quarta-feira, 9 de agosto de 2023

 

Eleição 2024 em pauta ( XXXII)

1- Pela rede social, o vereador Sargento Melo convida seguidores para evento regional do PL, dia 26, quando fará filiação a esse partido, o mesmo do ex-presidente Bolsonaro. Ele foi eleito pelo PTB, e antecipa a mudança partidária, uma vez que a 'janela partidária', será em março próximo.

Mello é um político de direita, ferrenho opositor da prefeita Margarida. Há quem ache que ele será candidato a prefeito. A conferir.

2 – O que tem circulado, com frequência, nas conversas entre emedebistas, é que o grupo do ex-prefeito Tarcísio Delgado continua inflando projeto político que culminaria com o lançamento do ex-deputado Júlio Delgado à prefeitura. Mas tudo ainda em fase de ensaio.

3 - Vereador Marlon Siqueira (PP) questionou a prefeitura: por que não pintar as ciclovias?, considerando que, há uma semana, foram revitalizadas as faixas de pedestres da Rio Branco, medida que considerou acertada; mas, de novo, os ciclistas ficaram de fora.

A sinalização indica a preferência dos ciclistas na retenção de vias movimentadas, o que garante mais segurança no trânsito. O vereador concluiu o protesto informando que já havia solicitado o serviço à prefeitura.

Marlon está no segundo mandato de vereador. Foi o primeiro líder da Administração Margarida. Agora, há notícia de bastidores informando sua saída do Partido Progressista (PP), com retorno ao MDB no ano que vem.

4 – Tão importante como continuar no comando do MDB de Minas, reeleito nesta semana, o deputado Newton Cardoso tornou-se secretário-geral do diretório nacional.

Sobre a convenção do partido, ocorrida no sábado passado, os grupos que rivalizavam internamente resolveram, consensualmente, fazer chapa única para o diretório, comissão executiva e demais cargos e funções. Com isso, foi possível a recondução do deputado para presidente por mais um mandato no MDB/MG.

5 - Em sua fala, o presidente reeleito deu o tom da disposição para as próximas eleições:

“O MDB se credencia para lançar o maior número de candidatos a prefeitos ano que vem, bem como chapas fortes de vereadores. Considerando que, sem dúvida, a prefeitura de Belo Horizonte é uma meta alcançável para que o MDB retorne à prefeitura da capital depois de quase 35 anos”.

Nos bastidores do partido, na cidade, circula uma notícia que o médico João César Novais (presidente do MDB/JF) tem interesse em ser o candidato a prefeito, e articula bastante para viabilizar sua candidatura.

6- O ex-vereador José Sóter Figueiroa, que ocupava uma das vice-presidências no mandato partidário anterior, agora é um dos delegados à convenção nacional e membro do diretório estadual.

7 - Deputada Ione Barbosa usou de redes sociais para esclarecer seu posicionamento favorável à ação da PM paulista no Guarujá, que resultou em 16 mortes de suspeitos de crimes, após a morte de um soldado. O que desencadeou a ação policial criticada pela imprensa. A deputada lembrou que é uma policial, e considera que os policiais que praticaram as mortes de supostos criminosos agiram proporcionalmente à violência que sofreram.

8 – A presidente da executiva nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, estará em Belo Horizonte no mês que vem. Participa, dia 2, de plenária da legenda que deve oficializar o candidato à prefeitura. Expectativa da militância é que o candidato seja mesmo definido até naquela data.

Favorito é o deputado federal Rogério Correia, mas as deputadas estaduais Beatriz Cerqueira e Macaé Evaristo também são cogitadas.

Em julho, houve encontro das federações PT/PCdoB/PV e Psol/Rede na capital para uma primeira aproximação. Os petistas também se aproximaram do PSB, recentemente.

9 - Charlles Evangelista é pré-candidato a prefeito pelo Partido Progressista, segundo a imprensa local. Ele já foi vereador e deputado federal. Filho do ex-vereador Chico Evangelista, mantém relacionamento com a deputada Sheila Oliveira (PL). Eleito deputado federal em 2018 pelo extinto PSL, atual União Brasil, na onda que elegeu Bolsonaro presidente da República. Também foi eleito presidente do PSL/MG. Atualmente está filiado ao PP, que foi seu partido quando exercia o mandato de vereador.


Noticiou-se, meses atrás, a possível filiação de Evangelista no PR, mas o assunto não prosperou. A filiação dele traz tranquilidade aos candidatos a vereador, pois, quando se tem candidato a prefeito, a legenda ganha força, e repercute na melhor votação para a chapa de vereadores.


10 - Outro dado importante é o fato de o PP ser o partido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que poderá prestar apoio à candidatura local.

Charlles é político de direita e já está utilizando suas redes sociais para criticar a administração da prefeita Margarida Salomão. Em vídeo publicado no Facebook trouxe denúncias do atendimento ruim no HPS e nas UBS dos bairros, e aproveitou a oportunidade para citar uma lista de atos da atual prefeita que considera errados, tais como desperdício de dinheiro público na reforma da Praça Antônio Carlos, contratação de pessoal aliado político e compra de arroz do MST.

11 - O colunista do UOL José Roberto de Toledo avaliou, durante participação no programa Análise da Notícia, que as eleições municipais de 2024 serão de continuidade, com alta taxa de reeleição de prefeitos.

Os cronistas da história continuam devendo as biografias de João Nogueira Penido e João Penido Filho, cuja expressão política foi muito além da cidade, com reconhecimento em outros estados.

O filho (1862-1945), deputado federal em várias legislaturas, entre outras obras construiu a Sociedade de Medicina e Cirurgia, foi o autor do Projeto 645, de 1921, determinando o alistamento eleitoral das mulheres, um pioneirismo que não conseguiu vencer o conservadorismo da época.

João Penido pai, (1822-1901) que presidiu a Câmara Municipal, e deixou sua imensa fortuna para a Santa Casa, também deputado federal, foi autor do projeto tornando crime o açoite aplicado aos escravos, ideia que Joaquim Nabuco acabou tomando para si.


terça-feira, 8 de agosto de 2023

 


A receita do bolo




(( Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil" ))



Na ebulição de pequena reforma ministerial, forçada pelo imperativo de uma convivência mínima do governo com partidos representados no Congresso Nacional, o líder do PT no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), com a experiência de quem conhece bem as subidas e descidas do Bonfim, traz a fórmula de convivência com os que têm voto na Câmara, e podem influir na tramitação de matérias importantes. Diz o senador baiano que o jeito é satisfazer a quem chega, sem maltratar quem está, solução mágica que, na semana passada não funcionou no Turismo, onde a ministra foi defenestrada, em nome de composições, o que conflitou claramente com a receita wagneriana. Compor não é fácil para Lula, ele sabe disso, porque os interesses são muitos e limitada a capacidade de atendimento.

As circunstâncias desafiam o presidente, que se elegeu sem levar a reboque uma sólida bancada parlamentar; daí a necessidade das composições, algumas vezes à custa do sacrifício de veteranos companheiros. Mas a ele o que se impõe é a indispensabilidade do governo poliforme.

(Muito antes, quando já fazia água nos porões do Império, quem viveu situação semelhante foi o conselheiro Carneiro Leão, que tentou um Gabinete mais ou menos assim, capaz de contentar a conservadores e liberais. Não deu, porque a origem de seus ministros conflitava demais, mesmo quando o chefe, inspirado no próprio nome, tentou conviver, na jaula comum do poder, a candura do carneiro com a ferocidade do leão… Não deu).

Qualquer governo, não apenas o atual do Brasil, que se firme na coalizão, para não correr o risco de colisão, é sempre chamado a fazer concessões, com o cuidado de adotar a medida em que os premiados sintam-se satisfeitos, mas dentro de espaços suficientes. É a história da conciliação no bolo político de que falava Lawrence J Peter ( 1919- 1990): a arte de dividir o bolo, de forma que cada um pense ter recebido o pedaço adequado. O bolo lulista já se revelou generoso, o que não deixa de ser perigoso para o governo no oitavo dos 48 meses, ainda muito para caminhar. Com tanto tempo pela frente, como andará a gulodice dos amigos?

Os aliados não escapam de grave responsabilidade com a governabilidade, porque da mesma forma como lhes acode o direito de participar, ocupar cargos e funções, têm o dever de serem comedidos nas exigências. Precisam saber que nem tudo é possível. O presidente tem procurado transmitir imagem de quem vem agindo sem pressões; chega a afirmar que não discute ministérios com o Centrão. Mas a realidade é outra, porque os partidos que pretendem subir a rampa do Planalto são pragmáticos, pressionam claramente, não fazem questão de esconder que votam na linha das contrapartidas. É impossível negar essa evidência. Que tem tudo para preocupar.

Crime perdoado

Num país de grandes e pequenas impunidades, não há razão de espanto na proposta de Emenda Constitucional destinada a perdoar, mais uma vez, os partidos políticos que são contumazes descumpridores de obrigações; como se deu na reserva de espaço para negros e mulheres nas chapas de candidatos; conquista que foi passo importante para conter o ímpeto elitizante nas eleições proporcionais. O assunto deve retomar discussão nesta semana, o que já permite certa estranheza, pois temas muito mais importante mereceriam a atenção parlamentar. Certamente o país será obrigado a ouvir, de novo, o desfaçamento da justificativa: os partidos não entenderam bem o que a lei pretendia…

Quanto à aprovação do pretendido retrocesso é forçoso prever que se dará com facilidade, pois a favor inscreveram-se quase todos os partidos, num raro episódio em que estão ombreados lulistas e bolsonaristas. Ainda assim, são necessários os votos de 308 deputados e 49 senadores.

É um dos fatos da semana, que se soma a outros, muitos outros, para mostrar que a organização partidária, como está, não tem mais jeito de sobreviver. É preciso reformá-la, começando por desinchá-la. Temos partido demais.

Voto escravizado

Os catorze meses que nos distanciam das eleições não são tempo vasto demais, contrariamente ao que pensam alguns dirigentes partidários. Pode ser que a indicação de candidatos e a formulação de propostas demandem prazos, o que não quer dizer que 

A receita do bolo

Na ebulição de pequena reforma ministerial, forçada pelo imperativo de uma convivência mínima do governo com partidos representados no Congresso Nacional, o líder do PT no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), com a experiência de quem conhece bem as subidas e descidas do Bonfim, traz a fórmula de convivência com os que têm voto na Câmara, e podem influir na tramitação de matérias importantes. Diz o senador baiano que o jeito é satisfazer a quem chega, sem maltratar quem está, solução mágica que, na semana passada não funcionou no Turismo, onde a ministra foi defenestrada, em nome de composições, o que conflitou claramente com a receita wagneriana. Compor não é fácil para Lula, ele sabe disso, porque os interesses são muitos e limitada a capacidade de atendimento.

As circunstâncias desafiam o presidente, que se elegeu sem levar a reboque uma sólida bancada parlamentar; daí a necessidade das composições, algumas vezes à custa do sacrifício de veteranos companheiros. Mas a ele o que se impõe é a indispensabilidade do governo poliforme.

(Muito antes, quando já fazia água nos porões do Império, quem viveu situação semelhante foi o conselheiro Carneiro Leão, que tentou um Gabinete mais ou menos assim, capaz de contentar a conservadores e liberais. Não deu, porque a origem de seus ministros conflitava demais, mesmo quando o chefe, inspirado no próprio nome, tentou conviver, na jaula comum do poder, a candura do carneiro com a ferocidade do leão… Não deu).

Qualquer governo, não apenas o atual do Brasil, que se firme na coalizão, para não correr o risco de colisão, é sempre chamado a fazer concessões, com o cuidado de adotar a medida em que os premiados sintam-se satisfeitos, mas dentro de espaços suficientes. É a história da conciliação no bolo político de que falava Lawrence J Peter ( 1919- 1990): a arte de dividir o bolo, de forma que cada um pense ter recebido o pedaço adequado. O bolo lulista já se revelou generoso, o que não deixa de ser perigoso para o governo no oitavo dos 48 meses, ainda muito para caminhar. Com tanto tempo pela frente, como andará a gulodice dos amigos?

Os aliados não escapam de grave responsabilidade com a governabilidade, porque da mesma forma como lhes acode o direito de participar, ocupar cargos e funções, têm o dever de serem comedidos nas exigências. Precisam saber que nem tudo é possível. O presidente tem procurado transmitir imagem de quem vem agindo sem pressões; chega a afirmar que não discute ministérios com o Centrão. Mas a realidade é outra, porque os partidos que pretendem subir a rampa do Planalto são pragmáticos, pressionam claramente, não fazem questão de esconder que votam na linha das contrapartidas. É impossível negar essa evidência. Que tem tudo para preocupar.

Crime perdoado

Num país de grandes e pequenas impunidades, não há razão de espanto na proposta de Emenda Constitucional destinada a perdoar, mais uma vez, os partidos políticos que são contumazes descumpridores de obrigações; como se deu na reserva de espaço para negros e mulheres nas chapas de candidatos; conquista que foi passo importante para conter o ímpeto elitizante nas eleições proporcionais. O assunto deve retomar discussão nesta semana, o que já permite certa estranheza, pois temas muito mais importante mereceriam a atenção parlamentar. Certamente o país será obrigado a ouvir, de novo, o desfaçamento da justificativa: os partidos não entenderam bem o que a lei pretendia…

Quanto à aprovação do pretendido retrocesso é forçoso prever que se dará com facilidade, pois a favor inscreveram-se quase todos os partidos, num raro episódio em que estão ombreados lulistas e bolsonaristas. Ainda assim, são necessários os votos de 308 deputados e 49 senadores.

É um dos fatos da semana, que se soma a outros, muitos outros, para mostrar que a organização partidária, como está, não tem mais jeito de sobreviver. É preciso reformá-la, começando por desinchá-la. Temos partido demais.

Voto escravizado

Os catorze meses que nos distanciam das eleições não são tempo vasto demais, contrariamente ao que pensam alguns dirigentes partidários. Pode ser que a indicação de candidatos e a formulação de propostas demandem prazos, o que não quer dizer que grandes questões ligadas ao bom desempenho do pleito sejam transferidas, não se sabe para quando. Há questões que já deviam estar ocupando atenção, até agora apenas tratadas superficialmente, como o papel que será confiado às redes sociais nas orientações ao colégio eleitoral. Justificam-se os temores, porque elas não parecem muito animadas a expor temas notáveis, sem part pris e sem compromissos, ajudando o eleito a entender o que querem e o que propõem os candidatos. As redes preferem cardápio político de prato feito, contra ou a favor. E já agora são capazes de justificar tal preocupação, empenhadas em continuar dividindo o Brasil como veio da última eleição, isto é, metade lulista, metade bolsonarista, com mensagens raivosas, não raro agressivas e ofensivas. Seria péssimo para o Brasil se permanecesse refém desse conflito.

Uma discussão que se torna mais delicada, quando penetra a linha tênue que define direitos e deveres no campo da informação, de opinião e expressão, manifestadas livremente e a salvo das intolerâncias.

Outra preocupação, ainda com vistas aos rumos da democracia e da liberdade preservadas – preocupação nossa e do mundo inteiro, universal – é o papel da inteligência artificial na campanha dos candidatos. Tudo a temer, porque a IA, se, por um lado cria e expande recursos a serviço do homem, também dispõe de competência tecnológica para substituir ou limitar seu poder de inteligir e criar. Com dois braços, ela exalta a pessoa, mas também a escraviza. Não se pode brincar com isso, até porque há toda evidência de que as campanhas eleitorais vão se tornar, num futuro não tão distante, totalmente subsidiadas pela máquina intelectual.

Se essa artificialidade apossar-se da política, certamente com o grande benefício das candidaturas milionárias, o eleitorado estará retrocedendo à barbárie, mera peça do star system, à menoridade do raciocínio. Seria bom pensar nisso com seriedade.

grandes questões ligadas ao bom desempenho do pleito sejam transferidas, não se sabe para quando. Há questões que já deviam estar ocupando atenção, até agora apenas tratadas superficialmente, como o papel que será confiado às redes sociais nas orientações ao colégio eleitoral. Justificam-se os temores, porque elas não parecem muito animadas a expor temas notáveis, sem part pris e sem compromissos, ajudando o eleito a entender o que querem e o que propõem os candidatos. As redes preferem cardápio político de prato feito, contra ou a favor. E já agora são capazes de justificar tal preocupação, empenhadas em continuar dividindo o Brasil como veio da última eleição, isto é, metade lulista, metade bolsonarista, com mensagens raivosas, não raro agressivas e ofensivas. Seria péssimo para o Brasil se permanecesse refém desse conflito.

Uma discussão que se torna mais delicada, quando penetra a linha tênue que define direitos e deveres no campo da informação, de opinião e expressão, manifestadas livremente e a salvo das intolerâncias.

Outra preocupação, ainda com vistas aos rumos da democracia e da liberdade preservadas – preocupação nossa e do mundo inteiro, universal – é o papel da inteligência artificial na campanha dos candidatos. Tudo a temer, porque a IA, se, por um lado cria e expande recursos a serviço do homem, também dispõe de competência tecnológica para substituir ou limitar seu poder de inteligir e criar. Com dois braços, ela exalta a pessoa, mas também a escraviza. Não se pode brincar com isso, até porque há toda evidência de que as campanhas eleitorais vão se tornar, num futuro não tão distante, totalmente subsidiadas pela máquina intelectual.

Se essa artificialidade apossar-se da política, certamente com o grande benefício das candidaturas milionárias, o eleitorado estará retrocedendo à barbárie, mera peça do star system, à menoridade do raciocínio. Seria bom pensar nisso com seriedade.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

 

Eleição 2024 em pauta (XXXI)

1- Num momento em se levantam dúvidas sobre a necessidade do rigor da operação policial em Guarujá, da qual resultou a morte de 14 pessoas, a deputada Ione Barbosa (Avante-MG) antecipou-se e saiu em defesa dos policiais, por entender que, se os suspeitos morreram, era preciso que morressem. Foi depoimento que prestou na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, onde o assunto continua rendendo, além de desgastes para o governador Tarcísio de Freitas.

As redes sociais dividem-se. Mas parece que a deputada somou pontos junto ao eleitorado da direita.

2 - O portal UOL Notícias informou que câmaras e prefeituras paulistas iniciaram movimento para turbinar os salários de vereadores e prefeitos, no ano que antecede a eleição.  

Os reajustes variam entre 40% e 179%, e há casos em que a remuneração mensal pode chegar a R$ 34 mil para o Executivo, e até R$ 20 mil para o Legislativo. A lei estabelece que os salários dos mandatários municipais, que tomarão posse em 2025, receberão os proventos aumentados pelos atuais. Mas o que chama a atenção são os percentuais elevados, o que - é claro ! - não encontra paralelo na recomposição salarial de profissionais da iniciativa privada.

Em Juiz de Fora não se tem notícia do aumento para vereadores e prefeito para vigorar em 2025. Entretanto, a expectativa é que os membros dos dois poderes sejam bastante austeros, quando derem aumentos para si mesmos .

3 - A disputa pela prefeitura, ainda distante, mas não tanto para os grupos que dela pretendem participar, pode ganhar algum progresso nos próximos dois meses. A começar pelo PMDB, com o ensaio de conversa com o grupo do ex-prefeito Tarcísio Delgado, que estaria de volta à sigla. O projeto inicial de grupo é lançar a candidatura do ex-deputado Júlio Delgado.

4- A prefeitura realizou reunião com moradores do Bairro Industrial para apresentar a primeira etapa das obras de prevenção aos alagamentos. As intervenções começariam nesta semana.

Alguns observadores políticos comentaram a notícia como medida também política da prefeita, que precisa mostrar que está realizando obras e serviços, e, assim, poder pleitear a reeleição no ano que vem.

5 - Sobre o protagonismo feminino na política nacional, a CNN Brasil destaca alguma simetria nos projetos eleitorais de 2024 pelos atuais partidos antagônicos na cena política brasileira: o Partido Liberal (PL) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Ambos têm cuidado, de forma planejada, os próximos passos de Michelle Bolsonaro e Rosângela Silva, para alavancar as forças partidárias com vistas às próximas eleições. No PT, a ideia é que, diante dos compromissos oficiais do presidente Lula, a primeira-dama o represente em municípios com candidaturas de esquerda. A previsão é de que o presidente deve focar sua presença nas capitais, e Janja estaria presente nos municípios com população maior que 100 mil habitantes.

No caso de Michelle, o PL quer a presença dela em regiões em que o ex-presidente Bolsonaro enfrenta maior rejeição, como nas regiões Norte e Nordeste. A ideia é que tenha uma agenda eleitoral paralela à do marido.

Enfim, o objetivo tanto do PT como do PL é estar presente no máximo de municípios, na tentativa de ampliar o número de prefeitos dos partidos, inclusive nos municípios em que têm maior rejeição. Segundo levantamento da CNN, o PL é a sexta legenda com maior número de prefeitos, enquanto o PT é a décima primeira.

Cabe um comentário premonitório a respeito das iniciativas de ambos os partidos, proporcionando protagonismo de duas mulheres no cenário político nacional, com repercussões eleitorais em 2026.

6- Em BH, o ex-prefeito Márcio Lacerda, lembrado positivamente pelos dois mandatos que exerceu,surge como possibilidade de pré-candidato para 2024. Considerado de notável capacidade de gestão, ele vem sendo procurado, com insistência, por diversos partidos.

Em 2018, quando era pré-candidato ao governo de Minas, esteve em Juiz de Fora, a convite de seu amigo Vitor Valverde, para explanar suas propostas. Mas o PSB não permitiu que concorresse naquele ano, frustrando parcela do eleitorado que aderiu ao seu programa de governo. Há quem acredite que a não candidatura de Márcio Lacerda favoreceu a vitória de Romeu Zema, pois os mineiros buscavam candidato com perfil de bom gestor.

Faz 25 anos que a Comissão de Reforma Política do Senado Federal aprovou projeto de Sérgio Machado (PSDB-CE) introduzindo o voto facultativo nas eleições, o que correspondia, segundo pesquisas da época, ao desejo de 64% da população consultada. Esse percentual não estaria muito diferente nos dias atuais. Mas nem por isso a decisão da comissão prosperou o suficiente para ir ao plenário. Quatro anos antes, os votos nulos e em branco haviam atingido 36.5%. Em apoio ao projeto, o senador José Fogaça (PMDB-RS) lembrou que o voto obrigatório é quase uma farsa: o eleitor é obrigado a comparecer, mas anula ou vota em branco...

terça-feira, 1 de agosto de 2023

 

Prioridades em ordem



(( Wilson Cid, hoje, no "Jornal do Brasil" ))


No balanço semanal dos passos do governo não faltaram divergências, quando a questão posta em tela é a definição das prioridades do presidente neste segundo semestre, há pouco começado, mas já carregado de dúvidas sobre o que é preciso fazer de imediato, de modo a colocar nos devidos lugares os instrumentos que vão entrar com ele no ano eleitoral; ano que será seu primeiro teste popular nas urnas depois da posse. Não é para brincar, porque, se terá obras a mostrar, a oposição não menos municiada pelos desgastes do poder, que são muitos.

Uma questão para o presidente encaminhar, de viva voz, solenemente, sem deixar margens à insegurança, nasce nas insinuações socializantes, que têm assustado elites e os setores produtivos bem sucedidos, ali onde as falas presidenciais localizam alguns sentimentos nazistas. Para que se evitem expectativas perturbadoras, cabe a ele, não a ministros ou meros porta-vozes, definir os parâmetros da política social que pretende; até onde ela vai e qual a capacidade de ferir interesses em nome da prometida melhor distribuição das riquezas nacionais. Os adversários insistem em ver o Brasil caminhando célere para um meio socialismo, com as tonalidades e matizes bolivarianos que o presidente aprecia e elogia. Mas seria isso mesmo? Lula tem de esclarecer, sobretudo em vésperas de uma reforma tributária que não esconde a promessa de uma carga de cobranças inédita no país. Não são apenas os muito ricos e herdeiros de fortunas que se assustam, mas os produtores médios também.

Paralelamente, outra questão que pede espaço na agenda do governo é a definição de melhores critérios de convivência entre os ministros, vários deles, muitas vezes, assumindo atitudes que desafiam os colegas, passam por acima e avançam nas searas alheias. No mínimo, deselegância incompatível. Em certos casos, decide-se o que o ministro fica sabendo depois, à sua revelia, como se deu no episódio da escolha de Márcio Pochmann para a presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A ministra do Planejamento, que não o queria e nem avisada de que seria contrariada, ainda teve de engolir seco e fazer de conta que sabia…

Carece o governo de um critério para reger a atuação dos titulares do primeiro escalão, porque sem isso torna-se difícil remover o clima de confusão e desassossego, um quadro frágil para o ministério sobreviver ao tsunami postulante do Centrão.

De outro lado, ainda nas pendências do governo Lula, figura a urgência de outra questão em cuja essência a polêmica ajuda a perturbar, notadamente nos grandes centros. Trata-se de ações concretas para desarmar o crime organizado, não atingido pelo esforço do ministério da Justiça de tirar os revólveres da população. Causa urgente a ser tratada, porque os civis ficam desguarnecidos, em situação de absoluta desigualdade de defesa. Porque as grandes forças armadas marginais defendem-se, muitas vezes desafiadoras.

Não há quem, de bom senso, possa torcer pelo retumbante fracasso do governo Lula, porque, andando mal, seriam de todos as consequências. O castigo não seleciona vítimas. Todos seríamos caminhantes sob maus tempos. Mas cabe ao governo e a seus agentes darem os primeiros passos para a harmonia interna. A propósito, está confirmado para outubro o afastamento do presidente, por alguns dias, tempo para submeter-se a uma intervenção cirúrgica no fêmur. Não pode esperar mais, sob pena de as dores se tornarem insuportáveis. Toda vez que a saúde manda um presidente para o hospital, o afastamento se torna propício a reflexões mais demoradas, blindado pelo respeito devido aos enfermos, doído apenas pelas agulhadas, que ele talvez debite a enfermeiros bolsonaristas... Que aproveite a chance.

Palavreado

Há um conhecido ditado, algumas vezes atribuído aos irlandeses, enquanto outros o inscrevem na conta da milenar sabedoria chinesa. Mas, parta de onde tenha partido, não há negar que nada é tão ruim que não possa piorar. Vem a calhar, quando se pensava que os xingamentos permutados entre o ex-presidente Bolsonaro e seu sucessor já haviam chegado ao porão das normas mínimas que devem ser cobradas em divergências entre contrários. O achincalhe, ganhando mais espaço no tiroteio que ambos vêm travando antes, durante e após as eleições, acaba de ganhar foros de estrebaria. Adotaram linguagem jumental, para o espanto geral e vergonha dos brasileiros que vivem no Exterior, certamente cobrados e humilhados, mesmo que não tenham culpa pelas indecências que acontecem. E lembrar que - dias antes! - queixava-se neste espaço dos descuidos do presidente Lula com certas expressões equivocadas ou deselegantes. Pois o que era ruim acabou piorando, repetindo o velho brocardo.

Estranho, para se dizer pouco, é a ausência de pessoas das relações ou assessores, indispostos a levar advertência a esses dois senhores sobre essa indesejável conduta verbal que adotam, capazes de infelicitá-la cada vez que abrem a boca. O fato de terem se transformado em inimigos, mais que adversários, o que não foi e nem tem sido bom para a política, não quer dizer que devam ser eruditos, nem mesmo brilhantes, mas respeitosos; se não nas relações pessoais, pelo menos para o devido respeito à população.

Se Bolsonaro e Lula prosseguirem nessa toada, em certeira caminhada para o baixo calão, em breve, quando seus pronunciamentos pela TV evoluírem na imoralidade explicita, vai ser preciso tirar as crianças da sala. Palavreado inadequado para menores.