sexta-feira, 20 de outubro de 2017






De Sérgio a Marlon


Aborrece e deprime a cena a que está obrigado quem passar diante do prédio dos Grupos Centrais, na Avenida Rio Branco, um retrato do abandono e do pouco-caso a que o Estado condena nossos bens históricos. De quando em vez intercalam-se visitas de técnicos do governo, elaboram-se longos relatórios, reúnem-se especialistas em restauração, mas tudo logo cai no esquecimento.

Há dias o vereador Marlon Siqueira (PMDB) assumiu uma nova campanha que pretende sensibilizar o governador Fernando Pimentel para a obra necessária, já de há muito urgente. Como não podia deixar de ser, recebeu aplausos de quem se interessa pela causa.  

A iniciativa de Marlon comporta uma curiosidade: em 1977 – há exatos 40 anos, portanto –  o deputado Sérgio Olavo Costa fazia a Assembleia Legislativa aprovar lei de sua autoria que mandava o então governador Aureliano Chaves tombar aquele velho prédio, que Vale Amado construiu para ser casa de verão de Dom Pedro II. Mas se aborreceu quando o Imperador, agradecendo a oferta, preferiu que o imóvel se prestasse a uma escola. “Não se trata de saudosismo querer a preservação cultural; trata-se de obrigação de um povo!”, justificou o deputado.

Ontem para Sérgio, como hoje é para Marlon, não conservar a sede dos Grupos Centrais “é uma omissão imperdoável”.






terça-feira, 17 de outubro de 2017







Uma cadeira no Senado


As duas cadeiras proximamente vagas na bancada de Minas no Senado são hoje tema de muita especulação nos meios políticos. Explica-se: os ingredientes da eleição são incertos e o destino dos postulantes cercado de muitas dúvidas. Em nada se pode apostar.

Primeiro, para confirmar o que sempre acontece – e não é de hoje – quando o partido chega a escolher esse candidato é porque já compôs, não compôs ou pretende compor na formação da chapa de governador. Quem não pode o mais pode o menos. A cadeira do senador, de fato, muitas vezes foi o destino dos que não tiveram vez na corrida para o Palácio da Liberdade.  Hoje, na capital, uma corrente política pretende fazer o atual governador, Fernando Pimentel, candidato a uma das duas vagas, o que, sendo eleito, lhe daria condições de preservar a necessária imunidade, e com ela enfrentar suspeitas de graves denúncias. As pesquisas estimulam essa corrente, mostrando que Pimentel está bem no Interior, embora nem tanto na capital e na grande BH.

O problema para os petistas poderia ser a importação da candidatura de Dilma Rousseff, já que outro caminho não lhe resta. Bastaria avocar sua naturalidade mineira para se manter no cenário do qual foi alijada pelo impedimento.

Uma indagação cercada de reticências é Aécio Neves, que vinha como candidato natural à reeleição, mas isso passou a  ficar na dependência de suas desventuras junto ao Supremo Tribunal e o próprio Congresso. Não faltam tucanos achando que possa ser melhor para Aécio virar deputado federal, com uma eleição tranquila.

Nas hostes do PMDB o prefeito Bruno Siqueira já foi convidado a disputar uma das duas cadeiras. Para tanto, além de pretender levantar a bandeira da renovação, o partido lança mão de um apelo que é também um compromisso: continuar a obra de seu padrinho político, Itamar Franco, que esteve no Senado em três mandatos, o terceiro ceifado no oitavo mês pela “indesejada das gentes”, como diria Bandeira. O assunto é de domínio público. Só Bruno não fala. Não confirma, mas também não nega. Dele sabe-se apenas que só entraria na disputa se a conjuntura lhe garantir a possibilidade de êxito. 








quarta-feira, 11 de outubro de 2017






Pedágio cruel


O deputado Hugo Leal (PSB-RJ) diz que Juiz de Fora lidera a lista das cidades mais prejudicadas com as negligências da Concer, consórcio que explora o trecho mais rendoso da BR-040, ligando a cidade ao Rio de Janeiro. A começar pelo fato de a variante da Serra de Petrópolis tinha de ser entregue ao tráfego em 2016. Com isso, o transporte sofre e perde tempo. Já vai para duas décadas que se cobra pedágio e as deficiências não são poucas. A variante prometida é apenas a principal.

Há outro ponto essencial, que o olhar descuidado do governo federal deixa o problema passar ao largo. A BR-040, por ligar dois grandes centros produtores e consumidores, tem de diferenciar sensivelmente, para efeito de aplicação do pedágio, o que é carro de passeio e o que é caminhão de carga. A carga, no final do ciclo comercial, tem sido muito onerada, e nada prova que esse tipo de transporte seja o mais prejudicial ao piso; tanto assim, que a reposição do asfalto é coisa rara.

E mais: segundo o deputado fluminense, a Concer tem de ser chamada a prestar serviços diferenciados, isto é, não pode confundir, apenas em seu proveito, os itens obra e conservação, sob pena de acabar não fazendo nem uma coisa nem outra.


 Singularidade nacional


São  infinitas as peculiaridades da história da sociedade brasileira, onde muitas vezes alinham-se fatos e situações que em outros países seriam inconcebíveis. No resto do mundo civilizado como se explicaria o desenvolvimento econômico se não pela via da estabilidade das instituições, rigorosa harmonia entre os Poderes e – mais que tudo – na confiança que se deve depositar nas lideranças políticas. Três ingredientes dos quais o Brasil carece em franciscana penúria.


Pois bem. Como teríamos então de explicar que, em meio a tamanhas turbulências, 1,3 milhão de trabalhadores acabam de recuperar o emprego? Como a Bolsa de S.Paulo pode chegar ao recorde de 70 pontos de ações negociadas? A inflação parcialmente dominada e os juros em queda correm para compor as interrogações, quase num campo de perplexidade. Um País singular, onde também se chega ao ponto de as pesquisas para a sucessão indicarem o favoritismo de um ex-presidente acusado em nove processos de corrupção ativa ou passiva. 





segunda-feira, 9 de outubro de 2017






Bruno candidato

A concentração regional que o PMDB realizou na cidade, no fim de semana, ajudou o partido a conhecer algo mais sobre o futuro político do prefeito Bruno Siqueira. No discurso com que encerrou o encontro, o presidente estadual Antônio Andrade dirigiu-se duas vezes ao vice Antônio Almas, sugerindo que se prepare para assumir. Sinal de que “o PMDB vai precisar de Bruno”, que se desincompatibilizará para poder disputar em 2018. Andrade não disse claramente qual o cargo que o prefeito tentará junto ao eleitorado, mas parece definido que será par o Senado. Por que essa conclusão? Porque o partido definiu que terá candidato próprio ao governo do Estado, o que significa que a vice será destinada ao um partido que compuser a aliança. Resta o Senado, onde, segundo Andrade, Bruno poderá completar a obra de Itamar”, que morreu exercendo o terceiro mandato como senador.

Uma garantia dada pelo presidente é que o PMDB disputará o governo de Minas em faixa própria. Qualquer aliança a que se prestar, a condição é que o candidato a governador seja um peemedebista. O partido tem presença em 853 municípios, ”tem compromisso com Minas e não vai negar isso”,explicou Andrade.

O deputado federal Rodrigo Pacheco, quase um candidato natural ao Palácio da Liberdade, que também  estava em Juiz de Fora, aplaudiu quando o presidente e o coordenador regional do PMDB, Orlandismidt Riani, afirmaram que a tarefa imediata é restituir a Minas o seu papel na Federação. Hoje o Ministério tem cinco pernambucanos e nenhum mineiro...

Rompido com o governador Pimentel, Antônio Andrade, seu vice, fez um mea-culpa: não devia ter decido aos apelos de Dilma Rousseff para compor a chapa do PT em Minas. Arrependeu-se. E o acusou de ter condenado Minas a um papel de estagnação. Advertiu prefeitos  da  Zona  da Mata para não assinarem convênios para obras, “porque não vão receber”. Pimentel, segundo ele, criou 10.000 novos empregos para favorecer petistas derrotado no Rio Grande do Sul, Brasília e São Paulo.



Monarquistas  

O fim de semana político também contou com a participação dos monarquistas. O Círculo Monárquico de Juiz de Fora é um dos mais antigos de Minas, e sua principal campanha é para que se ponha fim ao presidencialismo, que não deu certo no Brasil, hoje mergulhado em meio a desastrosa  onda de corrupção e decepção para a Nação com seus governantes.

Na sede do Credireal foram promovidas três conferências, Eram convidados os professores Gastão Reis, Rodrigo Tjader e Luiz Pontes. Os expositores são intelectuais do mais alto nível. No seu entendimento e na proposta do Ciclo realizado em Juiz de Fora ao Brasil já não basta o parlamentarismo presidencialista, mas o parlamentarismo monárquico. São vários os países que sinalizam ser esse o melhor caminho.

Um livreiro dos mais respeitados, o intelectual Jean Menezes do Carmo, tem trabalhado muito para a divulgação da Monarquia, seus valores éticos e morais. 







quinta-feira, 5 de outubro de 2017








Missão temática


Sem discordância de que o País vive o seu período político mais duvidoso , no olho de um ciclone, em que se perdem tanto Executivo como Judiciário, para não falar de novo no Legislativo, parece haver um ponto em que os mais responsáveis estão acordes:  tirar Temer da cadeira em que se acha assentado é mais temerário que qualquer outra solução. Pois, nesta altura dos acontecimentos, substituir o presidente é optar por uma via traumática. O que não significa pretender isentá-lo do dever de explicar-se sobre as acusações que lhe pesam, e que são graves.  Preferível, para que as coisas não piorem, é navegar da melhor maneira possível, contornando as tempestades.

A bem dizer, a missão do presidente nessa conturbada navegação é reeditar para si o enfrentamento do desafio de seu antecessor Prudente de Morais, primeiro presidente civil e primeiro a se eleger pelo voto universal. Pacificar o País, para conter os excessos saudosistas, tanto dos golpistas florianistas, como dos populistas que erigiram Lula como o mais santo dos santos.



Monarquistas


Com uma mensagem que se afirma preocupada com o resgate da Nação, o Círculo Monárquico de Juiz de Fora promove, neste sábado, um ciclo de palestras aberto ao público. Começa às 9 horas, no salão nobre do Museu do Credireal.

Às 9 horas o professor Rogério Tjader fala sobre ”O Brasil no século 19, antecedentes e desenvolvimento”. Logo depois, às 10h30min, o professor  Gastão Reis abordará o tema “Tese, antítese e síntese na moldura institucional brasileira”. Ao meio-dia, encerrando o ciclo, o conferencista Luiz Pontes discorrerá  sobre “O Império Verde Amarelo: Breve história da grandeza  e decadência da bandeira brasileira.” 







quarta-feira, 20 de setembro de 2017






CORRIDA PRESIDENCIAL


A corrida presidencial está em curso. Os institutos de pesquisas já aferem a preferência do eleitorado. A quase um ano da data do primeiro turno da eleição (7 de outubro) alguma considerações iniciais podemos fazer. Os nomes de políticos conhecidos são lembrados espontaneamente nas consultas de preferências. O ex-presidente da República Lula (PT) segue liderando todas as enquetes, apesar de já ter uma condenação em primeira instância na Justiça Federal do Paraná. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) aparece com regularidade na segunda posição das pesquisas, e  se credencia a ser a candidatura de extrema direita. O PSDB, que teve candidatos que protagonizaram disputas polarizadas com candidatos do PT desde 1994, ainda não escolheu quem será seu candidato, mas poderá ser um político paulista.

No cenário político atual parece que a disputa presidencial terá vários pré-candidatos, como foi na primeira eleição direta para presidente, restituída em 1989,  com a última redemocratização do país. A primeira novidade nesta eleição de 2018 será a candidatura com a disposição de se identificar com uma agenda conservadora, por iniciativa do capitão (militar da reserva) Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Sabemos que as pesquisas de preferência do eleitorado refletem a fotografia do cenário daquele momento. Entretanto, elas vão registrando as tendências do eleitorado. O cenário pode se modificar por composições políticas, impedimentos judiciais, desistências ou outras circunstâncias. Os políticos em situação desfavorável nas pesquisas costumam desvalorizar seus resultados, mas internamente fazem suas avaliações com base nelas.







quinta-feira, 14 de setembro de 2017






Um ano de sombras



Qual será o papel dos partidos políticos no processo eleitoral de 2018? Terão força e prestígio suficientes para a campanha, depois das graves intempéries que vêm enfrentando eles e a Nação a seu reboque? Há quem observe que no rastro desse desprestígio esteja a primeira porta a se abrir a candidaturas novas e inovadoras, a começar pela presidência da República, onde seu titular hoje navega em braçadas para tentar chegar ao fim da acidentada viagem em que está embarcado.

A indagação inicial faz sentido porque todos os partidos, sejam eles compostos de que letrinhas forem, estão condenados ou sob suspeita nesse lamaçal em que o País afunda. Os três que abrigam os maiores escândalos de corrupção e tráfico de influência são exatamente os mais fortes – PT, PMDB e PSDB – sem que fiquem incólumes os menores, esses de aluguel, que sobrevivem à custa de alianças permanentes ou episódicas e circunstanciais, como as que se formam para facilitar a vida do Executivo no Congresso Nacional.

De maneira que não há salvados no naufrágio que hoje atormenta o Brasil. O que então autoriza a expectativa de algo novo no processo eleitoral que se avizinha, caso os partidos realmente signifiquem pouco no ânimo do eleitorado.

Razão haveria, pois, para condenar o 2018 a uma caixa de surpresas e ineditismo. O que pode ser bom, por um lado, com o aceno de renovação em um quadro político de lideranças envelhecidas e  viciadas;  como também pode se tornar um grande risco, pois, esvaziadas as legendas, abrem-se as portas aos aventureiros e falsos profetas, que constituem eles, mais que  outros criminosos políticos, a pior classe  de gente aproveitadora.