sexta-feira, 23 de junho de 2017






Temer na crise  




Na Noruega questionado por jornalistas, Temer afirmou reconhecer “que há uma crise política evidente”. O presidente ressaltou, porém, que está “tomando providências” para defender os “aspectos institucionais da Presidência”. É assim que ele tem sobrevivido politicamente no cargo que herdou da deposição da Presidente Dilma. 

Se houve golpe ou não, este discurso agora não importa mais. Os próprios petistas já substituíram (quase totalmente) o bordão "Fora Temer" pelo "Diretas Já!". De bordão em bordão tem sobrevivido o PT e seus aliados. Agora pedir eleições diretas sob o argumento que o Congresso Nacional atual não tem legitimidade para eleger indiretamente um substituto para Temer, é uma impropriedade. Todos os parlamentares eleitos diretamente em 2014 são legítimos, pois todos foram eleitos e empossados num mesmo processo de escolha, quer sejam de esquerda, centro ou de direita. Como querem os patrocinadores da tese de antecipar as eleições presidenciais (em caso de vacância) conseguindo apoio para uma emenda constitucional modificadora da regra atual, se eles desqualificam o parlamento da qual participam?

A crise política é um fato. E como dizia o falecido Deputado Ulysses Guimarães diante de certas situações: 'Com a palavra, Vossa Excelência, o Fato' O cenário político para o Presidente demonstra, faticamente, dificuldades para manter-se no cargo. Ele poderá não concluir o mandato independente de sua vontade.  O Procurador Geral da República antes de deixar o cargo denunciará o Presidente de forma que ele terá novos desafios para superar. Soma-se a isto a impopularidade em queda, vertiginosamente. O futuro de Temer é sombrio.







segunda-feira, 19 de junho de 2017







A luz do túnel


A pergunta que não cala: passado o porre cívico da Lava Jato, presos e absolvidos  culpados e inocentes, o que restará a este País no mar das incertezas de 2018? Como?,  sem lideranças definidas, mortos ou insepultos os homens a quem não mais será possível ao País recorrer num grande esforço para sair da crise. É o que nos revela o agitado fim do semestre. Como e com quem começar a jornada da reorganização do serviço público e da política, ambos falidos?

Paralelamente às ausências, restarão presenças indesejáveis, demagogos, os oportunistas que nos momentos mais difíceis e confusos surgem com facilidade. O perigo dos façanhudos, tipo Crivellas e outros que tais.

A gravidade do momento chama a atenção, portanto, para dois problemas que  correm paralelos: o caos deixado pelo que saem de cena e os maus que ameaçam chegar; a estes, mais que àqueles, impõe-se grande cuidado por parte dos eleitores. Os que saem, combalidos e derrotados; os que chegam, carregando a vã esperança dos descrentes. Vejam o destino sombrio que pode nos aguardar.

Se não temos mais líderes ideais, também acabaram os partidos. Os três maiores – PMDB, PSDB e PT  - estão em marcha batida rumo à rua da amargura.  E os pequenos, quase todos também desgastados, comerciantes que são nos balcões do tráfico de influência, compra e venda de apoios. Fazer o quê?

Diante de previsões tão angustiantes para as legendas, há quem pense na retoma da experiência proposta em 1934 do candidato avulso, isto é, aquele capaz de disputar sem a exigência da filiação partidária. Mas hoje, quando se voltam o olhar e as atenções para a realidade política, é fácil perceber que a proposta de candidaturas independentes desperta grande dúvida: ora, se com homens e mulheres tão experientes não conseguimos levantar voo, quanto mais novatos para nos tirar da perigosa areia movediça em que mergulhamos.

Resta desejável o parlamentarismo, certamente o melhor dos nossos remédios, mas até agora só prescrito em momentos de graves situações, híbrido; como os bons remédios, ele só produz efeitos saudáveis quando o paciente tem um mínimo de vigor.
O parlamentarismo é a luz que surge no fim do túnel. Mas onde está esse túnel, que a gente não consegue enxergar? 








terça-feira, 6 de junho de 2017






Hora grave


Pergunta alguém a mim e a todos o que dizer neste momento de imensos desafios para os brasileiros, mais ou menos órfãos, abandonados ao vento da história. Não sei dizer, a não ser o que certo dia disse o vereador José Oceano Soares: ninguém sabe o que vai acontecer, e quem disser que sabe não sabe de nada.

Sem entregar os pontos na confiança neste imenso País, prefiro repetir o que está numa carta histórica e atualíssima de Afonso Arinos ao então primeiro-ministro Tancredo Neves: “A hora que vivemos neste Brasil confuso, temeroso, descrente, é austera, grave, prenhe de angústias, incertezas e receios. Uma hora desesperança, sem dúvida; mas ainda não de desespero”.