segunda-feira, 13 de novembro de 2017







A crise do PSDB


O PSDB vive mais uma crise dentre outras da sua história nos quase 30 anos de fundação (junho de 1988). Inesperadamente o senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do partido, retoma a direção partidária e afasta o senador Tasso Jereissati (CE), que ocupava interinamente a presidência. Tudo dentro das normas. A justificativa do senador mineiro é a busca do equilíbrio na disputa pela direção do partido agora em dezembro. Há quem acredite que Aécio age para beneficiar seus aliados políticos, de forma que vençam as eleições internas. Tasso virou candidato a presidente do partido, e adversário de Aécio.

Aécio ressurge das cinzas à qual foi reduzido com as denúncias do empresário Wesley Batista (JBS) em maio. Ele é o principal articulador do presidente Temer na Câmara dos Deputados, conseguindo impedir que prosperassem as duas denúncias do Ministério Público Federal contra o chefe do poder Wxecutivo. Em retribuição Michel Temer socorre o senador aliado no Senado Federal, impedindo que ele perdesse o mandato parlamentar. A harmonia entre Temer e Aécio tem sido benéfica para ambos.

Aparentemente a sigla  PSDB está se desgastando. Entretanto, esse episódio poderá ser ‘uma freada de arrumação' para o partido se auto-organizar com o objetivo da retomada da Presidência da República em 2018. Pelo menos é este o projeto do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que parece estar em melhores condições de disputar o cargo, caso consiga convencer nas articulações políticas da sua viabilidade no espectro político de centro-direita. Atualmente o quadro está nebuloso pois o tucanos paulistas estão em conflito no próprio ninho. Com o passar do tempo vão se acomodar, e cada um vai ocupar seu espaço próprio.

Às vezes a crônica política dá uma dimensão aos fatos maior do que eles são na realidade. Relembremos a história de outras siglas partidárias de grande porte que são o PMDB e o PT. Quantas crises internas eles tiveram, e ainda têm. Os conflitos são derivados da disputa do poder intramuros por tendências ideológicas ou por lideranças regionais. A história do PSDB demonstra a existência da permanente tensão entre tucanos mineiros e paulistas, e as demais regiões do país gravitavam em torno disto, até que ocorreram as eleições de 2014. Aécio Neves como candidato a presidente demonstrou sua capacidade eleitoral de forma inequívoca, superando a votação dos candidatos tucanos que foram derrotados nas eleições anteriores. Com isto ele teve o reconhecimento e o respeito da militância tucana.

O senador mineiro retoma o protagonismo político no partido e no cenário político atual, e é o principal aliado do presidente Temer. Não podemos duvidar da capacidade de superação política do político mineiro (sem entrar no mérito das denúncias que lhe foram feitas). Até o momento Aécio e Temer têm vencido as batalhas políticas que enfrentaram, e demonstraram suas habilidades. 







sexta-feira, 10 de novembro de 2017






“O estado a que chegamos”


 A expressão acima, cunhada pelo gênio do Barão de Itararé, referia-se ironicamente ao Estado Novo, obra de Getúlio Vargas, que nesta sexta-feira está completando 80 anos. Que estado foi esse, que fez o Brasil amanhecer diferente? A democracia empobrecida, a eleição presidencial dois meses depois cancelada, Câmara e Senado fechados, assim como Assembleias  e  Câmaras Municipais. Engavetados os  partidos, desnecessários então, pois entendia-se que política não é assunto para os políticos... O pretexto para o assalto às instituições era o de sempre de todos os ditadores, venham eles de onde vierem:  intranquilidade social, ameaça de subversão da ordem. Os culpados eram os comunistas, que naquele novembro fatídico concediam um naco de culpa às patriotices dos integralistas. Em suma, a ditadura, em cujo útero  Getúlio completou a gestação dos seus quinze anos de poder discricionário. Longo período que ele ousou chamar de provisório...  Num ambiente em que só o Executivo mandando e decidindo, nasceu o terrível decreto-lei, muleta em que se apoiaram todas as ditaduras. E também as não-ditaduras, que para ele passaram a adotar o eufemismo “medida provisória”, sem a preocupação de adotar um sinônimo capaz de esconder a subjetividade  varguista. O que foi provisório para ele continuou sendo para os sucessores. “O decreto-lei do Estado Novo nada mais é que a atual medida provisória, e nem Tancredo teve como bani-la da redemocratização”, como ensinava o professor Almir de Oliveira, professor de Direito Constitucional da UFJF.

   
Dois mineiros tomaram parte na conspiração, Benedito Valardes, premiado com iguais quinze anos com a intervenção no Estado; e Francisco Campos, “Chico Ciência”, um talento jurídico sempre pronto a servir.  Em compensação, foi um juiz-forano, o ministro Odilon Braga, que protestou, pregou sozinho no deserto e por isso se indispôs.  

Mas houve também quem interpretasse o fato sob óticas diferentes, como a historiadora Dulce Pandolfi, que viu no Estado Novo a entrada do Brasil na era da modernização e como agente do bem-estar até então distante das classes excluídas. Nessa linha temos como sobreviventes, 80 anos depois, a estrutura sindicalista corporativista e o discutido compulsório imposto sindical, coisa que o resto do mundo não adotou ou já baniu.

Há 10 anos conversei com quem testemunhou de perto aqueles dias. Alziro de Souza, então com 87 anos, fundador da Federação Mineira Operária. Definia Getúlio como ”um homem extraordinário”, mesmo tendo sido sacrificado pela nova legislação sindical, que golpeou sua entidade, ao se ver obrigada a dividir-se em quatro (hoje são 20 mil sindicatos em todo o Brasil), e, portanto, enfraquecer-se. Engoliu seco, pois, segundo suas próprias palavras, naquele 1937 “em Juiz de Fora, mais que em qualquer outra cidade mineira, o getulismo chegou bem perto de ser uma epidemia”. Com isso, aliás, concordava o historiador Paulino de Oliveira.  Getúlio veio cinco vezes à cidade, quando era presa de tédio, querendo afastar-se de todos e de familiares incômodos. Em uma dessas vezes ficou aqui doze dias, obrigando ministros a viagens diárias em sete ou oito horas de estrada.

Do Estado Novo aproveitaram-se muitos agentes da violência policial, e com ela mergulhar no fundo do poço o direito de discordar e de contestar, na contraposição aos avanços na legislação trabalhista.   





quinta-feira, 9 de novembro de 2017






Contradições


As eleições de 2018 mobilizam os líderes partidários, que já negociam alianças.  O PT quer se aliar ao PMDB. As notícias que nos chegam demonstram que poderão surgir coligações majoritárias PT-PMDB em pelo menos seis estados: MG, PR, CE, AL, SE e PI. Aparecem, então, as contradições.

PT e PMDB foram aliados nas últimas eleições de 2010 e 2014 com a chapa Dilma-Temer. Já em 2016 o PMDB defendeu o impedimento da presidente Dilma, com o apoio do PSDB. Os tucanos, antes na oposição, passaram a ser governo com a assunção de Michel Temer à presidência. Os peemedebistas (e os tucanos) foram chamados de golpistas pelos petistas. No Congresso Nacional o PT faz oposição ao governo Temer. 

Nas caravanas pelo Nordeste brasileiro e por Minas Gerais (mais para o norte do Estado), o presidenciável Lula faz sua pré-campanha eleitoral, e, por interesse na reaproximação com o PMDB, diz ele que 'perdoa os golpistas'. 


As cúpulas decidem as composições políticas bem distantes da militância partidária de base. Quantas amizades desfeitas desnecessariamente pelo enfrentamento recente entre 'coxinhas e 'mortadelas'. 



terça-feira, 7 de novembro de 2017






Furtos na classe média  


Ouço dizer que vem se tornando escandaloso o volume de pequenos e médios furtos que ocorrem no comércio da cidade, principalmente em padarias, estas também quase sempre vítimas dos assaltantes. Detalhe importante é que não são pessoas que furtam para matar a fome, miseráveis que optam pelo risco do flagrante. Quem mais furta são pessoas da classe média, senhoras e senhores que se aproveitam do descuido do vendedor e enfiam na bolsa queijos inteiros ou em pedaços, doces, pães, latas ou qualquer coisa que possam carregar sem pagar. Submetem-se ao vexame de serem pegos com a mão na massa. Não precisam disso. Nesse particular fazem lembrar certos políticos homiziados em Brasília: quanto menos precisam mais roubam.

Com razão, o comércio anda escandalizado com o volume desses pequenos crimes, que somados no volume acabam causando prejuízos.

Para corroborar, vale citar o que lembrou, recentemente, a desembargadora Áurea Pimentel. Disse ele que esse comportamento não está ligado, necessariamente, à exclusão social, à miséria ou à indigência, mas, tratando-se da classe média, “é fruto da decadência moral  que se instalou no País. Se no passado furtavam os abandonados, hoje é gente da classe média, gente que conhece o recesso do lar” a praticar tal  delito.


O inegável


Na cidade, o deputado Marcus Pestana dizia a jornalistas que se trata de fato insofismável que a economia brasileira recupera-se e progride. É o que o leva a definir como antipatriótico o esforço de alguns setores para interromper o mandato do presidente Michel Temer. Para o deputado tucano um dado particularmente importante no momento atual é o otimismo no setor de agronegócio.

 Elegível


Querem alguns intérpretes da legislação eleitoral que do presidente Michel Temer não se poderia dizer que está cumprindo o primeiro mandato. Na verdade, ele está completando um mandato presidencial que não é seu, mas foi o de Dilma Rousseff, que o Congresso interrompeu. A se valer de tal interpretação, ele estaria legalmente habilitado a disputar em 2018 um mandato genuinamente seu, sem se falar em reeleição. 




quarta-feira, 1 de novembro de 2017






Aos mortos
 

 A gente precisa dedicar um pouco mais de atenção aos parentes e amigos mortos, que não podem ser esquecidos, seja pelas virtudes que praticaram, seja pelos erros que construíram na sua efêmera peregrinação pelo mundo. Os bons merecem ser lembrados pelas obras e bens que semearam; os outros também, porque, afinal, mostraram maus exemplos a serem evitados. Há séculos também as Escrituras sustentam que os caídos não devem ser relegados, até porque eles apenas nos antecederam. O fim deles também será o fim de todos. Não é outra a verdade que alguém mandou gravar no frontispício de um campo santo do Maranhão: “nós, os ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

E digam que não. Há quem consiga escapar da última batalha, aquela que se travará contra a morte?. Lembrando isso, quase todas as religiões recomendam que sejamos modestos nas vaidades e prudentes na busca dos poderes terrenos, pois nada se leva daqui, como lembra o portal de um outro cemitério, este em Genebra, com grandes letras para ninguém esquecer: “Ici, l’légalité. Aqui, a igualdade. Todos no mesmo nível da miséria final.

Esquecer os mortos jamais, também porque com seus ossos se sepulta um pouco de cada sobrevivente retardatário, como definiria Felipe Casteline Roque: “Aqueles que passam por nós não partiram sós; deixaram um pouco deles; levaram um pouco de nós”. A propósito, certo dia, curioso, o deputado Ulysses Guimarães perguntou a um cacique tapuia o hábito de sua gente amarrar nas costas ossos dos antepassados, e ficou sabendo logo: “é porque os mortos nos governam”.

Padre Vieira disse, parece que numa pregação em Lisboa, que a virtude da morte é que ela amansa tudo, e perante ela todos são horizontalmente iguais. Melhor ainda o sermonista definiria depois. A nossa pobre vida humana vai do pó ao pó. Sobe o vento é o pó de pé, é a vida; cessa o vento, o pó deitado, é a morte. Um de seus grandes leitores, o ex-ministro Darcy Ribeiro também filosofou sobre os finados: se a carne volta à natureza cósmica, a grande coisa que está na vida é o nascimento da morte. Não há negá-lo.

Este Dia de Finados enseja pensar no inevitável crepúsculo das vitórias fugazes e o erro dos excessos que em nome delas se praticam. Em nada adianta acumular riquezas à custa de imensos sacrifícios. Tão bem disse um jornalista contemporâneo: a vida, na sua instantaneidade, é apenas uma centelha na noite densa do nada. A morte nos espreita em algum desvão do tempo. Caminhamos irremediavelmente ao encontro dela. Mesmo os que, pretextando falsa naturalidade no fatídico rompimento da existência, busquem coragem em Fernando Pessoa para dizer que a morte nada mais é que apenas a curva na estrada. “É só não ser visto mais” .

Seja como for, reverenciada a memória de tantas ausências queridas nesta quinta-feira, afastando maiores pessimismos sobre a duração da vida, fique a palavra final com o grande Guimarães Rosa: vale a pena morrer para a gente provar que viveu.   




quinta-feira, 26 de outubro de 2017






TOLERÂNCIA 


O Dia da Intolerância é como se poderia chamar o 29 de outubro de 1917 – há exatos 100 anos – quando ocorreu o mais grave entre os conflitos político-religiosos da cidade. Foi a manhã em que católicos e protestantes reeditaram aqui os conflitos então comuns na Europa. Os bispos Tarboux e Soper acabavam de publicar artigos na imprensa local ridicularizando os católicos por causa da confissão auricular, ao mesmo tempo em que definiam as missas como “coisa de heresia”. Os padres reagiram, pregando que “precisamos salvar a Igreja dos lobos protestantes”. O  conflito saiu dos púlpitos e chegou às ruas, com agressões. Anos antes, 1891,  bispos protestantes foram apedrejados,  tiveram de fugir para a Praça da Estação , protegidos por policiais, que também foram apedrejados. Em 1894, para explicar o clima de permanente tensão, um pastor teve sua casa invadida na Rua de Santo Antônio.

Em plena Primeira Guerra, que se alastrou de 1914 a 1918, a Academia de Comércio foi apedrejada por nacionalistas fanáticos, por saberem que naquele colégio a maioria dos padres era de origem germânica. A Academia teve de suspender a circulação do “A Bússola”, jornal da Congregação do Verbo Divino. O padre Leopoldo Pfad, superior-geral da Congregação, foi obrigado a  deixar o vicariato, o que se explicou como “conveniência internacional”. Na Rua Halfeld, a Confeitaria Viena, famosa pelas instalações e pelos serviços que oferecia, foi forçada a mudar de nome e passou a ser Confeitaria Fluminense.

Quando veio a Segunda Guerra, em 1939, a patriotice ainda não havia sido condenada a se tornar coisa do passado. Novamente a Academia de Comércio foi alvo de violência, graças a um bando de exaltados que haviam saído de um comício revanchista no Parque Halfeld. Os alemães aqui residentes, que nada tinham a ver com a tragédia nazista, foram muito hostilizados. Não faltaram  excessos: a Rua Itália foi rebatizada como Rua Oswaldo Aranha, a Berlim virou Avenida Governador Valadares. A Casa D' Itália foi momentaneamente confiscada pelas autoridades brasileiras. Na Rua Sampaio pedras eram atiradas na casa do prefeito Raphael Cirigliano, e as hostilidades chegaram a tal ponto que o Estado decidiu transferi-lo para São Lourenço.

Conta Roberto Dilly, do Instituto Teuto-Brasileiro, historiador da colônia germânica, que o avô Felipe Dilly, chegou a ser detido num bonde do bairro Fábrica, porque conversava com alguém  em alemão... Aos moradores da Colônia São Pedro atribuía-se a fantasiosa suspeita de que ali se motava um arsenal bélico “para a invasão da cidade no momento oportuno”, como publicou o Diário Mercantil. As cervejas, que chegaram a 12 naquele bairro, tiveram de mudar de rótulo. Nada em alemão. A Casa Surerus, que fabricava carroças, também foi alto de agressões.

Mas as restrições às nossas cervejas vinham de longe. Em 1891, quando se discutia a saída da capital de Ouro Preto, sendo Juiz de Fora citada como possível substituta, vivíamos às turras com aquela cidade, onde o padre Camilo Veloso convocava os jovens a “derramar seu sangue no ódio a Juiz de Fora e não consumir  cervejas daquela gente”,  mas aqui os agressores não deixaram por menos: diziam que a velha Vila Rica era “um dente com cárie imprestável”.


Na crônica das intolerâncias, num passado ainda mais remoto, vamos ver publicada a Resolução 936, de junho de 1881, determinando que qualquer pessoa da raça cigana não poderia permanecer mais que 24 horas na cidade, e quem comprasse de ciganos ou a quem a eles vendesse pagava multa de 60 mil réis...  





sexta-feira, 20 de outubro de 2017






De Sérgio a Marlon


Aborrece e deprime a cena a que está obrigado quem passar diante do prédio dos Grupos Centrais, na Avenida Rio Branco, um retrato do abandono e do pouco-caso a que o Estado condena nossos bens históricos. De quando em vez intercalam-se visitas de técnicos do governo, elaboram-se longos relatórios, reúnem-se especialistas em restauração, mas tudo logo cai no esquecimento.

Há dias o vereador Marlon Siqueira (PMDB) assumiu uma nova campanha que pretende sensibilizar o governador Fernando Pimentel para a obra necessária, já de há muito urgente. Como não podia deixar de ser, recebeu aplausos de quem se interessa pela causa.  

A iniciativa de Marlon comporta uma curiosidade: em 1977 – há exatos 40 anos, portanto –  o deputado Sérgio Olavo Costa fazia a Assembleia Legislativa aprovar lei de sua autoria que mandava o então governador Aureliano Chaves tombar aquele velho prédio, que Vale Amado construiu para ser casa de verão de Dom Pedro II. Mas se aborreceu quando o Imperador, agradecendo a oferta, preferiu que o imóvel se prestasse a uma escola. “Não se trata de saudosismo querer a preservação cultural; trata-se de obrigação de um povo!”, justificou o deputado.

Ontem para Sérgio, como hoje é para Marlon, não conservar a sede dos Grupos Centrais “é uma omissão imperdoável”.






terça-feira, 17 de outubro de 2017







Uma cadeira no Senado


As duas cadeiras proximamente vagas na bancada de Minas no Senado são hoje tema de muita especulação nos meios políticos. Explica-se: os ingredientes da eleição são incertos e o destino dos postulantes cercado de muitas dúvidas. Em nada se pode apostar.

Primeiro, para confirmar o que sempre acontece – e não é de hoje – quando o partido chega a escolher esse candidato é porque já compôs, não compôs ou pretende compor na formação da chapa de governador. Quem não pode o mais pode o menos. A cadeira do senador, de fato, muitas vezes foi o destino dos que não tiveram vez na corrida para o Palácio da Liberdade.  Hoje, na capital, uma corrente política pretende fazer o atual governador, Fernando Pimentel, candidato a uma das duas vagas, o que, sendo eleito, lhe daria condições de preservar a necessária imunidade, e com ela enfrentar suspeitas de graves denúncias. As pesquisas estimulam essa corrente, mostrando que Pimentel está bem no Interior, embora nem tanto na capital e na grande BH.

O problema para os petistas poderia ser a importação da candidatura de Dilma Rousseff, já que outro caminho não lhe resta. Bastaria avocar sua naturalidade mineira para se manter no cenário do qual foi alijada pelo impedimento.

Uma indagação cercada de reticências é Aécio Neves, que vinha como candidato natural à reeleição, mas isso passou a  ficar na dependência de suas desventuras junto ao Supremo Tribunal e o próprio Congresso. Não faltam tucanos achando que possa ser melhor para Aécio virar deputado federal, com uma eleição tranquila.

Nas hostes do PMDB o prefeito Bruno Siqueira já foi convidado a disputar uma das duas cadeiras. Para tanto, além de pretender levantar a bandeira da renovação, o partido lança mão de um apelo que é também um compromisso: continuar a obra de seu padrinho político, Itamar Franco, que esteve no Senado em três mandatos, o terceiro ceifado no oitavo mês pela “indesejada das gentes”, como diria Bandeira. O assunto é de domínio público. Só Bruno não fala. Não confirma, mas também não nega. Dele sabe-se apenas que só entraria na disputa se a conjuntura lhe garantir a possibilidade de êxito. 








quarta-feira, 11 de outubro de 2017






Pedágio cruel


O deputado Hugo Leal (PSB-RJ) diz que Juiz de Fora lidera a lista das cidades mais prejudicadas com as negligências da Concer, consórcio que explora o trecho mais rendoso da BR-040, ligando a cidade ao Rio de Janeiro. A começar pelo fato de a variante da Serra de Petrópolis tinha de ser entregue ao tráfego em 2016. Com isso, o transporte sofre e perde tempo. Já vai para duas décadas que se cobra pedágio e as deficiências não são poucas. A variante prometida é apenas a principal.

Há outro ponto essencial, que o olhar descuidado do governo federal deixa o problema passar ao largo. A BR-040, por ligar dois grandes centros produtores e consumidores, tem de diferenciar sensivelmente, para efeito de aplicação do pedágio, o que é carro de passeio e o que é caminhão de carga. A carga, no final do ciclo comercial, tem sido muito onerada, e nada prova que esse tipo de transporte seja o mais prejudicial ao piso; tanto assim, que a reposição do asfalto é coisa rara.

E mais: segundo o deputado fluminense, a Concer tem de ser chamada a prestar serviços diferenciados, isto é, não pode confundir, apenas em seu proveito, os itens obra e conservação, sob pena de acabar não fazendo nem uma coisa nem outra.


 Singularidade nacional


São  infinitas as peculiaridades da história da sociedade brasileira, onde muitas vezes alinham-se fatos e situações que em outros países seriam inconcebíveis. No resto do mundo civilizado como se explicaria o desenvolvimento econômico se não pela via da estabilidade das instituições, rigorosa harmonia entre os Poderes e – mais que tudo – na confiança que se deve depositar nas lideranças políticas. Três ingredientes dos quais o Brasil carece em franciscana penúria.


Pois bem. Como teríamos então de explicar que, em meio a tamanhas turbulências, 1,3 milhão de trabalhadores acabam de recuperar o emprego? Como a Bolsa de S.Paulo pode chegar ao recorde de 70 pontos de ações negociadas? A inflação parcialmente dominada e os juros em queda correm para compor as interrogações, quase num campo de perplexidade. Um País singular, onde também se chega ao ponto de as pesquisas para a sucessão indicarem o favoritismo de um ex-presidente acusado em nove processos de corrupção ativa ou passiva. 





segunda-feira, 9 de outubro de 2017






Bruno candidato

A concentração regional que o PMDB realizou na cidade, no fim de semana, ajudou o partido a conhecer algo mais sobre o futuro político do prefeito Bruno Siqueira. No discurso com que encerrou o encontro, o presidente estadual Antônio Andrade dirigiu-se duas vezes ao vice Antônio Almas, sugerindo que se prepare para assumir. Sinal de que “o PMDB vai precisar de Bruno”, que se desincompatibilizará para poder disputar em 2018. Andrade não disse claramente qual o cargo que o prefeito tentará junto ao eleitorado, mas parece definido que será par o Senado. Por que essa conclusão? Porque o partido definiu que terá candidato próprio ao governo do Estado, o que significa que a vice será destinada ao um partido que compuser a aliança. Resta o Senado, onde, segundo Andrade, Bruno poderá completar a obra de Itamar”, que morreu exercendo o terceiro mandato como senador.

Uma garantia dada pelo presidente é que o PMDB disputará o governo de Minas em faixa própria. Qualquer aliança a que se prestar, a condição é que o candidato a governador seja um peemedebista. O partido tem presença em 853 municípios, ”tem compromisso com Minas e não vai negar isso”,explicou Andrade.

O deputado federal Rodrigo Pacheco, quase um candidato natural ao Palácio da Liberdade, que também  estava em Juiz de Fora, aplaudiu quando o presidente e o coordenador regional do PMDB, Orlandismidt Riani, afirmaram que a tarefa imediata é restituir a Minas o seu papel na Federação. Hoje o Ministério tem cinco pernambucanos e nenhum mineiro...

Rompido com o governador Pimentel, Antônio Andrade, seu vice, fez um mea-culpa: não devia ter decido aos apelos de Dilma Rousseff para compor a chapa do PT em Minas. Arrependeu-se. E o acusou de ter condenado Minas a um papel de estagnação. Advertiu prefeitos  da  Zona  da Mata para não assinarem convênios para obras, “porque não vão receber”. Pimentel, segundo ele, criou 10.000 novos empregos para favorecer petistas derrotado no Rio Grande do Sul, Brasília e São Paulo.



Monarquistas  

O fim de semana político também contou com a participação dos monarquistas. O Círculo Monárquico de Juiz de Fora é um dos mais antigos de Minas, e sua principal campanha é para que se ponha fim ao presidencialismo, que não deu certo no Brasil, hoje mergulhado em meio a desastrosa  onda de corrupção e decepção para a Nação com seus governantes.

Na sede do Credireal foram promovidas três conferências, Eram convidados os professores Gastão Reis, Rodrigo Tjader e Luiz Pontes. Os expositores são intelectuais do mais alto nível. No seu entendimento e na proposta do Ciclo realizado em Juiz de Fora ao Brasil já não basta o parlamentarismo presidencialista, mas o parlamentarismo monárquico. São vários os países que sinalizam ser esse o melhor caminho.

Um livreiro dos mais respeitados, o intelectual Jean Menezes do Carmo, tem trabalhado muito para a divulgação da Monarquia, seus valores éticos e morais. 







quinta-feira, 5 de outubro de 2017








Missão temática


Sem discordância de que o País vive o seu período político mais duvidoso , no olho de um ciclone, em que se perdem tanto Executivo como Judiciário, para não falar de novo no Legislativo, parece haver um ponto em que os mais responsáveis estão acordes:  tirar Temer da cadeira em que se acha assentado é mais temerário que qualquer outra solução. Pois, nesta altura dos acontecimentos, substituir o presidente é optar por uma via traumática. O que não significa pretender isentá-lo do dever de explicar-se sobre as acusações que lhe pesam, e que são graves.  Preferível, para que as coisas não piorem, é navegar da melhor maneira possível, contornando as tempestades.

A bem dizer, a missão do presidente nessa conturbada navegação é reeditar para si o enfrentamento do desafio de seu antecessor Prudente de Morais, primeiro presidente civil e primeiro a se eleger pelo voto universal. Pacificar o País, para conter os excessos saudosistas, tanto dos golpistas florianistas, como dos populistas que erigiram Lula como o mais santo dos santos.



Monarquistas


Com uma mensagem que se afirma preocupada com o resgate da Nação, o Círculo Monárquico de Juiz de Fora promove, neste sábado, um ciclo de palestras aberto ao público. Começa às 9 horas, no salão nobre do Museu do Credireal.

Às 9 horas o professor Rogério Tjader fala sobre ”O Brasil no século 19, antecedentes e desenvolvimento”. Logo depois, às 10h30min, o professor  Gastão Reis abordará o tema “Tese, antítese e síntese na moldura institucional brasileira”. Ao meio-dia, encerrando o ciclo, o conferencista Luiz Pontes discorrerá  sobre “O Império Verde Amarelo: Breve história da grandeza  e decadência da bandeira brasileira.” 







quarta-feira, 20 de setembro de 2017






CORRIDA PRESIDENCIAL


A corrida presidencial está em curso. Os institutos de pesquisas já aferem a preferência do eleitorado. A quase um ano da data do primeiro turno da eleição (7 de outubro) alguma considerações iniciais podemos fazer. Os nomes de políticos conhecidos são lembrados espontaneamente nas consultas de preferências. O ex-presidente da República Lula (PT) segue liderando todas as enquetes, apesar de já ter uma condenação em primeira instância na Justiça Federal do Paraná. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) aparece com regularidade na segunda posição das pesquisas, e  se credencia a ser a candidatura de extrema direita. O PSDB, que teve candidatos que protagonizaram disputas polarizadas com candidatos do PT desde 1994, ainda não escolheu quem será seu candidato, mas poderá ser um político paulista.

No cenário político atual parece que a disputa presidencial terá vários pré-candidatos, como foi na primeira eleição direta para presidente, restituída em 1989,  com a última redemocratização do país. A primeira novidade nesta eleição de 2018 será a candidatura com a disposição de se identificar com uma agenda conservadora, por iniciativa do capitão (militar da reserva) Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Sabemos que as pesquisas de preferência do eleitorado refletem a fotografia do cenário daquele momento. Entretanto, elas vão registrando as tendências do eleitorado. O cenário pode se modificar por composições políticas, impedimentos judiciais, desistências ou outras circunstâncias. Os políticos em situação desfavorável nas pesquisas costumam desvalorizar seus resultados, mas internamente fazem suas avaliações com base nelas.







quinta-feira, 14 de setembro de 2017






Um ano de sombras



Qual será o papel dos partidos políticos no processo eleitoral de 2018? Terão força e prestígio suficientes para a campanha, depois das graves intempéries que vêm enfrentando eles e a Nação a seu reboque? Há quem observe que no rastro desse desprestígio esteja a primeira porta a se abrir a candidaturas novas e inovadoras, a começar pela presidência da República, onde seu titular hoje navega em braçadas para tentar chegar ao fim da acidentada viagem em que está embarcado.

A indagação inicial faz sentido porque todos os partidos, sejam eles compostos de que letrinhas forem, estão condenados ou sob suspeita nesse lamaçal em que o País afunda. Os três que abrigam os maiores escândalos de corrupção e tráfico de influência são exatamente os mais fortes – PT, PMDB e PSDB – sem que fiquem incólumes os menores, esses de aluguel, que sobrevivem à custa de alianças permanentes ou episódicas e circunstanciais, como as que se formam para facilitar a vida do Executivo no Congresso Nacional.

De maneira que não há salvados no naufrágio que hoje atormenta o Brasil. O que então autoriza a expectativa de algo novo no processo eleitoral que se avizinha, caso os partidos realmente signifiquem pouco no ânimo do eleitorado.

Razão haveria, pois, para condenar o 2018 a uma caixa de surpresas e ineditismo. O que pode ser bom, por um lado, com o aceno de renovação em um quadro político de lideranças envelhecidas e  viciadas;  como também pode se tornar um grande risco, pois, esvaziadas as legendas, abrem-se as portas aos aventureiros e falsos profetas, que constituem eles, mais que  outros criminosos políticos, a pior classe  de gente aproveitadora.







quinta-feira, 31 de agosto de 2017






Os números do IBGE


Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ainda que meramente no campo da estimativa, deram a Juiz de Fora 560 mil habitantes. O IBGE, diga-se de passagem, sempre foi, para as lideranças locais, uma espécie de algoz, acusado de subestimar o volume da gente que vive aqui, problema que, 40 anos passados, chegou a inspirar o deputado João Navarro a criar uma CPI na Assembleia Legislativa, porque naquela época já consternava saber que não passávamos de 300 mil. Não faltava, como não falta hoje, a voz dos que garantiam nunca terem sido pesquisados pelos agentes do Instituto. Portanto, censo furado...  Fato é que as queixas e suspeitas acabaram dormindo nas gavetas. O Instituto sempre se valeu de argumentos técnicos que contrariam o bairrismo apaixonado.

Vale considerar que para os centros urbanos com o perfil de Juiz de Fora o que pode e deve pesar é o conhecimento da realidade projetada pela população flutuante, que no caso local facilmente nos levaria a algo em torno de 800 mil moradores e circulantes eventuais. Esses eventuais são os que vêm todo dia estudam, frequentam hospitais, clínicas, shoppings e retornam às suas cidades de origem. Entre eles até mesmo os milhares que aqui trabalham e só voltam ao emprego no dia seguinte. Todos utilizando os equipamentos urbanos deterioráveis.  

Quando um centro urbano é reconhecido como polo referencial, como Juiz de Fora o é em relação a boa parte da Mata e das Vertentes, seus poderes políticos ganham força e capacidade de pressão para postular tratamento diferenciado na partilha dos recursos tributados. A começar pelo Fundo de Participação dos Municípios, esse velho padrasto dos prefeitos.

A percepção do problema não está na pauta das novidades. Governos passados admitiram a necessidade de encará-lo com coragem, mas não lograram avançar e prosperar. Foi o que aconteceu no governo Geisel, quando se falou nas cidades-dique (e a nossa entre elas); aquelas que mereciam ser contempladas com recursos para a realização de obras e serviços que correspondessem à região circunvizinha em torno das que são  capazes de centralizar e atrair.  Quanto a Juiz de Fora, mesmo logo esquecida por Brasília como “dique”, a imposição das necessidades acabou de regionalizar alguns serviços, como na Saúde, permitindo que para cá corram populações que não dispõem de atendimento suficiente ou adequado onde moram.

Portanto, melhor não é produzir contestações infrutíferas sobre as qualidades do IBGE; melhor é lutar para que os censos não levem em conta apenas os que aqui moram mas também os que aqui passam  uma boa parte de sua vida. 







quarta-feira, 23 de agosto de 2017







"Em conflito com a lei"


O Brasil mudou na abordagem da corrupção na vida pública. Antes neste País não se podia imaginar notícias tais como:

"O Presidente Michel Temer se transformou no primeiro mandatário do Brasil denunciado à Justiça pela prática de crime cometido durante o seu mandato.'

'Sentença do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro no caso do apartamento triplex, dentro das investigações da Operação Lava Jato, foi distribuída no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, na quarta-feira, 23/8.'

 'O senador Fernando Collor de Mello virou réu em uma ação da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. O ex-presidente da República é acusado de receber R$ 30 milhões em propinas de uma subsidiária da Petrobras.' 

Com isto temos alguns ocupantes do Palácio do Planalto em situação de conflito com a lei. É inegável que houve uma mudança institucional. Parece que as autoridades da Polícia Federal, Ministério Público Federal e da Justiça Federal resolveram agir de forma coordenada no enfrentamento ao crime denominado no passado de "colarinho branco", mesmo que as consequências cheguem ao "andar de cima" da política brasileira. Há quem considere que estas ações são consequências do amadurecimento institucional adquirido a partir da Constituição Federal de 1988.




Reforma política em pauta


A Câmara Federal atualmente só tem uma pauta prioritária que é apreciar o relatório  da reforma política produzido pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP). Ele introduziu o Fundo de Financiamento da Democracia (financiamento público), um novo sistema eleitoral denominado "distritão" (que pode ser chamado de 'estadão'), e outras possibilidades de mudança não tão relevantes.

Até hoje não há consenso em torno das proposições do relator sobre financiamento e sistema eleitorais. Está evidente o desejo explícito dos atuais deputados de reelegerem-se aprovando uma legislação casuística.

Para os analistas sensatos melhor seria a manutenção do sistema proporcional (mesmo com as suas deficiências) proibindo-se as coligações proporcionais, e introduzindo uma cláusula de barreira (desempenho) com o percentual possível atualmente. 

No caso do financiamento eleitoral deveriam ser mantidas as mesmas regras das eleições municipais, somente permitidas as doações individuais. isto só baratearia as campanhas eleitorais. Alguém diria que o denominado 'caixa-dois' seria largamente utilizado. Entretanto, quem utilizar desse expediente sabe o risco que estará correndo.






terça-feira, 22 de agosto de 2017







JORNADA DE ORAÇÃO E JEJUM PELO BRASIL


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está convidando a todos para uma Jornada de Oração pelo Brasil, a ser realizada nas comunidades, paróquias, dioceses e regionais do país, de 1º a 7 de setembro. Os bispos decidiram mobilizar os cristãos, por meio da oração, após a análise da realidade brasileira feita na última reunião do Conselho Episcopal Pastoral da entidade, dias 10 e 11 de agosto.

O Dia de Oração e Jejum sugerido é o dia 7 de setembro, data que marca a Independência do Brasil. Além da carta a todos os bispos, foi enviada também uma oração, a mesma da celebração de Corpus Christi, com pequena adaptação.

Segundo o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a Jornada é uma oportunidade para que se unam os cristãos e pessoas de boa vontade que querem um Brasil melhor, mais fraterno e não dividido.

“Nós estamos necessitados de um novo Brasil, mais ético; de uma política mais transparente. Nós não podemos chegar a um impasse de acharmos que a política pode ser dispensada. A política é muito importante, mas do modo do comportamento de muitos políticos, ela está sendo muito rejeitada dentro do Brasil. Nós esperamos que esse dia de jejum e oração ajude a refletir essa questão em maior profundidade.”

Um dos trechos da oração pede:

 “Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos”.

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Para construirmos a justiça e a paz, em nosso país, necessitamos muito do vosso amor misericordioso de Deus, que nunca se cansa de perdoar. Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejamos atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas!

Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos. Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos agentes da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Vosso filho Jesus está no meio de nós, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Neste ano em que celebramos os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, queremos seguir o exemplo de Maria, permanecendo unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo.







quarta-feira, 16 de agosto de 2017






A vez de Lacerda


No atual quadro da política mineira, quando atenções se voltam para as eleições de 2018, o alvo das principais está em Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, onde pesquisas já vão lhe dando preferência acima de 30% do eleitorado. Ele é hoje uma das raras lideranças de Minas no restrito clube das lideranças que passam sem suspeitas pelos inquéritos e pelas delações gratuitas ou premiadas. Em tais condições, com tal perfil, reúne elementos a mais para avançar no projeto de se tornar governador.

As condições aventadas podem levá-lo às urnas estimulado por uma aliança de partidos ou correntes políticas independentes, que desde agora advogam ampla reforma na cansada política mineira, removidas, prioritariamente, figuras desgastadas ou mesmo apenas suspeitas. Pode estar aí o seu destino. Tancredo já advertia que subir as escadas do Palácio da Liberdade não é apenas resultado de circunstâncias; é obra do destino.

Sobre as relações de Márcio Lacerda com Juiz de Fora, de há muito superadas e apagadas nos sinistros tempos da ditadura, quando aqui esteve preso, é oportuno lembrar que ele tem ao lado Vitor Valverde como um dos mais importantes e influentes colaboradores. Vitor, que foi secretário de Administração do prefeito Custódio Mattos e secretário de Governo em BH, agora candidato a deputado estadual, não escaparia de ser, eleito Lacerda, o principal interlocutor da cidade junto ao novo governo.