segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mudanças difíceis

Na onda das campanhas pela moralização, como ainda agora se vê em relação ao senador Renan Calheiros, é interessante observar que, embora visíveis na consciência coletiva, as mudanças em geral não se operam com facilidade. E não é preciso muito esforço para entender a distância que vai entre o desejável e o realizável: o mesmo eleitor que reclama e protesta é aquele que no momento do voto vai fazer caridosa concessão ao candidato prestimoso que lhe fez um favor ou que chega recomendado por parente ou amigo.
Causas distantes
A intensidade do desejo renovador dá-se, portanto, quando ainda estão distantes as urnas. É da tradição: outubro vai despontando e as boas expectativas se esvaziam, somando-se a isso uma certa preferência das camadas eleitorais por não mudar o que está posto, ainda que sobrem razões para cassar a delegação dada a homens e mulheres que não satisfizeram. Nos estudos a respeito, a conclusão geralmente aceita é que faz parte da índole nacional o temor por mudanças; uma aguda desconfiança em relação ao novo. E aí os corruptos tradicionais levam vantagem.
Contra Renan
Já que os partidos e as lideranças da cidade não se movimentaram para levá-la a aderir à campanha de destituição de Renan Calheiros da presidência do Senado, um grupo com cerca de cem estudantes promoveu passeata e protestos. Mas, foi no sábado à tarde, quando a movimentação no Centro já havia cessado. Na Rua Batista de Oliveira poucos assistiram à pequena passeata, que acabou sendo útil, pois evitou a omissão total dos juiz-foranos.
Vale insistir
Dez anos depois de terem sido declaradas insuficientes as instalações do Fórum, o governo do estado está propondo que alguns secretários se manifestem sobre a possibilidade de a atual sede ser permutada com a prefeitura. O novo Fórum ficaria na área vizinha à MRS, já agora abandonada a alternativa de ocupação de terrenos no extremo sul da Avenida Brasil. O plano é de interesse geral, mas já se percebeu que só evoluirá se vier o apoio das forças políticas, que em Juiz de Fora primam pela desunião e mútuas desconfianças.
Bem coordenado
Não apenas em relação ao novo Fórum, tão necessário, mas para qualquer projeto de vulto que depender de trânsito nos governos estadual e federal, o Executivo municipal não poderá abrir mão de uma base de apoio político de expressão. Governador e prefeito podem conversar e decidir, mas sem a participação de uma base política de sustentação, compondo-a deputados, senadores e ministros, a coisa não anda.
Base regional
O comando estadual do PT, que vê como certa a candidatura de Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2014, já tem algumas ideias sobre como planejar a campanha e como garantir resultados mais proveitosos. Uma das sugestões apresentadas diz respeito a conduzir a movimentação do futuro candidato identificada com questões regionais, o que tem tudo para ser adotado, porque o estado vive perfis e problemas diferenciados. Uma prioridade na Zona da Mata não prevaleceria para o Jequitinhonha, por exemplo. Mas pode ser que o plano não seja uma exclusividade dos petistas. Sobre regionalização há quem a defenda também nos ninhos tucanos.
Problema sério
Desde o ano passado que técnicos credenciados vêm alertando para o fato de que chegou ao limite a capacidade de os reservatórios manterem o nível normal de abastecimento de água à população. Em outubro, sem maiores explicações, foram interrompidas as obras da adutora que vem de Chapéu D' Uvas, e, se elas forem retomadas agora, o desassossego em relação ao serviço fica para o próximo ano.
Preocupação
Quem esperava que as campanhas salariais fossem a primeira preocupação do prefeito Bruno, pode ficar sabendo que muito pior para ele e para a população é o risco de desabastecimento da água. Principalmente quando se somam a isso os dias quentes e as chuvas escassas.
As diferenças
Recebo pela internet:
    Se você rouba milhões de reais do povo ou dos cofres públicos, várias coisas podem acontecer: vai passar 15 dias num resort na Bahia; vai ser empossado deputado federal; será eleito presidente do Senado; vai se eleger deputado ou senador; nomeado ministro ou para um alto cargo no governo. Se você tiver menos de 18 anos completos, aí se você rouba, assalta, estupra, até mata, não tem problema. Você não pode ser preso, porque é menor. Só não pode comer bombom, tomar xarope pra tosse ou tomar remédio homeopático, porque se você for parado numa blitz, vai preso.    
(( publicado na edição desta terça-feira do TER NOTÍCIAS ))

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