quarta-feira, 12 de julho de 2017






A cidade de luto: morreu Hochleitner


Hoje à tarde desceu a uma pequena sepultura do cemitério de São Pedro o corpo do professor Franz Joseph Hochleitner. Viveu 101 anos, mas não é demais lembrar que a morte de uma grande figura se revela sempre prematura. Podia ter vivido mais, a despeito das limitações impostas pela longevidade. Mas, em rigor, também não havia como perturbar o merecido descanso do fim de sua longa jornada. Não havia como exigir que dele mais, além do muito que deu à cultura e à pesquisa que promoveu ao longo da vida.

A cidade acolheu esse austríaco logo após a Segunda Guerra, onde atuara como piloto, ferido em combate. Foi daqui que projetou sua obra além das fronteiras do Brasil.

Franz Hochleitner sai da vida para tomar lugar na galeria dos homens que mais contribuíram para tornar Juiz de Fora conhecida em todo o mundo. Primeiro, quando se tornou referência internacional na decifração do código maia, a histórica Porta do Sol, na Bolívia, antes de se projetar nos auditórios científicos da América em época que a cidade pouco sabia sobre astronomia arqueológica, centro inspirador de grandes polêmicas sobre a existência da Atlântida. De Erick Van Deninken divergiu muito em relação à teoria do desembarque de deuses astronautas na Terra.

Além dos estudos que desenvolveu sobre as civilizações maia e asteca, contribuiu nas pesquisas sobre a natureza da percepção das cores complementares e a qualificação química para o cálculo exato da oxidação dos inoxidáveis. (extraído de meu livro sobre grandes figuras de Juiz de Fora).








terça-feira, 11 de julho de 2017






Lembranças


A TV Senado acaba de brindar seus telespectadores com a gravação de um irretocável concerto de música religiosa medieval, executado por orquestra regida pelo juiz-forano Luiz Otávio Santos. Orquestra do Centro Cultural Pró-Música, que não existe mais, parte do Festival de Música Colonial, que deixou de ser realizado, tendo como cenário o Museu Mariano Procópio, que está fechado.


Como está


A crise política que nos sufoca, gerando instabilidade, não vai desaguar nos planos da recuperação econômica. O motivo tranquliza as lideranças do empresariado. Elas já ficaram sabendo que, saindo ou ficando Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, continuará onde está e fazendo o que deseja fazer.


Sem risco


Parece esgotada a possibilidade de a Lava Jato esbarrar em políticos de Juiz de Fora, pois, se alguns cometeram escorregões foram pecados pequenos, sem  espaço numa seara de graves corrupções. Verbinhas para campanhas eleitorais, nada capaz de arranhar qualquer grande empreiteira. Muito menos  a Odebrecht, que, é sabido, só se interessaria por um projeto na cidade: a retirado dos trilhos da Rede Ferroviária da zona urbana. A única obra que ela
realizou aqui foi o viaduto Augusto Franco.

 Salvar o Jardim


Moradores das rua Halfeld, Santo Antônio e Marechal Deodoro estão retomando a campanha  de defesa e preservação do Parque Halfeld, que, na verdade, não é parque; é jardim. As funções do espaço estão comprometidas, pois ele se tornou referência diária de assaltos, consumo de drogas e brigas entre gangues. À noite o cenário piora, pois o jardim se transforma em motel ao ar livre.

Uma solução, várias vezes lembrada quando os problemas avolumam, é o fechamento com gradil depois de 22h. No passado isso foi adotado, com êxito.



Triagem


Não seria medida nova, adotada que foi, com êxito, em Uberaba:  uma rigorosa pesquisa sobre a origem e as reais necessidades dos moradores de rua. Presume-se que aqui, como naquela outra comunidade mineira, metade da mendicância está relacionada com a vadiagem.

Qualquer que seja o resultado, é preciso forçar a ocupação dos abrigos, que existem e são bem equipados, não tolerar a transformação das ruas em lixeiras e impedir a ocupação dos passeios com  colchões, vaso sanitários e varais onde se estendem roupas.

A tolerância chegou a tal ponto, que um ancião que tem casa no Poço Rico, resolveu instalar-se com seus cachorros junto à entrada do velho Cinema Palace, ali vive, pratica suas necessidades e acha muito divertido que seus animais de estimação avancem sobre os pedestres.








quinta-feira, 6 de julho de 2017






PSB reunido


O PSB/JF teve na sua reunião mensal (tradicionalmente nas primeiras segundas-feiras de cada mês),  quando foram debatidas as propostas de reforma política em discussão no Congresso Nacional. Aquelas que tiveram consenso foram sintetizadas e encaminhadas ao deputado Federal Júlio Delgado (PSB-MG). Por consenso, foram aceitas as seguintes propostas: fim das coligações proporcionais, implantação da Cláusula de Barreira para eleições proporcionais e adoção do voto distrital misto.

Haverá eleição do Diretório Municipal PSB/JF no sábado, 19 de agosto, às 10h, em local a ser escolhido. Atualmente o partido é dirigido por uma comissão executiva municipal provisória. O presidente atual é o empresário Aloísio Gonçalves, que foi candidato a vice na chapa do Wilson da Rezato, em 2016.

É o primeiro partido da cidade que, avaliando a reforma política, aciona seu representante em Brasília.





quarta-feira, 5 de julho de 2017






Ainda a reforma


O presidente da França, Emmanuel Macron, informou que apresentará proposta de reforma política ao Parlamento, e possivelmente a submeterá a referendo, para reduzir em um terço o número de parlamentares e restringir a reeleição para o Legislativo.  No Brasil esta proposta seria considerada, pelos políticos, muita ousadia de um presidente da República. A nossa ‘classe política' têm dificuldades de reformar o sistema político eleitoral do Brasil, pois teme que isso atrapalhe a continuidade no poder. Os políticos no Congresso pensam assim: para que mudar a regra do jogo que os elegeu?

As propostas necessárias são sempre adiadas. Agora, quando vence em fins de setembro o prazo para alterações na lei eleitoral, para vigorar em 2018 (anterioridade de um ano), cogitam-se algumas mudanças, que, se ocorrerem, introduzir-se-á a cláusula de desempenho (cláusula de barreira), e o fim das coligações partidárias proporcionais. Com isto, implantado, limitará a existência de certos partidos políticos que não terão acesso aos recursos públicos.

Talvez nem isto seja aprovado, pois a agenda agora está em torno admissibilidade da denúncia do MPF contra Temer. O próximo presidente, eleito em 2018, terá legitimidade para propor reforma mais ousada, a exemplo do que faz o jovem presidente francês. Mas, precisará ter ousadia.







segunda-feira, 3 de julho de 2017






Comentários




 “O ANTAGONISTA"


Os deputados serão obrigados a anunciar no microfone se aceitam ou não a denúncia contra Michel Temer, como manda o regimento. Pelo menos foi o que disse Rodrigo Maia a aliados, segundo o Radar.

"Para Maia, a Câmara deveria, inclusive, cancelar o recesso para analisar a denúncia contra o presidente. Contudo, essa é uma decisão do plenário e o descanso, por enquanto, está mantido."

Comentário - O presidente Temer tem no deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, um aliado. Entretanto, doravante, em caso de vacância na presidência da República, quem assume é o Maia, que substituirá o presidente por um período determinado. Mas também poderá suceder a Temer na eleição indireta. Rodrigo poderá ser até o 'Plano B' do grupo atualmente no poder. Ele estará fiel a Temer até certo momento. Se o 'cavalo passar encilhado' (com sela) ele vai montar, pois a sorte não 'passa duas vezes', como diz um dito popular gaúcho.


 Sistema adotado


“Levantamento realizado pela Rede de Informações Eleitorais (http://aceproject.org) – integrada por Estados Unidos, Canadá e México e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – revela que o Brasil alinha-se, ao lado de África do Sul, Argentina e Suécia, entre outros, no grupo de 9,68% dos países do mundo que não adotam nenhum tipo de candidatura avulsa em seus pleitos.

Quatro em cada 10 nações permitem que pessoas sem filiação partidária disputem pelo menos cadeiras legislativas em nível local ou nacional, casos da Alemanha, Japão, Itália e Reino Unido. Em 37,79% dos países, as candidaturas avulsas valem até mesmo para presidente da República, como nos EUA, França, Chile, Irã e a superpopulosa democracia da Índia.

Poucos países necessitam tanto da participação política, por um lado, e, por outro, a cercam de tantas restrições legais e burocráticas como o Brasil. A Itália, como é sabido, admite a candidatura avulsa mediante a chamada “lista cívica”. Nos EUA, casos há em que “candidatos independentes” chegam a pleitear a Presidência. Essa flexibilidade ajuda a que os sistemas políticos contemplem uma maior abertura à participação da sociedade – argumenta o senador Paulo Paim.
Para o autor da PEC, no sistema atual, se movimentos sociais fortes e numerosos como o feminista, o negro, o dos trabalhadores sem-terra, o dos aposentados, o dos indígenas ou o dos homossexuais quiserem lançar um candidato, só poderão fazê-lo se a liderança se filiar a um partido político e, como consequência, se submeter “à regra do jogo, sua correlação de forças interna, suas dificuldades e suas limitações”.

O consultor legislativo do Senado, Caetano Araújo, lembra, porém, que as propostas de reforma política hoje em discussão no Congresso Nacional têm como característica comum o fortalecimento das siglas partidárias por meio de instrumentos como a fidelidade partidária, o financiamento público e as listas fechadas de candidatos.

Passaríamos a uma situação oposta à que prevalece hoje: o poder deixaria os mandatários e concentrar-se-ia na estrutura partidária. Nesse caso, teríamos direções partidárias, máquinas, burocracias extremamente poderosas, com controle sobre os recursos financeiros destinados à campanha e com a capacidade de definir a ordem dos eleitos – teme o sociólogo”.

Sylvio Guedes / Jornal do Senado 


Comentário: O fortalecimento dos partidos políticos sempre será uma medida salutar, mas com garantia de democracia interna. Pelas notícias que temos, a maioria absoluta dos partidos brasileiros não pratica a democracia interna, embora seja esta uma exigência contida nos estatutos. O que predomina é a vontade daqueles políticos que no exercício do mandato mantêm o controle total das deliberações partidária. Mesmo no PT, onde existe um processo de escolha dos dirigentes partidários em todos os níveis, temos notícias de irregularidades, supremacia da vontade da tendência majoritária vinculada ao Lula, e predomínio da decisões conforme proposição da tendência hegemônica, e sufocamento das propostas de tendências minoritárias.







terça-feira, 27 de junho de 2017







À beira do abismo


A situação do presidente Michel Temer atingiu seu ponto crítico, mais alto, porque o volume dos problemas que o cercam é agora de tal ordem e de tal volume, que escasseiam os recursos de defesa. No Congresso Nacional, a despeito de ter ele construído ali um modelo de diálogo altamente proveitoso, percebe-se que as defecções na base aumentam na medida em que os parlamentares se preocupam em não arriscar prestígio na defesa de um governo que desce o morro.  Ainda assim, é no Congresso que o governo pode lançar uma última cartada.

Mas, ainda que se aceite posição favorável para Temer junto a deputados e senadores, cabe indagar se esse apoio momentâneo, em momento crítico, se estenderia amplamente, no depois, para garantir a governabilidade. Temer escapa. Mas escapa o resto de seu mandato? É no mínimo duvidoso.

O ministério, como está ou como sobreviver, terá fôlego para se manter?

Sobre o Supremo, onde vão bater os pedidos de condenação do presidente. Talvez Temer possa contar ali com postura semelhante àquela que o Tribunal Superior Eleitoral mostrou com o voto de minerva do ministro Gilmar Mendes, no julgamento da chapa Dilma-Temer. Naquela hora não se julgou o conjunto das provas condenatórias; o que se decidiu foi evitar uma nova crise resultante do afastamento do presidente. Afastar um presidente é remédio sempre amargo e nauseante. Talvez os ministros pensem nisso, e seja preferível tolerar a crise de hoje para evitar uma crise ainda mais sensível em agosto. O mês aziago na política.






sexta-feira, 23 de junho de 2017






Temer na crise  




Na Noruega questionado por jornalistas, Temer afirmou reconhecer “que há uma crise política evidente”. O presidente ressaltou, porém, que está “tomando providências” para defender os “aspectos institucionais da Presidência”. É assim que ele tem sobrevivido politicamente no cargo que herdou da deposição da Presidente Dilma. 

Se houve golpe ou não, este discurso agora não importa mais. Os próprios petistas já substituíram (quase totalmente) o bordão "Fora Temer" pelo "Diretas Já!". De bordão em bordão tem sobrevivido o PT e seus aliados. Agora pedir eleições diretas sob o argumento que o Congresso Nacional atual não tem legitimidade para eleger indiretamente um substituto para Temer, é uma impropriedade. Todos os parlamentares eleitos diretamente em 2014 são legítimos, pois todos foram eleitos e empossados num mesmo processo de escolha, quer sejam de esquerda, centro ou de direita. Como querem os patrocinadores da tese de antecipar as eleições presidenciais (em caso de vacância) conseguindo apoio para uma emenda constitucional modificadora da regra atual, se eles desqualificam o parlamento da qual participam?

A crise política é um fato. E como dizia o falecido Deputado Ulysses Guimarães diante de certas situações: 'Com a palavra, Vossa Excelência, o Fato' O cenário político para o Presidente demonstra, faticamente, dificuldades para manter-se no cargo. Ele poderá não concluir o mandato independente de sua vontade.  O Procurador Geral da República antes de deixar o cargo denunciará o Presidente de forma que ele terá novos desafios para superar. Soma-se a isto a impopularidade em queda, vertiginosamente. O futuro de Temer é sombrio.







segunda-feira, 19 de junho de 2017







A luz do túnel


A pergunta que não cala: passado o porre cívico da Lava Jato, presos e absolvidos  culpados e inocentes, o que restará a este País no mar das incertezas de 2018? Como?,  sem lideranças definidas, mortos ou insepultos os homens a quem não mais será possível ao País recorrer num grande esforço para sair da crise. É o que nos revela o agitado fim do semestre. Como e com quem começar a jornada da reorganização do serviço público e da política, ambos falidos?

Paralelamente às ausências, restarão presenças indesejáveis, demagogos, os oportunistas que nos momentos mais difíceis e confusos surgem com facilidade. O perigo dos façanhudos, tipo Crivellas e outros que tais.

A gravidade do momento chama a atenção, portanto, para dois problemas que  correm paralelos: o caos deixado pelo que saem de cena e os maus que ameaçam chegar; a estes, mais que àqueles, impõe-se grande cuidado por parte dos eleitores. Os que saem, combalidos e derrotados; os que chegam, carregando a vã esperança dos descrentes. Vejam o destino sombrio que pode nos aguardar.

Se não temos mais líderes ideais, também acabaram os partidos. Os três maiores – PMDB, PSDB e PT  - estão em marcha batida rumo à rua da amargura.  E os pequenos, quase todos também desgastados, comerciantes que são nos balcões do tráfico de influência, compra e venda de apoios. Fazer o quê?

Diante de previsões tão angustiantes para as legendas, há quem pense na retoma da experiência proposta em 1934 do candidato avulso, isto é, aquele capaz de disputar sem a exigência da filiação partidária. Mas hoje, quando se voltam o olhar e as atenções para a realidade política, é fácil perceber que a proposta de candidaturas independentes desperta grande dúvida: ora, se com homens e mulheres tão experientes não conseguimos levantar voo, quanto mais novatos para nos tirar da perigosa areia movediça em que mergulhamos.

Resta desejável o parlamentarismo, certamente o melhor dos nossos remédios, mas até agora só prescrito em momentos de graves situações, híbrido; como os bons remédios, ele só produz efeitos saudáveis quando o paciente tem um mínimo de vigor.
O parlamentarismo é a luz que surge no fim do túnel. Mas onde está esse túnel, que a gente não consegue enxergar? 








terça-feira, 6 de junho de 2017






Hora grave


Pergunta alguém a mim e a todos o que dizer neste momento de imensos desafios para os brasileiros, mais ou menos órfãos, abandonados ao vento da história. Não sei dizer, a não ser o que certo dia disse o vereador José Oceano Soares: ninguém sabe o que vai acontecer, e quem disser que sabe não sabe de nada.

Sem entregar os pontos na confiança neste imenso País, prefiro repetir o que está numa carta histórica e atualíssima de Afonso Arinos ao então primeiro-ministro Tancredo Neves: “A hora que vivemos neste Brasil confuso, temeroso, descrente, é austera, grave, prenhe de angústias, incertezas e receios. Uma hora desesperança, sem dúvida; mas ainda não de desespero”.



quarta-feira, 31 de maio de 2017





Prova final


Não fossem suficientes as longas e persistentes experiências que tivemos com as lideranças políticas, os recentes episódios que vivemos sob o império da corrupção tornaram-se mais que suficientes para dar prova cabal de que nossos partidos estão falidos. Definitivamente falidos e corrompidos, dignos de sepultamento em cova profunda, de forma que não possam ser retocadas suas entranhas apodrecidas.  

Tomemos por base os três maiores - PT, PMDB e PSDB. Foram precisamente nesses  que prosperaram as grandes bandalheiras, as fontes inesgotáveis de favorecimentos espúrios e tráfico de influências.

E as legendas mais modestas? Não são melhores. Geralmente elas nascem deformadas, com pequenas cabeças para pensar pouco e estômagos insaciáveis para comer muito. Pior: como prostitutas nos bordéis da política, alugam-se em véspera de eleição, sem qualquer esforço para simulações e disfarces. Escrúpulos? Nem pensar.

Dentre os partidos de hoje qual escaparia do garfo do tinhoso? Todos irremediavelmente condenados. O que faz supor que a reforma política, tão falada e tão adiada, precisa começar por uma faxina rigorosa na velha, viciada e prostituída estrutura partidária; sem relegar a primeira entre as prioridades: o enxugamento, como o banimento de uma dúzia das legendas que estão reconhecidas e registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Com meia dúzia delas já teremos o suficiente.

Aos que ficassem, a pretendida reforma impusesse normas rigorosas para aceitar candidatos. Mas, neste dia de aniversário da cidade, tudo isso, lamentavelmente,  parece ser apenas um sonho. Sem chance de presente. 






sexta-feira, 26 de maio de 2017






Logo após


Quando passar essa tormenta – um dia vai passar - a classe pensante deste País terá dois temas importantes para ocupar o vácuo de suas reflexões; sem direito a relegá-las, por maiores que sejam os apelos ao comodismo casuístico ou o “deixa pra depois”.  O primeiro objeto para o pensar é nossa carcomida estrutura político-partidária; esse largo manancial permissivo que nos obriga a assistir à ascensão de lideranças tais como Renan, Cabral, Jucá, Lula, Maluf, Dirceu e outros. Trata-se de um modelo – não há quem possa negá-lo - que tem como bandeira três defeitos sinistros: facilita a corrupção, degrada a representação parlamentar e cria um lastro criminoso a serviço da bandidagem. Se não nos dispusermos a mexer nisso de nada adiantará a Lava Jato. O Brasil passado a limpo logo voltará a se sujar.

A segunda questão, que desde agora se recomenda, é uma cuidadosa avaliação do instituto da delação premiada, essa nau generosa por onde  navegam os bandidos ingratos com outros bandidos. Já tudo se revela muito claro: o que menos se obtém para o exercício da justiça é o conhecimento das mazelas políticas; antes, e muito mais, a delação premiada tem servido para facilitar a vida de agentes corruptos com o sacrifício de outros corruptos. Indicam os políticos que lhes venderam facilidades, na expectativa de alcançar os beneplácitos do Poder. Não se pejam de atirar ao abismo os bons comparsas.

A delação que se vê hoje, versão legalizada do dedurismo das ditaduras,  imortal criação de um velho conhecido, Escariotes, começa com o grave defeito da confiança traída, constatação a todo momento confirmada.  O delator nunca é menos bandido que o delatado. Eis o suficiente para o Judiciário passar a olhar com reservas mais cuidadosas esses préstimos interesseiros, sem olvidar que no caso sucumbem diferenças entre quem acusa e quem é acusado. Não há distância significativa entre eles.







quarta-feira, 24 de maio de 2017







Os caminhos de Temer


O destino político do presidente Michel Temer, que nesta noite sua para manter um mínimo de governabilidade, vai caminhando para se definir, em meio a uma das maiores crises que o País já enfrentou. E sob um clima de tamanhas confusões, que se tornou arriscado elaborar previsões. Vivo fosse, o ex-vereador José Oceano Soares diria que ninguém sabe de nada, e quem disser que sabe está mal informado. Seu futuro pode estar definido nos próximos dias, resultado de fato inédito: ele perderia o mandato por decisão do TSE, não por culpa direta sua, mas pela presença, como vice, na chapa de Dilma Rouseff; ela, sim, responsável  primeira pela origem dos dinheiros suspeitos que alimentaram sua campanha. Sendo assim, Temer teria uma saída minimamente desgastante, pois perderia o cargo por causa da companheira, não de seus grampos.

Não sendo assim, cairia ele diante de soluções emergenciais que vêm povoando a imaginação das lideranças, estas sem ineditismo na história republicana. A primeira, premida pelas circunstâncias, a renúncia. Seria o quinto voluntário desembarque presidencial.  O primeiro, com Pedro I, em 1831; em 1837, a renúncia do regente Feijó. Depois, Deodoro da Fonseca, em 1891, coagido pelo vice Floriano. Em 1961 a renúncia de Jânio Quadros.

Mas, se a solução para a eventual saída de Temer for a eleição indireta de um novo presidente, seu sucessor seria o nono na escala dos que chegaram ao cargo por essa via. Indiretamente elegeram-se Deodoro da Fonseca, em 1889, depois Getúlio Vargas em 1934, seguindo-se os cinco generais da ditadura que começou em 64: Castello Branco, Costa e Silva, Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Por fim,Tancredo Neve em 1985, sob um clima de tensão, incertezas, espectro golpista, mas também clima de alegria, antes da decepção comovida ante a tragédia que o impediu.


Sem a vírgula   

“Fora, Temer”, esse grito tantas vezes ouvido nas praças e nas ruas, ganha, nestes momentos difíceis, um sentido novo, quando se der a inversão das palavras. Ao ”Fora, Temer” cabe indagar aos que gritam o que fazer com ele ausente? Sem a vírgula, fora Temer não é mais um desejo raivoso, mas ganha novo sentido. Fora ele, o que fazer?  Afasta-se a vírgula, o presidente excluído, cabe indagar:  excluído ele, ausente, o que fazer sem ele? Quem no seu lugar? Graças a uma vírgula, que tanta diferença pode produzir numa frase ou numa ideia, o apelo da oposição vai saindo das ruas para definir nosso futuro imediato.”Fora, Temer” é muito diferente de Fora Temer. 














O teatro da corrupção


Há um descuido neste grave momento político que vive o País. As atenções, as diligências, as ações da Justiça voltam-se apenas e exclusivamente sobre os atores da corrupção. Não cuidam de agir ver o palco em que eles agem, isto é, não se discute nem se decide sobre o que é preciso fazer para impedir que esses mesmos criminosos ou os que vão sucedê-los possam praticar os mesmos crimes.   

Os corruptos, a corrupção e outros vícios só sobrevivem e prosperam  porque têm à sua disposição um modelo político há muito denunciado. Permissivo, tolerante e facilitador das incursões dos assaltantes que hoje ocupam as manchetes dos jornais, alguns já veteranos nessa prática.

Foi graças a tamanhas facilidades, associadas ao fantástico mundo da impunidades, que assistimos ao jogo dos interesses escusos, que nos envergonham perante o mundo.

E então?

O presidencialismo, segundo o modelo que infelicita o Brasil, está falido. O que, aliás, nem pode ser objeto de espanto, pois no velho tempo de Rui Barbosa ele já concluía que ”o presidencialismo brasileiro é se não a irresponsabilidade geral (...) a irresponsabilidade sistemática do Poder Executivo”.

Se não cuidarmos de viabilizar o parlamentarismo, outras gerações de corruptos virão para substituir os bandidos de hoje. Com os de hoje substituíram os de ontem.
Doutores na matéria sabem que, entre os caminhos a seguir, em nome de um mínimo de moralização, avultam o parlamentarismo e o voto distrital.

Lamentavelmente, todas as vezes que o regime de Gabinete nos foi proposto ele veio em momentos de comoção e de crises institucionais, sem clima e sem vagar para ser adotado, sem paixões e sem traumas. É preciso tentar outra vez.







quinta-feira, 18 de maio de 2017






Uma encruzilhada


1 -  É exatamente por estar vivendo um momento crítico de sua história republicana que o Brasil se coloca diante da mais delicada de todas as encruzilhadas com que já se defrontou. O que quer que aconteça a partir de amanhã, serão sombrios os próximos tempos, e com isso haverão de concordar tanto os que querem ver o presidente Temer pelas costas, como os que, contrariamente, admitem que melhor é que ele fique, pois, se com ele as coisas andam complicadas, mais complicadas ficariam com sua ausência; ainda que não seja pelos méritos, mas por causa do vácuo que sua despedida provocaria.

2  -  Se parece claro que com a crise desta semana  as reformas resvalam para o abismo, não  menos visível é que as instituições também estão em risco, porque em situações como de agora é frequente o aparecimento de façanhudos e golpistas, os salvadores de fachada.

3  - Nesta noite, depois de um dia povoado de boatos e incertezas, a dúvida maior e mais preocupantes estava na conduta que o presidente Temer adotaria frente à grave denúncia que lhe pesa, isto é, o abono que deu a um ato de corrupção gravada e filmada. Estamos no começo da noite e as garantias chegadas de Brasília davam conta de que não haveria renúncia, pois no episódio da JBS ele teria sido mal interpretado.

4 -  Permanecendo no cargo, arrastando-se arranhado até 2018, o presidente Temer viveria um clima de absoluta insegurança política, que fica muito perto da ingovernabilidade. Não há país  capaz de conviver com isso. Nossos problemas já são suficientemente amplos e graves para não se desejar outros. Quando inexiste governo legitimado e apoiado o caminhar se revela  impossível.

5 – Os analistas políticos precisam considerar que o mesmo terremoto que se abateu sob os pés do presidente Temer e do senador Aécio Neves também faz estremecer a terra onde pisam Lula e o PT. Por que? Porque esse novo capítulo da crise sepultou de vez o argumento petista de que a Lava Jato, o juiz Moro e o Ministério Público só trabalham contra Lula. De forma alguma o ex-presidente chega ao fim da semana menos vulnerável que o presidente e o senador mineiro.

6 – Se se inviabilizar totalmente a permanência de Temer no cargo, a saída honrosa já está prescrita: esperar junho para o Tribunal Superior Eleitoral condenar a chapa Dilma-Temer, acusada de compra de votos, porque nesse caso o presidente pode atribuir todas as culpas à sua antecessora. Ele então cairia por culpa dela. Interessante é que, se os esforços do governo direcionavam-se para separar Temer de Dilma no Tribunal, agora pode ser melhor que fiquem juntos para naufragarem juntos. A política tem dessas coisas. 



sábado, 13 de maio de 2017






O balanço de Temer


O presidente Michel Temer chega à sexta-feira com um ano de mandato. Num balanço do período pós-impeachment é possível elencar as tentativas do governo de mudança na economia, as crises políticas motivadas pelos efeitos da Operação Lava-Jato (sobre seus amigos próximos no governo e no Congresso Nacional), a baixa popularidade presidencial e as implicações  que as decisões do governo podem ter no futuro do PMDB e de seus aliados. 

Temer tem sido eficiente na tramitação de seus projetos reformistas junto ao Congresso Nacional, mas sofre um enorme desgaste junto à opinião pública pelos mesmos projetos. Com uma comunicação deficiente, o presidente substituto corre o risco de nadar contra a correnteza de um rio revolto. Com uma oposição “implacável" do PT (antigo governo) e seus aliados, estes conseguiram propagar o bordão "Fora Temer”, embora suas mobilizações nacionais e internacionais de contestação ao impeachment tiveram um resultado pífio.

Michel Temer (ex-vice-presidente de Dilma Roussef por duas vezes) e quase eterno presidente do PMDB é um habilidoso político no parlamento brasileiro, e é nesta condição que tem logrado vitórias em algumas batalhas na guerra pelas reformas, que ele considera modernizantes para o País. 

Quando iniciava seu período de governo, um ano atrás, ouviu insatisfeito o seu governo ser considerado uma ‘pinguela’ de transposição, de forma que o Brasil chegasse às eleições quase gerais de 2018, segundo  expressão cunhada por FHC. 

Hoje, o presidente Michel toma a iniciativa de ir à mídia e comunicar-se com a população sem intermediações. E lembra quanto é útil uma pinguela no interior do Brasil, pois é uma ponte rústica, válida para o avanço das pessoas para outra margem. Assim ele julga importante seu período na presidência a despeito das críticas que recebe, e que no futuro será reconhecido. A conferir.






quinta-feira, 11 de maio de 2017







O depoimento de Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi na quarta feira a Curitiba (PR) para depor na ação em que é acusado de receber propina da empresa OAS em troca de ajuda em contratos da Petrobras. O ex-presidente, mais uma vez, negou ser dono do apartamento (tríplex) em Guarujá (SP) atribuído a ele, e classificou o processo como uma “farsa”.
   
O petista, demonstrando impaciência com algumas perguntas, disse que dona Marisa Letícia, sua esposa morta em fevereiro, chegou a ter interesse em comprar o imóvel como investimento, mas desistiu do negócio por não atender às expectativas da família. 

Este foi o primeiro encontro do ex-presidente e o juiz federal Sérgio Moro, que comanda a Lava Jato na primeira instância. No início da audiência o juiz afirmou ao ex-presidente que não tinha “nenhuma desavença” contra ele. 

Transcorreram quase cinco horas de audiência na sede da Justiça Federal na capital paranaense, que foi tomada por manifestantes pró-Lula e também contou com atos contrários ao ex-presidente. No final do depoimento, o petista discursou em um palanque no centro de Curitiba, como se fosse um comício eleitoral de um candidato à presidência da República (em uma campanha fora de época). Disse Lula que quer ser “julgado pelo povo”, reafirmando sua vontade de disputar a eleição presidencial de 2018.

O episódio é o primeiro de uma série de depoimentos que Lula deverá fazer em cinco processos onde ele é réu. O Partido dos Trabalhadores esforça-se para fazer uma narrativa dos fatos relativos à Operação Lava Jato como se fosse uma perseguição política ao seu ídolo maior. Tentam os líderes nacionais do partido preservar o seu líder, e o único candidato viável do PT para a próxima eleição. Mas, tal projeto eleitoral depende mais das decisões da justiça do que da vontade do candidato. 







terça-feira, 9 de maio de 2017



A PIONEIRA


Amanhã, 10 de maio, estará completando 90 anos a mais antiga das bancas de jornais de Juiz de Fora, certamente das mais antigas de Minas. É a banca do Parque Halfeld – a Pioneira -, hoje dirigida por Júlio Caruso, sucessor e continuador da obra que começou em 1927 com Francesco e continuou com seu pai, Mário. Mário Caruso  começou a cuidar dela desde 1958.

A primeira sede foi na Rio Branco, junto à porta do Clube Juiz de Fora, passando depois para o outro lado da esquina, antes de  descer a Halfeld, e ali conviver com a vizinhança da tradicional Casa do Café. Passados alguns anos, na verdade há 32, a velha banca emigrou para o Parque Halfeld, e agora já faz parte da paisagem da mais bela referência da cidade.

Com 90 anos, cabe dizer que a Banca Pioneira é o mais antigo empreendimento comercial de Juiz de Fora. Segundo Júlio Caruso, a atividade, que antes era apenas de jornais, hoje diversificou enormemente, imposição dos novos tempos, embora jornais e revistas continuem respondendo por 40% dos negócios. 




Pichadores


Corre na internet uma campanha que pode acabar trazendo consequências funestas.  É a chamada Patrulha de Combate aos Pichadores – PCP, que trabalha nas madrugadas, inspirada no lema que é uma convocação: “Já espancou um pichador hoje?”. Trata-se de movimento criado por pessoas (quem sabe até entidades?) que desejam castigar os autores das imundícies, e conter a ação desses desocupados que emporcalham muros e paredes, sempre altas horas da noite. Tem de ser uma ação escondida e silenciosa, pois é criminosa.

Não se tem na cidade, pelo menos até agora, conhecimento de casos de espancamento de pichadores, proposta desse projeto que advoga aplicar o crime  com outro crime. Pois há lei que proíbe a pichação, que prende e processa os criminosos. Não é preciso espancar.



Calamidade


O assunto não perde atualidade, e vale nova abordagem. O Supremo Tribunal Federal  deliberou que  é dispensável o apoio das Assembleias Legislativas estaduais para que o Superior Tribunal de Justiça autorize a abertura de ações penais contra os governadores. Com este entendimento todas as 27 unidades da Federação terão que observar a nova jurisprudência.
 
Esse assunto foi provocado pela defesa do governador de Minas, Fernando Pimentel, (PT), centro da Operação Acrônimo da Polícia Federal, que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro para campanhas eleitorais.  A ação teve como alvo empresários que doaram recursos para partidos políticos na campanha de 2014. Pimentel teria sido  beneficiado nesse esquema.
  
Agora o governador mineiro terá que se defender junto ao Poder Judiciário, mas com a possibilidade de ser afastado do cargo, desde que o STJ tenha o entendimento de que ele é réu no processo derivado da Operação Acrônimo.
  
O governo de Minas está entre os estados brasileiros em situação de calamidade financeira, não conseguindo honrar pagamentos em dia, tanto de fornecedores como do funcionalismo público. E o governador Pimentel, desde 2015 tem gastado suas energias em procurar se defender destas (e de outras) acusações  de irregularidades desde sua passagem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, quando foi ministro. Como conseqüência, Minas vivencia um dos piores momentos de sua história.