segunda-feira, 5 de março de 2012

Poder coadjuvante

Antes mesmo da Semana Santa, setores influentes do PMDB vão chamar o vice Michel Temer para uma outra conversa, centrada na postulação de novos cargos no governo federal. Alegam que, avaliada a base de apoio parlamentar, percebe-se que o partido recebe menos do que merece, e essa é uma deformação que desagrada.
O PMDB segue fielmente seu manual de partido coadjuvante no poder, quer seja com os tucanos, quer seja com os petistas. Está sempre manifestando descontentamento com a parte que lhe cabe do poder, pois sempre quer mais. Age com pragmatismo desde 1985 na denominada 'Nova República', sob a liderança do ex-UDN e ex-PDS, senador José Sarney.

Ônus da chefia
Não é nada para preocupar; breve infecção, garantem os médicos que assistem o ex-presidente Lula, novamente hospitalizado ao sentir os pulmões pedirem socorro. Mais um reforço medicamentoso e tudo deve ficar bem.
Está para nascer entre ex-presidentes, não apenas os que são surpreendidos pela visita indesejável do câncer, alguém que se revele tão indisciplinado ao tratamento do que Lula. Recebe visitas, fotografa-se com visitantes, dá entrevistas e pelo telefone divide com Dilma as tarefas do governo. Se os médicos não o contivessem, o carnaval o veria folião em carro de escola de samba.
Lula é o oposto do bom paciente. Confia demais nos seus deuses; mas os deuses não gostam de ser desafios.


Tempo de conversa

Dizia o presidente Tancredo Naves que eleição só se conversa depois da procissão do Senhor Morto, alusão às indefinições que se veem antes da Semana Santa. Não tanto, como parece acreditar o neto, Aécio, que já está em campo conversando sobre as composições e os caminhos que se abrem ao PSDB e seus aliados. Em 2010, com idêntica disposição, ele conseguiu agregar grandes forças em torno da candidatura de Anastasia.
Em Belo Horizonte, onde se conversa muito, quase exclusivamente sobre o projeto da reeleição do perfeito Márcio Lacerda, nos dias 14 e 15 a Associação Mineira dos Municípios vai promover um encontro de prefeitos, vereadores e dirigentes partidários, para discutir o processo eleitoral. Certamente a entidade não vai indicar candidatos, mas oferecerá diretrizes para os municípios imporem à campanha suas grandes questões.



Assunto esticado

Se o governo já tem desafios demais, ideal seria que os assessores políticos da presidente (afinal, quem são eles?) trabalhassem para reduzir ao máximo a carga dos problemas que sobem ao seu gabinete. A ascensão só quando não houver mesmo jeito de filtrá-los. É para isso que são criadas e funcionam as assessorias.
Discrepa, portanto, a timidez com que os auxiliares se posicionaram frente ao protesto dos militares da reserva, aborrecidos com o que entendem ser revanchismo a apuração de responsabilidades nas violências contra políticos nos tempos da ditadura. O governo devia ter deixado que o assunto se esgotasse em si mesmo, mas preferiu soprar as brasas e reacender um fogo que se mostrava brando e pouco ameaçador. O protesto, que nem era das casernas, acabou escapando para as ruas, triplicou as adesões e criou um problema sério: desafiantes, os miliares afirmam que não reconhecem autoridade no ministro da Defesa. E agora?



Sob ameaça

Qualquer candidato a prefeito está sujeito a pressões, provocadas pelos interesses políticos que eles podem ajudar ou prejudicar. No caso de Juiz de Fora, considerados os partidos a que pertencem e as alianças nacionais e estaduais de que fazem parte, Júlio Delgado e Bruno Siqueira podem ser alvo de insinuações, principalmente da parte do PT e do PSDB.




Relatório

O vereador Isauro Calais encaminhou à imprensa, ontem, o relatório de suas atividades em 2011, onde destaca como principal realização os cinco meses de estudos e debates para a implantação de uma política de defesa e promoção dos idosos, em comissão especial que criou e presidiu. Segundo ele, o que se estabeleceu para o aumento da qualidade de vida da terceira idade em Juiz de Fora ficou acima da média do que se propõe nos grandes centros brasileiros.
Na relação dos seus 267 requerimentos e 27 projetos cabe destaque também para o que estabelece a ficha limpa como norma para ingresso no serviço público municipal. E, como proposta regional, Calais criou a comissão especial de reforma política, destinada a levar a Brasília as preocupações da Zona da Mata nessa questão.



As ciladas

No encontro de sábado, quando o PTdoB reuniu militantes de municípios vizinhos, os candidatos foram advertido sobre ciladas inevitáveis criadas na legislação eleitoral no que diz respeito à propaganda em campanha. Uma camisa com o nome do candidato é proibida no dia da eleição? Há juiz que a admite, mas outros veem nela um impedimento. Melhor é não correr o risco.

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A volta às aulas na Universidade foi marcada, como sempre, pela calourada, que em Juiz de Fora se transformou no casamento sinistro do mau gosto com a falta de criatividade.

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De Memória

Na manhã de 3l de maio de 1963, ainda a bordo do Viscont presidencial, que o trazia a Juiz de Fora, o presidente João Goulart, entre uma laranjada e alguns bombons, retocava o discurso que pronunciaria na Câmara. Desejou saber de dois deputados que o acompanhavam, Clodesmidt Riani e Olavo Costa, e de um jornalista da comitiva, qual a principal reivindicação que ouviria da cidade: a abertura da Avenida Brasil, segundo a unanimidade dos consultados, dada a importância que ela representaria para a desobstrução (já naquela época!) no tráfego urbano. Em uma das laudas datilografadas duas linhas estavam reservadas aos pontos centrais do discurso, que, além da avenida, garantiu a Juiz de Fora que as reformas de base viriam de qualquer maneira.


(( publicado na edição desta terça-feira do TER NOTÍCIAS ))

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