segunda-feira, 11 de abril de 2016






A GÊNESE DO GOLPE



Cabe indagar onde estaria o berço desse golpe que o governo denuncia?, e o vê como nome verdadeiro das intenções de impeachment da presidente. Em que gabinetes sinistros estaria sendo costurado o plano arquitetado para empurrar dona Dilma contra a parede do dilema: sair por conta própria ou pelo impedimento definitivo?

Pois muito bem. O combate eficaz a tão grave trama, se verdadeira, importaria em identificar sua verdadeira origem; o foco onde prospera a insídia projetada e nela aplicar um fumacê prodigioso, tal como se faz com os mosquitos da dengue.

Mas há uma certa confusão quanto às origens. Antes de tudo porque os governistas levantam como primeiro suspeito o vice Michel Temer, que foi escolhido a dedo por dona Dilma para acompanhá-la na chapa da reeleição. Uma confiança que vem de longe, e a ele ficou devendo o apoio sempre fundamental do PMDB. Não teria logo identificado nele vocação golpista?

Suspeita-se do Congresso Nacional. Mas ali o governo sempre teve e tem maioria fiel, generosa, “acessível”, como ainda agora se vê nos acordos pragmáticos e objetivos conduzidos pelo ex-presidente Lula.

Suspeita-se da Polícia Federal. Mas ela é parte do próprio governo, diretamente vinculada ao Ministério da Justiça, e em seu nome, contra imoralidades, tem obrigação de agir.

Suspeita-se do Ministério Público. Porém ele constitui parte da administração pública em que o governo sempre buscou e obteve caminho para suas demandas.

Suspeita-se do Supremo Tribunal Federal. Ora, ali a maioria é constituída de ministros nomeados pelos governos do PT. É um tribunal onde o governo raramente perde.

Suspeita-se até da Procuradoria-Geral da República, a mais fiel e republicana das Procuradorias.

Suspeita-se do povo, que em 70% manifesta desconfiança na capacidade da presidente em conduzir soluções para os gravíssimos problemas do momento.

Suspeita-se do ex-líder do governo, senador Delcídio, a quem se atribui o agravamento dos problemas palacianos depois de promover esforço suicida para afastar o governo dos estilhaços do Lava Jato.

Na busca desesperada de culpados, ideal é que a presidente volte preocupações para as entranhas de seu próprio governo. As evidências mostram que golpe, se houver, então é de governistas, simpatizantes, agregados, dos dependentes de copa e cozinha. Coisa bem doméstica.






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