quinta-feira, 17 de outubro de 2019


Nada de novo? 



Quando começam a surgir as primeiras especulações em torno da sucessão municipal, e com elas nomes que podem ser considerados possíveis contendores, a indagação mais frequente reside na possibilidade de algo novo; isto é, o surgimento de candidatos não vinculados a campanhas anteriores. Mesmo que tendam em suas preferências por alguns com passadas experiências eleitorais, sobrepõe-se certa curiosidade sobre o que ainda pode surgir como novidade nas decisões. Antigo assessor do ex-prefeito Custódio Mattos, que destina seus fins de semana a conversas com grupos vários, garante que a cidade tem tudo para ver estreantes na disputa, baseando-se em uma constatação pessoal: o eleitor gosta de inovar.

. No dia 4 de outubro de 2020 acontecerá o primeiro turno da futura eleição municipal. Já encerrado o prazo hábil para a transferência de domicílio eleitoral, significa que, em rigor, começamos agora a contagem regressiva para a festa da democracia, quando o eleitor é chamado a opinar sobre seu candidato a prefeito e a vereador. Trata-se de eleição singular, eis que está ligada aos interesses diretos dos cidadãos, que precisam dessas autoridades para cuidar de sua vida comunitária.

. Em Juiz de Fora, desde agora, ouvem-se especulações sobre eventuais candidaturas a prefeito. Relembrando as de melhor colocação em 2016, tirante o ex-prefeito Bruno Siqueira (MDB ), que não pode concorrer, pois já foi reeleito, há os seguintes nomes: deputada federal Margarida Salomão (PT), deputado estadual Noraldino Júnior (PSC) e o empresário Wilson Rezato (PSB). Com a ausência de Bruno, o atual prefeito, Antônio Almas (PSDB), anteriormente vice-prefeito, concluindo o mandato da chapa vitoriosa em 2016, pode pleitear novo mandato.

. Mas com o resultado que as urnas fizeram conhecer em 2018 podemos ter novos atores políticos, citados como prefeitáveis em conversas isoladas: do PSL a deputada estadual Sheila Oliveira e o deputado federal Charles Evangelista, e o deputado estadual Betão (PT). Betão não desconversa: quer disputar.


.As especulações também apontam a possibilidade de surgir nome fora do espectro político conhecido, um 'outsider', ou seja, aquele que não pertence a um partido determinado. Esse nome poderia ser de pessoa tal como: executivo de sucesso, funcionário público com notoriedade, um religioso com popularidade etc. Sempre há espaço para surpresa capaz de mudar o jogo eleitoral.

. As pesquisas de opinião começam a surgir, e servem para registrar o momento em que as tendências e simpatias acontecem. Vão constituindo uma série histórica de aferição do palpite dos cidadãos. 



Noite de Memória

Em concorrida noite de autógrafos, ontem, no Museu Murilo Mendes, o ex-prefeito Tarcísio Delgado lançou “Memórias de um Candeeiro”, livro em 270 páginas onde conta a história de uma vida de 84 anos, que começou no menino pobre de Torreões. Foi a necessidade de estudar que o arrastou para a cidade, o que viria substituir antigas dificuldades vividas na zona rural por outros desafios de sobrevivência que a família teria de enfrentar.

Ao reviver os antigos tempos de Faculdade de Direito, o autor cita suas experiências profissionais no escritório de José de Castro Ferreira, que também o estimulou para a política, fazendo-o candidato a vereador em 1966. Dava os primeiros passos uma carreira política que fez dele deputado estadual e federal; e prefeito com mandatos que somados chegaram a 14 anos.

Na gestão de prefeito Tarcísio relembra a experiência dos mutirões para realizar obras nos bairros. Orgulha-se de terem sido criadas 70 frentes de mutirão. Por que isso aconteceu?,indaga, para responder logo em seguida: “Você precisa ter determinação para fazer. Tem que ter vontade, arregaçar as mangas e trabalhar com a comunidade” .

O que não foi suficiente para tornar realidade algo que tanto desejou e sonhou: a remoção dos trilhos ferroviários da zona urbana. Obra que custaria naquele tempo, como ainda hoje custa, recursos financeiros inacessíveis para o erário. 

(A leitura de um livro da memorialística, mais uma vez comprovado, sempre traz novidades. Pois nesse ”Candeeiro”, que ontem mesmo li em boa parte, observo que, lidando há meio século com o autor, só agora fico sabendo que, ambos meninos, sem que nos conhecêssemos, fomos testemunhar, no Maracanã, a aquela tragédia de junho da Copa de 1950: Brasil 1 x 2 Uruguai. Ele pelas mãos de “seu” Jota Formoso, e eu arrastado pelo também generoso Tio Zezé).

quarta-feira, 16 de outubro de 2019


Minério pesado


A queixa figura entre as mais antigas na pauta dos mineiros: o ônus do Estado no resultado da extração de minérios, pois por aqui ficam apenas os buracos e as ofensas ao meio ambiente. No volume de tudo que se extrai, se exporta e se industrializa ficamos com nada mais que 2%. Na década de 70 o deputado federal Fagundes Netto tentou reagir e reverter o quadro, mas também naquela época, como depois, os interesses contrariados tiveram mais força para reagir, e o protesto acabou caindo no vazio.
Agora, ouvimos o senador Carlos Viana (PSD-MG) protestar contra os acumulados prejuízos de Minas, depois de lembrar que o Estado já perde para o Pará na escala dos resultados da política extrativista. Referia o senador aos recursos do pré-sal, reclamando justas prioridades na repartição do dinheiro que vai resultar do esperado leilão.


Expectativa

Já se disse. Há um consenso entre os que procuram acompanhar de perto demarches da política e suas expectativas em relação à sucessão municipal de 2020: as possibilidades de PSDB e MDB reeditarem passados êxitos na luta pela prefeitura estão vinculadas à capacidade de suas lideranças manterem a aliança. Separados, caminhando em campanhas solo, deixarão aberta uma brecha para a oposição. Para os contrários, nada seria mais agradável que ver os dois distanciados.

Os emedebistas não querem algo de extraordinário para continuarem juntos, como a recondução a cargos do segundo e terceiro escalões de nove membros do diretório removidos com a recente reforma. Mas, num primeiro passo, ao que parece, o prefeito Almas opta pelos companheiros tucanos. A secretaria de Comunicação passou ao comando de Ricardo Miranda, de estreitas ligações com o ex-deputado Custódio Mattos. Estão para serem confiadas a outros tucanos altas funções na Procuradoria e na EmCasa.
O que seria destinado aos clamores do MDB?, para que a esperada aliança não se revele capenga.


Coincidência?

A deputada Margarida Salomão (PT-MG) não admite que seja mera coincidência a ação da Polícia Federal na residência do PSL em Pernambuco, poucas horas depois de o presidente Jair Bolsonaro abrir divergência e suspeitas em relação aos atos do partido. Ela não deixou por menos: é preciso apurar se a PF está a serviço dos interesses do presidente.


Centenário

Foram muitos, ontem, os telefonemas de amigos e velhos correligionários do ex-deputado Clodesmidt Riani, que comemorava 99 anos. Rumo ao centenário. Riani tem lugar cativo na história recente do Brasil, pelo papel que desempenhou na liderança do sindicalismo. Sua performance acabaria coincidindo, nos anos 60 do século passado, com um momento dos mais sensíveis da política e da democracia, ambas em ruínas com o golpe de 64.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Coisas da Política

Jornal do Brasil

WILSON CID, wilson.cid@hotmail.com  
Uma releitura do terceiro volume das memórias de Pedro Nava, quando ele se despede do Pedro II para estudar Medicina em Belo Horizonte, oferece breve perfil do velho Partido Republicano Mineiro, semelhante aos PRs de outros estados na Velha República. Mas todos tinham corpo definido, ideias claras e conteúdos nítidos, ainda que, por dever de justiça, se lhes faça uma ressalva, pelo fato de terem se tornado veículo das benesses e dos castigos palacianos que se distribuíam entre amigos e adversários. Pois, até nos seus defeitos eram capazes de primar pela nitidez. Visto hoje do que foram, conclui-se que as décadas seguintes deles pouco foram capazes de herdar.
Se pioram ou melhoraram em alguma coisa, as organizações partidárias dos tempos mais recentes, toleradas exceções que nem chegam ao quinto dedo da mão, não têm mais como se apresentar como intérpretes e guardiães dos sentimentos nacionais. E nem parecem preocupadas com a falência da representação, porque pouco ou nada articulam para tentar restaurar o que se perdeu. Ao adverso, procuram aprofundar a descaracterização pela via de estranhas alianças, do que resultam, em alguns casos, corpos deformados na política, obra similar a essas cirurgias plásticas mal sucedidas que estragam antes belas atrizes.
Sua falência percebe-se claramente, a começar por terem se avolumado nas redes sociais propostas que advogam junto à Justiça Eleitoral a admissão de candidaturas avulsas, que independam de aprovação de convenções partidárias, com o que, aliás, sonhara o presidente Itamar Franco, ele mesmo desacorçoados ante a realidade estrutural e ideológica entre os partidos, depois de andar peregrinando por vários deles.
Enterrá-los em definitivo? Certamente que não. As críticas haverão de ter apenas um papel restaurador. Nem significam dar abrigo a essa e outras ideias radicais, que advogam a extinção, como se fosse adequado dar-lhes o receituário extremo, à moda torquemada, para arderem na fogueira. Uma boa leitura da história política informa que os partidos sempre foram e serão o instrumento mais adequado para levar e manter o povo no poder. Não é preciso que se extingam, mas é preciso que assumam o mínimo de autenticidade, legitimem-se com programas e propostas que sejam capazes de convocar o eleitorado a por eles se interessar. E que não sejam exageradamente numerosos, porque a fartura das siglas, como se vê atualmente, favorece equívocos e dilui responsabilidades programáticas. (Sob a inspiração da realidade brasileira, talvez pudéssemos pensar em cinco ou seis, suficientemente largos e generosos para colher todas as correntes do pensamento político).
Quadro verdadeiramente sombrio estamos assistindo agora, quando digladiam o presidente Jair Bolsonaro e o principal partido e sua recente jornada eleitoral. Bastaram nove meses de governo para a conflagração, da qual nem escapam mútuas suspeitas de irregularidades nas contas de campanha. Desnecessário qualquer outro exemplo para que se exponha a fragilidade de um partido, mesmo que tenha liderado os votos que o levaram à Presidência da República. Tanto o presidente como o partido julgam-se suficientemente fortes para caminharem separados. Nada mais é preciso dizer. 

domingo, 13 de outubro de 2019


Velho descaso 



Há quem colecione velhos casos de desatenções do governo do Estado em relação a problemas emergentes de Juiz de Fora, o primeiro dos quais, no final do século passado, quando a cidade figurou nas cogitações para tornar-se capital. Se nem sempre com razoável justificativa, restam casos em que o desleixo tornou-se vergonhoso, pelo pequeno custo que exigiria a solução adequada.

É o que se dá com a Escola Estadual Ana Sales, em Benfica, que há 56 nos passou a funcionar num contêinere, e assim ficou longo tempo, com imenso sacrifício para alunos e professores: nos dias quentes, um calor insuportável; no frio ou sob chuva impossível de funcionar. Um verdadeira escândalo que perdurou.

Há dois anos – fato inédito – a Promotoria de Defesa da Criança e do Adolescente moveu aço pública contra o Estado, exigindo reparo e indenização aos prejudicados.

Leio agora que o deputado estadual Noraldino tomou a iniciativa de cobrar obras definitivas, em alvenaria, para a velha escola. O deputado federal Lafayette Andrada apresentou projeto que manda proibir, em todo o território nacional, a construção de unidades escolares que não disponham de um mínimo de infraestrutura.


Sobre a carreira 

Professores municipais esperamposicionamento da prefeitura sobre considerações da classe encaminhouem relação a mudanças no Quadro de Carreira. Os deputados Betão e Margarida Salomão alertaram o pessoal da Educação para a necessidade de serem fortalecidos ossindicatos e preparar a luta, “visto que o projeto de recuperação fiscal do Zema, com privatizações e congelamento de salários, pode de fato chegar ao município de Juiz de Fora!”, afirma o deputado petista. Para ele, “as mudanças que a prefeitura propõe no Quadro de Carreira atacam direitos conquistados pela mobilização histórica da categoria”.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019


Igreja e política 



É impossível desconhecer que estão caminhando para um perigoso impasse as discussões e divergências sobre influências político-partidárias no seio da Igreja Católica. Vão sendo criadas situações que até há algum tempo eram inconcebíveis, como a desautorização pública de altos prelados e dignatários, que condenam o Papa Francisco. Ele é acusado de condescender e acolitar grupos de esquerda na interpretação de lições do Evangelho. Quanto a alguns aspectos há claras contestações à autoridade vaticana. Tal como se viu e se ouviu na convocação do Sínodo da Amazônia, que, na verdade, para alguns bispos e cardeais, é um simpósio esquerdizante. Se a suspeita não é fundada, é certo que alguns partidos e correntes ideológicas aproveitaram-se da oportunidade para tomar carona nas discussões, convertendo-as ao campo político. Francisco parece disposto a fazer ouvidos moucos.

Se avança a crise com a direita política, não se diga que são menos intolerantes as relações da Santa Sé com suas facções direitistas da teologia. É o que se vê no tratamento que vem sendo dado ao grupo chamado Arautos do Evangelho, acusado, entre outras coisas, de passar por cima da autoridade papal e praticar ritos, como exorcismos, fora as regras romanas.
Hpa quatr 
Fato é que de todos os lados, reformadores e conservadores procuram empurrar Francisco contra a parede. E o Brasil não está excluído nas divergências sobre fé e política, como o grupo de católicos de Londrina (PR), que se organizou para reivindicar uma "Igreja sem partido". Insatisfeitos com o arcebispo da cidade, dom Geremias Steinmetz, eles criaram uma campanha e instalaram outdoors com um pedido enfático: "Tirem o PT do altar".
As placas foram pagas com dinheiro arrecadado pelos próprios fiéis, que integram o chamado Movimento Brasil Católico. O grupo também distribuiu cerca de 6.000 adesivos e recolheu 3.000 assinaturas de frequentadores de paróquias londrinenses para pedir providências a respeito de atitudes do arcebispo Geremias e até mesmo sua substituição.



Cargos vagos 


Decisão do Supremo Tribunal Federal revogou parte da minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso há quatro anos, inclusive o artigo queprevê eleição indireta. Assim, a escolha pelo Congresso Nacional de um novo presidente da República ou do vice em caso de perda de mandato, registro indeferido ou diploma cassado nos últimos seis meses no cargo. Para o relator, ministro Luís Roberto Barroso, a Constituição prevê eleição indireta se o cargo ficar vago nos últimos dois anos do mandato.

“O artigo 81 cuida do cargo de presidente da República: vagando os cargos de presidente e vice-presidente da República far-se-á eleição 90 dias depois de aberta a última vaga. Parágrafo primeiro: ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita 30 dias depois da última vaga pelo Congresso Nacional na forma da lei. Portanto, há uma clara contradição entre o que prevê o texto constitucional e a legislação ordinária”.
Põe-se fim à polêmica surgida em 2017, com as denúncias contra o presidente Temer. Na época cogitou-se que deveria haver uma nova eleição direta se ele fosse cassado.
O STF também decidiu que para senadores o que vale é a Constituição. Se faltarem mais de 15 meses para o fim do mandato e não houver suplente serão convocadas eleições diretas.
Para prefeitos, governadores e os vices, continua valendo o texto da minirreforma eleitoral. Ou seja, se o cargo ficar vago nos últimos seis meses de mandato, a escolha do substituto será feita pelos vereadores ou deputados estaduais. Antes disso, eleição direta.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019


Sempre as nuvens 



Sabem todos que os fatos políticos têm a forma e a duração das nuvens.Quando se olha para o céu vê-se uma coisa, daqui a pouco tudo diferente ( famosa frase atribuída a Magalhães Pinto, mas dita muito antes por Raul Soares ). Ainda agora, quando dispara seus fogos contra o PSL, partido que liderou sua campanha no ano passado, o presidente Bolsonaro lança um jato de água fria em muitos que pretendiam aproveitar-se do mesmo curso para chegar às prefeituras em 2020. Em Juiz de Fora também, onde a legenda se verá obrigada a enrolar a bandeira ou, engolindo seco, seguir o novo rumo que o líder escolher.Sepultar também o projeto de cavalgar o atentado de 6 de setembro para chegar à prefeitura…

No cenário municipal, independentemente dos humores do presidente, as nuvens ganham contornos diferentes daqueles de meses passados. Trata-se da crescente dificuldade de PSDB e MDB, reeditando a campanha de 2016, permanecerem junto. Contribuiu para ampliar tal previsão a queixa pública do ex-prefeito Bruno Siqueira contra seu sucessor, o tucano Antônio Almas, a quem atribuidescumprimento de acordos. No desfecho, pode ser que se sintam ainda mais animados os emedebistas a partir para candidatura própria no ano que vem. Nomes não faltariam. Um deles, o vereador Antônio Aguiar. 

Para que tucanos e emedebistas se distanciem em definitivo torcem e rezam, penitentes, os candidatos da oposição, que se verão levados a disputar com adversários fracionados. Nada melhor que inimigos divididos, como, aliás, também preferia Napoleão. Se a união faz a força, a divisão é anêmica.


Puxador de votos

Na eleição municipal de 2020 a candidatura a prefeito passa a ser de fundamental importância para os partidos, pois induz voto de legenda para os candidatos à vereança. Esta novidade é uma decorrência da proibição de coligação de partidos para a eleição dos vereadores; a chamada coligação proporcional não mais ocorrerá. Os partidos, além de precisarem de um esforço maior aocompor a chapa para a Câmara Municipal, com cerca de 29 candidatos, considerando-se a manutenção das atuais 19 cadeiras no caso de JF, precisarão de candidatos a prefeito para, quantitativamente, puxar votos para a legenda.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


 Partidos em falência 


As organizações partidárias de hoje, toleradas exceções que não chegam ao quinto dedo da mão, não têm mais como se apresentar como intérpretes e guardiães dos sentimentos nacionais. E nem parecem preocupadas com a falência da representação, porque pouco ou nada articulam para tentar restaurar o que se perdeu. Ao adverso, procuram aprofundar a descaracterização pela via de estranhas alianças, do que resultam, em alguns casos, corpos deformados na política, obra similar a essas cirurgias plásticas mal sucedidas que deformam antes belas atrizes. 

Perceba-se como têm se avolumado nas redes sociais propostas que advogam junto à Justiça Eleitoral a admissão de candidaturas avulsas, que independam de aprovação de convenções partidárias, com o que, aliás, sonhara o presidente Itamar Franco, ele mesmo desacorçoados ante a realidade estrutural e ideológica entre os partidos, depois de andar peregrinando por vários deles.



Novos voos 

Candidatos à prefeitura, certos, prováveis (ou os nem uma coisa nem outra, porém disponíveis), dispõem de alguns meses para dar cumprimento à primeira exigência da legislação eleitoral: a filiação partidária. Mas, sem quererem perder tempo, já vão tomando o primeiro passo para se situarem no processo. Deslocam-se de onde estavam. É o caso de Eduardo Lucas, que contaria com a simpatia do grupo político do governador. Estava no REDE e acaba de ingressar no PSC. O presidente da Santa Casa, Renato Loures, garante que não em decisões sobre seu futuro político, mas cuidou de antecipar seu desembarque do PDT, onde talvez sua jornada pudesse não ser das mais fáceis.



Uma tarefa 

O novo presidente do diretório do PSDB, Lúcio Sá Fortes, tem muito o que fazer para rearrumar o tucanato na cidade, sabendo-se que o partido tem dificuldades, certas hostilidades internas, além de um detalhe singular: tem um filiado como prefeito municipal, mas não tem vereadores… Como resultado dessa singularidade, sua gestão certamente terá de enfrentar uma corrida de candidatos à Câmara. Os novatos se sentirão estimulados a disputar, pois os grandes adversários são os vereadores que buscam a releição e, estando na cadeira, gozam de grande vantagem.



O contraste 

Não há quem desconheça: os partidos políticos sempre enfrentaram imensas dificuldades na elaboração de chapas de candidatos a vereador, diante do dispositivos de lei que exige nelas um mínimo de 30% de mulheres. Tradicionalmente desinteressadas, muitas vezes as convenções são obrigadas a se recorrer a artifícios, como as “laranjas”, que permitem a inclusão de seus nomes - candidatas pró-forma - que não disputam e se contentam com algum benefício compensatório.
Interessante notar que se desde agora começam a garimpar nomes de mulheres para a vereança, os partidos, ao contrário, podem dispor de fartura feminina quando forem escolher candidatos à prefeitura. Por hora já são quatro: as delegadas Sheila e Ione, a deputada Margarida Salomão e a vereadora Ana do Padre Frederico.