 64, quando se consolidou, numa proclamação do general Mourão Filho, o golpe contra o governo Goulart, as instituições e, por fim, contra a liberdade, alguns colegas pedem minha opinião sobre aquele episódio, passado mais de meio século. Digo que o tempo já se encarregou de exorcizar duas antigas dúvidas. A primeira dúvida refere-se ao falado projeto do governo de então de instalar no Brasil a república comuno-sindicalista, o que ficou historicamente desmentido. O argumento foi para o arquivo de pretextos grosseiros dos contrários. A segunda nuvem que se dissipou dizia respeito ao real interesse do governo Kennedy de ajudar, no que fosse necessário, para o êxito do golpe. O interesse está cabalmente comprovado.

Resta uma terceira questão, esta instigante até os dias atuais, e sobre a  qual ainda se debruça: o que faziam ou deixaram de fazer os serviços de inteligência e contra-informação do Palácio que não advertiram o  presidente Goulart, afora breves insinuações, de que estava em curso uma sublevação militar com apoio de segmentos da política, de setores conservadores da Igreja e empresariais temerosos de se verem tragado pelo comunismo?

A estranheza encontra campo fértil para as indagações, mesmo passados 52 anos. Não se compreende tamanho despreparo, ainda que se considere eventual engajamento de alguns oficiais comprometidos com o projeto de apear o presidente constitucionalmente empossado. Pois os preparativos para o golpe se faziam às claras, sem segredos. Em Juiz de Fora, a imprensa cobria os sucessivos encontros, no aeroporto da Serrinha, entre o governador Magalhães Pinto, o general Mourão e assessores de ambos. Tramava-se abertamente. Nas horas que antecederam a proclamação do reduto golpista já se efetuavam algumas prisões, jornalistas “suspeitos” eram vigiados, postos de gasolina instruídos a não esgotarem suas reservas de gasolina, pois as tropas precisariam de uma cota extra para “eventuais deslocamentos”. Nos quartéis, oficiais descontentes com o golpe em curso eram convidados, com a tropa formada, a dar um passo à frente e já ficaram detidos. Os setores de correios e telefonia haviam sido tomados de véspera.  


E o governo não viu isso.



MODELO DE CAMPANHA


É muito cedo para falar sobre o que as candidaturas a prefeito vão dizer à cidade. Elas sabem apenas que enfrentarão uma campanha vigorosa e pobre de recursos financeiros, retrato do momento que estamos vivendo neste Brasil cheio de dúvidas.

Mas parece que o prefeito Bruno Siqueira, do PMDB, dá a partida e passa a considerar alguns parâmetros para chegar ao eleitorado na jornada que se avizinha; jornada que sinaliza algumas marcas diferenciadas, entre as quais, como se disse, a duração relâmpago e a escassez de recursos. Para falar ao eleitor, o primeiro passo que vai cumprir, segundo ouço de assessores imediatos, é a transparência. Nada ficará sem ser mostrado às claras. Preto no branco. Um modelo de seriedade pronto para contrastar com eventuais projetos demagógicos. Exemplo disso seria mostrar o que se tem conseguido fazer, ainda que com muito pouco do dinheiro sumido no vendaval da crise financeira que se abate sobre o País.

Na sua campanha a arma seria mostrar o que a população precisa saber, como as obras nos bairros ( a Administração garante que nunca se fez tanto por eles). E predomina a intenção de hospedar a prestação de contas e os novos projetos não apenas nos programas de rádio e TV da Justiça Eleitoral, mas optar por uma conversa franca nas redes sociais. Estas cada vez mais essenciais, até porque, segundo os especialistas, em grupo de dez pessoas pelo menos quatro se orientam através delas. Eis um salto na política de comunicação em processos eleitorais no município.

Além do mais, espera-se uma campanha atípica. Primeiro pelo fato de ela se realizar no rastro ou no rescaldo dos escombros de sucessivas crises que intercalam dificuldades financeiras e políticas para a população. Situação assim leva ao risco de se criar um útero fértil para a geração de oportunistas ou demagogos. Foi o que se deu na década de 80, com a eleição de alberto bejani, protagonista de um momento abjeto na história política municipal.

O eleitor, ainda que não tenha sido contemporâneo de tal tragédia, precisa se informar e ter em mente que até hoje estamos pagando por aquele pecado cívico.

Outro cuidado, que dizemos nós, não os assessores do prefeito, é que as redes sociais vêm se tornando veículo auspicioso para a intolerância, xingamentos e ofensas gratuitas sob o escuro do anonimato. É preciso adotá-las como fonte de informação e diálogo; nunca instrumento de guerra virtual de baixo nível.



quarta-feira, 30 de março de 2016






MOMENTO POLÍTICO


1 - Uma coisa que o alto comando do PMDB não pode negar é que a decisão de desembarcar do governo Dilma coincide, num prazo não muito longo nem muito curto, com o projeto de chegar ao poder, tomando-se os cuidados necessários para que isso seja resultado não de conspiração mas dos próprios tropeços do PT. As críticas feitas ao governo não escapam das vias legais, mas o sonho é mesmo levar Temer a assumir a cadeira de Dilma, e a ela debitando todas as culpas. Interessantes os cuidados que estão sendo mantidos, um deles é que na reunião relâmpago que votou o desenlace providenciou-se para que a decisão se fizesse por aclamação. Claro, o partido quis preserva a impessoalidade da votação. Em um plenário onde se aclama, a decisão não tem rosto. Ninguém tem de enfrentar constrangimentos nem ser cobrado, se a coisa acabar não dando certo e se dona Dilma se recompuser, mesmo que hoje isso pareça impossível.

A aclamação não foi um gesto de unanimidade, mas de impessoalidade, o que também pode ajudar o partido a escamotear o fato de diretórios de cinco estados não terem comparecido. Dispensada a contagem dos votos substituídos pelas palmas evitou-se também a obrigação de expor setores contrários ao desembarque, estes em monumental minoria.

Se obtiver êxito o plano de substituir dona Dilma, o PMDB terá de exercitar a arte de enfrentar os desgastes do poder, porque há tempos que usufrui os benefícios decorrentes de uma maioria no Congresso sem ter de batalhar muito. O partido gostou do papel de amigo do rei, sem os aborrecimentos do reinado. Eis a novidade que pode ocorrer.


2 – Sobre as imensas dificuldades do governo, vale citar a situação de constrangimento da ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Ela decidiu enfrentar seu partido, o PMDB, diz que não cumpre a ordem de entregar o cargo, e não se desfilia. Mas corre o risco de sair à força, poque todos os órgãos de representação da agricultura e pecuária do País apóiam o impeachment da presidente Dilma. Kátia não tem com quem conversar no ministério. Ao seu redor, todos contra.


3 – O deputado tucano Marcus Pestana não mais alimenta dúvidas quanto ao próximo fim do governo Dilma. Ontem ele arriscou um placar para a Comissão Processante do impeachment: 40 a favor e 25 contra. Com isso, a proposta seguiria para o plenário, onde o deputado acha que a matéria contará com 342 votos necessários para subir ao Senado.





terça-feira, 29 de março de 2016

   



CASCATA PERIGOSA


Já desesperançoso quanto à sua capacidade de articular politicamente e impedir o fim do apoio do PMDB, de quem tanta precisa, o governo Dilma partiu logo para uma operação compensatória, convidando pequenos partidos ao embarque, contentando-se com os cargos que ficarão vagos com a revoada peemedebista. Mesmo que isso lhe custe ter de engolir no Palácio deputados rigorosamente inexpressivos ou incompetentes. Mas esta é hora de fechar buracos e tentar garantir a base parlamentar a qualquer custo. A hora é de arrumar a viagem com a tropa possível.

O caminho, para quem está pisando o lodaçal da incerteza, nessa crise sem precedentes, é esse mesmo. Contar quantidade e não qualidade.

Há, contudo, um problema que pode vir a furo proximamente.  Na verdade, esses partidos nanicos chamados a agarrar o remo do barco presidencial são os mesmos que, sem nenhum remorso, darão adeus à comandante, e a abandonarão se sentirem que o poder corre para as mãos de Michel Temer. Portanto, o que se está conseguindo nada mais é que adesão circunstancial. Nada mais se pode esperar desses pequenos que jamais sonharam com um ministério e a ele são alçados como marinheiros únicos na hora do naufrágio.   



AO SACRIFÍCIO

Considerada a delicadíssima situação em que se encontra o governo, quando amigos saltam fora e bem em cima das cabeças palacianas zumbe o fantasma do impeachment, a presidente Dilma precisa muito mais do que adesões momentâneas e ocasionais. Ela precisa ter ao lado alguém com dedicação inquestionável, capaz de dar a vida para evitar o desastre.  Alguém que se ponha à frente dela para receber os impactos da crise que atira por todos os lados. Um verdadeiro herói, depois do fiasco de confiar em Lula, cuja fragilidade atual se compara àquela que ela escolheu para sucedê-lo.

Nessa guerra quem vai ser o escudo inexpugnável da presidente? Herói?. Que raça rara de gente!. Só se conhece o marechal Machado Bitencourt, que em 1897 entrou na frente de Prudente de Morais e morreu ao receber a punhalada que Marcelino Bispo de Melo endereçava ao presidente.


segunda-feira, 28 de março de 2016






História


Há dias, coincidindo com a visita do vice-governador Antônio Andrade, o PMDB inaugurou em sua sede a galeria dos prefeitos que a legenda elegeu em seu meio século de atuação política em Juiz de Fora. Uma história que começou em 1966 com o MDB. A partir daí foram eleitos e exerceram o cargo Itamar Franco, Saulo Moreira, Agostinho Pestana, Tarcísio Delgado e Bruno Siqueira. Acresce o fato de ter um representante seu, Tarcísio, ocupado a liderança da bancada na Câmara dos Deputados num dos momentos mais sensíveis do debate político.

Tudo isto já foi dito. Não é novidade. O que vale lembrar é que, com mais de 50 anos comandando a administração municipal, o partido precisa ter sua história gravada em livro. Antes que partam alguns que testemunharam.

 


Aliança


Com as mudanças que acabam de ocorrer na órbita partidária, a começar pelo novo perfil das bancadas na Câmara Municipal, é chegado o momento de traçar a linha das alianças que vão ajudar o prefeito Bruno Siqueira na campanha da reeleição. Fatos novos podem ocorrer até as convenções e durante elas. Mas, observada a posição adotada pelos vereadores, parece certo que o prefeito terá como manter uma aliança majoritária.



São Tomé


A direção nacional do PMDB faz as contas, avalia os votos, mede as pressões  e chega à conclusão de que tem número suficiente no diretório nacional para anunciar, amanhã, seu desenlace com o governo Dilma. Fato que seria suficiente para comprometer de vez a governabilidade do PT e o comando da presidente Dilma.

Os cálculos para o desembarque estão corretos. Mas não totalmente seguros, porque o partido tem uma tradição de boa convivência com o poder. Muitos preferem reeditar o São Tomé do cenário da Semana Santa. Só acreditam quando colocarem o dedo no fato consumado.



Contudo....


O clima no governo é de desânimo. Contabilizam-se os efeitos da retirada do poderoso aliado e a cascata de adeus que pode acontecer logo depois. Reina desânimo misturado com preocupação, provocando aquela habitual sonolência de fim de governo, como diria o ex-ministro Ibrahim Abi-Ackel.






quinta-feira, 24 de março de 2016






PMDB, UM CIRINEU


Caminha a presidente Dilma por essa via dolorosa que ainda ontem ela voltou a definir como caminho do golpe, exercitando-se para não reconhecer que, na verdade, está andando em cima de buracos abertos por picaretas e resvalando em abismos construídos pelas muitas picaretagens de sua própria gente. Está disposta a camuflar a herança que já seria muito pesada, mesmo que não se devesse a ela alguns acréscimos às suspeitas e ao emaranhado de denúncias que o Lava Jato faz sangrar.

(Mas na intimidade da inevitável consciência do fim da noite, longe das câmeras, a presidente deve saber que parte de suas dificuldades está exatamente nesse imenso esforço para transferir aos contrários os pecados que começaram e prosperaram na copa e cozinha do governo de seu antecessor).

Seja como for, à  medida em que as costas presidenciais vão se esfolando sob o chicote da crise e ela perdendo o fôlego para carregar a cruz, é preciso agarrar o Cirineu mais próximo do seu Calvário, o velho PMDB, que vem de uma tradição de socorrer aflitos que sangram, mas farisaicamente cobrando caro para desempenhar esse papel. Ao governo o partido nada mais oferece além da expectativa de uma solução prevista  para o dia 29. Desembarca da solidariedade circunstancial ou fica? O que se diz em Brasília é que 60% dos votos do diretório nacional são pela ruptura com um governo que entendem  já irremediavelmente soçobrado. Contudo, em se tratando do PMDB, ideal é uma certa dose de cautela. Fica a dúvida para o dia 29. Qual será o papel do partido? O Cirineu solidário na agonia ou Pilatos que lava as mãos, nada tem a ver com isso e manda crucificar?



CULPADA DE SEMPRE


Seria injusto e manifesta ignorância histórica acusar a presidente Dilma de inovar, quando atribui à mídia a responsabilidade por arrastar o País para a crise em que encontra; crise de tal forma grave, que se torna impossível prever solução próxima. Não é ela a primeira, nem será única a apelar para esse discurso, pois antes a tal receituário muitas vezes recorreram políticos em maus lençóis. Houve uma dirigente partidária, deputada Ivete Vargas, do PTB, que produzia um libelo diário contra os jornalistas. História antiga. 

A presidente Dilma faz lembrar certos reis da Antiguidade, que mandavam matar os mensageiros de más notícias. Bastava o cavaleiro chegar para dizer que a batalha estava perdida. Matem o sujeito que traz notícias inconvenientes.



ESSENCIAL E PERIFÉRICO


Voltamos à presidente Dilma, certamente a maior e mais generosa fonte de novidades. De novo ela desafia nossa memória em relação ao grampo com que a polícia, autorizada, gravou o conteúdo de um telefonema seu com o ex-presidente Lula na outra ponta da ligação. Ameaçou ela: “Façam isso nos Estados Unidos e vejam o que acontece”. Pois se fez. Um telefonema grampeado do presidente Richard Nixon só não lhe custou o impeachment porque  ele renunciou antes.

Outro aspecto em torno do mesmo episódio é que ela e o governo falam apenas da divulgação do diálogo Dilma – Lula, uma publicação que é realmente discutível. A Justiça pode ter exorbitado. Mas nada se fala sobre o essencial da gravação, que é muito mais grave, pois oferece o mais importante e influente ministério a alguém que precisava disso para escapar da prisão iminente. Isso é muito mais sério que a quebra de discutível privacidade. Não se tratava de conversa de portadores de paixões discretas ou namoros em risco, mas assunto de relevância nacional.


 TUDO PODE PIORAR


Velhos irlandeses e chineses, e depois deles muitos outros povos buscaram suas seculares experiências para ensinar o necessário comedimento nas queixas. Diziam eles e dizemos nós hoje que nada na vida é tão ruim que não possa piorar. Lembremo-nos disso quando se dá conta de estarem reunidos em Brasília Renan Calheiros, Lula e José Sarney, este há tempos esquecido, cuja ressurreição vem fora de hora. O que tramam esses sumos sacerdotes no Sinédrio?    





quarta-feira, 23 de março de 2016




ORDEM DE COMANDO


Depois de ter fixado em 29 a data para definir se permanece no governo ou dele desembarca ao perceber que o barco faz água sem ter uma enseada segura à frente, o PMDB  tenta evitar qualquer responsabilidade direta no rumo dos acontecimentos imediatos. É o que nos dizem os cientistas políticos e jornalistas mais credenciados para elaborar tal análise. Contribuiria para tanto as muitas incertezas que se acumulam no Palácio do Planalto.

O clima de expectativa se estende a Juiz de Fora. No sábado, quando esteve na cidade e se reuniu com o partido, o presidente regional Antônio Andrade preferiu dizer apenas que aguarda orientação do presidente nacional, Michel Temer, com quem tem mantido contatos freqüentes, apesar dos perigos do grampo nos telefonemas.  O vereador Antônio Aguiar, por sua vez, disse a Andrade que em Juiz de Fora os peemedebistas esperam que ele sinalize a conduta a ser adotada frente ao rompimento com o governo, o que para muitos já são favas contadas. No Estado o partido espera Temer; na cidade espera a palavra de Andrade.   

Há um detalhe que escapou das conversas com o presidente. Tão sensível e delicada a situação do governo Dilma é o quadro que se abre diante do governador Fernando Pimentel. O que significa que às nuvens de Brasília Minas juntam as suas próprias nuvens. Pimentel se debate com imensas dificuldades, uma delas referente ao impasse com as folhas dos servidores, um problema que ainda não atormenta o sono de dona Dilma.




ROGAI POR NÓS


A partir desta segunda quinzena, como atestam muitos fiéis, os celebrantes das missas passaram a fazer referência frequente à crise política do País, sem uma clara tomada de posição, mas para pedir socorro e proteção dos céus em momento tão difícil  e sombrio. É hora de rezar e pedir a Deus que pelo menos as coisas não se tornem piores.

Na noite de ontem, encerrando na Catedral a cerimônia do Encontro, o arcebispo dom Gil Antônio dirigiu as orações no sentido de que nos levem a  uma pátria sem a corrupção, como essa que tem revelado a  Operação Lava Jato. Desejou partidos e políticos com mãos limpas. Que nas próximas eleições estejamos livres da corrupção, como também devemos rezar para que estejamos livres do regime ateu. Precisamos, disse ele, de governo que não despreze o amor, a paz e a serenidade.