quarta-feira, 20 de setembro de 2017






CORRIDA PRESIDENCIAL


A corrida presidencial está em curso. Os institutos de pesquisas já aferem a preferência do eleitorado. A quase um ano da data do primeiro turno da eleição (7 de outubro) alguma considerações iniciais podemos fazer. Os nomes de políticos conhecidos são lembrados espontaneamente nas consultas de preferências. O ex-presidente da República Lula (PT) segue liderando todas as enquetes, apesar de já ter uma condenação em primeira instância na Justiça Federal do Paraná. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) aparece com regularidade na segunda posição das pesquisas, e  se credencia a ser a candidatura de extrema direita. O PSDB, que teve candidatos que protagonizaram disputas polarizadas com candidatos do PT desde 1994, ainda não escolheu quem será seu candidato, mas poderá ser um político paulista.

No cenário político atual parece que a disputa presidencial terá vários pré-candidatos, como foi na primeira eleição direta para presidente, restituída em 1989,  com a última redemocratização do país. A primeira novidade nesta eleição de 2018 será a candidatura com a disposição de se identificar com uma agenda conservadora, por iniciativa do capitão (militar da reserva) Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Sabemos que as pesquisas de preferência do eleitorado refletem a fotografia do cenário daquele momento. Entretanto, elas vão registrando as tendências do eleitorado. O cenário pode se modificar por composições políticas, impedimentos judiciais, desistências ou outras circunstâncias. Os políticos em situação desfavorável nas pesquisas costumam desvalorizar seus resultados, mas internamente fazem suas avaliações com base nelas.







quinta-feira, 14 de setembro de 2017






Um ano de sombras



Qual será o papel dos partidos políticos no processo eleitoral de 2018? Terão força e prestígio suficientes para a campanha, depois das graves intempéries que vêm enfrentando eles e a Nação a seu reboque? Há quem observe que no rastro desse desprestígio esteja a primeira porta a se abrir a candidaturas novas e inovadoras, a começar pela presidência da República, onde seu titular hoje navega em braçadas para tentar chegar ao fim da acidentada viagem em que está embarcado.

A indagação inicial faz sentido porque todos os partidos, sejam eles compostos de que letrinhas forem, estão condenados ou sob suspeita nesse lamaçal em que o País afunda. Os três que abrigam os maiores escândalos de corrupção e tráfico de influência são exatamente os mais fortes – PT, PMDB e PSDB – sem que fiquem incólumes os menores, esses de aluguel, que sobrevivem à custa de alianças permanentes ou episódicas e circunstanciais, como as que se formam para facilitar a vida do Executivo no Congresso Nacional.

De maneira que não há salvados no naufrágio que hoje atormenta o Brasil. O que então autoriza a expectativa de algo novo no processo eleitoral que se avizinha, caso os partidos realmente signifiquem pouco no ânimo do eleitorado.

Razão haveria, pois, para condenar o 2018 a uma caixa de surpresas e ineditismo. O que pode ser bom, por um lado, com o aceno de renovação em um quadro político de lideranças envelhecidas e  viciadas;  como também pode se tornar um grande risco, pois, esvaziadas as legendas, abrem-se as portas aos aventureiros e falsos profetas, que constituem eles, mais que  outros criminosos políticos, a pior classe  de gente aproveitadora.







quinta-feira, 31 de agosto de 2017






Os números do IBGE


Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ainda que meramente no campo da estimativa, deram a Juiz de Fora 560 mil habitantes. O IBGE, diga-se de passagem, sempre foi, para as lideranças locais, uma espécie de algoz, acusado de subestimar o volume da gente que vive aqui, problema que, 40 anos passados, chegou a inspirar o deputado João Navarro a criar uma CPI na Assembleia Legislativa, porque naquela época já consternava saber que não passávamos de 300 mil. Não faltava, como não falta hoje, a voz dos que garantiam nunca terem sido pesquisados pelos agentes do Instituto. Portanto, censo furado...  Fato é que as queixas e suspeitas acabaram dormindo nas gavetas. O Instituto sempre se valeu de argumentos técnicos que contrariam o bairrismo apaixonado.

Vale considerar que para os centros urbanos com o perfil de Juiz de Fora o que pode e deve pesar é o conhecimento da realidade projetada pela população flutuante, que no caso local facilmente nos levaria a algo em torno de 800 mil moradores e circulantes eventuais. Esses eventuais são os que vêm todo dia estudam, frequentam hospitais, clínicas, shoppings e retornam às suas cidades de origem. Entre eles até mesmo os milhares que aqui trabalham e só voltam ao emprego no dia seguinte. Todos utilizando os equipamentos urbanos deterioráveis.  

Quando um centro urbano é reconhecido como polo referencial, como Juiz de Fora o é em relação a boa parte da Mata e das Vertentes, seus poderes políticos ganham força e capacidade de pressão para postular tratamento diferenciado na partilha dos recursos tributados. A começar pelo Fundo de Participação dos Municípios, esse velho padrasto dos prefeitos.

A percepção do problema não está na pauta das novidades. Governos passados admitiram a necessidade de encará-lo com coragem, mas não lograram avançar e prosperar. Foi o que aconteceu no governo Geisel, quando se falou nas cidades-dique (e a nossa entre elas); aquelas que mereciam ser contempladas com recursos para a realização de obras e serviços que correspondessem à região circunvizinha em torno das que são  capazes de centralizar e atrair.  Quanto a Juiz de Fora, mesmo logo esquecida por Brasília como “dique”, a imposição das necessidades acabou de regionalizar alguns serviços, como na Saúde, permitindo que para cá corram populações que não dispõem de atendimento suficiente ou adequado onde moram.

Portanto, melhor não é produzir contestações infrutíferas sobre as qualidades do IBGE; melhor é lutar para que os censos não levem em conta apenas os que aqui moram mas também os que aqui passam  uma boa parte de sua vida. 







quarta-feira, 23 de agosto de 2017







"Em conflito com a lei"


O Brasil mudou na abordagem da corrupção na vida pública. Antes neste País não se podia imaginar notícias tais como:

"O Presidente Michel Temer se transformou no primeiro mandatário do Brasil denunciado à Justiça pela prática de crime cometido durante o seu mandato.'

'Sentença do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro no caso do apartamento triplex, dentro das investigações da Operação Lava Jato, foi distribuída no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, na quarta-feira, 23/8.'

 'O senador Fernando Collor de Mello virou réu em uma ação da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente da República é acusado de receber R$ 30 milhões em propinas de uma subsidiária da Petrobras.' 

Com isto temos alguns ocupantes do Palácio do Planalto em situação de conflito com a lei. É inegável que houve uma mudança institucional. Parece que as autoridades da Polícia Federal, Ministério Público Federal e da Justiça Federal resolveram agir de forma coordenada no enfrentamento ao crime denominado no passado de "colarinho branco", mesmo que as consequências cheguem ao "andar de cima" da política brasileira. Há quem considere que estas ações são consequências do amadurecimento institucional adquirido a partir da Constituição Federal de 1988.




Reforma política em pauta


A Câmara Federal atualmente só tem uma pauta prioritária que é apreciar o relatório  da reforma política produzido pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP). Ele introduziu o Fundo de Financiamento da Democracia (financiamento público), um novo sistema eleitoral denominado "distritão" (que pode ser chamado de 'estadão'), e outras possibilidades de mudança não tão relevantes.

Até hoje não há consenso em torno das proposições do relator sobre financiamento e sistema eleitorais. Está evidente o desejo explícito dos atuais deputados de reelegerem-se aprovando uma legislação casuística.

Para os analistas sensatos melhor seria a manutenção do sistema proporcional (mesmo com as suas deficiências) proibindo-se as coligações proporcionais, e introduzindo uma cláusula de barreira (desempenho) com o percentual possível atualmente. 

No caso do financiamento eleitoral deveriam ser mantidas as mesmas regras das eleições municipais, somente permitidas as doações individuais. isto só baratearia as campanhas eleitorais. Alguém diria que o denominado 'caixa-dois' seria largamente utilizado. Entretanto, quem utilizar desse expediente sabe o risco que estará correndo.






terça-feira, 22 de agosto de 2017







JORNADA DE ORAÇÃO E JEJUM PELO BRASIL


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está convidando a todos para uma Jornada de Oração pelo Brasil, a ser realizada nas comunidades, paróquias, dioceses e regionais do país, de 1º a 7 de setembro. Os bispos decidiram mobilizar os cristãos, por meio da oração, após a análise da realidade brasileira feita na última reunião do Conselho Episcopal Pastoral da entidade, dias 10 e 11 de agosto.

O Dia de Oração e Jejum sugerido é o dia 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil. Além da carta a todos os bispos, foi enviada também uma oração, a mesma da celebração de Corpus Christi, com pequena adaptação.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a Jornada é uma oportunidade para que se unam os cristãos e pessoas de boa vontade que querem um Brasil melhor, mais fraterno e não dividido.

“Nós estamos necessitados de um novo Brasil, mais ético; de uma política mais transparente. Nós não podemos chegar a um impasse de acharmos que a política pode ser dispensada. A política é muito importante, mas do modo do comportamento de muitos políticos, ela está sendo muito rejeitada dentro do Brasil. Nós esperamos que esse dia de jejum e oração ajude a refletir essa questão em maior profundidade.”

Um dos trechos da oração pede:

 “Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos”.

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso de Deus, que nunca se cansa de perdoar. Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas!

Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos. Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Neste ano em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo.







quarta-feira, 16 de agosto de 2017






A vez de Lacerda


No atual quadro da política mineira, quando atenções se voltam para as eleições de 2018, o alvo das principais está em Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, onde pesquisas já vão lhe dando preferência acima de 30% do eleitorado. Ele é hoje uma das raras lideranças de Minas no restrito clube das lideranças que passam sem suspeitas pelos inquéritos e pelas delações gratuitas ou premiadas. Em tais condições, com tal perfil, reúne elementos a mais para avançar no projeto de se tornar governador.

As condições aventadas podem levá-lo às urnas estimulado por uma aliança de partidos ou correntes políticas independentes, que desde agora advogam ampla reforma na cansada política mineira, removidas, prioritariamente, figuras desgastadas ou mesmo apenas suspeitas. Pode estar aí o seu destino. Tancredo já advertia que subir as escadas do Palácio da Liberdade não é apenas resultado de circunstâncias; é obra do destino.

Sobre as relações de Márcio Lacerda com Juiz de Fora, de há muito superadas e apagadas nos sinistros tempos da ditadura, quando aqui esteve preso, é oportuno lembrar que ele tem ao lado Vitor Valverde como um dos mais importantes e influentes colaboradores. Vitor, que foi secretário de Administração do prefeito Custódio Mattos e secretário de Governo em BH, agora candidato a deputado estadual, não escaparia de ser, eleito Lacerda, o principal interlocutor da cidade junto ao novo governo.



  


quarta-feira, 9 de agosto de 2017






Modelo do Distritão


A mudança do modelo de votação está na agenda prioritária do Congresso Nacional. Pretende-se adotar o modelo do voto distrital em 2018, sendo cada estado um distrito. Neste modelo eleitoral serão eleitos os deputados que forem mais votados em seus estados. Talvez a única virtude do modelo seja eleger quem tem mais votos.

Entretanto, traz consigo muitos defeitos. Os partidos perdem importância, e deverão lançar menos candidatos, pois não há necessidade do voto de legenda (fundamental no modelo proporcional). Vai privilegiar os candidatos com mais recursos financeiros, pois deverão buscar os votos em todo o estado. Haverá pouca renovação política, já que a tendência é que os atuais detentores de mandato sejam reeleitos. Os grupos de interesse predominarão na indicação de candidatos comprometidos com corporações, religiões e similares. Também se beneficiarão aqueles famosos na mídia, tais como artistas, jogadores de futebol, humoristas e congêneres.

Para complementar o oportunismo dos parlamentares, caminha paralelo a criação de um fundo para financiamento de campanha com dinheiro público (perto de 4 bilhões de reais) que reforçará o caixa financeiro dos "donos de partidos". E, por consequência, com a possibilidade real de reeleição, os deputados garantirão o foro privilegiado, evitando-se os efeitos da Operação Lava-Jato, que tem previsão de funcionamento até o final do ano de 2018

Tudo no jeito para que a política brasileira continue com os velhos vícios e cacoetes.











Desenvolvimento


O quarto encontro do “Fórum de Discussão Permanente para o Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Juiz de Fora” aconteceu na segunda-feira, no Centro de Distribuição do Grupo Bahamas, na BR-040. Estiveram presentes o prefeito Bruno Siqueira, secretários municipais e empresários da cidade, e durante o encontro ocorreu a apresentação das diretorias do grupo e visita técnica ao Centro.

O Grupo Bahamas completou 34 anos em 2017, sendo a 16ª maior rede de supermercado do país. Este grupo empresarial participa do desenvolvimento de Juiz de Fora, sempre reinvestindo na cidade.

O prefeito Bruno Siqueira, quando chamado a se pronunciar, fez um destaque da iniciativa desse fórum permanente, que possibilita a necessária interação do poder público com a iniciativa privada no município. O prefeito enfatizou a importância desse espaço que proporciona uma permanente ausculta aos empreendedores locais, que muito tem a contribuir para o desenvolvimento da cidade.


Precisamos conhecer mais o empreendedorismo local. Há boas coisas acontecendo.  





quinta-feira, 3 de agosto de 2017






Contra os políticos
 

Não há protestos de rua.  Então, alguns dirão que os protestos de 2015 e de 2016 tinham por objetivo único tirar Dilma do poder, mas isso é pouco. Outros dirão que os movimentos dos manifestantes vestidos de verde e amarelo estão de ressaca cívica. Parece  que o sentimento é de decepção, e há um desalento enorme diante de uma probabilidade de prosseguimento do que temos hoje.

Com a vitória do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados pelo arquivamento do pedido de autorização do Ministério Público Federal para que fosse investigado, deixa um sentimento estranho no ar. Parece que a direita e a esquerda não têm mais interesse na queda de Temer. Muitos consideram que seja melhor deixar que as eleições de 2018 resolvam a situação. Embora no discurso a esquerda diga ao contrário. Temer está realizando algumas reformas que os próprios petistas, quando no governo, teriam feito.

Quais as conseqüências dessa retenção de insatisfação? Pode virar protesto em 2018. O ódio e a raiva vão perdurar até a eleição? Ou haverá algum conflito antes disso? Nossa história registra muita desconfiança em relação ao Congresso Nacional e aos políticos em geral. Essa desconfiança tende a piorar, até mesmo em relação ao eventual ocupante da presidência da República.

No curto prazo o eleitor mantém na memória esse registro de como os deputados votaram nesse 2 de agosto, mas nada garante um futuro voto de castigo a eles. O que pode acontecer é essa frustração se expressar na próxima eleição presidencial de alguém com um discurso populista, como o deputado federal Jair  Bolsonaro  e outros, que diz que os políticos não prestam. Vai crescer o discurso contra os políticos no ambiente eleitoral.








quarta-feira, 2 de agosto de 2017








Violência e mulher


Com o lema “Violência contra a mulher: Vamos meter a colher”, o PSB-JF, através do PSB – Mulher, está promovendo neste mês uma semana de encontros visando a aprofundar discussões e ampliar o debate sobre esse tema complexo, cercado de tabus e preconceitos. 

Através de cinco encontros abordando o problema, e como deve ser enfrentado, o partido na cidade pretende dar sua contribuição aos movimentos já existentes, e subsidiar sua representação parlamentar.

Os encontros denominados “rodas de conversas” ocorrerão na semana de 7 a 11 de agosto, sempre às 19h. A programação é a seguinte: segunda-feira, 7, no Espaço Evoluir, Bairro Benfica; terça-feira, 8, na Escola Maria Ilidia Resende de Andrade, bairro Furtado de Menezes; quarta-feira, 9, na E. M. Áurea Bicalho, bairro Linhares; quinta-feira, 10, no Salão do Elias, bairro Dom Bosco; sexta-feira, 11, Hotel Serrano, no Centro.









quarta-feira, 26 de julho de 2017







Agosto e desgosto


Temer age para impedir a denúncia criminal contra ele, em análise no plenário da Câmara dos Deputados, a partir de quarta-feira. Tem uma lista de 80 deputados indecisos (inclusive alguns do PMDB) para os quais pretende ligar, a fim de que votem a seu favor. Ele se empenha pessoalmente na tarefa de conquistar votos, enquanto agosto não chega.

Agosto é o mês do ‘desgosto’, diz a crença popular. Mas nossa história registra a tragédia em que o presidente Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954 com um tiro no peito no Palácio do Catete, sede do Poder Executivo até 1960. Não que seja um mau agouro, mas é um antecedente histórico que marca o mês de agosto, para não se falar da traumática renúncia de Jânio Quadros. Não se espera tais atos extremos do atual presidente.


Posse na Cultura



O presidente Temer deu posse, ontem, a Sérgio Sá Leitão, que assume o cargo de Ministro da Cultura, sendo o quarto ocupante da área cultura no atual governo. Aliás, no início do governo Temer essa área andou rebaixada a uma secretaria subordinada ao Ministério da Educação.
 
O ministro empossado é um técnico com experiência na área. Foi chefe de gabinete do ministro Gilberto Gil (governo Lula), secretário de Cultura no município do Rio de Janeiro (prefeito Eduardo Paes) e atualmente diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema) do Ministério da Cultura. Parece que a experiência cultural mais afeita ao novo ministro é o cinema.

Os desafios são enormes. O setor cultural público historicamente conta com orçamentos modestos, e o MinC terá cortes neste ano e corre o risco de não ter dinheiro para pagar as contas. A lei de incentivo à cultura (Lei Rouanet) carece de atualizações. Uma parcela da classe artística (vinculada ao PT) rejeita o governo Temer, e já hostilizou os antecessores na pasta fazendo atos públicos de repúdio em eventos relativos ao Ministério, o que exigirá do novo titular habilidades políticas no trato com este segmento. Então, haverá tarefas difíceis para Sá Leitão.


Política regional


O prefeito Bruno Siqueira mantém forte o ritmo da sua administração neste segundo mandato. Mesmo com a crise econômica, recursos públicos limitados e demandas crescentes chegando ao chefe do executivo, este tem conseguido manter o equilíbrio fiscal, realizando obras e serviços essenciais na cidade. 

Nas adversidades da conjuntura política nacional Bruno se firma a cada dia como líder não só da cidade, mas  também de uma região. A Mata tem em Juiz de Fora a referência nas áreas do comércio, de serviços educacionais, de saúde, de cultura e de entretenimento. E o prefeito com as inovações introduzidas na governança municipal torna-se empreendedor público capaz de estimular os demais gestores municipais circunvizinhos a superar desafios locais com inventividade, aproveitando as potencialidades de cada município.

Agora ele integra uma das vice-presidências da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), uma articulação de prefeitos que tem sido influente no encaminhamento dos principais anseios do municipalismo brasileiro na luta por um novo pacto federativo. Com isto credencia-se a ocupar posição de maior destaque na representação política regional.


Velhas lições


Há lições, no recente ou em tempos passados, para mostrar que as melhores civilizações foram aquelas que, desafiadas pelo destino, tiveram de chegar ao fundo do poço, e só a partir de então começam a sua reconstrução. O fundo do poço tem uma virtude: abaixo dele nada mais é possível, não se pode descer mais. Pode ser que tal ocorra com este Brasil sangrado. Se formos ao fundo, depois das longas tempestades dos desgovernos, da corrupção e das ambições desmedidas, talvez possamos alçar voo.

          




terça-feira, 25 de julho de 2017






Financiadores


Entrevistado pela TV Câmara, o deputado tucano Marcus Pestana previu dificuldades para as campanhas eleitorais do próximo ano, a julgar pelas experiências anteriores, quando 95% dos  gastos dos candidatos contavam com a cobertura de empresas, entre elas e principalmente as empreiteiras. Mas não condena a nova realidade a ser enfrentada, porque  é preciso mudar  e experimentar, ainda que com exceções, como as listas fechadas de candidatos a deputado, que, segundo ele, são uma proposta sem chance de aprovação na Câmara.

Pestana fala sobre outros instrumentos de aperfeiçoamento do sistema eleitoral, como o exame do excesso de partidos, que hoje são 28 representados no Congresso.


”Centrão” 


O noticiário político informa que deputados do PMDB, PSDB e de, ao menos, oito partidos do ‘Centrão’ fazem acordo para incluir na eventual reforma política o distritão. Proposta defendida por esses parlamentares como forma de garantir a reeleição e manter o foro privilegiado diante da conjuntura de descrédito com a classe política, devido aos escândalos de corrupção como os demonstrados pela  Operação Lava Jato.

É um sistema obsoleto, que reforça o individualismo na política e diminui os partidos. O distritão é um sistema com muitos problemas, e não é usado em nenhuma democracia tradicional; um sistema que está ultrapassado. É mudança que vem piorar a política brasileira.  Reforça o personalismo eleitoral, pois estimula o lançamento de celebridades populistas. Anula a representação de minorias.

Outro aspecto nefasto desse sistema: facilita o lançamento de poucos candidatos, o que prejudica a renovação da classe política. Pelo sistema distritão serão eleitos para o Legislativo Federal apenas os mais bem votados em cada Estado.


Experiência


Ontem à tarde, em breve passagem pela cidade, o ex-presidente do Tribunal de Contas Sebastião Helvécio comentou que os próximos três ou quatro anos terão excelente resultados as inovações que introduziu durante sua gestão, a começar pelo controle real de gastos pelas prefeituras. O que será possível através do fantástico banco de dados que criou, e que continua sendo alimentado.


Um amigo com quem palestrou sugeriu que Helvécio conte, em livro, as experiências que viveu como presidente do TC. Sua gestão os especialistas consideraram modelar.





quarta-feira, 12 de julho de 2017






A cidade de luto: morreu Hochleitner


Hoje à tarde desceu a uma pequena sepultura do cemitério de São Pedro o corpo do professor Franz Joseph Hochleitner. Viveu 101 anos, mas não é demais lembrar que a morte de uma grande figura se revela sempre prematura. Podia ter vivido mais, a despeito das limitações impostas pela longevidade. Mas, em rigor, também não havia como perturbar o merecido descanso do fim de sua longa jornada. Não havia como exigir que dele mais, além do muito que deu à cultura e à pesquisa que promoveu ao longo da vida.

A cidade acolheu esse austríaco logo após a Segunda Guerra, onde atuara como piloto, ferido em combate. Foi daqui que projetou sua obra além das fronteiras do Brasil.

Franz Hochleitner sai da vida para tomar lugar na galeria dos homens que mais contribuíram para tornar Juiz de Fora conhecida em todo o mundo. Primeiro, quando se tornou referência internacional na decifração do código maia, a histórica Porta do Sol, na Bolívia, antes de se projetar nos auditórios científicos da América em época que a cidade pouco sabia sobre astronomia arqueológica, centro inspirador de grandes polêmicas sobre a existência da Atlântida. De Erick Van Deninken divergiu muito em relação à teoria do desembarque de deuses astronautas na Terra.

Além dos estudos que desenvolveu sobre as civilizações maia e asteca, contribuiu nas pesquisas sobre a natureza da percepção das cores complementares e a qualificação química para o cálculo exato da oxidação dos inoxidáveis. (extraído de meu livro sobre grandes figuras de Juiz de Fora).








terça-feira, 11 de julho de 2017






Lembranças


A TV Senado acaba de brindar seus telespectadores com a gravação de um irretocável concerto de música religiosa medieval, executado por orquestra regida pelo juiz-forano Luiz Otávio Santos. Orquestra do Centro Cultural Pró-Música, que não existe mais, parte do Festival de Música Colonial, que deixou de ser realizado, tendo como cenário o Museu Mariano Procópio, que está fechado.


Como está


A crise política que nos sufoca, gerando instabilidade, não vai desaguar nos planos da recuperação econômica. O motivo tranquliza as lideranças do empresariado. Elas já ficaram sabendo que, saindo ou ficando Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, continuará onde está e fazendo o que deseja fazer.


Sem risco


Parece esgotada a possibilidade de a Lava Jato esbarrar em políticos de Juiz de Fora, pois, se alguns cometeram escorregões foram pecados pequenos, sem  espaço numa seara de graves corrupções. Verbinhas para campanhas eleitorais, nada capaz de arranhar qualquer grande empreiteira. Muito menos  a Odebrecht, que, é sabido, só se interessaria por um projeto na cidade: a retirado dos trilhos da Rede Ferroviária da zona urbana. A única obra que ela
realizou aqui foi o viaduto Augusto Franco.

 Salvar o Jardim


Moradores das rua Halfeld, Santo Antônio e Marechal Deodoro estão retomando a campanha  de defesa e preservação do Parque Halfeld, que, na verdade, não é parque; é jardim. As funções do espaço estão comprometidas, pois ele se tornou referência diária de assaltos, consumo de drogas e brigas entre gangues. À noite o cenário piora, pois o jardim se transforma em motel ao ar livre.

Uma solução, várias vezes lembrada quando os problemas avolumam, é o fechamento com gradil depois de 22h. No passado isso foi adotado, com êxito.



Triagem


Não seria medida nova, adotada que foi, com êxito, em Uberaba:  uma rigorosa pesquisa sobre a origem e as reais necessidades dos moradores de rua. Presume-se que aqui, como naquela outra comunidade mineira, metade da mendicância está relacionada com a vadiagem.

Qualquer que seja o resultado, é preciso forçar a ocupação dos abrigos, que existem e são bem equipados, não tolerar a transformação das ruas em lixeiras e impedir a ocupação dos passeios com  colchões, vaso sanitários e varais onde se estendem roupas.

A tolerância chegou a tal ponto, que um ancião que tem casa no Poço Rico, resolveu instalar-se com seus cachorros junto à entrada do velho Cinema Palace, ali vive, pratica suas necessidades e acha muito divertido que seus animais de estimação avancem sobre os pedestres.








quinta-feira, 6 de julho de 2017






PSB reunido


O PSB/JF teve na sua reunião mensal (tradicionalmente nas primeiras segundas-feiras de cada mês),  quando foram debatidas as propostas de reforma política em discussão no Congresso Nacional. Aquelas que tiveram consenso foram sintetizadas e encaminhadas ao deputado Federal Júlio Delgado (PSB-MG). Por consenso, foram aceitas as seguintes propostas: fim das coligações proporcionais, implantação da Cláusula de Barreira para eleições proporcionais e adoção do voto distrital misto.

Haverá eleição do Diretório Municipal PSB/JF no sábado, 19 de agosto, às 10h, em local a ser escolhido. Atualmente o partido é dirigido por uma comissão executiva municipal provisória. O presidente atual é o empresário Aloísio Gonçalves, que foi candidato a vice na chapa do Wilson da Rezato, em 2016.

É o primeiro partido da cidade que, avaliando a reforma política, aciona seu representante em Brasília.





quarta-feira, 5 de julho de 2017






Ainda a reforma


O presidente da França, Emmanuel Macron, informou que apresentará proposta de reforma política ao Parlamento, e possivelmente a submeterá a referendo, para reduzir em um terço o número de parlamentares e restringir a reeleição para o Legislativo.  No Brasil esta proposta seria considerada, pelos políticos, muita ousadia de um presidente da República. A nossa ‘classe política' têm dificuldades de reformar o sistema político eleitoral do Brasil, pois teme que isso atrapalhe a continuidade no poder. Os políticos no Congresso pensam assim: para que mudar a regra do jogo que os elegeu?

As propostas necessárias são sempre adiadas. Agora, quando vence em fins de setembro o prazo para alterações na lei eleitoral, para vigorar em 2018 (anterioridade de um ano), cogitam-se algumas mudanças, que, se ocorrerem, introduzir-se-á a cláusula de desempenho (cláusula de barreira), e o fim das coligações partidárias proporcionais. Com isto, implantado, limitará a existência de certos partidos políticos que não terão acesso aos recursos públicos.

Talvez nem isto seja aprovado, pois a agenda agora está em torno admissibilidade da denúncia do MPF contra Temer. O próximo presidente, eleito em 2018, terá legitimidade para propor reforma mais ousada, a exemplo do que faz o jovem presidente francês. Mas, precisará ter ousadia.







segunda-feira, 3 de julho de 2017






Comentários




 “O ANTAGONISTA"


Os deputados serão obrigados a anunciar no microfone se aceitam ou não a denúncia contra Michel Temer, como manda o regimento. Pelo menos foi o que disse Rodrigo Maia a aliados, segundo o Radar.

"Para Maia, a Câmara deveria, inclusive, cancelar o recesso para analisar a denúncia contra o presidente. Contudo, essa é uma decisão do plenário e o descanso, por enquanto, está mantido."

Comentário - O presidente Temer tem no deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, um aliado. Entretanto, doravante, em caso de vacância na presidência da República, quem assume é o Maia, que substituirá o presidente por um período determinado. Mas também poderá suceder a Temer na eleição indireta. Rodrigo poderá ser até o 'Plano B' do grupo atualmente no poder. Ele estará fiel a Temer até certo momento. Se o 'cavalo passar encilhado' (com sela) ele vai montar, pois a sorte não 'passa duas vezes', como diz um dito popular gaúcho.


 Sistema adotado


“Levantamento realizado pela Rede de Informações Eleitorais (http://aceproject.org) – integrada por Estados Unidos, Canadá e México e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) – revela que o Brasil alinha-se, ao lado de África do Sul, Argentina e Suécia, entre outros, no grupo de 9,68% dos países do mundo que não adotam nenhum tipo de candidatura avulsa em seus pleitos.

Quatro em cada 10 nações permitem que pessoas sem filiação partidária disputem pelo menos cadeiras legislativas em nível local ou nacional, casos da Alemanha, Japão, Itália e Reino Unido. Em 37,79% dos países, as candidaturas avulsas valem até mesmo para presidente da República, como nos EUA, França, Chile, Irã e a superpopulosa democracia da Índia.

Poucos países necessitam tanto da participação política, por um lado, e, por outro, a cercam de tantas restrições legais e burocráticas como o Brasil. A Itália, como é sabido, admite a candidatura avulsa mediante a chamada “lista cívica”. Nos EUA, casos há em que “candidatos independentes” chegam a pleitear a Presidência. Essa flexibilidade ajuda a que os sistemas políticos contemplem uma maior abertura à participação da sociedade – argumenta o senador Paulo Paim.
Para o autor da PEC, no sistema atual, se movimentos sociais fortes e numerosos como o feminista, o negro, o dos trabalhadores sem-terra, o dos aposentados, o dos indígenas ou o dos homossexuais quiserem lançar um candidato, só poderão fazê-lo se a liderança se filiar a um partido político e, como consequência, se submeter “à regra do jogo, sua correlação de forças interna, suas dificuldades e suas limitações”.

O consultor legislativo do Senado, Caetano Araújo, lembra, porém, que as propostas de reforma política hoje em discussão no Congresso Nacional têm como característica comum o fortalecimento das siglas partidárias por meio de instrumentos como a fidelidade partidária, o financiamento público e as listas fechadas de candidatos.

Passaríamos a uma situação oposta à que prevalece hoje: o poder deixaria os mandatários e concentrar-se-ia na estrutura partidária. Nesse caso, teríamos direções partidárias, máquinas, burocracias extremamente poderosas, com controle sobre os recursos financeiros destinados à campanha e com a capacidade de definir a ordem dos eleitos – teme o sociólogo”.

Sylvio Guedes / Jornal do Senado 


Comentário: O fortalecimento dos partidos políticos sempre será uma medida salutar, mas com garantia de democracia interna. Pelas notícias que temos, a maioria absoluta dos partidos brasileiros não pratica a democracia interna, embora seja esta uma exigência contida nos estatutos. O que predomina é a vontade daqueles políticos que no exercício do mandato mantêm o controle total das deliberações partidária. Mesmo no PT, onde existe um processo de escolha dos dirigentes partidários em todos os níveis, temos notícias de irregularidades, supremacia da vontade da tendência majoritária vinculada ao Lula, e predomínio da decisões conforme proposição da tendência hegemônica, e sufocamento das propostas de tendências minoritárias.