quarta-feira, 16 de agosto de 2017






A vez de Lacerda


No atual quadro da política mineira, quando atenções se voltam para as eleições de 2018, o alvo das principais está em Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, onde pesquisas já vão lhe dando preferência acima de 30% do eleitorado. Ele é hoje uma das raras lideranças de Minas no restrito clube das lideranças que passam sem suspeitas pelos inquéritos e pelas delações gratuitas ou premiadas. Em tais condições, com tal perfil, reúne elementos a mais para avançar no projeto de se tornar governador.

As condições aventadas podem levá-lo às urnas estimulado por uma aliança de partidos ou correntes políticas independentes, que desde agora advogam ampla reforma na cansada política mineira, removidas, prioritariamente, figuras desgastadas ou mesmo apenas suspeitas. Pode estar aí o seu destino. Tancredo já advertia que subir as escadas do Palácio da Liberdade não é apenas resultado de circunstâncias; é obra do destino.

Sobre as relações de Márcio Lacerda com Juiz de Fora, de há muito superadas e apagadas nos sinistros tempos da ditadura, quando aqui esteve preso, é oportuno lembrar que ele tem ao lado Vitor Valverde como um dos mais importantes e influentes colaboradores. Vitor, que foi secretário de Administração do prefeito Custódio Mattos e secretário de Governo em BH, agora candidato a deputado estadual, não escaparia de ser, eleito Lacerda, o principal interlocutor da cidade junto ao novo governo.



  


quarta-feira, 9 de agosto de 2017






Modelo do Distritão


A mudança do modelo de votação está na agenda prioritária do Congresso Nacional. Pretende-se adotar o modelo do voto distrital em 2018, sendo cada estado um distrito. Neste modelo eleitoral serão eleitos os deputados que forem mais votados em seus estados. Talvez a única virtude do modelo seja eleger quem tem mais votos.

Entretanto, traz consigo muitos defeitos. Os partidos perdem importância, e deverão lançar menos candidatos, pois não há necessidade do voto de legenda (fundamental no modelo proporcional). Vai privilegiar os candidatos com mais recursos financeiros, pois deverão buscar os votos em todo o estado. Haverá pouca renovação política, já que a tendência é que os atuais detentores de mandato sejam reeleitos. Os grupos de interesse predominarão na indicação de candidatos comprometidos com corporações, religiões e similares. Também se beneficiarão aqueles famosos na mídia, tais como artistas, jogadores de futebol, humoristas e congêneres.

Para complementar o oportunismo dos parlamentares, caminha paralelo a criação de um fundo para financiamento de campanha com dinheiro público (perto de 4 bilhões de reais) que reforçará o caixa financeiro dos "donos de partidos". E, por consequência, com a possibilidade real de reeleição, os deputados garantirão o foro privilegiado, evitando-se os efeitos da Operação Lava-Jato, que tem previsão de funcionamento até o final do ano de 2018

Tudo no jeito para que a política brasileira continue com os velhos vícios e cacoetes.











Desenvolvimento


O quarto encontro do “Fórum de Discussão Permanente para o Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Juiz de Fora” aconteceu na segunda-feira, no Centro de Distribuição do Grupo Bahamas, na BR-040. Estiveram presentes o prefeito Bruno Siqueira, secretários municipais e empresários da cidade, e durante o encontro ocorreu a apresentação das diretorias do grupo e visita técnica ao Centro.

O Grupo Bahamas completou 34 anos em 2017, sendo a 16ª maior rede de supermercado do país. Este grupo empresarial participa do desenvolvimento de Juiz de Fora, sempre reinvestindo na cidade.

O prefeito Bruno Siqueira, quando chamado a se pronunciar, fez um destaque da iniciativa desse fórum permanente, que possibilita a necessária interação do poder público com a iniciativa privada no município. O prefeito enfatizou a importância desse espaço que proporciona uma permanente ausculta aos empreendedores locais, que muito tem a contribuir para o desenvolvimento da cidade.


Precisamos conhecer mais o empreendedorismo local. Há boas coisas acontecendo.  





quinta-feira, 3 de agosto de 2017






Contra os políticos
 

Não há protestos de rua.  Então, alguns dirão que os protestos de 2015 e de 2016 tinham por objetivo único tirar Dilma do poder, mas isso é pouco. Outros dirão que os movimentos dos manifestantes vestidos de verde e amarelo estão de ressaca cívica. Parece  que o sentimento é de decepção, e há um desalento enorme diante de uma probabilidade de prosseguimento do que temos hoje.

Com a vitória do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados pelo arquivamento do pedido de autorização do Ministério Público Federal para que fosse investigado, deixa um sentimento estranho no ar. Parece que a direita e a esquerda não têm mais interesse na queda de Temer. Muitos consideram que seja melhor deixar que as eleições de 2018 resolvam a situação. Embora no discurso a esquerda diga ao contrário. Temer está realizando algumas reformas que os próprios petistas, quando no governo, teriam feito.

Quais as conseqüências dessa retenção de insatisfação? Pode virar protesto em 2018. O ódio e a raiva vão perdurar até a eleição? Ou haverá algum conflito antes disso? Nossa história registra muita desconfiança em relação ao Congresso Nacional e aos políticos em geral. Essa desconfiança tende a piorar, até mesmo em relação ao eventual ocupante da presidência da República.

No curto prazo o eleitor mantém na memória esse registro de como os deputados votaram nesse 2 de agosto, mas nada garante um futuro voto de castigo a eles. O que pode acontecer é essa frustração se expressar na próxima eleição presidencial de alguém com um discurso populista, como o deputado federal Jair  Bolsonaro  e outros, que diz que os políticos não prestam. Vai crescer o discurso contra os políticos no ambiente eleitoral.








quarta-feira, 2 de agosto de 2017








Violência e mulher


Com o lema “Violência contra a mulher: Vamos meter a colher”, o PSB-JF, através do PSB – Mulher, está promovendo neste mês uma semana de encontros visando a aprofundar discussões e ampliar o debate sobre esse tema complexo, cercado de tabus e preconceitos. 

Através de cinco encontros abordando o problema, e como deve ser enfrentado, o partido na cidade pretende dar sua contribuição aos movimentos já existentes, e subsidiar sua representação parlamentar.

Os encontros denominados “rodas de conversas” ocorrerão na semana de 7 a 11 de agosto, sempre às 19h. A programação é a seguinte: segunda-feira, 7, no Espaço Evoluir, Bairro Benfica; terça-feira, 8, na Escola Maria Ilidia Resende de Andrade, bairro Furtado de Menezes; quarta-feira, 9, na E. M. Áurea Bicalho, bairro Linhares; quinta-feira, 10, no Salão do Elias, bairro Dom Bosco; sexta-feira, 11, Hotel Serrano, no Centro.









quarta-feira, 26 de julho de 2017







Agosto e desgosto


Temer age para impedir a denúncia criminal contra ele, em análise no plenário da Câmara dos Deputados, a partir de quarta-feira. Tem uma lista de 80 deputados indecisos (inclusive alguns do PMDB) para os quais pretende ligar, a fim de que votem a seu favor. Ele se empenha pessoalmente na tarefa de conquistar votos, enquanto agosto não chega.

Agosto é o mês do ‘desgosto’, diz a crença popular. Mas nossa história registra a tragédia em que o presidente Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954 com um tiro no peito no Palácio do Catete, sede do Poder Executivo até 1960. Não que seja um mau agouro, mas é um antecedente histórico que marca o mês de agosto, para não se falar da traumática renúncia de Jânio Quadros. Não se espera tais atos extremos do atual presidente.


Posse na Cultura



O presidente Temer deu posse, ontem, a Sérgio Sá Leitão, que assume o cargo de Ministro da Cultura, sendo o quarto ocupante da área cultura no atual governo. Aliás, no início do governo Temer essa área andou rebaixada a uma secretaria subordinada ao Ministério da Educação.
 
O ministro empossado é um técnico com experiência na área. Foi chefe de gabinete do ministro Gilberto Gil (governo Lula), secretário de Cultura no município do Rio de Janeiro (prefeito Eduardo Paes) e atualmente diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema) do Ministério da Cultura. Parece que a experiência cultural mais afeita ao novo ministro é o cinema.

Os desafios são enormes. O setor cultural público historicamente conta com orçamentos modestos, e o MinC terá cortes neste ano e corre o risco de não ter dinheiro para pagar as contas. A lei de incentivo à cultura (Lei Rouanet) carece de atualizações. Uma parcela da classe artística (vinculada ao PT) rejeita o governo Temer, e já hostilizou os antecessores na pasta fazendo atos públicos de repúdio em eventos relativos ao Ministério, o que exigirá do novo titular habilidades políticas no trato com este segmento. Então, haverá tarefas difíceis para Sá Leitão.


Política regional


O prefeito Bruno Siqueira mantém forte o ritmo da sua administração neste segundo mandato. Mesmo com a crise econômica, recursos públicos limitados e demandas crescentes chegando ao chefe do executivo, este tem conseguido manter o equilíbrio fiscal, realizando obras e serviços essenciais na cidade. 

Nas adversidades da conjuntura política nacional Bruno se firma a cada dia como líder não só da cidade, mas  também de uma região. A Mata tem em Juiz de Fora a referência nas áreas do comércio, de serviços educacionais, de saúde, de cultura e de entretenimento. E o prefeito com as inovações introduzidas na governança municipal torna-se empreendedor público capaz de estimular os demais gestores municipais circunvizinhos a superar desafios locais com inventividade, aproveitando as potencialidades de cada município.

Agora ele integra uma das vice-presidências da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), uma articulação de prefeitos que tem sido influente no encaminhamento dos principais anseios do municipalismo brasileiro na luta por um novo pacto federativo. Com isto credencia-se a ocupar posição de maior destaque na representação política regional.


Velhas lições


Há lições, no recente ou em tempos passados, para mostrar que as melhores civilizações foram aquelas que, desafiadas pelo destino, tiveram de chegar ao fundo do poço, e só a partir de então começam a sua reconstrução. O fundo do poço tem uma virtude: abaixo dele nada mais é possível, não se pode descer mais. Pode ser que tal ocorra com este Brasil sangrado. Se formos ao fundo, depois das longas tempestades dos desgovernos, da corrupção e das ambições desmedidas, talvez possamos alçar voo.

          




terça-feira, 25 de julho de 2017






Financiadores


Entrevistado pela TV Câmara, o deputado tucano Marcus Pestana previu dificuldades para as campanhas eleitorais do próximo ano, a julgar pelas experiências anteriores, quando 95% dos  gastos dos candidatos contavam com a cobertura de empresas, entre elas e principalmente as empreiteiras. Mas não condena a nova realidade a ser enfrentada, porque  é preciso mudar  e experimentar, ainda que com exceções, como as listas fechadas de candidatos a deputado, que, segundo ele, são uma proposta sem chance de aprovação na Câmara.

Pestana fala sobre outros instrumentos de aperfeiçoamento do sistema eleitoral, como o exame do excesso de partidos, que hoje são 28 representados no Congresso.


”Centrão” 


O noticiário político informa que deputados do PMDB, PSDB e de, ao menos, oito partidos do ‘Centrão’ fazem acordo para incluir na eventual reforma política o distritão. Proposta defendida por esses parlamentares como forma de garantir a reeleição e manter o foro privilegiado diante da conjuntura de descrédito com a classe política, devido aos escândalos de corrupção como os demonstrados pela  Operação Lava Jato.

É um sistema obsoleto, que reforça o individualismo na política e diminui os partidos. O distritão é um sistema com muitos problemas, e não é usado em nenhuma democracia tradicional; um sistema que está ultrapassado. É mudança que vem piorar a política brasileira.  Reforça o personalismo eleitoral, pois estimula o lançamento de celebridades populistas. Anula a representação de minorias.

Outro aspecto nefasto desse sistema: facilita o lançamento de poucos candidatos, o que prejudica a renovação da classe política. Pelo sistema distritão serão eleitos para o Legislativo Federal apenas os mais bem votados em cada Estado.


Experiência


Ontem à tarde, em breve passagem pela cidade, o ex-presidente do Tribunal de Contas Sebastião Helvécio comentou que os próximos três ou quatro anos terão excelente resultados as inovações que introduziu durante sua gestão, a começar pelo controle real de gastos pelas prefeituras. O que será possível através do fantástico banco de dados que criou, e que continua sendo alimentado.


Um amigo com quem palestrou sugeriu que Helvécio conte, em livro, as experiências que viveu como presidente do TC. Sua gestão os especialistas consideraram modelar.