quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um dia para ser esquecido

O 24 de dezembro de 1940 – setenta anos passados – foi o Natal que não deixou saudades. Em rigor, nem houve Natal, porque a cidade sofreu naquele dia a maior enchente do Rio Paraibuna, que só não foi grande tragédia, porque vinte e dois anos ela havia enfrentado a gripe espanhola, que custou 650 vidas. Em 40 ninguém morreu. Mas quando o Paraibuna vasou os estragos foram grandes, a começar pela destruição total de 280 casas, em sua maioria da faixa ribeirinha.
As águas subiram metro e meio a Halfeld, até o Teatro Central,mas, chegando a 2,7 metros, bateram o recorde na esquina de Feliciano Pena com Barão da Ibertioga, menos um pouco, 1,70 metro,onde se encontram as ruas Floriano Peixoto e Hipólito Caron. O comércio e as famílias sofreram prejuízos em um montante que nunca chegou a ser contabilizado. Mas ocorreram casos de falência.
Foram duas as primeiras preocupações: recolher e encaminhar os 3.100 desabrigados, entre eles os velhos do Abrigo Santa Helena, carregados nas costas de voluntários, e trabalhar para conter a ameaça de epidemia.
O prefeito Rafael Cirigliano, auxiliado pelos delegados João Alves Valadão e Pedro Mendes, comandou o trabalho de assistência e produção de ceias natalinas de improviso, das quais constaram, no primeiro momento, 1.800 litros de leite, 150 quilos de açúcar e 4.500 roscas...
O medo de doenças, o desabrigo e a lama só começaram a se dissipar no dia 31, quando o presidente Vargas decretou a suspensão, por quinze dias, de todas as obrigações fiscais do município e a construção de casas para os desabrigados no local chamado Flagelo, mais tarde Vila Furtado de Menezes. Melhor ainda: financiou obras que eliminaram a sinistra sinuosidade do Paraibuna, que vinha de uma longa história de destruição.


No Natal de 1940, o cenário da Rua Halfeld próximo à Sete de Setembro


Populares na ponte Artur Bernardes, quando a situação começava a se normalizar


O comércio da parte baixa da Marechal Deodoro foi um dos setores mais afetados.


A Praça da Estação, tomada pela enchente, ficou desativada durante uma semana.

Um comentário:

  1. Caro Wilson, li, com muito interesse, sua nota sobre o "dia para ser esquecido", uma vez que, desde menino (nasci em 59)ouvia esta história triste, contada pelo meu tio e padrinho de batismo, João Luiz Alves Valladão, então Delegado Regional, citado por você. Acho que foi nesta mesma enchente que o saudoso Mr Moore atuou, oferecendo abrigo à desabrigados nas instalações do Granbery , não é? Tio João Valladão, a partir daí, dedicou grande parte de sua vida ao ideal de servir, fundando a Chácara de Menores de Juiz de Fora, no Linhares, e alinhando-se, através do Rotary Club de Juiz de Fora, onde foi presidente e, depois, Governador do distrito 4580, à grandes projetos humanitários. Recordar é viver.
    saudações
    Carlos Alberto Vilhena

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